terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013




O que é um ano? Já sei, são 365 dias ou 366 entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. Mas o que ele representa? Além do fato de ficarmos mais velhos uma transformação em nossas vidas, no ambiente em que vivemos. No mundo como um todo.

Ninguém sai de um ano da mesma forma que entrou. Nem a humanidade permanece a mesma. Situações ocorrem, vidas se transformam. Coisas boas, ruins. 

Já parou pra pensar em um 31 de dezembro quantos de nós estarão vivos no 31 de dezembro seguinte? Quais famosos morrerão? Quem de nosso círculo irá morrer? Quantas vezes vamos chorar? Ficar tristes?

Mas também quantas vezes ficaremos felizes? Quantas pessoas conheceremos? Quem fará a diferença em nossas vidas?

Acho que quase nunca paramos pra pensar nisso. Acredito que se pensássemos daria medo e viver não é pra amadores. Encarar o futuro é encarar um desconhecido e o futuro chega meia-noite dessa quarta-feira.

O ano de 2014.

Mas por enquanto me despeço ainda de 2013 e faço reflexões sobre meu ano.

Foi um ano intenso, sem dúvidas. Mas ao contrário de anos anteriores a maior intensidade, o foco principal dele não esteve no samba. Pra dizer a verdade acho que de 2000 pra cá foi o ano que o samba teve menos importância na minha vida. Curioso isso porque até que meu ano no samba não foi tão ruim.

Começou com o samba do Boi na avenida. Era um bom samba, mas a escola passa por dificuldades e acabou rebaixada mais uma vez e mais uma vez se perdendo em obrigatoriedades. Prosseguiu com um grande desafio. Voltar a fazer samba na Portela. Como sambista uma grande e inesquecível experiência, como compositor uma grande decepção assim como em 2003.

A direção da Portela é composta por gente séria,trabalhadora e que tenho certeza que botarão a escola no rumo. Mas no concurso de samba deixou a desejar. Talvez pela inexperiência e se acertem com o tempo.

Um fato curioso. No carnaval de 2003, ano que compus pra Portela, tive um resultado muito ruim assim como agora e foi minha primeira disputa do ano. Acabou sendo a única derrota de 2003 que emendei uma série de vitórias. Entre elas pela primeira vez ganhei no mesmo ano no Boi e no Dendê.

Esse ano ocorreu a mesma coisa. Portela foi minha primeira disputa, grande fracasso e não perdi mais no ano. Ganhei quatro concursos entre eles Boi e Dendê.

Garantimos mais um samba na Unidos de Aquarius de Cabo Frio. Eu e Cadinho nos envolvemos em um projeto muito bacana chamado “Escola de bamba” que consistia em ensinar uma turma de crianças de um colégio a fazer samba-enredo e eles concorrerem na escola de samba mirim “Corações Unidos do CIEP”.

Fizemos o samba com eles que concorreram com crianças mais velhas, mais experientes e juntos vencemos. A alegria deles foi contagiante, a emoção deles me emocionou. Terça de carnaval desfilarão com o samba que compuseram na Marquês de Sapucaí e estarei junto.

Boi e Dendê fizeram suas finais em dias seguidos e vencemos as duas. Decisão polêmica no Boi onde uma super parceria no papel sofreu mais que deveria pra vencer por erros próprios e vitória avassaladora no Dendê onde fizemos um samba perfeito e que entrará pra história da agremiação.

Boi e Dendê desfilarão no mesmo grupo em 2014. Coração dividido? Nunca. Multiplicado. As duas agremiações fazem parte da minha vida, história e coração. Ganhar nas duas dois dias seguidos foi um grande momento de 2013.

Pois é. Muita coisa ocorreu no samba e eu dizendo que foi o ano menos importante meu nele. Acredite, foi sim e abaixo mostro porque.  

O ano já começou com ansiedade. Michele, mãe da Bia, se descobriu com possibilidade de gravidez. Dessa vez foi planejada desde o começo, conversada, mas quando surge a possibilidade sempre vem junto a ansiedade.

A gravidez se confirmou logo no começo do ano e ao contrário da gravidez de Bia a de Gabriel foi atribulada com Michele parando várias vezes em hospital. Com oito meses de gravidez, começo de agosto foi dada a impressão que não chegaria aos nove e não chegou. Na madrugada de sete para oito de agosto ela parou no hospital com contrações.

Aí aumentou minha ansiedade. Eu faço aniversário em nove de agosto, minha avó também e em 2013 ela fazia 80 anos. Seria o terceiro membro da família a nascer no mesmo dia? A ansiedade tomou conta de mim por dois dias até que na noite de 9 de agosto de 2013 veio a notícia. Gabriel nasceu.     

Uma grande emoção tomou conta de mim e no dia seguinte fui visitá-lo. Gabrielzinho, menino cabeludo, pequenininho, com aparência frágil, mas muito forte, guerreiro. Sua força de luta, vontade de viver e nossa fé foram postas a prova pouco mais de quarenta dias depois quando ele baixou hospital doente.

Foram mais de duas semanas de medo, angústias, chegando perto do desespero. Nossas vidas pararam. Vários prognósticos sombrios apareceram. Leucemia, meningite e todo furado, machucado, sofrendo Gabriel lutava pela vida amparado pela fé de muitos amigos antigos e novos que se juntaram numa corrente por sua saúde. 

Nenhuma das doenças foi diagnosticada e 16 dias depois Gabriel voltou pra casa vitorioso. Hoje está com quase cinco meses. Gordo, ficou careca e o cabelo voltou a crescer, risonho e pacato. Um garoto muito especial que mostrou que a força de vontade pode vir dos corpos mais frágeis e hoje ele cresce feliz e saudável ao lado do outro amor da minha vida, a minha querida Bia cada vez mais linda, amável e esperta.

Tenho dois filhos maravilhosos e agradeço a Deus por isso.    

Tudo isso vocês puderam acompanhar no “Ouro de Tolo”, blog do meu grande amigo Pedro Migão e aqui no “Trocando em miúdos”, blog que lancei em 2011 para postar os livros que escrevo e nesse ano decidi tornar regular.   

Foram quase trezentas postagens em meu blog, mais de 60 mil acessos no ano, bom número para um blog pequeno e o fortalecimento de um laço de amizade com leitores, que viraram amigos, de todas as partes do mundo. 

Colunas como "cinco carnavais", "O clube dos 23, "Sobe o som". Postagens com grande repercussão como a trilogia "Amor em todas as suas formas". Contos, textos, tudo isso fez parte do blog esse ano. 

Reforço a um elo já criado no OT onde escrevo contos de ficção e sobre o cotidiano com total liberdade do Migão e onde me sinto em casa.

Também escrevi alguns meses no blog “Brasil decide” onde minha postagem “A revolta do vinagre” alcançou a marca de postagem mais visitada do ano. 

Escrevi livros, peças que publiquei no site Recanto das letras e uma delas foi responsável por fechar com chave de ouro meu 2013.

Um estudante de teatro paulistano chamado Humberto Carmo gostou do texto e pediu autorização para sua turma encenar “Eu matei Nelson Rodrigues”. Quando dei por mim já estava descendo em São Paulo para assistir a peça. 

Já tive inúmeras vezes a felicidade de ver sambas meus na avenida, mas ver a peça foi sublime, especial. A realização de um sonho que carrego comigo desde os nove anos de idade. A peça foi muito bem apresentada por atores talentosos e guerreiros que trataram com muito carinho a mim e ao texto.

E assim vai se encerrando 2013. Com derrotas e vitórias como todos os anos, mas o saldo positivo. O ano que poderia ser trágico, que trouxe algumas surpresas mostrou que a vida muda de minuto a minuto.

E se a vida muda a cada minuto por quê não um ano?   

Feliz ano novo.

A cada minuto.

Com essa coluna os trabalhos do “Trocando em miúdos se encerram em 2013. Agradecendo a cada um de vocês que visitou o blog, interagiu, riu, se emocionou e compartilhou sua amizade comigo. Mais de 63 mil acessos, 259 textos e a certeza que esse nosso bate papo foi uma das melhores coisas que me aconteceu esse ano.

O “Trocando em miúdos” entra em recesso voltando em fevereiro com colunas e textos inéditos. Janeiro está reservado para uma retrospectiva com todos os textos publicados aqui no ano de 2014.


Feliz 2014 e até fevereiro!!


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

SOBE O SOM: CHAMADAS DE FIM DE ANO DA GLOBO




A coluna “Sobe o som” de hoje é especial. O ano está acabando e o momento é de celebrar.

Como sabemos que o ano está acabando? Primeiro vem o comercial da Leader Magazine dizendo que já é Natal em suas lojas e a segunda quando começam as chamadas de fim de ano da Globo.

Tradicional na emissora já teve vários formatos e mostrou os artistas em evidência de cada época além dos costumes que cada uma mantinha. Quem nunca ouviu o famoso “Hoje é um novo dia / de um novo tempo que começou?”. Então é isso. Marcando o último “Sobe o som” de 2013 vamos lá.

Sobe o som “Chamadas de fim de ano da Globo”!!


1971


1973


1976


1978


1979


1979 (2)


1983


1985


1986


1988 


1989


1991


 1992


1994


1997

1998


1999 


2000

2003

2007

2009

2011

2012

2013


Bem. Com esse “Sobe o som” encerramos a coluna em 2013 desejando a todos um feliz 2014 com muitas realizações, saúde, dinheiro, amor, sucesso e felicidade. Hoje a festa é sua. Hoje a festa é nossa!!


A coluna volta em fevereiro. Feliz ano novo.





ARQUIVO:


sábado, 28 de dezembro de 2013

ERA DA VIOLÊNCIA 2: CAPÍTULO XV - RODRIGO SALDANHA




Eu fiquei sem saber o que dizer. Só consegui balbuciar “Nosso filho”. Juliana se virou para mim e confirmou “nosso filho”. Eu fiquei ali, abraçado a ela e com lágrimas nos olhos.

Sim. Eu sou um canalha sentimental.

Depois de toda emoção nos sentamos e ela contou qual era o problema. Como eu desconfiava o moleque tinha se metido com drogas. Pedi que ela me levasse até a mansão.

Chegando lá ocorria um quebra pau entre Rubinho e Guilherme. O garoto estava com uma tv de lcd debaixo do braço e queria sair com ela.

Guilherme gritou “Vai se foder! Você não manda em mim! É nada meu!”. Rubinho levantou a mão pra ele na hora que entrei. No mesmo instante gritei “Abaixa a porra dessa mão!”.

Todos pararam para me olhar. Rubinho perguntou “Quem é você para falar o que devo ou não fazer dentro da minha casa?”. Olhei sério e respondi “Essa casa não é sua, é da Juliana e eu tenho mais ligações com essa casa que você”.

Começamos a discutir asperamente, passou para violentamente e Rubinho gritou “Eu vou enfiar a porrada nele e você tem nada a ver com isso”.

Fiquei muito puto, peguei minha arma, sim eu usava uma e botei na
cara dele dizendo “Experimenta filho da puta, toca nele”. Juliana
interveio pedindo para que eu abaixasse a arma e repeti “Vai seu merda, bate nele”.  

Rubinho “amarelou”. Afastou-se de Guilherme e disse a Juliana que iria sair. Chegou perto da porta, virou-se para mim e antes de sair disse “Você ta fodido”.

Maluco. Se eu tivesse medo de todo mundo que me ameaçou até hoje eu morava debaixo da cama.

Virei para Guilherme e mandei que ele largasse a tv. Guilherme respondeu “Não fode seu cuzão, acha que agora pode mandar em mim?”. Apontei a arma pra ele e disse “Larga agora seu merda! Cheio de espinhas na cara, mão peluda de punheteiro e ta se fazendo de homem? Larga agora!!”.

É. Eu estava demais.

Juliana gritou para que eu não ameaçasse o filho e mais calmo repeti a Guilherme “Larga essa porra que você não vai precisar disso”. Guilherme largou, completei “Agora você vem comigo”. Peguei meu filho pelo braço. Juliana perguntou aonde iríamos e mandei que minha ex relaxasse “É assunto de homem” respondi.

Enquanto eu saía com Guilherme em um outro canto da cidade Rubinho Barreto tomava café com Rodrigo Saldanha. Rubinho, puto pra caralho, fazia queixas de mim e Rodrigo ouvia enquanto tomava café e limpava a boca.

Rodrigo olhou para Rubinho e disse “Não gosto desse vagabundo. Não gosto de gente que se mete com traficante e pior, ele foi traficante”.

Rubinho comentou “É a escória da sociedade”. Rodrigo tomou mais um gole de café e respondeu “Fique tranquilo que to de olho nele, uma hora ele fará merda e eu pego”.

Como é bom ser querido.

Aquele homem sério, durão, estilo Chuck Norris era um dos policias mais temidos de nossa querida cidade. Rodrigo Saldanha era de uma família de policiais. Seu pai Sebastião Saldanha era delegado, seu avô, bisavô, todos pertenceram à polícia. Ah, seus irmãos também. Ele não fugiria a regra.

Mas antes decidiu curtir um pouco. Estudou arquitetura, largou, pegou uma mochila e decidiu viajar pelo mundo a contragosto do pai que queria que ele fosse logo estudar direito e se tornar delegado. Rodrigo respondia “Eu serei isso tudo, mas tenho a vida toda para ser, antes quero aproveitar o que posso”.

E aproveitou. Com a mochila e economias foi para a Europa. Passou por vários países até que se estabeleceu na França.

Lá ficou alguns meses fazendo de tudo um pouco. Fez amizade com o casal Getúlio e Mariana, sim o senador Getúlio Peçanha, pai de Juliana e meu dileto amigo e depois de algum tempo se viu obrigado a voltar ao Brasil por imposição do pai que suspendeu a mesada mandada pela mãe.

Voltando finalmente ingressou em uma faculdade de direito. Lá conheceu Mônica com quem se casou.

Estudou, se formou, fez prova, passou e virou delegado. Tudo conforme estabelecido pela família. Os filhos vieram. Gabriel, o mais velho, Luciana e Fernanda.

A família perfeita. Nem tanto.

Mônica e Rodrigo brigavam demais. Brigas homéricas com objetos quebrados, tapas, ameaças de morte até que um dia a mulher não aguentou. Conheceu um homem e foi embora com ele deixando apenas uma carta.

Na carta Mônica relatou que não aguentava mais viver naquela casa com o marido e ia embora para ser feliz. Um dia voltaria para buscar os filhos.

Nunca mais voltou.

Dessa forma Rodrigo teve que cuidar dos três filhos sozinho. Durão, rígido, criou os filhos com formação militar. Ninguém nunca soube exatamente o que se passava no coração do homem que fora abandonado.

Mas se sofria arrumou uma maneira de não precisar pensar em Mônica. Colocou a cara no trabalho.

E parceiro. Isso fez a coisa ficar ruim pra bandidagem.

Sua delegacia era a que melhor mostrava serviço no Rio de Janeiro. Traficantes foram presos e assassinados, todos os índices de violência caíram. Foi perfeito em dois casos emblemáticos e que lhe fizeram nome.

Primeiro um assalto que se transformou em sequestro. Três homens invadiram uma casa, renderam a família e quando saíam perceberam a presença da polícia chamada por vizinhos.

Foram horas tensas, que se transformaram em dias tensos. Todos os membros da família foram soltos, menos uma das moças. Descobriu-se no meio do sequestro que o líder dos sequestradores era ex-namorado da moça e assim o que era um “simples” sequestro ganhou conotação dramática.

Rodrigo comandou toda a negociação que durou quatro dias. Ao fim do quarto dia conseguiu a rendição dos sequestradores e o caso teve um final feliz. O nome Rodrigo Saldanha praticamente ficou associado a um herói.

Herói mesmo virou no caso seguinte

Um caso escabroso. Uma menina de nove anos apareceu morta em um terreno baldio próximo de uma favela. Apresentava sinais de espancamento e abuso sexual.

Mais um caso que mobilizava a cidade, a imprensa, a opinião pública. Quem matou a menina? A suspeita, primeiro, caiu sobre um vizinho que sofria de retardamento. Chegou a ser preso, torturado, mas se declarava inocente.

Rodrigo concordou com sua inocência. Quando soube da tortura afastou os policiais e indo contra a opinião pública que já via o caso como resolvido continuou investigando.

E descobriu que tudo foi armado por uma ex-amante do pai da menina que junto com outro cara que contratou fez todo o serviço por vingança.

Prendeu os dois, resolveu o caso e virou chefe da divisão anti-sequestro.

Era chefe dessa divisão quando ocorreu o sequestro de João Arcanjo. Não solucionou o caso, mas pelo menos o garoto voltou vivo para casa.

Por seus serviços prestados foi crescendo na polícia. Virou chefe da polícia civil e na época explodiu escândalo de que teria ligações com a milícia de Major Freitas, mas nada foi provado.
 
Só que parceiro, ele tinha.

Assim como prosseguia muito chegado a Getúlio Peçanha e passava todas as informações de investigações policiais para ele. Não eram raros os encontros dos dois em restaurantes pequenos e afastados. O senador chegava com envelope de dinheiro, entregava ao policial e pedia “Conte tudo”.

E sem pudor nenhum Rodrigo contava.

Assim como com Major Freitas Rodrigo ganhou muito dinheiro com o pretexto de tomar as favelas e regiões pobres do estado das mãos dos traficantes. Freitas comandava tudo e Rodrigo era o responsável pelo mapeamento dos traficantes, a forma que eles agiam e seu poder de fogo.

Sim. O “super herói” Rodrigo Saldanha não era perfeito, muito pelo contrário. Mas assim virou um policial muito respeitado e
secretário de segurança do governo de Juliana que além de gostar de seu trabalho tinha ligações afetivas por ser amigo do pai.  

Mas além de não ser um policial perfeito também não era como pai. Seu jeito de ser provocava polêmica em casa e isso causou problemas com o filho mais velho, Gabriel.

Evidente que assim como foi de geração em geração Rodrigo queria que Gabriel seguisse os seus passos, mas o rapaz não queria. Surfista, amante da natureza, o rapaz gostava de enfrentar as ondas e esportes radicais.

Polícia? Queria nem ver por perto, até porque quando via era sinal de problemas.

Uma tarde voltava de Saquarema de carro com amigos e foi parado em uma blitz. Ao revistar o carro encontraram trouxinhas de maconha e papelotes de cocaína. Foram todos levados à delegacia.

Um enfurecido Rodrigo chegou ao local perguntando pelo filho. Ao encontrar o moleque lhe encheu de tapas ali na frente de todos. Os policiais nada fizeram pra impedir enquanto Gabriel repetia que o pó não era dele.

Rodrigo batia e Gabriel repetia “Para porra!! O pó não é meu!!. Cansado de bater Rodrigo parou e perguntou “Vou confiar em você, a droga não era sua então?”.

Gabriel olhou firme para o pai e respondeu “O pó não, a maconha sim” e deu um sorriso.

Rodrigo por um tempo olhou o garoto, depois olhou o delegado e disse “Pode prender”.

Saiu ouvindo gritos de “Pode ir embora, preciso de você pra porra nenhuma!!”.

Encontraram semelhanças entre Gabriel e Guilherme né? Pois é.

Gabriel, o filho rebelde acabou sendo liberado, voltando pra casa e vivendo às turras com o pai. No meio da situação Luciana e Fernanda tentavam contornar sem sucesso. A história chegou a ponto de Rodrigo expulsar Gabriel de casa.

Gabriel foi morar numa favela. Continuou vivendo pro surf, esportes radicais, meninas, mas também se envolvia em más companhias. Passou da maconha pra cocaína, cocaína para drogas mais pesadas e cometer assaltos.

Luciana alertou ao pai sobre o que ocorria, mas Rodrigo respondeu “Não tenho mais filho”. Mesma reação que teve quando soube que
Gabriel se envolvera no assalto a casa de um desembargador.

Com tantos problemas Gabriel virou uma pessoa marcada. Devendo na boca apanhou e foi expulso da favela. Andava a esmo, sem eira nem beira quando homens encapuzados lhe sequestraram.

Levaram até a floresta da Tijuca e um assustado Gabriel perguntou o que queriam. O líder dos encapuzados tirou o capuz e respondeu “Quero que dê um recado para seu pai”.

Nervoso Gabriel perguntou qual e que assim que ele saísse de lá falaria.

O homem riu e respondeu “Não será falando”.

Fuzilaram o rapaz.

A notícia chegou de madrugada na casa dos Saldanha. Enquanto Luciana e Fernanda se abraçavam desesperadas Rodrigo abaixou a cabeça e disse “Existe um engano, eu não tinha nenhum filho”. As meninas se assustaram com a resposta do pai que emendou “me deem licença, tenho trabalho amanhã e preciso descansar”. Falou e se retirou.

Rodrigo se trancou no quarto e ninguém sabe sua reação dentro do mesmo. Era durão, rejeitou o garoto, mas era seu filho. Chorou? Sofreu? Nunca saberemos.

A vida do homem prosseguiu. Antes de deixar a secretaria de segurança fez um último grande ato para a população fluminense. Me prendeu. É, que orgulho pra ele e pra mim né?

Eu e ele juntinhos na delegacia com a imprensa tirando um monte de fotos. Rodrigo, lembrando da forma que fui preso falou baixinho em meu ouvido “Deu sorte”.

Roberto Vergara, candidato de Juliana, venceu as eleições e Rodrigo entregou seu cargo como secretário de segurança mesmo com o novo governador pedindo por sua permanência. Alegou cansaço e estar velho.

Virou um policial aposentado. O tempo foi passando e nova tragédia chegou a sua vida, dessa vez com Luciana.

Luciana era a filha  preferida dele, nunca negou para desgosto
de Gabriel e Fernanda. Sua morte foi um duro golpe no coração do policial que passou mal quando soube e parou hospital.   

Lá internado e entubado recebeu visita de policiais e perguntou “Sabem alguma coisa sobre a morte da minha filha?”. Os homens responderam que não. Enfurecido Rodrigo tirou os tubos de seu braço, nariz, levantou e disse “Eu vou descobrir esses filhos da puta”.

O médico ainda tentou parar o homem que parecendo um tanque de guerra praticamente passou por cima dele gritando “Não se mete”.

Apareceu no enterro com aspecto de doente, mas enfurecido. Chamou a atenção de todos a forma que olhava o caixão descer. A forma de quem iria comer o coração dos assassinos com fritas e molho ferrugem.

Botou toda sua rede de inteligência para investigar e ele mesmo saiu na caça. Depois de alguns dias, sem nenhuma novidade, uma surgiu da boca de um de seus comandados.

“Estão todos mortos”. Contou o homem.

“Como?” Perguntou surpreso o policial. O homem explicou como chegaram nas pistas e a surpresa ao encontrar todos mortos e a forma que foram encontrados. Mortes violentas, como se fosse vingança. 

“Como se fosse não, foi vingança” corrigiu Rodrigo Saldanha. Nisso o seu comandado comentou “parece coisa dos cachorros velozes”.

Rodrigo olhou o homem e perguntou “Cachorros velozes? Quem são esses?” Antes de ouvir a resposta Rodrigo mesmo respondeu “Não precisa, eu vou descobrir tudo sobre eles. Até o tipo de ração que comem”.

E se ele prometeu é porque iria mesmo.


ERA DA VIOLÊNCIA 2 (CAPÍTULO ANTERIOR)


LINK RELACIONADO (LIVRO ANTERIOR)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O CLUBE DOS 23: PORTUGUESA




Nessa semana, excepcionalmente sexta-feira, acontece o último “O clube dos 23” do ano e ele fala de um clube que está no meio dos principais acontecimentos da atualidade no futebol brasileiro. A Portuguesa de Desportos. 

Associação Portuguesa de Desportos é um clube poliesportivo brasileiro sediado em São Paulo que tem como modalidade esportiva principal o futebol. É um dos cinco grandes clubes do futebol paulista, sendo o quinto colocado nos diversos rankings paulistas entre as equipes de futebol em atividade.

O Campeonato Brasileiro — Série B de 2011, o vice-campeonato do Campeonato Brasileiro de 1996, as conquistas dos Torneio Rio-São Paulo de 1952 e 1955, numa época em que esta competição era a mais importante do Brasil e as 3 conquistas do Campeonato Paulista (a última em 1973), ficaram marcados como os mais célebres momentos da história da Portuguesa.

Fundada em 1920, a Lusa, como também é conhecida, já contou com grandes jogadores da história do futebol brasileiro. Djalma Santos, Julinho Botelho, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Roberto Dinamite e Dener, foram só alguns dos grandes futebolistas que jogaram pela equipe paulistana.

Em 2013 disputou e conquistou a Série A2 do Paulistão, classificando-se para a disputa da Série A1 do Campeonato Paulista de Futebol em 2014, assim como também disputou em 2013 o Brasileirão — Série A.

No dia 14 de agosto de 1385, as tropas portuguesas, lideradas por D. João, mestre de Avis, derrotaram as tropas de D. João I de Castela em Aljubarrota. A batalha de Aljubarrota é um dos acontecimentos mais importantes da história de Portugal e marcou o início da dinastia de Avis, ligada aos descobrimentos que permaneceria no poder até 1580.

A Portuguesa surgia da fusão de cinco sociedades lusitanas já existentes: Luzíadas Futebol Club, Associação 5 de Outubro, Esporte Club Lusitano, Associação Atlética Marquês de Pombal e Portugal Marinhense. O pedido de filiação da Portuguesa à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) foi deferido no dia 2 de setembro de 1920, mas como não havia mais tempo para a inscrição no campeonato daquele ano a Portuguesa fundiu-se ao Mackenzie, já inscrito, e participaram juntos do campeonato de 1920.

A Associação Atlética Mackenzie College foi o primeiro clube de futebol brasileiro para brasileiros. Fundada em 1898 por estudantes do Mackenzie College era formada apenas por alunos do colégio. A Portuguesa-Mackenzie disputou os certames pela APEA até 1922

Em 1923 a Associação Portuguesa de Esportes desligou-se do parceiro e passou a disputar jogos com sua antiga denominação. Em 1940 a Associação Portuguesa de Esportes alterou seu nome para Associação Portuguesa de Desportos.

Principais jogadores de 1933, em que a Lusa foi a terceira colocada no Campeonato Paulista e também no Torneio Rio-São Paulo: Batatais, Neves e Machado.

No Torneio Rio-São Paulo, a competição mais acirrada do ano de 1933 no Brasil, a Lusa fez 30 pontos em 22 jogos, com 12 vitórias, 6 empates e apenas 4 derrotas, 57 gols pró e 33 contra, saldo favorável de 24 gols.

A equipe da Portuguesa de 1935 e 1936 ficou marcada por ter sido bicampeã paulista.

Em 1935, a Portuguesa tinha quinze anos de história e venceu o campeonato paulista daquele ano com certa facilidade tendo sido líder absoluta durante toda a competição, só não sendo campeã invicta daquele ano, pois tropeçou no último jogo da competição contra o Ypiranga na rua dos Ituanos. 

Por causa de seu tropeço a Portuguesa voltou a enfrentar a equipe do Ypiranga numa melhor-de-três pontos, empatando com a equipe do Ypiranga por 2 a 2, mas impondo a sua melhor categoria na segunda partida quando impôs uma goleada por 5 a 2 se tornando campeã paulista de 1935 naquele que foi seu primeiro título estadual.

No ano seguinte veio o bicampeonato com certa facilidade, pois a Portuguesa chegou na final contra o mesmo Ypiranga que enfrentou no ano anterior, só que desta vez não foi preciso uma melhor de três, pois a Lusa goleou a equipe do bairro do Ipiranga por 6 a 1.

Escalação: Rossetti, Fiorotti e Oswaldo; Duílio, Barros e Mandico; Arnaldo, Frederico, Paschoallino, Carioca e Adolpho.

No último ano da década de 1930, em 1940, primeiro ano da Era Pacaembu, a Lusa se sagraria ainda vice-campeã paulista.

O time da década de 1950 é considerado a melhor equipe de toda a história da Portuguesa, não só por ter conquistados títulos importantes dentro e fora do País, mas também por ter levado muitos jogadores para a seleção brasileira.

A Lusa conquistou um torneio disputado na cidade de Salvador no ano de 1951, torneio este disputado contra as equipes baianas do Esporte Clube Bahia, Esporte Clube Vitória e Esporte Clube Ypiranga, este último sendo na época, um dos grandes clubes da capital baiana como os outros dois que formam a conhecida dupla Ba-Vi e também o Torneio de Belo Horizonte neste mesmo ano, disputado contra os clubes mineiros América, Atlético e Cruzeiro

Além do Torneio San Izidro 1951 conquistado na Espanha a Portuguesa também ganhou a Fita Azul por 3 vezes por ter feito três expedições fora do País invictas, nos anos de 1951, 1953 e 1954.

A 17 de setembro de 1954 foi feita Dama da Ordem Militar de Cristo.

A Portuguesa dos anos 1950 também foi por duas vezes campeã do Torneio Rio-São Paulo. Nos anos de 1952 na final contra o Clube de Regatas Vasco da Gama e em 1955, na final contra a Sociedade Esportiva Palmeiras.

No último ano da década de 1950 a Lusa foi vice campeã paulista de 1960 terminando o campeonato dois pontos atrás do Santos Futebol Clube do Rei Pelé .

Principais jogadores da Portuguesa na década de 1950: Brandãozinho, Djalma Santos, Ipojucan, Simão, Julinho Botelho e Pinga.

Fotos:

Portuguesa de 1973


Canindé


Djalma Santos


Julinho Botelho


Leivinha


Marinho Peres


Enéas


Roberto Dinamite


Zé Roberto


Rodrigo Fabri


Dener


Vídeos:

Campeã série B paulista 2013


Campeã série B brasileiro 2011


Campeonato  brasileiro 1996 (Vice campeã)


Campeã paulista 1973


Portuguesa 7 x 2 São Paulo (Brasileiro 1988)


Portuguesa 4 x 0 Corinthians (Brasileiro 2013)


Golaço de Dener (Campeonato paulista 1993)


Golaço de Dener 2 (Campeonato paulista 1991)


Bem. Aí está um pouco da história da Portuguesa que fez um bom campeonato brasileiro terminando em 12° lugar, mas nesse momento está rebaixada a série B do brasileirão pelo STJD por botar um jogador irregular na partida da última rodada contra o Grêmio. 




O “O clube dos 23” entra em recesso em janeiro e volta em fevereiro  com um dos clubes mais simpáticos do Brasil. O América.


O CLUBE DOS 23 (CLUBE ANTERIOR)

BANGU