quinta-feira, 30 de maio de 2013

AS DROGAS E A LEI


*Coluna publicada no blog Brasil Decide em 26/5/2013

Semana passada o congresso nacional debateu uma nova lei de combate as drogas do deputado Osmar Terra (PMDB – RS) que pretende aumentar as punições inclusive propondo a internação compulsória de usuários de crack e com isso volta à tona um debate que na verdade nunca saiu dele.

As drogas, suas punições e possível legalização.

É um assunto polêmico tal quanto o aborto. Atrai paixões, discussões acaloradas com um lado chamando o outro de drogado que responde chamando de reacionário. Enfim, não é fácil.

E eu como não entendo de nada e dou pitaco em tudo claro que falaria sobre.

Sou meio antiquado nisso, conservador, podem me chamar de reacionário (pessoal de esquerda adora chamar de reacionário aqueles que não concordam com eles) que to me lixando, mas eu acho que não deve liberar.

Até acho que a questão da maconha pode ser debatida, sinceramente sobre essa droga não tenho opinião formada, sobre as outras nem pensar.

Não adianta falarem que na Holanda liberam. Holanda é muito diferente do Brasil, a invasão que fizeram a nosso país na época que pertencíamos aos portugueses não deu certo então somos nações completamente distintas em suas histórias e modo de viver. .

Querem imitar a Holanda? Vão deixar prostitutas serem expostas em vitrines aqui também? Acho difícil, então nada de comparação.

Vai diminuir a violência? Quem disse? Fernando Henrique Cardoso? Ah ta, ele também mandou que esquecessem o que ele escreveu, que tal esquecerem isso também? Ok, se liberarem as drogas o consumidor não terá mais que subir favelas com pessoas armadas até os dentes para comprar seu pó. Provavelmente serão vendidas em farmácias ou grandes magazines. Já imagino o rapaz das Casas Bahia no anúncio “quer cheirar quanto?” ou o Ricardo Eletro falando”Ninguém vende heroína mais barato que o Ricardo”.

E o que acontecerá com esses bandidões que vendem drogas hoje? Provavelmente o defensor dessa tese acredita que eles falarão “poooxa, estragaram nosso comércio de milhões, vamos comprar jornal e procurar emprego”.  

É muita ingenuidade achar que um bandido acostumado com o mundo do crime a ganhar muito dinheiro vai se regenerar só porque proibiram seu “negocinho”. Evidente que ele vai procurar outros meios de ganhar seu “ganha pão” de forma criminosa. Vai assaltar bancos, seqüestrar, contrabandear armas, alguma coisa fará e a violência não vai diminuir.

Ou no futuro pensam em legalizar a venda de armas, assaltos a banco e seqüestros pra diminuir a violência?

Outra coisa. Legalizando as drogas ela ficará mais cara com impostos que serão inseridos ao preço, o traficante sempre venderá mais barato então o mercado negro, paralelo sempre existirá.

Droga faz mal, não adianta romancear. Destrói não só a pessoa, mas a família. É um inferno e não tiro bebida e cigarro dessa situação, só que essas já são legalizadas e populares, impossível proibir e por isso acho que a questão da maconha tem que ser debatida porque a erva não pode ser pior que cigarro e bebida. Esse último tira a pessoa do seu normal e pode provocar acidentes e tragédias fora o vício e a morte.

Resumindo o que penso. Liberar drogas porque houve um fracasso a seu combate é oficializar esse fracasso. É a historia do corno que vende o sofá ao pegar sua mulher com outro no mesmo.

Não é assumindo fracassos que esse mundo vai melhorar.

Quanto a prender usuário e internação compulsória isso é um terreno minado. Não acho que tenha que prender quem usa drogas, antes de qualquer coisa esse cara é um doente. Sim, eu acho o vício em drogas e a depressão as grandes doenças desse novo século. Alguém acha realmente que a pessoa gosta de consumir crack? Gosta de perder sua família, vida, dignidade, vagar como zumbi em crackolândia só esperando a hora da morte? 

As pessoas têm repulsa por “crackudos”. Não respeitam, tem nojo, consideram seres inferiores querendo a morte desses sem saber as histórias por trás de cada um e que ninguém está imune a passar por isso ou ter alguém querido passando. Eu tive pessoas queridas que passaram por essa situação. Fui o único que acreditou nelas, na recuperação e se recuperaram. Tudo tem jeito nessa vida, até a morte em alguns casos.

Não dá. Não podemos perder pessoas para as drogas, gente que poderia contribuir para o país. Não dá pra botar numa cadeia usuário junto com estuprador, traficante e assassino, como também não acho que tem que ficar impune, afinal, esse cara ajuda, financia o tráfico.

Mas também não entro no discurso do capitão Nascimento que dá tapa na cara de usuário e mostra traficante morto dizendo “ta vendo quem matou esse cara? Foi você”. Acho que a punição pode ser pena pequena, prestar serviços a comunidade, participar de ongs antidrogas, trabalhar em clínicas de recuperação de viciados(nesse caso o usuário não viciado).

E sou a favor da internação compulsória, a internação daqueles que não tem mais poder sobre si e pode se prejudicar e aqueles que estão a sua volta. Como identificar esse tipo? Médicos estudam muito pra isso.

Qual o caminho? Educação, esse é o caminho para tudo. Mas é o colégio que vai definir se alguém usará drogas ou não? Não necessariamente. Primeiro que educação não é passada apenas na escola, falo principalmente de casa, pai, mãe, valores. Uma boa educação em casa, uma educação franca onde não tratem os filhos como idiotas, sem ausências e presenças excessivas com mimos além do devido. Fazer da criação uma parceria.

Tenho um pensamento polêmico. Pai não tem que ser amigo, não esse amigo como o filho tem pessoas da idade dele, pai tem que ser pai e agir como pai. Ser o porto seguro do filho, ensinar e a pessoa a quem ele tem que confiar quando preciso.

Segundo que mesmo com tudo isso ninguém está livre do drama das drogas, mas ajuda, ajuda muito a aprender a se defender quando há o encontro.

Eu na noite de 4 de abril de 2005 entrei no meu quarto e estava meu padrasto e amigos meus cheirando cocaína. Cheirando e chorando. Minha mãe falecera naquele dia. Ofereceram-me e recusei ficando lá a noite toda conversando com eles porque não queria dormir, nem ficar sozinho e eles consumindo.

Não deu vontade em nenhum momento. Tive criação, recebi valores e essa situação além do fato de viver dezesseis anos no mundo do samba, onde todos sabem não ser um mundo “careta, me deram a certeza que não é o meio que faz o homem, o homem que faz o meio em que vive.

E não é admitindo fracassos que a droga será vencida. É lutando.
  


quarta-feira, 29 de maio de 2013

IMPERATRIZ EM CINCO CARNAVAIS



Dando prosseguimento a série das grandes escolas de samba em cinco carnavais hoje é dia de falar de mais uma que quebrou a dinastia das quatro tradicionais. Essa é chique, elegante, já tem até nome monarca para mostrar que tem sangue azul.

É a Imperatriz Leopoldinense. Chamada por alguns como a “escola certinha” a agremiação de Ramos foi a que criou a definição de “desfile técnico”. Desfiles feitos especialmente pra agradar jurados primeiro e depois o público. Dessa forma ganhou vários campeonatos, muitos fãs e também detratores que lhe acusaram de ser fria e criar coisas como “alas enfileiradas” e a direção de harmonia com mão de ferro como se fosse um desfile militar.

Pode ter sido mesmo assim por um tempo, mas são fases como todas as escolas passam. Chamar a Imperatriz de fria é uma coisa sem fundamento. A escola, como mostrarei abaixo, é uma agremiação de sambas e desfiles deliciosos, quentes e que ficaram na história do carnaval.

Fundada em 6 de março de 1959 ganhou as cores verde, branco e ouro. A ideia de fundar uma escola de samba na zona da Leopoldina se deu pela necessidade de ter uma entidade carnavalesca na região à altura do Recreio de Ramos que tinha entre os frequentadores Armando Marçal, Pixinguinha, Villa Lobos, Heitor dos Prazeres, Bide, Mano Décio da Viola entre outros.

Escola modesta dos anos 60 e 70, mesmo tendo uma situação inusitada que lhe impulsionou e mais pra frente contarei, a Imperatriz se revezou entre o grupo principal e de acesso até 1978 quando subiu em definitivo. Dois anos depois seguiu os passos de Beija-Flor e Mocidade sagrando-se campeã do carnaval. Também foi campeã em 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001 se tornando a primeira tricampeã da era Sapucaí.

Imperatriz de Amaury Jório, Manoel Vieira e Hiram Araújo com seu primeiro departamento cultural em uma escola de samba. De Zé Katimba, Niltinho Tristeza, Gibi, Guga e Dominguinhos do Estácio. De Maria Helena e Chiquinho, imortal casal de mestre sala e porta bandeira da escola. De Max Lopes, Rosa Magalhães, Arlindo Rodrigues e Preto Jóia. De Josimar, Me Leva, João Estevam, Eduardo Medrado, Tuninho Professor e Marquinhos Lessa. De mestres Beto e Marcone. De Wagner Araújo e Luisinho Drummond.

Imperatriz de Oropa, França e Bahia 1970, O que é que a Bahia tem 1980, Onde canta o sabiá 1982, O que é que a banana tem 1991, Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube lá no Ceará 1995, Imperatriz Leopoldinense honrosamente apresenta “Lepoldina, a Imperatriz do Brasil” 1996, Brasil mostra a tua cara em..Theatrum, Rerum Naturalium Brasiliae 1999, Quem descobriu o Brasil foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval 2000, Cana-caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, Pernambuco..Quero vê descê o suco, na pancada do ganzá 2001, Uma delirante confusão fabulística 2005, João e Marias 2008.

A partir de agora cinco carnavais da Imperatriz que me moldaram como sambista e compositor.           

MARTIM CERERÊ 1972


Samba de Zé Katimba e Gibi.

Samba do estilo daquele consagrado por Zuzuca no Salgueiro no ano anterior Martim Cererê tem uma história curiosa que fez o samba ficar famoso e começou a criar a fama da Imperatriz Leopoldinense. 

O autor de novelas Dias Gomes procurava uma escola de samba para retratar em sua novela “Bandeira 2” e a escolha acabou recaindo na jovem e modesta escola de Ramos. A história girava em torno do bicheiro Turcão vivido por Paulo Gracindo.

Com a Imperatriz envolvida na história acabou que o compositor Zé Katimba virou personagem de novela vivido pelo imortal Grande Otelo e o samba-enredo do ano “Martim Cererê” acabou sendo tema do personagem tornando-se assim o primeiro samba-enredo a fazer parte de trilha de novela. Por coincidência o primeiro a virar abertura de novela também foi da Imperatriz muitos anos depois.

Dessa forma os sambas de enredo ganharam a casa dos brasileiros através da televisão e a Imperatriz e Martim Cererê foram eternizados. Anos depois Dias Gomes adaptou a história para o teatro dando-lhe o nome de “O rei de Ramos”.

A peça estreou em 1979 no teatro João Caetano com músicas de Chico Buarque e Francis Hime.

Martim Cererê é um samba-enredo delicioso, curto, malandro e que vale muito a pena ouvir, pois faz parte de nossa história.



O TEU CABELO NÃO NEGA 1981   


Samba de Gibi, Serjão e Zé Katimba.

Eu sempre costumo dizer que os anos 80 são a era de ouro do samba-enredo e o ano de 1981 representa muito bem isso. O grande samba do ano, cantado em todas as rádios, bailes, programas de tv e estádios de futebol era o da Portela “Das maravilhas do mar fez se esplendor de uma noite”. Mas não era o único grande samba.

Além da Ilha, que pra mim tem um de seus melhores sambas nesse ano, outro samba chama muita atenção por sua beleza e alegria. O samba da Imperatriz homenageando o grande compositor Lamartine Babo. Compositor de marchinhas e de canções populares para os times de futebol do Rio de Janeiro que acabaram virando hinos dos clubes.

O torcedor do América Lamartine ganhou um samba-enredo a sua altura. Um samba, como eu disse por exemplo, de Salgueiro 1984 que dá vontade de pegar a cabrocha e sair dançando, sambando. Uma melodia gostosa defendida com maestria por Dominguinhos do Estácio e sua voz limpa, suave.

Samba que é bonito e tem pegada. Vários momentos explosivos que puxam o público e o desfilante a cantarem junto. Um samba tão bem feito com uma escola que vinha de um campeonato (empatada com outras duas) e pronta pra vencer não podia dar em outra coisa a não ser título.

O favoritismo da Portela ficou apenas no favoritismo. A grandiosidade do desfile e do fenômeno que foi seu samba acabaram lhe atrapalhando e a Imperatriz que não é boba nem nada acabou abocanhando essa vitória histórica eternizando o samba.

Nesse palco iluminado só deu Imperatriz.



LIBERDADE, LIBERDADE ABRE AS ASAS SOBRE NÓS 1989 



Samba de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir.

Não me canso de dizer que 1989 é o ano que não acabou. A impressão que eu tenho quando vejo VT dos desfiles da Beija-Flor e da Imperatriz Leopoldinense é que são ao vivo. Torço e vibro como se estivessem acontecendo e parece que a disputa não tem fim.

E não tem mesmo. Até hoje debatem sobre esse carnaval e se foi merecida a vitória da Imperatriz. Ânimos se acirram, vozes se elevam como se estivéssemos na quarta-feira de cinzas daquele ano.

Eu costumo dizer que a Beija-Flor fez o melhor desfile da história e a Imperatriz o melhor desfile de 89. Estranho né? Mas é verdade.

Já falei do desfile nilopolitano semana passada. Desfile impactante, monstruoso, histórico, épico, se for colocar todos os elogios aqui o texto não acaba. Mas a Imperatriz não fica atrás.

A proposta da escola de Ramos foi outra, mas não menos fantástica. Requintada, luxuosa, linda, envolvente, em nada lembra a Imperatriz que os detratores dizem. Muito quente e com um samba-enredo que se não podemos dizer cem por cento condizente com a história do país é sensacional em letra e melodia. Um dos maiores de todos os tempos.

Se eu lembro do “Cristo mendigo” nilopolitano lembro do luxo de Ramos. Lembro do desfilante vestido de Duque de Caxias em cima de um cavalo em uma altura de dar medo. A bateria deu um show, desfile perfeito em beleza, nos quesitos e mesmo com o fantástico desfile da Beija-Flor não dá pra contestar o da Imperatriz que foi uma verdadeira volta por cima já que fora rebaixada em 1988, mas conseguiu ficar no grupo.     

Um samba histórico sem exageros já que foi tema de um trabalho de história no meu colégio logo que voltamos às aulas. Samba que ganhou a eternidade e virou abertura de novela esse ano com a novela “Lado a lado”. Lembram quando eu disse em Martin Cererê que isso ocorreu? Então. Foi com esse samba, tinha que ser com esse samba.

Um samba que ficou mais famoso que o hino que lhe inspirou. É. Não tem nada de errado na Imperatriz campeã, podiam, quem sabe, ter dividido o título.

Esse carnaval nunca vai acabar. 



CATARINA DE MÉDICIS NA CORTE DOS TUPINAMBÁS E TABAJERES 1994


Samba de Marcio André, Alvinho, Aranha e Alexandre da Imperatriz.

Foi um ano interessante de desfiles. Em 1994 o grande favorito era o Salgueiro que conquistou um título histórico no ano anterior com
“Peguei um Ita no Norte”, seu famoso refrão “Explode coração/ Na maior felicidade” e foi para o carnaval de 94 com um samba do mesmo estilo, empolgante e de refrão fácil. O erro do Salgueiro é que não foi só nesse, em quase todos os anos até 2013 procurou o Ita perdido, mas o Salgueiro não é o assunto aqui.

Outro samba que chamou muito a atenção no pré carnaval de 94 foi o da Mangueira, o famoso “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu” homenageando os novos baianos. Samba com a marca Davi Correa de versos populares e refrãos fáceis.

O samba da Ilha também era bacana. Com a marca do Franco e a volta do Quinho. Tinha a Viradouro em crescimento e ..e..Tinha a Imperatriz né? Mais ou menos, não falavam muito nela.  

A Imperatriz em 1994 lançou um novo estilo de fazer carnaval, o “mineirinho come quieto”. Não falavam mesmo muito na escola nem em seu samba como não fizeram nos anos seguintes em que foi campeã. Sobre o desfile mesmo não falaram muito e se foi colocada entre as possíveis campeãs também não foi colocada com muito ardor.

Um erro. Um grande erro.

A Imperatriz não fez um desfile que chamasse a atenção do público? É, realmente não fez, mas errou aonde? Em nada. A “certinha de Ramos” fez um desfile perfeito desde sua comissão de frente até a última ala respeitando os quesitos, os defendendo bem
e mostrando isso aos jurados. Além disso, fez um desfile bonito, com luxo, um bom enredo a ser contado e um bom samba que se não era genial passou muito bem no desfile.    

Na apuração apontavam o Salgueiro como bicampeão, mas a Imperatriz comeu pelas beiradas e levou o campeonato depois de cinco anos. Era o primeiro título de Rosa Magalhães na escola onde formaram uma longa e vitoriosa parceria. A Imperatriz bonita, certinha, barroca começava seu domínio que duraria quase uma década.

E eu estava lá nas arquibancadas no desfile das campeãs vendo o começo desse domínio.



BRASIL DE TODOS OS DEUSES 2010


Samba de Jéferson Lima, Flavinho, Gil Branco, Me Leva e Guga.

Não foi um desfile campeão, vice, nem mesmo que levou a escola ao desfile das campeãs. A grande campeã Imperatriz Leopoldinense ficou apenas em oitavo lugar. Pouco né? Então por quê colocar esse desfile entre os cinco?

Primeiro que nunca disse que seriam os cinco melhores desfiles, seriam os cinco desfiles ou sambas mais importantes pra mim. Teve um tricampeonato antes desse desfile e não coloquei nenhum desses anos, por quê? Porque a escola é grande demais e não merece ser lembrada por desfiles em que lhe jogaram latas.

Uma escola de samba é maior que campeonatos, ela é feita de cultura, fermentam a história da cultura popular desse país e 2010 acho muito mais representativo.

Representativo pelo grande samba que desfilou que marca uma transformação não só dela como do carnaval carioca.

Sim, não estou exagerando. Como eu disse acima a Imperatriz teve um tricampeonato conturbado, contestado e criou uma fama ruim. Essa fama ruim começou a ser diluída com desfiles mais alegres, a escola mais solta a partir de 2005 num bonito enredo sobre Hans Christian Andersen (ano em que disputei na agremiação).

O problema que enquanto a escola se tornava mais simpática os resultados sumiram. Aos poucos deixando a disputa pelo título, o desfile das campeãs e mesmo os grandes sambas não vinham surgindo. O ano de 2010 foi um ano de rupturas.     

Rosa Magalhães deixou a agremiação indo para a União da Ilha. O campeão de 1989 Max Lopes retornou e fez o enredo “Brasil de todos os Deuses”.

Um bom enredo que originou um grande samba.

No começo das disputas o samba comentado era o de Martinho da Vila na Vila Isabel sobre Noel Rosa, mas graças a era da internet o “mar de fiéis”, assim ficou conhecido o samba, acabou se propagando e transformando em um oceano.

No boca a boca, no link a link, no download a download as pessoas foram conhecendo o samba e se apaixonando por ele. Quando foram ver o mar de fiéis havia levantado maré e tomado a quadra. Virou a sensação, uma das unanimidades do carnaval 2010 e levou a vitória na escola.

Aquela vitória não representava apenas uma mudança de rumos na escola de Ramos fazendo que a outrora certinha fosse uma agremiação que queria conquistar o público e os jurados através de seu grande samba. O mar de fiéis foi um embrião para uma mudança nos sambas de enredo, um chamado para que outras escolas ousassem e escolhessem grandes sambas como Portela e Vila nos anos de 2012/2013. Sambas fundamentais para títulos e idas ao desfile das campeãs.

A escola não desfilou no nível do samba ficando apenas em oitavo lugar como eu já disse, mas o samba deixou sua marca. Derrotou o samba do consagrado Martinho levando o Estandarte de Ouro de melhor do ano e todos os prêmios do carnaval. Virou uma marca, um começo de uma era e deu frutos a Imperatriz que continuou investindo em suas disputas de samba, sua ala de compositores e com isso voltando ao desfile das campeãs em 2013.    

Um mar de fiéis que quer voltar ao seu lugar de direito.


Bem. Aí estão cinco carnavais dessa grande escola que virá em 2014 homenageando um dos meus grandes ídolos. Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Que faça um grande desfile e continue na retomada de suas vitórias levando sempre consigo a alegria e a comunicação com o público. Certinha? Que seja certeira em grandes desfiles.

Semana que vem tem o povo de Vila Isabel.


O meu sonho de ser feliz...


FONTE
GALERIA DO SAMBA

www.galeriadosamba.com.br 


ESCOLAS EM CINCO CARNAVAIS:


PORTELA

http://www.aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/04/portela-em-cinco-carnavais.html

MANGUEIRA

MOCIDADE


BEIJA-FLOR



segunda-feira, 27 de maio de 2013

RETALHOS DE CETIM


* Conto publicado no blog Ouro de Tolo em 16/3/2013

Fiquei boquiaberto com o que ouvi. Evidente que conhecia a história do massacre na escola, mas não conhecia a história do assassino e senti pena da vida da moça que foi tão afetada por causa de um ato insano.

Clara nunca mais foi a mesma, perdeu a alegria e se sentiu culpada pelo massacre. A moça abandonou o samba e arrumou refúgio na igreja.

Perdi o clima de festa depois dessa, dessa e da Bia com o tal de Zé e pensei que fosse uma boa ir embora. Meu pai também já estava cansado e se antecipou a mim pedindo pra ir embora.

Levei meu pai pra casa e fui pra minha esperar o maldito do Zé. Ele tocou a campainha oito em ponto e quando atendi estava lá com minha Julinha.

Julia tem oito anos e sempre foi muito grudada comigo. Ao me ver deu um salto em meu colo de felicidade. Apertei bem forte e gostoso minha filha enquanto Zé dizia “bem, ta entregue”.

Achei estranho o modo dele falar, um tanto afetado e respondi ok. Ele deu tchau e saiu. Fechei a porta com minha filha reclamando que teve que ouvir Madonna o trajeto todo até minha casa.

Estava tudo muito estranho.

Pedi uma pizza e ficamos vendo desenho na tv. Enquanto minha filha se divertia eu pensei um pouco em Bia e depois em todas aquelas histórias que ouvi.

Começava a levar a sério a história do livro. Aquelas andanças pela “Casa de bamba” fizeram acordar um lado sambista meu até então adormecido. Depois que Julia dormiu coloquei um dvd que tenho com desfiles antigos e enquanto via o espetacular desfile da União da Ilha em 1989, Festa Profana, lamentei que carnaval como aquele não voltava mais.

E cheguei a conclusão que realmente era aquela a minha missão. O resgate, que não lhe deixasse sumir.

No dia seguinte cedo já estava na porta de meu pai buzinando. Seu Jair saiu e perguntou o que eu queria. Mandei que se arrumasse, pois voltaríamos ao bar.

Meu pai riu e perguntou desde quando eu tinha virado sambista, respondi desde quando notei que poderia dar um bom livro.

Meu pai se arrumou e entrou no carro. Assim que ele entrou liguei o veículo e disse “acho que o tal do Zé é gay”. Meu pai riu e falou que eu estava com dor de cotovelo e emendei “O cara torce pelo Fluminense, fala afetado e é fã da Madonna”. Meu pai tentou defender alegado que isso queria dizer nada e completei “é gay, tenho certeza”.

Chegamos ao bar e fomos recebidos pelo Almeidinha. Perguntei se Manolo estava no lugar e o homem rapidamente apareceu. Contei sobre meu projeto pra ele que gostou e me convidou para subir.

Manolo, meu pai e eu subimos e eu me interessei pelos quadros pedindo para que o dono do bar me mostrasse. Manolo começou a mostrar e me interessei por um onde ele abraçava um homem negro e com cara de humilde.

Perguntei quem era e Manolo contou que era Benito, trabalhava no barracão da Beija-Flor, muito gente boa. Meu pai comentou que lembrava dele e Manolo disse que ele tinha uma história interessante perguntando se eu queria saber.

Respondi “evidente que sim” e ele me contou.

Benito como foi dito trabalhava no barracão da Beija-Flor de Nilópolis e a escola é conhecida por ter algumas das mais suntuosas alegorias do carnaval.

O trabalho não era fácil. Benito morava em Nilópolis e acordava antes do galo cantar todos os dias e pegava o ônibus em direção da Cidade do samba na capital do Rio de Janeiro. Era o dia todo no batente suando, se esforçando para ajudar na construção do maior espetáculo da Terra.

Quem vê apenas o desfile das escolas de samba não imagina o sacrifício que aquilo trás. As horas de trabalho e sem dormir de profissionais e pessoas que apenas querem ajudar. O suor, sangue choro deixados em um barracão fazendo carros alegóricos ou ateliê com as fantasias.

Seja numa escola grande que lhe dá toda assistência ou na pequena que apenas vale o amor e muitas vezes a pessoa que está no trabalho não só não recebe nada como muitas vezes tem nem comida ofertada.  

Tudo isso para aquela hora de emoção, a hora de ver a escola na avenida.

E Benito era um apaixonado por samba e pela Beija-Flor. Desfilava na escola desde criança e depois de adolescente achou na escola Nilopolitana uma forma de crescer profissionalmente. Conseguiu emprego no barracão e tornou um dos melhores profissionais. Carpinteiro de mão cheia fazia do carnaval sua profissão.

Uma noite mesmo chegando cansado do trabalho decidiu tomar uma cervejinha numa birosca perto de casa. Bebia aliviado aquela “gelada” e agradecendo a Deus por mais um dia de trabalho quando o amigo Tobias se aproximou.

Tobias lhe cumprimentou e brincando Benito perguntou aonde o amigo ia daquela forma “todo bonitão. Garboso Tobias respondeu que iria ao ensaio da Beija-Flor e perguntou se o amigo não iria.

Benito respondeu que estava cansado e Tobias mandou que o amigo parasse de bobeira, pois o carnaval estava chegando. Tobias respondeu novamente que não queria, mas Tobias insistiu tanto que o amigo acabou topando.

Benito foi pra casa, tomou um banho e foi com o amigo para quadra. Chegando lá encontraram a comunidade nilopolitana cantando forte o samba do ano, considerado um dos melhores do carnaval.

Tobias foi para o centro da quadra cantar o samba, enquanto Benito comprou uma cerveja e ficou observando.

Observava a cara alegre das pessoas cantando com garra o samba-enredo até que avistou uma mulata linda sambando. Benito nunca vira aquela mulher na quadra e de cara ficou encantado.

Benito não conseguia tirar os olhos da mulata que sambava graciosamente com malandros em volta tentando cortejá-la. Um momento a mulata cruzou olhares com Benito e sorriu. O homem nada entendeu e olhou para os lados pensando ser com outra pessoa, mas tinha ninguém perto.

Olhou novamente pra mulata que sorriu. “Não é possível, é comigo mesmo!!” pensou Benito e era sim.

Um tempo depois a mulata se aproximou dele e perguntou se tinha alguma toalha. Benito tirou uma do bolso e ela agradeceu, pegou e se secou. Foi devolver a toalha a um encantado Benito que respondeu que não precisava e podia ficar pra ela.

A mulata agradeceu, sorriu e se afastou. Benito se encheu de coragem e foi atrás dela, puxou pelo braço e perguntou se o sorriso enquanto sambava era pra ele.

A mulata olhou para ele e perguntou “que sorriso?”. Benito abaixou a cabeça com vergonha e ela rindo emendou “claro que sim bobo”. Benito abriu um sorriso e perguntou se ela queria uma cerveja.

Assim beberam e bateram papo com Benito esquecendo completamente do amigo Tobias que estava no meio da quadra agarrado a um monte de cabrochas. A mulata se apresentou como Alice, disse que se mudara há pouco pra Nilópolis e sairia pela primeira vez na escola, na ala de comunidade.

Empolgado Benito contou que também sairia na ala e trabalhava no barracão da escola. Mostrou as mãos machucadas com o trabalho e
Alice comentou que achava seu trabalho de herói e que sem gente como ele não saía o carnaval. 

Benito agradeceu sem jeito e Alice comentou que a quadra estava quente e que fossem dar uma volta.

Os dois deram uma caminhada e de repente Alice pegou na mão de Benito. O homem se empolgou, encheu de coragem e lhe deu um beijo.

Dali partiram para um motel onde fizeram amor.

No fim Benito estava extasiado e fazia planos de se encontrarem mais vezes. O homem empolgado falava de namoro, até casamento. Alice ria e falou que se encontrariam sim, muitas vezes, mas não por hora.

Benito não entendeu e perguntou o porque. Alice respondeu que o carnaval se aproximava, ela se atolara de trabalho além dele ter o trabalho no barracão e precisar se concentrar nas alegorias.

Benito entristeceu e Alice lhe deu um beijo pedindo pra não se chatear prometendo lhe encontrar no desfile. Benito perguntou se a moça tinha celular e ela respondeu que não, mas reforçou a promessa. No dia do desfile se reencontrariam na Sapucaí e começariam ali suas histórias.

O carpinteiro teve que aceitar e começou a contar as horas para o desfile. Trabalhava com afinco no barracão, mas só pensava na mulata e não via a hora de lhe reencontrar.

O homem estava cada vez mais apaixonado. Trabalhava e em todos os ensaios estava lá na quadra com a esperança de reencontrá-la. Tobias brincava com o amigo dizendo que queria ter conhecido essa mulher que mexeu com seu coração.     

Tentava contar de suas conquistas, até da mais recente, mas Benito não lhe dava ouvidos só pensando em Alice. Tobias notou o estado do amigo e pediu que não se preocupasse, se ela prometeu desfilaria.

E chegou o carnaval.

Benito acordou cedo para ajudar a levar os carros para avenida. Os carros da Beija-Flor eram ricos, impactantes e com certeza mais uma vez a escola brigaria pelo campeonato. Da Sapucaí Benito voltou pra casa correndo, tomou um banho e pegou o saco preto com a fantasia e assim voltar pra avenida...E assim reencontrar sua amada.

Benito não via a hora de chegar na avenida e reencontrar Alice, lhe abraçar e dar um beijo.

Chegou na avenida e percorreu a escola toda sem achar Alice. Perguntou a todos os harmonias da escola e ninguém conhecia. O homem foi se desesperando a medida que chegava a hora do desfile.  

A hora do desfile chegou e Benito foi obrigado a tomar posição em sua ala sem Alice. O carpinteiro olhava pra trás, pros lados num fiapo de esperança de ver sua amada e nada. Uma mão foi colocada em seu ombro, Benito virou na esperança de ver Alice, mas era Tobias.

Tobias perguntou se o amigo estava bem e ele chateado respondeu que Alice não aparecera. Tobias lamentou e chamou a namorada dizendo que queria apresentar para seu melhor amigo, uma pessoa especial. Puxou novamente Benito e disse “parceiro, essa é minha namorada nova, mas com certeza a última, a mulher da minha vida”.  

Benito virou e tomou um susto. Era Alice.

Como se nada tivesse acontecido Alice beijou o rosto de Benito e disse que já lhe conhecia. A sirene tocou, era hora do desfile.

A Beija-Flor começou a desfilar e Benito via a sua frente Alice e Tobias felizes e abraçados cantando o samba-enredo. Uma chuva torrencial começou na Sapucaí e o desfile ficou ainda melhor com a escola mais uma vez mostrando que era a prova d`agua.

A chuva se misturou com as lágrimas que caíam da face de Benito e seu rosto ficou molhado. A chuva conduzia o pranto de Benito e a Beija-Flor para mais um campeonato.

Eu chorei na avenida eu chorei..

..Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei.



A CARTA



Aproveitando essa fase mais sensível das últimas duas semanas quando fiz texto para a Bia e as mulheres que passaram por minha vida aproveito pra colocar aqui um texto que não é todo meu, mas que tocou meu coração e fiz ano passado.

A Thais, uma das citadas no texto anterior, me mostrou um vídeo lindo de um cara que nele andava por sua cidade (Pelo sotaque é uma de Portugal) e recitava uma espécie de carta que na verdade era um poema para um cara que estaria no momento com a mulher da sua vida.

Por na época viver situação parecida o vídeo me tocou no ato. Vi muitas vezes naquela noite e decidi fazer uma versão. Modifiquei bastante como podem ver na comparação colocando em minha realidade, mas mantive sua essência. Um cara que ama, perdeu esse amor e tenta transformar esse amor num desejo de felicidade àquela pessoa que tanto ama.

Mostrei para a pessoa na época e ela gostou. O texto realmente é muito bonito e digo isso tranqüilamente porque o mérito não é todo meu.

Vamos ao poema. Espero que gostem e se identifiquem tanto quanto ocorreu comigo. O vídeo ta em cima, mas veja o texto primeiro. O vídeo é tão lindo que se assistirem antes o texto perde a graça.

CARTA PARA UM DESCONHECIDO


Você não sabe quem eu sou, mas sei quem é você e só preciso de um minuto de sua atenção.

Espero que saiba a sorte que tem, o quanto eu gostaria de estar no seu lugar. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs, ajudá-la a acordar da preguiça que sempre tem de manhã dando beijinhos no rosto e abraçar dizendo “acorda preguiçosa”.  Espero que saiba que ela demora um pouquinho pra acordar e pela criação que teve é bom que o café esteja à mesa quando levantar porque ela não vai fazer, se tiver Nescau melhor ainda, ela adora.  Ela não vai te beijar antes de escovar os dentes por medo de perder o encanto, assim como ela não gosta que repare em seu cabelo todo despenteado, pra cima e parecendo o Bozo ao acordar. Besteira, mal ela sabe que isso tudo é um charme e ela é bela ao natural.

Espero que saiba que ela gosta de aproveitar cada raio de Sol, ta sempre disposta a encarar uma praia, uma balada e principalmente viajar, ah isso ela adora demais. Quando a preguiça não domina escolhe a roupa e toma banho no dia anterior só para ter mais cinco minutos de sono pela manhã. E mesmo com toda essa preguiça é pontual, sempre chega na hora desde que o metrô não atrase ou o ônibus quebre.   

Tome cuidado quando levar ao cinema, ela detesta filmes tipo Atividade Paranormal, filmes cheios de clichês..Ela até gosta de cinema, curte bastante, mas gosta mesmo é de ler. É capaz de ler livros de 700 páginas em dois ou três dias. Diz que é tímida, mas quando você menos espera rouba seus amigos de ti os cativando com toda sua simpatia, parece relações públicas.

E é educada, muito educada, vá conhecer a família dela e verá o porque. Uma família maravilhosa que te fará querer ter uma família assim e com ela.
Você nunca será uma sorte pra ela, sorte será pra você tê-la em sua vida. Sabe..Ela não é uma romântica por natureza, sempre se achou fria e do tipo que chora pouco, diz ela que chora três vezes por ano. Mas uma demonstração sua espontânea de carinho, amor, vai fazê-la fraquejar, se sentir “viadinha” porque ela é menina e mulher, segura e doce ao mesmo tempo. Ah e ficará envergonhada também, mas isso faz parte.

Ela não cozinha muito bem, mas vai se esforçar na cozinha para agradar você e os que tiverem junto, é até capaz de fazer um strogonoff delicioso e diz ser a rainha do miojo. Enquanto ela prepara a comida vá comprar Sprite, ela adora. Aliás, quando saírem pode pedir ao garçom Sprite pra ela, não vai errar. Enquanto o garçom vai buscar a bebida fale umas gracinhas que ela vai rir..E quando ela ri..

..Eu tenho vontade de chorar.

Não por tristeza, mas porque cada gargalhada sua soam como notas musicais, me toca o coração e faz querer dançar, justo eu que danço nada. Ela ri fechando os olhinhos, repare e delicie-se. Quando está tensa começa suas frases com “Então”, faça um carinho em seu rosto e mostre que não há motivo para tensão.

Na cama vai roubar seu lençol, te jogar pro canto da mesma e reclamar no frio, mas não se irrite. Lamba o rosto dela e diga que é uma lesma.. Ela vai rir e vocês assim começam uma guerra de travesseiros e cócegas. Provavelmente o fim disso será ela no chão gargalhando e você puxando pra lhe dar um beijo ardente.  

Ela é tudo que eu queria e acredite, eu tive. Aprenda que quando seu coração acelera com ela é normal e que a falta dela é um vazio igual a morte.

Espero que sejas tudo aquilo que nunca fui. Espero que a trate bem, como uma rainha, a mulher mais amada do mundo porque é isso que ela merece e se lhe partir o coração, trair sua confiança vai perdê-la pra sempre.

Pudesse eu ter o dom de ler o futuro e mudar o passado. 

Sejam felizes.


É isso..pra finalizar uma música que amo, faz parte da minha infância e acho que tem tudo a ver com o texto.


Amei você..
  
*Dedicado a Thais Capuano e a ela..

sexta-feira, 24 de maio de 2013

AS MULHERES DA MINHA VIDA




Já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores...

... todo mundo já ouviu essa música consagrada na voz de Martinho da Vila e algumas vezes associou à sua vida, se viu nela. Eu não fui diferente. 

Eu sou um cara que sempre tive as mulheres em volta de mim, marcando e moldando minha vida. Fui criado como único homem da minha casa, por mãe, avó, bisavó, tias e empregada. 

O único homem que morava aqui era meu tio, mas ele estava prestes a casar e mal parava em casa. Assim meu caráter foi construído por elas, meu lado cultural e minha personalidade. Graças a elas aprendi a gostar de cinema, teatro, livros, a ler e escrever. Minha avó é uma pessoa muito culta,
professora e passou isso para seus filhos e por conseqüência a mim. 

Minha tia Rachel, guia turística, sempre passava pelos lugares e trazia alguma lembrança. Contava de suas viagens e peguei gosto por viagens, conhecer lugares. Minha tia Rosanne sempre quis se dar bem, estudou e batalhou muito pra alcançar seus objetivos. Tenho um pouco dessa ambição. 

Convivi pouco com minha bisavó, mas lembro dos pastéis maravilhosos que ela fazia, as lancheirinhas que comprava pra mim e o grande carinho que me dava. 

E minha mãe...

... minha mãe era uma pessoa sonhadora, mas infelizmente seus sonhos não deram certo. Quis ser advogada, mas a doença não deixou que se formasse. Escrevia poesias, pensamentos, mas não mostrava para ninguém guardando em sua gaveta. 

Ela sempre dizia que o maior sonho de sua vida era ser mãe e se sentia feliz e completa por isso. Mas sei que ela tinha muitos sonhos que não realizou e tenho minhas dúvidas se foi uma pessoa feliz. 

Dela herdei minha sensibilidade, o lado sonhador. 

Apesar de ter convivido com tantas mulheres na vida minha infância em relação a elas não foi fácil. Eu era o tipo do garoto que se apaixonava fácil pelas menininhas da turma, mas com grande timidez que fazia gaguejar e não saber o que fazer perto delas. 

Eu tremia perto delas. Como diz o Leoni, “perto de uma mulher são só garotos”. Apaixonava, fazia planos de amor, tentava arrumar coragem de me aproximar e falar que gostava delas, mas não conseguia. 

Só consegui isso com uma. Uma linda loirinha que conheci ainda na pré-escola chamada Manoela. Mas namoro nessa época é só ficar junto no recreio e falar que namorava. Gostei de algumas no primário e nunca tive coragem de falar. Ainda tive que ver aos nove anos uma que eu gostava dançar e beijar um amigo meu na minha festa de aniversário. 

Foi assim que saí da infância e cheguei na adolescência. Vendo meninas que eu gostava se interessar por outros e eu não fazer nada.

No ginásio conheci a Raquel. Loirinha, baixinha invocada, voz rouca. Raquel pensava igual a mim, adorava política, éramos bem amigos com a diferença que eu era apaixonado. Até em reunião budista eu fui por causa dela. Isso com treze anos de idade. 

Até que com quase dois anos de amor platônico percebi que poderia usar meu dom da escrita para isso e me declarar. Escrevi uma carta pra ela contando tudo que eu sentia e na hora do recreio deixei nas suas coisas. 

Fiquei nervoso ainda mais que ela leu, mas não esboçava reação. Até que um dia tomei coragem, perguntei e ela disse que não dava, sentia apenas amizade. 

É duro sofrer de amor com 13 anos...

... Mas no ano seguinte conheci outra menina no colégio. A Ericka. Eu repeti o ano e acabei entrando em sua turma. Ericka foi muito carinhosa comigo em minha adaptação. Pronto, me apaixonei. 

Ericka era uma menina linda, inteligente, espevitada do tipo que amarrava a blusa e ficava com a barriga aparecendo e usava short curto. A musa do colégio. Além de ter uma manchinha verde perto da orelha que era um charme. Eu ficava zonzo perto dela, sem ter o que falar gaguejava e me sentia um idiota. 

Mas aos poucos fui me soltando e comecei a criar historinhas de um herói atrapalhado chamado Sir Aloisius (Hoje tem uma peça minha com quase mil visitações que esse personagem participa no site recanto das letras) que sempre tentava salvar a princesa Divina (Chamava a Ericka de divina Ericka por causa do personagem divina Magda da novela da época Meu bem meu Mal) e se dava mal. Ela ria, se divertia com as história e eu me sentia feliz. 

Quase dois anos estudando juntos tomei coragem e mandei carta pra ela também me declarando. Tive a mesma resposta que recebi de Raquel. Mas ela me descartou com tanto carinho, tanto afeto que me apaixonei mais ainda. Foi um “não” mais doce que muitos “sim” que recebi.

Isso faz mais de vinte anos e somos amigos até hoje. Ela sempre me fala que ainda tem as histórias que lhe mandei e rimos muito quando nos lembramos de nosso tempo de colégio. 

E a Ericka continua com a manchinha linda. 

Alguns anos depois teve a Luciana. Loirinha linda que me apaixonei enquanto trabalhávamos nos correios, mas que só me via como
amigo e  passamos algumas agruras juntos. Situações difíceis que onde a amizade se fortaleceu. Problemas que se resolveram e as vidas seguiram em paz mesmo que separadas. Mas como ela me disse uma vez "amizade sincera nem distância e tempo apagam". 

Hoje está muito bem casada, é mãe e tenho uma saudade gostosa dos tempos de faculdade e trabalho.  

Os anos passaram os “foras” se acumulando até que começaram a vir os “sim”. 

Michele, a mãe da Bia, que veio a ser minha primeira namorada. paixão avassaladora que virou irmandade.  Rafaela, mulher maravilhosa de Recife que veio passar seis dias inesquecíveis comigo no Rio. Com ela aprendi a gostar de churros e que não importa o tempo passado juntos e sim a intensidade do que se vive. Vivian que fiquei noivo e perdemos um filho. Alice, namoro de poucas semanas, mas quente. Luciana (é, gosto do nome) com quem tive namoro rápido, mas que deu pra que eu repensasse algumas coisas em minha vida. Karina numa relação meio inconsequente, mas que virou uma grande amizade e talvez tenha sido uma das que mais gostou de mim..

..Thais que foi uma paixão avassaladora de alguns meses onde tivemos que enfrentar a tudo e a todos. Acho que nunca fui tão covarde e corajoso quanto nessa época. Nunca tive tanta vergonha de alguns atos e orgulho de muitos. Nessa ocasião fui algumas vezes moleque, mas virei homem quando decidi que queria ser feliz e iria lutar por essa felicidade não importando o impacto que isso causaria. Me arrependo? Nunca! Faria mil vezes mais, porque era o que eu queria, quem eu amava e quando amo sou passional, me entrego, faço burradas, mas amo pra valer e foi muito bom enquanto durou. Forte e rápido como um cometa, brilhante e inesquecível como a passagem de um cometa

... e Bia, mesmo nome de minha filha a quem já dediquei uma coluna e mulher que me transformou pra sempre. A que talvez eu mais tenha errado e por ironia do destino a que nunca saiu do meu lado. Com quem tenho amizade forte hoje, raros são os dias em quem não damos nem um "oi" e é a primeira pessoa quem eu penso quando passo uma situação ruim ou vitoriosa. É quem me dá conselhos e talvez a única pessoa desse planeta que consegue me convencer quando seu ponto de vista é o certo e o meu errado, a única a quem eu ouço de verdade e respeito demais por sua inteligência, determinação, cultura, doçura e uma das poucas que realmente sei que já gostou e gosta de mim (mesmo de forma diferente hoje) já dando provas disso.

Tive mulheres que me marcaram e me fizeram o que sou hoje. As da minha família, as que não quiseram nada comigo (a primeira música que fiz na vida foi pra Ericka), que namorei, fiquei e amigas como Paola e Fabiola que conheci na internet e até hoje estão na minha vida. Fico amigo de seus namorados como no caso da Paola, vão torcer por meus sambas, se envolvem, vibram e eu torço igualmente por elas. Fabiola, a amiga doida, agora é mãe de um lindo menino e parece mais ajuizada (espero), Paola parece que finalmente encontrou o cara de sua vida, um grande parceiro, amigo mesmo. Fico feliz por elas. 

Descobri que minhas maiores amizades hoje são de mulheres. Tenho muito mais mulheres nas minhas redes sociais que homens. Com elas que desabafo e me abro, mostro como sou e elas têm empatia comigo a ponto de fazer o mesmo. 

Acho que ser criado por mulheres me ajudou nisso. Ser escritor
também. Tenho a alma feminina, por lidar com arte tenho a sensibilidade delas e acho que isso faz com que eu as entenda mais e elas a mim. 

Sei falar o que querem e precisam ouvir e finalmente a habilidade que tenho para a escrita serviu a alguma coisa. Não preciso mais mandar cartinhas e posso ser eu mesmo no meio que hoje mais aproxima as pessoas.

A Internet onde fiz amizades fortes com pessoas que eu nunca vi e sei que se precisar é só gritar que aparecem. 

Ter tantas mulheres na minha vida, tantas pessoas importantes que só tenho a agradecer por fazerem parte de minha existência só podiam resultar em primeiro filho ser mulher, minha doce Ana Beatriz. 

Admiro as mulheres. Mulheres são fortes, elas nos dão a vida. Dão nosso primeiro alimento, através de nossas mães conhecemos o amor, a proteção, o carinho. 

Já errei muito com as mulheres, mas tenho um profundo respeito por elas e sempre me sinto um garotinho perto delas que são tão valentes, guerreiras. O que seria de Jesus se não fosse Maria? 

Mulher amadurece muito mais rápido que homem, homem não sabe viver sem mulher. 

E elas me inspiram a cada dia. Do pastelzinho da minha bisavó, cinema com minha avó, gargalhadas com minha mãe, historinhas pra Ericka, ouvir Barry White com Michele, cantar em videokê pra Rafaela, chamar de suco de groselha o cabelo ruivo de Vivi, jogar Thais do sofá, encontrar Alice às escondidas, viajar e ir a show com a Bia, ficar até de madrugada falando besteiras com amigas na internet ou só ficar parado vendo minha filha assistir Dora aventureira, Michael Jackson ou turma da Mônica. 

Tudo serviu de aprendizado, inspiração, até rendeu uma coluna. Obrigado a todas vocês e boas vindas as que ainda entrarão na minha vida. Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda!

Quem quiser conhecer o “Sir Aloisius”, personagem que fiz há mais de vinte anos pra “tentar conquistar” um desses meus amores a peça dele está no link abaixo.


Ah..Quem é a mulher da minha vida hoje? Essa é fácil. É a que está comigo abaixo. 


Mas acho que ela não se importará se aparecer mais alguma. Afinal, essa história ainda não acabou.



Que seja doce.