domingo, 27 de novembro de 2011

Capítulo XVIII - Amores proibidos


Pardal levou a menina para a favela como sua esposa e assim Camila tornou-se primeira dama do tráfico de drogas. Lucinho continuou com sua vida desistindo do amor e de reencontrar seus pais.

O bandido combinava mais com atrocidades e violência que com sentimentos fúteis como carinho e paixão.

E eu? Bem eu tive uma noite maravilhosa com Juliana até deixá-la em casa e lhe dar um beijo apaixonado. Saí de lá me sentindo nas nuvens e no dia seguinte voltei com um buquê de flores.

Juliana abriu a porta e me reencontrou com um sorriso nos lábios e o buquê na mão. Deu um pequeno sorriso e mandou que eu entrasse.

Entrei, ela pegou o buquê agradecendo e pediu que eu me sentasse enquanto pegava um vaso para as flores.  Depois sentou ao meu lado e antes que eu falasse algo disse que tínhamos que conversar.

Perguntei qual era o problema e Juliana falou que o que ocorreu na noite anterior foi um erro que não poderia se repetir. Eu havia lhe traído e ela não conseguia esquecer isso além de não entender muitas coisas que ocorriam em minha vida.    

Ainda tentei argumentar falando que eu havia amadurecido e aquele Gilberto que havia lhe traído não existia mais e que eu ganhava um bom dinheiro porque trabalhava feito um condenado para seu pai, mas não a convenci. Juliana pediu desculpas e falou que nós funcionávamos mais como amigos que como namorados.

Depois disso Rebeca desceu correndo a escada e me deu um abraço. Enquanto abraçava minha filha olhava Juliana que também me olhava com ar de “sinto muito. Beijei minha filha e falei que outra hora voltaria para brincarmos, beijei Juliana na testa e saí da casa arrasado.

Pensei que enfim me entenderia com Juliana, mas isso estava muito longe de ocorrer. Fiquei deprimido uns dias quando major Freitas deu a idéia que eu devia me matricular em uma academia para espairecer.

Falei que o major só podia estar brincando eu nunca havia feito exercícios na vida, no máximo “halterocopismo”. O major me deu um cartão com endereço de uma academia e falou que malhava lá, era a melhor da cidade.

Uma manhã, entediado em casa sentei no sofá, liguei a TV, abri uma cerveja e fiquei lá vendo desenho. Em determinado momento peguei o cartão que estava ao lado do telefone e decidi que poderia ser uma boa.

Fui até a academia e me matriculei, depois fui a um shopping pra escolher roupas maneiras e tênis pra minha malhação. Começava a me empolgar.
No dia seguinte estava cedo lá e fui apresentado ao professor. Fiz uma série de exercícios e gostei. Todos os dias ia até a academia até que contratei um personal trainer.

O cara tirava minha pele, era brabeira. Corrida na Lagoa, exercícios na praia três vezes por semana e o restante na academia. Pior parte era a dieta. Lucinho e Pardal entendiam nada quando rolava feijoada no morro e eu comia salada, fora que me afastei das drogas e evitava bebida. Os bandidos perguntavam se eu tinha virado viado.

Não de viado eu não tinha nada muito pelo contrário. Uma atriz de novela frequentava a academia. Seu nome Nicole Ferraz e eu era tarado nela via novelas só por causa dela e agora era minha colega de academia.

Nicole era uma das atrizes mais gostosas e queridas da televisão brasileira, naquele momento vivia a mocinha da novela das oito e quando a via com aquele shortinho apertado enfiado na bunda malhando eu ficava louco. Tentava me controlar lembrando-me do marido dela o lutado de UFC campeão do mundo Javier Guerrilheiro, mas parceiro..era difícil.

Um dia notei que ela estava com problemas em um aparelho e não tinha nenhum professor por perto então prestativo como sou fui ajudá-la. Ela agradeceu e eu me apresentei, quando ela foi se apresentar eu disse que o Brasil todo a conhecia.

Mulher é vaidosa e ela adorou o que eu falei.

Sempre que nos víamos na academia nos cumprimentávamos e uma vez correndo na praia com o personal dei de cara com ela correndo também. Chamei para que corresse junto e ela topou iniciando-se assim uma bela amizade mesmo o meu personal falando pra eu tomar cuidado que o pescoço do Javier era do tamanho da minha coxa e aquilo poderia acabar mal.

Contei pra bandidagem o que ocorria e eles não acreditaram falando que eu estava mentindo. Jurei que não, mas eles nem ligaram já que era sexta-feira, dia de baile funk e os soldados se entusiasmavam.

O motivo do entusiasmo era que o Trololó bombava nas noites de sexta. Pessoas de todas as camadas sociais subiam o Trololó pra curtir o funk, não eram poucos os carros importados que apareciam na área e muitos playboy e patricinhas curtiam o “batidão”.

E os soldados curtiam as patricinhas e por incrível que pareça as patricinhas também curtiam os soldados. Tem algumas mulheres que tem uma fascinação inexplicável por bandidos e armas. Subiam ao morro pra dançar, beber e não poucas vezes cheirar e aí amigo, ninguém é de ninguém.

O baile era realizado na rua mesmo, a rua principal do Trololó e os freqüentadores do baile se misturavam com soldados que passavam com fuzis andando, outros de moto e a convivência era pacífica. Perto ficava uma boca de fumo que sempre tinha fila, não era raro eu sentado na calçada bebendo minha cervejinha e algum maluco perguntar se era a fila da boca e eu apontar para o local certo.

Em frente ao palco ficava uma casa que pertencia à associação de moradores. Associação que era conivente com o tráfico e recebia muitas vantagens de Pardal. A casa tinha uma varanda que em noite de funk era chamada de área vip. Lá ficavam os convidados de Pardal, entre eles eu.

Naquela noite um MC cantou um “proibidão” em homenagem a Pardal. Proibidão é um tipo de funk que enaltece traficantes ou drogas. A música era péssima, mas o Pardal ouvia como se fosse um clássico de Chico Buarque. 

No fim da interpretação musical o MC foi até a área vip recebendo um abraço de agradecimento de Pardal e um sacolé de cocaína para mostrar o quanto o bandido tinha gostado.

O MC saiu todo feliz pronto pra cheirar e Pardal disse pra mim que iria se mandar. Perguntei como assim a noite ainda estava no meio, muita coisa pra acontecer. Mas ele olhando pra Camila requebrando ao som do funk falou que queria curtir sua branquinha. O bandido estava apaixonado mesmo. Dei um sorriso e um tapinha no ombro dele mandando que ele fosse curtir seu amor.

Ele pegou Camila pelo braço e se mandou.

O fim da noite era o melhor. As patricinhas já doidonas com bebida e pó. Curió escolheu algumas para uma festa de fim de noite. Fomos para a casa do bandido onde rolava a pegação.

Naquela noite o bandido escolheu algumas lindas, novinhas com cara de menor de idade e entusiasmado chegou em duas e falou que se elas se beijassem para nós vermos ganharia cada uma um pacotinho de cocaína.

As meninas que deviam ter uns dezesseis anos toparam a idéia e se beijaram. Beijo de língua mesmo com a rapaziada toda, incluindo algumas outras meninas presentes, aplaudindo. Me entusiasmei e falei que pagaria quinhentos reais em pó pra cada uma se elas além de se beijarem transassem na nossa frente. 

Uma ainda ficou reticente falando que elas eram irmãs, mas a outra não se fez de rogada derrubando a irmã no chão e deitando em cima dela aos beijos. As meninas mesmo sendo irmãs fuderam ali na nossa frente e eu morri em mil reais. Mas morri nessa feliz.

No fim entrou todo mundo na putaria. Devia ter uns cinco homens e sete mulheres no lugar e a suruba rolou até de manhã.

Na segunda-feira retomei minha malhação em busca de gastar os excessos de fim de semana. Na verdade os exercícios já estavam em segundo plano eu queria mesmo era comer a Nicole. Acabou que virei um confidente dela, Nicole contava como era infeliz no casamento.

Reclamava que o marido não dava muita atenção pra ela, dava muito mais a sua carreira que a ela e Nicole se sentia sozinha. Falei que ela era linda, jovem e não devia se sentir assim. Ela então usava meu ombro pra chorar. Encostava a cabeça nele enquanto acariciava doido pra pegá-la de quatro.

Durante a semana ela me contou que viajaria sexta de tarde para os Estados Unidos onde lutaria. No máximo da ousadia perguntei se ela gostava de baile funk. Nicole respondeu que sim, mas nunca tinha ido. Perguntei então se ela queria ir a um baile no Trololó.  

Nicole perguntou se não era perigoso e respondi que não, conhecia todo mundo na favela e seria tranquilo. A atriz sorriu e contou que topava me dando seu endereço.

Ah moleque, eu ia me dar bem.

Na sexta na hora marcada estava lá de carro na frente de sua casa lhe esperando. Nicole surgiu linda num vestido preto e decote generoso. Abri a porta para ela, elogiei e a atriz sorrindo entrou no carro.

Fomos para o morro e levei a mulher para a área vip. As pessoas olhavam espantadas como se não acreditando que fosse ela. Nicole simpática foi solícita e atendeu a todos até topando tirar foto com Camila.

Nesse momento cheguei perto de Pardal e zoei dizendo “não falei que estava pegando?”.

Não, eu não estava pegando, mas homem sempre aumenta.

Em um momento perguntei se ela queria alguma coisa e ela pediu pra eu comprar pó pra ela. Olhei espantado Nicole riu e falou “pare de hipocrisia e compra logo”. Fui comprar..

Desci da área vip e como sempre a rua estava repleta de patricinhas, mas uma me chamou atenção, eu conhecia.

Puxei Aline pelo braço e perguntei o que ela fazia ali. Aline era neta de Eurico Peçanha que era irmão de Getulio Peçanha, portanto Aline era sobrinha neta do Senador.

A menina assustada por ter me visto disse que estava fazendo nada demais, tinha nada pra fazer em casa e amigos convidaram para que ela conhecesse o baile do Trololó. Realmente nunca tinha visto Aline pela área, mandei que ela tomasse cuidado e ela respondeu “pode deixar tio”.

Puta que pariu se tinha uma coisa que eu detestava era ela com dezesseis anos de idade me chamar de tio. Sentia-me mais velho ainda.

Deixei a menina pra lá e fui comprar o pó.

Eurico teve três filhos e o mais velho uma, que era a Aline.

Menina estudiosa que respeitava os pais, avós e nunca se metera em confusões. Eu mesmo nunca ouvi falar nada que lhe reprovasse. Vi essa menina nascer e ainda não me acostumara com o fato de ter virado uma adolescente e claro como qualquer uma queria se divertir também.

Voltei com o pó pra área vip e Nicole meteu o nariz enquanto embaixo uma música mais lenta tocou e um soldado do morro pediu pra dançar com Aline. Ela se assustou ainda mais quando viu o fuzil nas costas do menino. Mas ele, que se chamava Banzé, pediu para que ela não ficasse com medo que não lhe faria mal só queria dançar.  

E eles dançaram a música e Banzé como prometido tratou com respeito. No fim da dança ele agradeceu e partiu deixando Aline sozinha.

Ele foi pra esquina tomar conta da movimentação na favela enquanto Aline fiou no meio de seus amigos dançando. Dançando e olhando pra Banzé. Tinha gostado da educação e respeito do rapaz com ela além de achado bonitinho.

E Banzé realmente recebeu boa educação. Mais velho de cinco irmãos seu pai abandonou a família um pouco depois do nascimento do quinto filho. Então Banzé não teve muito estudo tendo que ir logo para o batente.

Trabalhou de tudo um pouco, mas o que ganhava mal dava pra ajudar em casa. Não foram poucas as vezes que ele e seus irmãos dormiram com fome então Banzé acabou seduzido pelo tráfico.

Aprendeu a atirar, mas um de seus orgulhos era que nunca tinha matado ninguém.

Algum tempo depois no baile Banzé chegou perto de Aline e perguntou se podia pagar um refrigerante pra moça. Ela topou então eles foram ao bar. Banzé pediu dois e Aline estranhou que ele não bebesse. O menino então contou que não bebia nem se drogava em respeito a sua mãe.

Incrível trabalhava no tráfico, mas não usava drogas por causa da mãe. 
Engataram uma conversa e Curió passou por eles zoando falando que Banzé havia se dado bem e pedindo pra ele levar Aline pra festinha depois do baile. Banzé pediu para que a menina não ligasse pro comentário e perguntou se ela queria dançar de novo, ela topou.

E assim eles foram dançar e dançaram a noite toda. No fim Aline disse que tinha que ir embora, mas tinha adorado a companhia deu um beijo no rosto do rapaz e foi embora.

Foi embora olhando pra trás. Um havia gostado do outro.

Banzé se deu bem, mas eu mais ainda. Saí do morro com Nicole chapada e fomos direto pra minha casa. Bebemos, cheiramos. É eu tinha voltado à ativa e fudemos a noite toda. Eu que já havia tocado várias punhetas praquela mulher deliciosa agora tinha a ela na minha cama. Me senti o cara!!

No dia seguinte tirei onda no morro contando que tava comendo atriz de televisão e todos viram. Pardal riu e contou que quem tirou onda mesmo foi Banzé que comeu minha sobrinha. Fiquei puto com o papo e perguntei como era a parada e Banzé que estava no local gaguejando jurou que não havia encostado nela.

Acreditei no nervosismo que o rapaz passava e mandei que ele abrisse o olho.
E assim a vida foi passando. Comecei um caso com Nicole e assim conseguia esquecer Juliana. Aline voltou ao baile na sexta seguinte para alegria de Banzé. Ela foi direto ao rapaz e perguntou como ele estava. Banzé respondeu que estava melhor agora com ela lá.

A moça mesmo chamou o rapaz pra dançar e partiu dela a iniciativa do beijo. 
Vi que se beijaram e da área vip notei o carinho que ele a tratava. Fui até onde eles estavam e pedi para que tomassem cuidado e falei pra Aline que Banzé era um cara legal.

E eles começaram a namorar. Dois mundos completamente diferentes. Banzé negrinho, pobre, soldado do tráfico de drogas. Aline menina branca, patricinha de família rica. Os dois não se importaram com a distância de seus mundos e estigmas, se apaixonaram de verdade e tinham certeza que aquele amor venceria tudo.

Aline sempre ia até a favela ver seu namorado e Banzé se arriscava às vezes indo ao asfalto ver seu amor. Em uma dessas idas Eurico viu sua neta junto com o menino e furioso pegou Aline pela orelha e levou embora.

E o assunto chegou a Getulio e chegando a Getulio chegou até a mim. O Senador perguntou se eu sabia de alguma coisa e respondi que sim, mas que o menino era legal. Getulio ficou puto e gritou que não me perguntou se ele era um cara legal ou não e que eu desse um jeito nisso ou minha cabeça rolaria.

Chamei Aline pra conversar e contei toda a situação. Ela perguntou se eu me meteria pra atrapalhar como seu tio avô pediu e respondi que não só tinha lhe chamado pra falar que tomasse cuidado que sua família estava de olho e faria de tudo pra acabar com o namoro.

Perguntei se ela gostava mesmo dele e Aline respondeu que sim era muito apaixonada e não saberia mais viver sem ele. Sorri dei um abraço em minha “sobrinha” e desejei que fossem felizes.

O namoro continuou e o Senador que não era burro sabia disso. A família tinha brigas homéricas com Aline que os desafiava que não acabaria o namoro e que se eles continuassem interferindo em sua vida fugiria de casa para morar com ele. Aquilo foi a gota d água para Getulio.

O Senador ligou pra Pardal e exigiu que ele desse um jeito no soldado que importunava sua família. Pardal ouvia a tudo do celular e mandava que o Senador se acalmasse que tomaria providências. Desligou o telefone e mandou chamar Banzé.

Eu estava ao lado e perguntei o que Pardal faria com ele e para que não o matasse porque o menino só estava apaixonado. Pardal não me deu ouvidos e reforçou a ordem para que Curió chamasse Banzé.

Continuei pedindo pela vida de Banzé quando o menino assustado chegou à boca com Curió e perguntou o que o patrão queria. Pardal apontando um fuzil para ele mandou que entregasse o seu. O menino nervoso entregou e eu apavorado pedia pra Pardal não fazer aquilo.

Pardal com o fuzil apontado pra Banzé contou que o Senador Getulio Peçanha havia telefonado e pedido para que ele tomasse providências em relação ao garoto e iria tomar.

Engatilhou o fuzil e quando Banzé chorando pediu piedade Pardal falou “vocês está demitido”.

O menino, Curió, eu, todos olhamos para Pardal com aquele olhar de quem não entendeu nada. Pardal reforçou que Banzé estava demitido essa era a providência que tomaria. Mandou que o menino largasse o crime e arrumasse um emprego no asfalto para que pudesse crescer na vida e dar uma vida digna pra Aline.

Banzé agradeceu e Pardal mandou que ele não agradecesse e descesse naquele momento mesmo para tentar arrumar um emprego.

O menino se mandou e perguntei pra Pardal “como assim?”. O bandido virou pra mim e falou que quem cuidava de seus negócios e sua rapaziada era ele e não iria aceitar ordens do Senador. Ele foi menino pobre como Banzé cheio de sonhos e não iria aceitar que um sujeito se achasse melhor só porque tinha grana.

Vou enganar vocês não, nessa aí Pardal me surpreendeu.

E Banzé desceu e conseguiu emprego como atendente de lanchonete e mesmo com a família de Aline contra os dois continuaram o namoro cada vez mais apaixonados.

Banzé ralou muito nesse novo emprego, mas com todo orgulho recebeu seu primeiro salário e chamou Aline para o cinema. A mãe do rapaz também sentia muito orgulho de ver o filho se encaminhando na vida. Banzé era querido na lanchonete por todos e o dono da lanchonete incentivou para que ele estudasse.
Assim Banzé trabalhava de dia e fazia supletivo à noite pra alegria de Aline e das pessoas que gostavam dele.

Um dia Aline foi à lanchonete dar um alô pra Banzé e combinaram de pegar um cinema mais tarde. Deu um beijo se despedindo do namorado, falou que tinha uma surpresa pra noite e saiu esquecendo o celular no balcão. 

Banzé se atentou ao detalhe e perguntou ao gerente se podia correr atrás dela para devolver, o homem autorizou e ele foi.

No mesmo momento perto dali eu falava no celular com Nicole combinando um jantar mais tarde quando um moleque negro passou por mim pegou meu celular e saiu correndo. Gritei “pega ladrão” e dois guardas municipais perguntaram o que ocorria. Contei e eles correram atrás do menino e eu atrás deles.

De um lado o pivete correndo com meu celular com os guardas correndo atrás e eu acompanhando, do outro Banzé correndo com celular na mão gritando por Aline pedindo para que ela esperasse. Preciso nem dizer que deu cagada né?

Os guardas viram Banzé correndo com o celular de Aline na mão e pensaram que era meu celular. Gritaram “para trombadinha!!” Banzé viu os guardas correndo em sua direção e mesmo inocente se assustou e correu deles.
Banzé corria dos guardas e eu atrás gritava em vão que não era esse o ladrão. Aline notou a confusão gritou pra Banzé e correu atrás dele.

Nisso o menino apavorado atravessou a rua correndo e não notou um carro vindo. O carro lhe atropelou.

A pancada foi forte e Banzé caiu no chão. O motorista desceu desesperado gritando que não teve culpa porque o menino surgiu do nada. Os guardas chegaram em Banzé e antes que tocassem nele me meti na frente dizendo que não tinha sido ele e os guardas perseguiram o garoto errado só porque ele era negro.

Aline chegou desesperada gritando por Banzé e se abaixou pegando sua cabeça no colo. Banzé com sangue saindo pela boca olhou pro seu amor, falou “te amo” e pediu um beijo.

Aline chorando beijou a boca de seu amado e quando parou notou que ele havia morrido.

Ficou lá chorando com a cabeça de Banzé morto em seu colo e comigo, o motorista e os guardas em pé olhando a cena. Uma multidão se formou em volta pra acompanhar a tragédia.

Nem deu tempo de Aline falar que estava grávida dele.






sábado, 5 de novembro de 2011

Capítulo XVII - Taras e amores


As coisas voltavam ao normal, pelo menos em minha vida já que não tinha que aturar Juliana com outro homem. A cidade também voltava ao normal esquecendo aos poucos dos casos de Diana e Claudinho. O Rio voltava a sua violência normal do dia a dia com assaltos, balas perdidas, tráfico de drogas e assassinatos.

Coisas corriqueiras e comuns.

E o Brasil é um país na vanguarda do mundo quando se trata de escândalos, coisa de dar orgulho e mais um surgia para delírio do povo brasileiro.
Estava eu dormindo e sonhando que era funkeiro e dançava com mulheres frutas que rebolavam o popozão quando o telefone tocou. Com aquele sono habitual atendi e era Douglas Severiano, o faz tudo do Senador contando que ele estava com problemas.

Mesmo com imunidade parlamentar Getulio Peçanha entrara em cana na capital federal acusado de crime sexual contra a arrumadeira do apart hotel que ele ficava em Brasília. Eu e o advogado Eduardo Feitosa, o advogado das celebridades que se fodem fomos para Brasília e na justiça conseguimos que fosse estabelecida uma fiança para sua soltura.

O caso evidente caiu na imprensa. Como eu já disse antes o Senador e Bispo Getulio Peçanha montou um forte conglomerado de comunicação então evidente que seus rivais midiáticos explorariam a fundo a crise lhe envolvendo. Getulio saiu da cadeia e convocou uma coletiva se dizendo inocente sendo vítima de uma aproveitadora que queria dinheiro as suas custas e de um golpe de seus inimigos e inimigos da religião.

Para tudo que ocorria Getulio colocava a culpa em uma perseguição religiosa e assim ganhava apoio dos fiéis, sua igreja e de outros evangélicos a impressão que dava era que ele queria uma guerra santa no país e sempre que tinha oportunidade fermentava essa idéia.

E graças a esse discurso Getulio dividiu o país. Seus jornais, rádios, revistas e TV evidente ficaram ao seu lado e puxaram para o lado de guerra religiosa e os outros veículos de comunicação aproveitavam pra atacar o Senador.

E na verdade nenhum desses veículos, nem a favor nem contra queria a verdade, queriam era defender seus interesses como boa parte da imprensa.

No apart eu e Eduardo prensamos o Senador pedindo a ele que contasse a verdade. Getulio contou que a mulher exagerou. Ele não a estuprou só quis “brincar um pouco com ela”.  Lembrei logo do caso do motel que tive que buscá-lo bêbado e falei que essas brincadeiras estavam ficando sérias demais e causando problemas.

Problemas mesmo porque muitos Deputados e Senadores já discursavam em plenário contra Getulio pedindo que o congresso tirasse sua imunidade parlamentar e permitisse que fosse processado. Sua base aliada também era forte e o Congresso Nacional parou devido o caso. Como se precisasse de muita coisa para o Congresso parar. Políticos chegavam perto do pugilismo para defender seus interesses.

 A coisa estava feia, até então a maior crise enfrentada pelo Senador...
Apesar de manter o discurso religioso e mostrar à imprensa que estava calmo e a justiça divina iria prevalecer no fundo o Senador estava com um grande cagaço. Mesmo com a horda de fiéis com toda a grana que tinha certos escândalos quando ganhavam a opinião pública só eram aquietados com a cabeça do suspeito.

Porque no Brasil o suspeito é criminoso e o criminoso é condenado sem precisar de julgamentos. O brasileiro é um povo muito engraçado, permissivo com muitas coisas e exigente com outras não importando o grau de importância nas duas situações e sim pra onde a mídia lhes guia.

E o Senador tinha muitos inimigos que adoraram a situação.

Uma reunião de emergência foi marcada. Getulio, Douglas, Eduardo e eu marcamos uma reunião na casa do Senador.

Quando entrei na casa Juliana me perguntou se seu pai era culpado. Na hora usei um de meus maiores talentos e menti respondendo que não. Ela então pediu que eu salvasse seu pai e falei que faria o possível.

A reunião durou horas. O advogado pensou em várias estratégias de defesa, Douglas em estratégias para evitar que o Congresso permitisse o processo e eu fiquei quieto o tempo todo. Getulio virou pra mim e perguntou se eu não falaria nada e eu disse que estávamos horas lá e nenhuma solução proposta era boa e que ele, com a permissão da má palavra, estava fudido.

O Senador falou que minhas palavras acalmavam muito seu coração.  Aí eu completei dizendo que o Senador “estava fudido, agora não mais”. Pelo menos não mais se a minha idéia, a única possível, desse certo.

O Senador perguntou qual era e eu respondi “suborno”. A mulher era uma pobre fudida na vida e a solução então seria oferecer um bom dinheiro para que ela retirasse a acusação.

Douglas falou que infelizmente essa talvez fosse a única solução. O Senador perguntou quanto e Eduardo respondeu pelo menos trezentos mil. Getulio então pediu que eu fizesse a proposta.

Fui até Brasília e marquei com a mulher e seu advogado fazendo a proposta. A impressão que deu é que eles estavam o tempo todo esperando esse momento. O advogado disse que a proposta era boa, mas eles queriam mais, queriam quinhentos mil.

Peguei meu celular levantei e pedi licença a eles porque precisava falar com o Senador. Liguei para ele e contei que eles pediram um milhão para esquecer o caso. O Senador tomou um susto e falou que era muito dinheiro, mas Douglas ao lado mandou que o Senador aceitasse e convenhamos um milhão para que o Senador tinha era nada e assim se livrava de uma baita dor de cabeça. O Senador então mandou que eu fechasse negócio.

E assim eu voltei ao encontro dos dois e contei que o Senador havia topado pagar os quinhentos mil e dessa forma eu embolsei quinhentos mil reais à custa do Senador tarado.

No dia seguinte a arrumadeira com seu advogado ao lado convocou uma entrevista coletiva e nela disse que havia sonhado com Jesus Cristo e nele Nosso Senhor falava para que esquecesse a história com o Senador que ele era um homem de bem e depois a moça falou que talvez tivesse se precipitado na acusação e a coisa não teria sido forte como contou.

Evidente que ninguém acreditou naquela história, mas com a vítima agora apoiando o suspeito o caso não foi mais pra frente e o Senador se livrou de boa.
E Getulio pra comemorar chamou Eduardo, Douglas, eu e umas vagabundas pra celebrar em seu iate. Demos uma volta de barco pela baía de Guanabara bebendo, fudendo e comemorando. Eu mais ainda com mais quinhentos no cofrinho.

No iate tendo só as águas como testemunha conversávamos animadamente quando a empregada contratada nos serviu mais champanhe. Notei quando o Senador olhou pra bunda da empregada e falei “Senador tome jeito”, ele riu e levantou a taça pra mim.     

Resolvido esse problema me dediquei mais a biografia de Pardal..sim eu ainda escrevia. Fui ao morro e liguei o gravador para pegar mais depoimentos seus. Estávamos lá no trabalho quando chegou Lucinho.

Ficamos os três batendo papo e falando besteira quando Pardal contou que sentia saudades de sair do morro, se divertir um pouco. Eu disse que imaginava mesmo que fazia falta, mas era perigoso ele sair da favela. Pardal pensou um pouco e falou foda-se o risco ele queria sair e se divertir. Lucinho mandou que ele pensasse melhor, mas o bandido estava decidido e falou que queria sair com a gente.

Eu estava bem né? Iria pra noitada com os provavelmente dois bandidos mais procurados do estado. Qual a chance da noite acabar em cadeia pra mim? Acho que boas, mas o que eu poderia fazer? Dizer que não iria? Aí aumentavam as chances de a minha noite acabar numa vala.

Assim saí com os dois bandidos, Lucinho e Pardal. Pardal que não estava mais acostumado a sair à noite botou uma roupa esquisita toda colorida, perfume fortíssimo e tivemos que falar que ele estava ótimo. No carro perguntei qual era o caminho e Pardal pediu para ir a uma boate.

Chegamos ao local e encontramos um amigo de Lucinho chamado Gabriel. Lucinho, Gabriel e eu nos acabamos na pista de dança enquanto Pardal bebia na mesa. Perguntei a ele se não iria levantar pra dançar e toda vez que eu perguntava ele falava “daqui a pouco”.

Na pista Lucinho com os olhos arregalados virou pra mim e perguntou se eu tinha reparado numa menina loira sorridente que dançava perto de nós. Respondi que sim e ela era linda Lucinho contou que era uma menina que estudou com ele e que passou a adolescência apaixonado por ela.

 Ri e falei que não sabia que Lucinho nutria aquele tipo de sentimentos. Lucinho disse que era sério e o coração acelerara. Mandei que ele fosse lá falar com ela, mas ele ficou em dúvida. Nunca tinha visto aquele bandido descolado assim e reiterei pra ir porque ele não perderia nada. Lucinho deu tapa no meu ombro falou que eu estava certo e partiu pra luta.

Chegou perto e falou “Lia?”, sim esse era o nome dela. Lia se virou abriu um sorriso e disse “Lucinho!!”. Lia abraçou o bandido com grande alegria e os dois começaram a bater papo e dançar juntos.   

Não demorou muito para que rolasse beijo, nesse momento Lucinho piscou pra mim como se agradecendo e eu levantei meu copo de chopp pra ele enquanto conversava com Pardal na mesa. 

Gabriel se aproximou do casal e Lucinho apresentou Lia para ele. Os três bateram papo na pista enquanto na mesa Pardal disse que aquela boate estava um saco falei pra ele que se fosse pra pista poderia se divertir mais e o bandido contou que não gostava daquele tipo de música.

Perguntei o que ele queria fazer então e Pardal respondeu que queria ir pra Vila Mimosa, falei que tudo bem e nem nos despedimos de Lucinho que estava aos beijos com Lia.

Chegamos à Mimosa e Pardal parecia realmente mais a vontade. Escolhemos uma das casas e pedimos uma cerveja. Ficamos lá bebendo, papeando e olhando as mulheres.

Logo me interessei por uma que veio beber conosco. Eu já estava empolgado com ela em meu colo e beijando seu cangote quando perguntei a Pardal se ele não pegaria nenhuma. O bandido disse que estava escolhendo ainda e mandou que eu me adiantasse. Fui então pro programa o deixando lá.

Enquanto eu praticava o velho esporte bretão enfim Pardal encontrou uma que lhe agradou. Uma menina novinha, branquinha com olhar inocente. Ele ficou lá olhando pra ela sem ter coragem de chamar até que ela entendeu e foi até sua mesa.

Quando voltei dos trabalhos encontrei Pardal e a menina bebendo e conversando. Sentei com eles com a impressão que lhe conhecia.

Pardal a apresentou contando que se chamava Camila, perguntei se era esse mesmo seu nome ou era nome de guerra e confirmou que se chamava Camila mesmo, não havia conseguido pensar em nome nenhum pra usar no puteiro.
Pardal levantou para ir ao banheiro e notei que a menina desviava o olhar de mim, nesse momento lembrei quem era. Era a menina empregada do Pittinha que ele estuprou naquela orgia que eu fui.

Perguntei o que ela fazia ali ela tinha família, uma casa pra morar e era menor de idade. Camila respondeu que faria dezoito aquele ano e falei que era mentira devia ter uns doze. Ela então assumiu que tinha treze anos. Reforcei minha pergunta do que fazia ali.

Camila perguntou se eu ficaria em um lugar que o dono da casa não me respeitasse e tratasse como um brinquedo sexual e seus pais se omitiam. Respondi que não e ela falou que foi isso que fez.

Pardal voltou e Camila perguntou se podiam ir pro quarto. O bandido respondeu que sim e eles foram.

No dia seguinte tive que aturar Pardal e Lucinho eufóricos na favela com suas conquistas da noite anterior. Lucinho contou que passou a noite com Lia e iriam mais tarde ao cinema enquanto Pardal falava da maciez da pele de Camila e que iria voltar a Mimosa naquela noite e eu iria com ele.

Falei pra Pardal que aquilo era perigoso ele estava se expondo muito, Pardal contou que não queria saber precisava ter aquela menina de novo. Lucinho riu e falou “caraca o patrão tá apaixonado” Pardal gargalhando virou pra ele e respondeu “o playboy também”, viraram pra mim e falaram que só faltava eu.
Só faltava era essa, ser zoado por dois bandidos apaixonados.

E assim os dias passaram. Lucinho e Lia vivendo história de amor freqüentando cinema, teatro, jantares, programinhas de casal. Lucinho virou um dia pra mim e falou que por aquela mulher era capaz de largar a bandidagem e arrumar um emprego. Nunca havia visto Lucinho daquele jeito.

Assim como nunca tinha visto Pardal da forma que estava. O bandido estava de quatro pela putinha e sendo sincero ela também gostava dele e sendo mais sincero ainda sobrou pra mim que tinha que ir toda santa noite na Mimosa acompanhar o traficante.

E numa dessas idas ele finalmente tomou coragem e chamou Camila pra sair. Ela então aproveitou a oportunidade e contou que teria um concurso de danças na Mimosa e ela estava sem par perguntando se ele queria se inscrever no concurso com ela.

Pardal gaguejou, pigarreou e falou “claro que sim” a menina ficou feliz e lhe deu um beijo na boca.

Enquanto isso Lucinho e Lia abraçados admiravam a noite nas pedras do Arpoador se beijando apaixonados. Lucinho virou para a moça  e contou que Gabriel estava vendo um trabalho pra ele em um escritório de contabilidade e que ele até pensava em visitar seus pais.

Lia abraçou o namorado e disse que tinha orgulho dele. Pelo andar da carruagem aquela relação acabaria em casamento.

No dia seguinte Pardal me chamou logo cedo em sua casa. Perguntei qual era o problema e o bandido cheio de vergonha contou que não sabia dançar.

Respondi que realmente esse era um problema ainda mais pra quem iria participar de um concurso de danças. Pardal humilde como nunca foi pegou nos meus ombros e disse que precisava de minha ajuda.

Perguntei como poderia ajudar e ele respondeu ensinando a dançar.   
Ri e ele continuou sério, além de tudo agora eu viraria professor de dança.
Coloquei uma música lentinha no cd e peguei sua mão pra conduzi-lo e ensinar os passos. O bandido me deu a mão e falou “sem intimidades”. Respondi “tranquilo” e conduzi Pardal ao som de Fabio Jr.

Ok a situação era ridícula se uma facção rival ou a polícia invadisse o morro naquele momento e visse a cena em vez de meter bala largariam as armas no chão e começariam a rir.

Passamos por vários ritmos até que coloquei Bee Gees tocando as músicas de “embalos de sábado a noite”. Ensinei alguns passos e o bandido atrapalhado tentava me acompanhar. Falei para ele não desanimar que eu pouco tempo estaria dançando igual Michael Jackson.

Pardal parou virou pra mim e falou “epa o Michael Jackson não era boiola? Tá me estranhando?”. Mandei que ele se acalmasse e me seguisse.

É..eu teria trabalho..

Os dias passavam e eu tentava fazer Pardal dançar enquanto quem dançou foi Lucinho.

Uma noite ele resolver dar um perdido em Lia e saiu com Gabriel para uma noitada. Na fila de uma boate estava aos beijos com uma mulher quando Lia passou de carro voltando dos pais e viu a cena. Desceu furiosa dando bolsadas em Lucinho e na mulher disse que estava tudo acabado e foi embora chorando.

Enquanto eu ensinava Pardal a dançar lambada..é situação esquisita..Lucinho tentava reconquistar Lia em vão, se humilhava contando que a amava e não conseguia viver sem ela. Lia irredutível contou que perdeu a confiança em Lucinho, o amava ainda, mas não dava mais.

Chegou o dia do concurso e fui até a Mimosa acompanhar Pardal e Camila. Meu pupilo deu um show e fiquei orgulhoso me sentindo o Sr. Myiagy ensinando Daniel San. Eles venceram o concurso e receberam o troféu.

 Uma música foi colocada pro casal vencedor dançar e a música foi “você” cantada por Tim Maia. A música tema de meu relacionamento com Juliana. Meus olhos marejaram no momento pensando em minha ex mulher enquanto Pardal e Camila se beijaram e o bandido lhe pediu em casamento. Camila com um sorriso no rosto topou e eles voltaram a se beijar.

Em outro local da cidade Lucinho sozinho foi a boate que tinha conhecido Lia e a encontrou. Ela estava aos beijos com Gabriel.

Lucinho sentiu seu corpo gelar, uma pontada no coração. O amor de sua vida beijando seu amigo.

Manteve a calma e chegou ao casal cumprimentando. Gabriel tentou se explicar e Lucinho disse que não precisava estava tudo bem ele tinha errado com Lia e ficava feliz que ela arrumou um cara legal.

Lia sorriu e agradeceu a compreensão de Lucinho. Para mostrar que realmente queria paz o bandido convidou os dois pra jantarem em sua casa na noite seguinte. Lia ficou em duvidas, mas Gabriel falou que sem problemas eles iriam.

E a noite seguinte foi intensa.

Liguei pra Juliana e chamei para jantar. Ela topou, mas disse que teria que ser cedo porque a filha dormia antes das nove. Falei então que achava melhor ir só nós dois. Minha ex ficou em silêncio um tempo, mas topou.

Fomos jantar conversando animadamente sobre nosso passado e Rebeca e no fim convidei para irmos a uma boate. Ela estranhou porque nunca tínhamos ido a uma respondi que nunca fomos porque eu era duro, mas agora tinha condições de levá-la.

Juliana topou e fomos.

Lá dançamos como há muito tempo não fazíamos. Em determinado momento tocou a nossa música. Abraçamos-nos pra dançá-la e senti que minha ex chorava no meu ombro.

Eu também com os olhos marejados levantei sua cabeça, limpei suas lágrimas e a beijei como não fazia há muito tempo. Um beijo de amor.

Na Mimosa um dos clientes colocou Odair José na junk box tocando “eu vou tirar você desse lugar”. Nesse momento Camila desceu a escada com uma mala na mão e Pardal entrou na casa. Ele se aproximou da amada a pegou em seus braços e com ela no colo saiu da Mimosa sendo aplaudido por todos parecendo aquele filme do Richard Gere.

E na casa de Lucinho ele recebia Lia e Gabriel. Sentaram um pouco na sala com o bandido tentando quebrar o gelo e conversar numa boa com eles, só ficou incomodado no momento que Gabriel beijou Lia. Mas nesse momento a empregada disse que a comida estava na mesa.

O cardápio era variado com peixe e filé. Lucinho disse que não gostava de peixe, mas sabia que Lia amava então por isso fez. Lia agradeceu a delicadeza enquanto Lucinho servia vinho para os três.

Lucinho propôs um brinde e Gabriel perguntou um brinde a o que. Lucinho respondeu ao amor.

A empregada serviu os três. Lia e Gabriel com peixe e Lucinho com filé, Lia disse que o peixe estava delicioso e Gabriel concordou, Lucinho falou que eles não viram nada.

De repente o casal começou a sentir tonteira e falta de ar. Gabriel assustado perguntou o que estava acontecendo com Lucinho continuando a comer. O homem tentou levantar da mesa, mas não se agüentou em pé e caiu desmaiado com a cara no prato e Lia olhando pra Lucinho perguntou como ele teve coragem de fazer Isso.

 Lucinho continuou comendo sem dar atenção praquela que era o amor de sua vida. Lia desmaiou e caiu no chão, os dois estavam mortos.

Com os dois mortos envenenados pelo peixe. Lucinho cortou um pedaço de bife colocou na boca e falou pra empregada que estava delicioso.

Olhou pro casal morto, virou pro prato e cortando mais um pedaço falou..

“por isso não gosto de peixe”