quarta-feira, 31 de julho de 2013

CINCO ESCOLAS EM CINCO CARNAVAIS


 
E hoje começo uma nova etapa na série "Cinco carnavais". Em vez de uma escola falarei sobre cinco. Sim, cinco escolas de samba importantes, valorosas, entidades de respeito e tradição que contribuíram com o crescimento de nosso carnaval e a cultura desse país. 

Todas as escolas são importantes. Da mais poderosa do grupo especial a mais humilde do acesso e merecem esse reconhecimento e nosso muito obrigado. Por isso a série continua. Por isso a reverência é eterna.
 
Contarei um pouco de suas histórias e seus carnavais que mais me marcaram como sambista e compositor. 

Vamos lá. Cinco escolas em cinco carnavais.
 

PORTO DA PEDRA  
 
 A escola de São Gonçalo foi fundada como bloco em 8 de março de 1978, criada por amantes do clube de futebol que tinha o mesmo nome cujas cores eram o vermelho e branco. Esses torcedores se reuniam e desfilavam pelas ruas do bairro até que se uniram para formar o bloco que se transformou na escola de samba G.R.E.S Unidos do Porto da Pedra em 1981. 

O primeiro título da escola, desfilando em São Gonçalo, ocorreu em 1982 com o enredo “No reino da fantasia”. Em 1995 surpreendeu o mundo do samba ao vencer o grupo de acesso A do carnaval do Rio de Janeiro ganhando o direito de desfilar no grupo de elite do carnaval carioca.  

Desceu para o acesso em 1998, voltou a especial em 1999, voltou ao acesso em 2000, voltou ao especial em 2001 e permaneceu na elite até 2012. Suas cores são vermelho e branco. 

Porto da Pedra de “Campo cidade em busca de felicidade” 1995, “A folia no mundo – Um carnaval dos carnavais” 1996, “Um sonho possível! Crescer e viver agora é lei” 2001, “Bendita és tu entre as mulheres do Brasil” 2006, “Preto e branco a cores” 2007, “O sonho sempre vem pra quem sonhar” 2011. 

Porto da Pedra e seu carnaval que mais me marcou.
 

NO REINO DA FOLIA, CADA LOUCO COM SUA MANIA 1997
 
 
 
Samba de Vadinho, Carlinhos e Pinto. 

Como eu disse a Porto da Pedra surpreendeu o mundo do samba ao subir para o grupo o grupo especial em 1995, afinal, ela conseguira o direito de desfilar no acesso apenas porque foi convidada. 

Mas subiu, chegou à elite e como diria o mestre Zagallo “aí sim fomos surpreendidos novamente” porque a escola que era pule de dez para descer não só não desceu como fez um ótimo desfile com o poderoso refrão “endiablado eu to / e vou sacudir /nas garras do tigre se liga / se ligue eu vou deixar cair” ficando em nono lugar em um ano que tinha dezoito escolas!!

Mas o melhor ainda estava por vir e veio no ano seguinte, em 1997.  

A Porto da Pedra decidiu falar sobre os loucos, mesmo tema escolhido pelo poderoso Acadêmicos do Salgueiro. Nesse caso então é pra pensar, vai se dar mal né? É, mas não se deu. 

Se deu foi muito bem. A escola de São Gonçalo levou um enredo delicioso para a avenida. Sua comissão de frente veio vestida de Napoleão Bonaparte e seu abre alas mostrou um tigre, símbolo da agremiação, em meio ao “Portal da loucura”.

A escola, que também trouxe internos e funcionários do hospital psiquiátrico PINEL mostrou toda as espécies de malucos, como o “maluco beleza” Raul Seixas, o delirante Dom Quixote e até mesmo o menino maluquinho, criação do genial Ziraldo. 

Além de tudo a Porto da Pedra foi muito feliz na escolha do samba-enredo. Um refrão ótimo “Eu canto, eu pinto, eu bordo / Sapucaí é a tela / Porto da Pedra enlouquece a passarela” apresentava o samba com todos os seus loucos ao público e ao mundo do samba que mais uma vez era surpreendido pela agremiação. 

Na luta entre David e Golias a Porto da Pedra venceu o Salgueiro conquistando um honroso quinto lugar e assim voltando no sábado das campeãs. 

Enlouquecendo a passarela.
 
 
 
TRADIÇÃO     

 

Em 1984 um grupo de dissidentes da Portela fundou a Portela Tradição que também teria a águia como símbolo. No entanto a Portela conseguiu na justiça impedir que sua dissidência usasse seu nome e símbolo, sendo assim o nome ficou sendo apenas Tradição e a escola criada por Nésio Nascimento (filho de Natal), João Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro e outros foi fundada em 1° de outubro de 1984. 

A caçulinha ganhou adesões importantes como de Tia Vicentina (irmã de Natal) e da maior porta bandeira da história Wilma Nascimento e faltando poucos dias para seu primeiro carnaval não tinha decidido qual animal substituiria a águia que já estava pronta. Decidiram transformar a águia em condor e dessa forma ela precisou apenas de poucas mudanças. 

Suas cores são Azul turquesa e Royal, branco, ouro e prata e a escola chegou ao grupo especial em 1988. Entre idas e vindas ficou no grupo especial até 2005. Hoje se encontra no grupo de acesso. 

Tradição de “Pássaro guerreiro, Xingu” de 1985, “Rei Senhor, Rei Zumbi, rei Nagô” 1986, “Sonhos de Natal” 1987, “Rio, samba, amor e Tradição” 1989, “Não me leve a mal, hoje é carnaval” 1993, “Passarinho, passarola, quero ver voar” 1994, “Hoje é domingo, é alegria, vamos sorrir e cantar” 2001, “O Brasil é penta, R é 9 – O fenômeno iluminado” 2003. 

Tradição que agora conto qual carnaval mais me marcou.   
 

O MELHOR DA RAÇA, O MELHOR DO CARNAVAL 1988
 


 Samba de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro.

Os portelenses, não tiro a razão deles, torcem o nariz para a Tradição e guardam mágoas da cisão. Mas até eles mesmos no fundo devem reconhecer que o começo da escola foi um luxo. 

Que escola pode dizer que por cinco anos seguidos teve sambas assinados por João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro?  Dois monstros sagrados da nossa MPB? E ainda teve o luxo supremo de ter João Nogueira cantando o samba na avenida. Tudo isso em um acordo de cavalheiros.  

Os dois foram os primeiros compositores a acreditar na escola e assim ganharam o direito de fazer os primeiros sambas. Eles aceitaram desde que isso fosse até a escola chegar ao primeiro grupo e depois fosse criada uma ala de compositores. Isso ocorreu em 1990. 

Tendo uma dupla dessas acabou que os cinco primeiros sambas da escola foram magistrais. Grandes enredos, grandes sambas, com gente como Wilma Nascimento carregando seu pavilhão acabou que numa subida meteórica a Tradição chegou ao especial em 1988.  

E incomodou a Portela, muito.

Em 1988 várias escolas decidiram homenagear os negros devido ao centenário da libertação dos escravos, mas as duas não. Portela contando os sonhos do vice-rei veio com um refrão que dizia “Briga / eu quero briga” que muitos logo associaram como uma provocação à Tradição. 

Já a escola de Campinho foi mais sutil e começou seu samba com “E com saudades da Portela / Vem chegando a Tradição”. Belíssimo enredo, belíssimo samba e a caçulinha começou forte no especial.

Para muitos desfilou melhor que a Portela. Ganhou dela no júri da Globo, mas na hora do júri oficial prevaleceu a força da escola de Madureira que ficou na frente e venceu essa disputa.

A Tradição estreou prometendo muito, infelizmente sua trajetória não correspondeu ao início. Muitos voltaram à escola mãe e a agremiação de Campinho parece meio perdida reeditando sambas de outras escolas quase todos os anos e perdendo identidade. 

Mas ficam as boas lembranças. De um começo grandioso. 

E com saudades da Portela.     

 
IMPÉRIO DA TIJUCA
 


O Império da Tijuca tem algumas peculiaridades. Primeiro a palavra “Educativa” em seu nome, a única que carrega a palavra e com orgulho. Segundo, que para surpresa de muitos, é o primeiro Império do samba. 

Sim. O Império da Tijuca é mais velho que o Império Serrano. A escola é de 8 de dezembro de 1940 e por essa razão seu símbolo é uma coroa. A escola é situada no morro da Formiga e lá sempre fez experiências comunitárias de grande valor como uma escola de alfabetização de crianças, a Tropa José do Patrocínio, grupo de escoteiros que atuou muito tempo na comunidade. 

Seu primeiro desfile aconteceu em 1946 com o enredo “Aos heróis de Monte Castelo” e o primeiro campeonato em 1964 com “O esplendor do Rio de Janeiro Imperial” que lhe valeu o acesso ao grupo principal das escolas de samba.
 
Suas cores são o verde e o branco e tem entre seus nomes mais conhecidos Sinval Silva (compositor preferido de Carmem Miranda) e Marinho da Muda. Desde 2004 é presidida por Antônio Marcos Telles, mais conhecido como Tê.    

Império da Tijuca de “O mundo de barro de mestre Vitalino” 1977, “As três mulheres do rei” 1979, “Viva o povo brasileiro” 1987, “No Saçarico da Colombo” 1995, “O reino unido independente do Nordeste” 1996, “Elymar super popular” 1998, “No palco da alegria, Molejão é o rei nesta folia” 1999, “Tijuca cantos, recantos e encantos” 2006, “O intrépido Santo guerreiro” 2007, “Suprema Jinga – Senhora do reino Brazngola” 2010. 

Império da Tijuca que com muita honra faço parte de sua galeria de campeões de samba-enredo ao vencer em 2003 e agora conto qual carnaval seu mais me marcou.
 

NEGRA, PÉROLA MULHER 2013   
 


Samba de Samir Trindade, Serginho Aguiar, Araújo, Walace Menor e Alexandre Moreira.

Apesar de já estar um bom tempo no acesso era nítida a melhora do Império da Tijuca com o presidente Tê. Ele assumiu a escola no grupo B, ameaçada de cair ao C e sair da Sapucaí e aos poucos foi organizando a agremiação.  

Conseguiu levar o Império de volta ao acesso A, pagou dívidas, escolheu enredos com relevância cultural, escolheu os melhores sambas desses concursos fazendo que com a agremiação da Formiga virasse referência do grupo em samba-enredo ganhando vários prêmios como em 2007 e 2010 e começou a sonhar com o especial. 

Sonhou e trabalhou. Organizada começou a fazer seu carnaval logo que acabava o anterior. Entregava roupas de alas cedo, fechava barracão concluído bem antes das concorrentes, era evidente que esse trabalho daria frutos. 

Deu em 2013.

Para o carnaval de 2013 saiu de cena a LESGA e a série de acusações contra sua honestidade e entrou a LIERJ. Gato escaldado tem medo de água fria e muitos falaram que o carnaval estava dado para outra escola. Nos anos anteriores sempre que surgiam esses boatos eles acabavam se confirmando na apuração. 

Mas não esse ano.

O Império da Tijuca não era colocado entre os favoritos e isso foi um “erro” dos entendidos da folia já que a escola tinha um enredo forte e um dos grandes sambas do grupo. O Império organizado, empresarial, primeiro a concluir seu carnaval, a começar suas disputas de samba-enredo mais cedo pra ter mais tempo e escolher certo não se permite a erros e não errou. 

Não errou e valorizou ainda mais seus acertos na avenida. O enredo afro explodiu, o samba espetacular aconteceu e ganhou todos os prêmios do ano com méritos e a cada minuto do Império na avenida os boatos caíam por terra.

O Império da Tijuca na gosta de ser chamado de Imperinho, afinal, foi o primeiro Império e mostrou em 2013 que tal como o Império Romano podia ser dominante, avassalador e desfilou assim. Ao final de sua “guerra por conquista de território” ninguém tinha duvidas que conquistara o território mais importante. A volta ao grupo especial. 

Eu estava lá e vi na avenida essa “batalha épica” e dessa forma, depois de dezessete anos, o Império da Tijuca voltava ao grupo especial.   

Nessa festa teve muita zoeira.
 
 
SANTA CRUZ

 
Afilhada da Unidos de Bangu e madrinha da Unidos do Uraiti a Acadêmicos de Santa Cruz foi fundada dia 18 de fevereiro de 1959. Desfilou em 1960, 1961 e 1962 na própria localidade, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda em 1962 se filiou a Confederação das Escolas de Samba e desfilou pela primeira vez no centro da cidade no dia 2 de dezembro, ocasião do 1° congresso do samba. Em 1963 disputou o carnaval da Praça Onze (grupo B) e foi campeã. Em 1965, carnaval do IV centenário, venceu o acesso A e se juntou pela primeira vez às grandes escolas de samba. 

De um bloco de sujos, o “Vai quem quer”, que começou a surgir a futura escola que é uma dissidência do bloco carnavalesco “Garotos do Itá”. Ao longo dos anos aglutinou sambistas de outras escolas de Santa Cruz como “Unidos da Jaqueira”, “Independente do Morro do Chá” e “Unidos do Caxias”. 

Teve como símbolo inicial a figura de um boi como referência ao matadouro que durante anos funcionou no bairro. Um capelo fazia referência aos acadêmicos que fundaram a escola juntamente a um pandeiro e um surdo como marcos da relação com o carnaval. Mais tarde o símbolo da escola foi substituído por uma coroa e por alguns anos a escola teve na bandeira uma estrela.    

Suas cores são verde e branco e a escola desfilou oito vezes no grupo de elite do carnaval. 

Santa Cruz de “Um fato em cada século” 1965, “Acima de uma coroa de um rei, só Deus” 1984, “Stanislaw, uma história sem final” 1989, “Ribalta – Luz, sonho e ilusão” 1996, “Não se vive sem bandeira” 1997, “O exagerado Cazuza nas terras da Santa Cruz” 1998, “Papel – Das origens à folia – História, arte e magia” 2002, “Do universo teatral à ribalta do carnaval” 2003. 

Santa Cruz que agora conto o carnaval que mais me marcou.
 

OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA 1990    
 


 
Samba de Zé Carlos, Carlos Henri, Carlinhos de Pilares, Doda, Mocinho e Luis Sérgio. 

A Santa Cruz sempre foi conhecida como a “certinha do acesso”. 

Escola que fazia desfile técnico no grupo. Não empolgava, mas fazia sua apresentação para os jurados e quando as pessoas menos esperavam lá estava a agremiação vencendo o grupo de acesso ou chegando perto da vitória.

O problema é que se esse estilo era bem sucedido no acesso tinha problemas no especial, não era o suficiente para alçar bons resultados e a agremiação acabava retornando ao acesso. A Santa Cruz nunca conseguiu desfilar dois anos seguidos no especial.

Então destaco 1990 por ser um ano diferente dela. 

Como disse o ano era de 1990. Apenas cinco anos em regime democrático e o primeiro presidente eleito pelo povo desde 1961 nem tomara posse ainda. Então nossa democracia ainda era muito recente e nessa nova democracia a Santa Cruz resolveu ousar e falar do regime ditatorial tão vivo ainda na memória dos brasileiros. 

Mas decidiu fazer algo diferente de um tema aparentemente tão sombrio e de seus desfiles frios e técnicos. Ela homenageou o “Pasquim”, jornal de humor e crítica a ditadura dos anos 70, muito perseguido pelo regime. A Santa Cruz fez um desfile leve, alegre, colorido para contar a história do jornal e aproveitar e falar do regime militar e suas características. 

Colocou guilhotinas na avenida representando a censura. Anões em carros alegóricos representando a imprensa de pequenas mídias e resistência, levou artistas do período como o mítico Paulo Cesar Pereio que foi flagrado deitado no carro alegórico pela câmera da Globo e levou os jornalistas do Pasquim para a justa homenagem. 

Apesar da alegria a agremiação não conseguiu se manter no especial sendo rebaixada, mas uma coisa me chamou a atenção nesse desfile. O refrão tinha o verso “Por favor, não apague a luz” e por ironia do destino poucos anos depois a escola teve problemas com a luz da Sapucaí em seu desfile e a confusão foi tão grande que faltando apenas dois dias pro carnaval seguinte ela não sabia em qual grupo desfilaria. Desfilou no especial, não estava preparada para tal e caiu de novo. 

O tema “ditadura militar” foi revisitado pela União da Ilha em 2000 e por coincidência com o mesmo enfoque bem humorado.
 
Livre das amarras dos desfiles técnicos em 1990 a Santa Cruz gozou de liberdade.

 

ACADÊMICOS DO CUBANGO    

 
Na antevéspera do Natal de 1959, mais precisamente no dia 17 de dezembro que nasceu em Niterói a Acadêmicos do Cubango. 

Aproveitando-se do silenciar dos batuques da Império Serrão, até aquele momento reduto dos sambistas dos morros do bairro de Cubango, um grupo de bambas resolveu reacender a chama fundando uma nova escola de samba. 

Durante os anos de 1960 e 1970 a Cubango realizou seus ensaios nos clubes Fluminense e Fonseca até conseguir no fim da década de 70 sua quadra da Noronha Torrezão.   

No começo dos anos 60 foi tetracampeã na Academia do Samba, uma espécie de segundo grupo do carnaval de Niterói, em 1964 se juntou as grandes escolas da região. Conquistou seu primeiro título em 1967. 

Muitas vezes campeã em Niterói migrou para o carnaval do Rio de Janeiro nos anos 80. Estreou no carnaval do Rio em 1986 e de cara foi campeã do grupo IV. Em 1992 pela primeira vez chegou ao principal grupo de acesso. 

A verde e branco de Niterói desfila atualmente no grupo A da LIERJ.  

Cubango de “Afoxé” 1979, “Fruto do amor proibido” 1981, “Negro que te quero negro” 1992, “África, o exuberante paraíso negro 2002”, “Cubango é shopping no mundo do toma lá da cá” 2004, “O fruto da África de todos os Deuses no Brasil da fé. Candomblé” 2005, “Os loucos da praia chamada saudade” 2010, “A emoção está no ar” 2011.   

Cubango que conto agora o carnaval que mais me marcou.
 

MERCEDES BATISTA, DE PASSO A PASSO UM PASSO 2008

 


Samba de Diego Nicolau, Arthur Bernardes, Sardinha, Junior Duarte e Carlinhos da Penha. 

Desde os carnavais de Niterói, que infelizmente não tenho muito conhecimento, a Cubango é conhecida por seus grandes enredos e sambas. Principalmente quando ela vem afro, sua especialidade. 

Assim foi em 2008. Para o carnaval daquele ano a Cubango resolveu fazer uma grande e justa homenagem. Reverenciou Mercedes Batista, a mãe do balé afro brasileiro. 

Contou ao público uma linda e desconhecida história para a maioria. Mercedes com seu “balé de pés no chão” fundou a Academia de Danças Étnicas e levou seu bailado e a arte afro brasileira a todo o mundo. 

Em paralelo a Cubango contou a força da arte popular negra do Brasil, por fim fez uma mistura da arte popular representada por gente como Abdias Nascimento com a arte erudita e isso deu em um enredo riquíssimo em cultura.

Claro que tendo a ala de compositores talentosa que possui viria um grande samba-enredo e a Cubango ainda tinha a felicidade de contar em seus quadros com nomes como de Diego Nicolau, um dos melhores compositores e cantores da nova geração. 

O grande samba veio e foi considerado no pré-carnaval um dos melhores do ano juntando todos os grupos do carnaval carioca. A beleza e força do samba foi comprovada na avenida e ele levou os principais prêmios do grupo de acesso. 

Mas de uma forma surpreendente e injusta a Cubango acabou rebaixada naquele carnaval. Mas superou. Logo no ano seguinte voltando ao grupo. Continuou produzindo grandes enredos, sambas e prosseguindo sua caminhada que fatalmente dará um dia no grupo especial. 

O que importa, o que ficou foi o lindo samba e a homenagem a um dos maiores nomes desse país. Isso é eterno. 

Mercedes Batista pôs a avenida a seus pés.

 
Bem..É isso aí. Essas foram as primeiras cinco escolas homenageadas nessa nova etapa do “cinco carnavais”. Semana que vem tem mais cinco. 

    

  
FONTE:

GALERIA DO SAMBA
 www.galeriadosamba.com.br




ESCOLAS DE SAMBA EM CINCO CARNAVAIS:

terça-feira, 30 de julho de 2013

A PRAGA


*Conto publicado na coluna "Enredo do meu samba" no blog Ouro de Tolo em 11/5/2013


Confesso que tive que gargalhar com o que meu pai contou. Perguntei ao seu Jair se era séria mesmo a história que me contou e ele confirmou dizendo que tinha várias testemunhas. 

Depois do papo desliguei e pensei que estava na hora de por a mão na massa. Liguei o notebook e coloquei os primeiros “causos” no papel. Ri relembrando de alguns, me emocionei com outros e pensei que as pessoas mereciam conhecer aqueles sambistas e suas vidas. 

Fechei o computador, deitei e acordei cedo para ir ao colégio. Como sempre me enrolei e acabei chegando atrasado. Bati na porta e a reunião já acontecia com os pais e as crianças com a diretora. Minha filha me viu e veio correndo para os meus braços. Pedi desculpas a todos e sentei-me ao lado da Bia que claro me criticou.

A diretora reclamava do comportamento dos alunos, da bagunça que faziam e citou nominalmente os mais bagunceiros. Não citou Julinha o que foi um alívio. 

Ao fim da reunião a diretora nos chamou. Bia perguntou se Julia tinha feito algo, se era da turma dos bagunceiros e a mulher respondeu que não, o problema era o contrário. 

Julia andava introspectiva demais, ficava isolada inclusive na hora do recreio quando todos brincaram e quando foi pedido às crianças que fizessem desenho da família desenhou-se sozinha e os pais distantes.


Deixamos Julia em sala de aula e eu e Bia saímos juntos da escola. Comentei que não podíamos deixar nossa filha naquele estado e Bia respondeu “você é ausente, por isso a menina ta assim”. Falei que não queria brigar, queria uma solução para esse problema e minha ex pediu desculpas. 

Antes de entrar no carro virei para a Bia e falei “vamos pensar numa solução!” e instantaneamente beijei sua testa. Foi sem querer, não pensei no ato e ficamos nos olhando sem falar nada, sem saber o que pensar daquela situação até que entrei no carro e parti. 

Fui para o jornal e trabalhei pensando o dia todo na minha situação com Bia e Julia e o livro que escrevia. Cheguei a conclusão que minha missão naquele momento era resgate, resgatar pessoas esquecidas e minha família partida. 
 
Saí do trabalho e peguei o carro rumo a minha casa, mas no meio do caminho mudei de ideia. Fui para a “Casa de bamba” me refrescar porque eu merecia. 

Cheguei no bar e ele estava lotado como sempre. O pagode rolava e bambas se misturavam com a moçada se despedindo daquele que era um centro de cultura de nossa cidade. Almeidinha me arrumou uma mesa para sentar, mas rapidamente Baltazar, o do carro vermelho, me avistou e mandou que me juntasse a turma do samba. 

Cheguei perto e ele comentou com o grupo que tocava que eu estava escrevendo um livro com casos do samba. O cara que tocava pandeiro logo gritou “conta o caso do Penteado!!”. Penteado que era o cantor do grupo pediu que deixassem quieto e aquilo despertou minha curioso. Aí sim que quis saber a história. 

Penteado implorou para que não contassem, mas o grupo parou de tocar só pra contar a história.

Penteado era jovem cantor da Unidos do Viradouro, não era o principal, mas sonhava com o dia que seria o cantor da vermelho e branco de Niterói.
 
Gostava de dar uma de garanhão, ter muitas mulheres, se achava o Tom Cruise e até que levava jeito com as mulheres. Sempre cercado de várias.

Mas o garanhão namorava e sua namorada, a Jéssica era bem ciumenta. O malandro se virava como podia para dar suas escapadas e tudo ia bem.

Ia até a mulher começar a ficar desconfiada. Jéssica era ciumenta, mas não era burra. Ficou quietinha sem dar escândalos apenas esperando a hora de “dar o bote”. 

E o bote veio numa festa na Unidos do Porto da Pedra que a Viradouro foi convidada. Penteado foi representar a escola e cantou os maiores sucessos da agremiação.

No fim se atracou com uma passista crente que se daria bem, mas Jéssica, que mentira alegando ter que acordar cedo e assim não acompanhando o amado, apareceu de surpresa.

Maneta, cavaco da Viradouro e melhor amigo de Penteado que foi com o amigo até o Porto da Pedra ficou branco quando viu Jéssica e  tentou correr para avisar o cantor. Mas a morena foi mais rápida e se aproximou de Maneta perguntando onde estava o namorado. 

Maneta começou a gaguejar e olhou para o lado de fora. Jéssica percebeu e comentou “o safado ta lá né? Vou ver”. Saiu da quadra e deu de cara com Penteado beijando a passista.

Jéssica gritou “Canalha eu vou te matar!!”. Partiu para cima de Penteado lhe dando tapas e bolsadas. A passista, lógico, se mandou enquanto Penteado repetia que não era nada daquilo que sua namorada pensava. 

Cansada de bater Jéssica pôs a bolsa no ombro e disse que estava tudo acabado entre eles. Penteado tentou persuadir a moça que completou “e você vai virar broxa, não vai mais subir com ninguém”.

Aquelas palavras gelaram a alma de Penteado que conseguiu falar mais nada enquanto Jéssica ia embora. Maneta chegou perto do amigo e perguntou se estava tudo bem. Penteado respondeu que ela terminara tudo e Maneta falou “sinto muito”. Penteado completou dizendo que a mulher jogara praga para que ele ficasse broxa e Maneta emendou com um palavrão cabeludo. 

Penteado sentia falta da ex-namorada, mas pior ainda, ficou encucado com a praga. Por alguns dias nem conseguiu sair com mulher nenhuma, até que Chandelly, a passista do Porto da Pedra lhe convidou pra sair.    

Penteado pensou “praga é coisa de ignorante, não pega” e saiu com a passista. Foram a um barzinho, depois a uma boate e pararam no motel. No local o rapaz foi com todo afinco, mas falhou.

Pela primeira vez Penteado falhara na cama, lembrou da praga de Jéssica e se apavorou. Chandelly pediu que o amante se acalmasse que essas coisas ocorriam com todo mundo e encheu Penteado com carinho. 

O cantor se empolgou e começou a beijar a mulher. Tentou de novo. Nova falha. 

Chandelly levantou-se da cama, pôs as mãos na cintura e perguntou “Qual é Penteado? Você ta broxa?”. O homem desesperado pôs as mãos no rosto e respondeu “estou”. 

A vida de Penteado se transformou em um inferno. O cantor não conseguia se esquecer das palavras de Jéssica e pensava “pqp, a praga dessa desgraçada pegou”. Tentou sair com uma porta bandeira da Unidos do Anil, nova falha, com uma componente de ala da Unidos de Jacarezinho, falhou, marcou encontro e saiu com a assessora de imprensa da Tradição. Broxou. 

Em um encontro de escolas de samba no Império da Tijuca Penteado foi cantar e notou que as mulheres olhavam pra ele. Sentiu-se o garanhão, mas aí notou que elas riam. Lembrou de seus últimos fracassos e perdeu a voz. 

Começou a cantar esganiçado, dando uns agudos inexplicáveis assustando o mestre de bateria do Imperinho e Maneta que tocava cavaco para o amigo.    

No fim Maneta perguntou ao amigo o que ocorria e Penteado desabafou contando toda a verdade. 

Maneta viu que o sofrimento do amigo era sério e perguntou se ele
já tinha tomado o “azulzinho”. Penteado respondeu que sim, mas nem isso adiantava e Maneta respondeu “Só tem uma solução”. 

Preocupado, mas dizendo que faria qualquer coisa para resolver seu problema Penteado perguntou o que e Maneta respondeu “te levar a Pai Xoxó”. 

Pai Xoxó era um famoso Pai de Santo de Alcântara e Maneta levou o amigo pra se consultar. Os dois ficaram a sós e Pai Xoxó olhou bem sério para Penteado. O cantor ficou ressabiado perguntando o porque do silêncio, Pai Xoxó deu uma baforada no charuto e respondeu “mizifio tem um problema”. 

Penteado concordou e completou “se eu não tivesse problema não estava aqui”. Pai Xoxó respondeu que daria um jeito no seu problema de “paumolecência”.  Mandou que Penteado pegasse papel e caneta para anotar, mas ele só estaria completamente curado depois de uma nova tarefa que teria que fazer depois da recuperação sexual. 

Penteado anotou todos os ingredientes para o trabalho que teria que fazer. Só assim se recuperaria. O cantor foi na encruzilhada, colocou a farofa, o frango que comprou na padaria, o marafo, a vela de sete dias e rezou. 
 
Saindo do local encontrou uma cabrocha da Viradouro e decidiu testar se tudo dera certo. Foram para a cama e Penteado se sentiu como o He Man. Ao se descobrir curado gritou “Pelos poderes de Greyskull!!”. 

Estava bem, sentia-se perfeito, mas faltava-lhe algo, sentia falta de 
Jéssica e correu atrás de seu amor. Enquanto ela saía da faculdade
uma noite o cantor estava lhe esperando com um buquê de flores na mão. 

Jéssica arredia perguntou se ele achava que só flores bastavam e Penteado respondeu “eu amo você, me perdoa”. Jéssica sorriu e disse “isso basta” e lhe deu um beijo apaixonado.

A vida voltou ao normal. Penteado reconquistara Jéssica e voltava a dar seus pulos, inclusive com Chandelly, mas faltava uma coisa. Pai Xoxó pedira pra ele voltar ao terreiro para cumprir a segunda parte, a que lhe deixaria decididamente curado. 

Penteado voltou até Pai Xoxó e lhe agradeceu por tudo. O Pai de Santo trancou a porta e contou ao cantor que faltava a segunda parte. Feliz Penteado respondeu que estava ali pra cumprir e perguntou o que era. 

Pai Xoxó sentou no colo de Penteado e gritou “Ser meu bonitão!!”.

 


Deu ruim pro cantor...
 
 
ENREDO DO MEU SAMBA (CAPÍTULO ANTERIOR)
 
 
PRESIDENTE EM MAUS LENÇÓIS
 
 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A AMIZADE


 
Um dia desses aí foi o “dia do amigo”. Uma dessas datas que até poderiam existir antes, mas ninguém ligava até a chegada das redes sociais como o “Dia do homem” e o “lingerie day”. 

Sinceramente não dei a mínima atenção para a data. Porque dia do amigo para mim são todos os dias e pra mandar mensagem automática à eles por celular ou marcar nome em mensagem de facebook prefiro fazer nada. Se é amigo mesmo dá pra “perder” alguns minutos e fazer uma mensagem especial.

E se tem uma coisa que não posso me queixar na vida foi dos amigos que eu fiz. São quase 37 anos de vida e uma vida prodigiosa de grandes amigos. Alguns que carrego comigo até hoje, outros que a amizade acabou ou perdi contato. Mas como diz o hino do maior clube do mundo “Uma vez amigo, sempre amigo”. 

Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, amigos para sempre é o que iremos ser, eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar, você é meu amigo de fé, irmão camarada e todas as músicas já muito conhecidas poderiam dizer o que sinto por eles.
 
 
Mas em vez de control C control V prefiro escrever. Que é uma das poucas coisas que sei fazer. 

Acho que uma das primeiras coisas que a vida nos dá é o amigo. Provavelmente a primeira pessoa a surgir em nossas vidas fora da família. Comigo foi assim. As imagens mais remotas de minha vida levam ao colégio Nossa Senhora da Ajuda e a um angolano chamado Rui Pedro.

Pois é, lembro do nome dele até hoje, viu o que é uma amizade?  
 
Morava na rua ao lado da minha e sinceramente não lembro muito mais que do nome dele, mas o que me marcou mais na época é que nós com seis anos gostávamos da mesma menina, a Manuela que tinha cinco. 

Acabou que eu que virei o “namoradinho” dela. Namoro do tipo de lanchar juntos, brincar juntos e falar que está namorando. Foi uma das poucas vezes que consegui vencer uma concorrência por mulher. O Rui saiu da escola no meio do ano. Até hoje não sei porque ele saiu.

Mas esse “triângulo amoroso” me marcou. Ainda mais se eu pensar que a Bia está chegando nessa idade então daqui a pouco sou eu que posso “ganhar” genros. 

Na mesma época fiz amizades com garotos na rua como Zé Henrique e Junior, que moram até hoje aqui. Pouco depois Wendell veio morar aqui e na casa ao lado que morava o Rui Pedro veio uma família do Rio Grande do Norte. Fiz amizade com o filho mais velho, o Flávio. É o primeiro que posso chamar de “melhor amigo”. Eu tinha entre 8 e 11 anos de idade nesse período. 

Era um tempo que se brincava na rua. Com eles e mais muitos como Juninho, Quito, Nem, Marcelo, Cristiano, Willian, Beto, Fabinho (a quem perdi uma garota que eu gostava no meu aniversário de 9 anos), Eduardo que era irmão do Flávio e as meninas. Dayse (irmã de Flávio e Eduardo e foi namoradinha no estilo da Manuela), Verena (a que eu perdi pro Fabinho) mais um monte de gente que chegava e partia. 

Como eu disse era tempo de brincar na rua. Jogar bola, jogar taco, pique esconde, pique bandeira ou guerra de mamonas no meu quintal. Eu sempre péssimo nas brincadeiras e sempre o último a ser escolhido nos times. Mas geralmente eu era o dono da bola e tinham que me aturar.   

Montamos um time na época e chamamos de Temporal. Eu como jogava nada virei técnico. Era bem legal a gente ir a outras ruas ou bairros da Ilha enfrentar outros times. Chegamos a ganhar um dia de uma garotada que treinava na Portuguesa da Ilha e no dia seguinte perder pro time da feira. 

Engraçado. Na época eu não parecia curtir tanto, até porque eu era o gordinho, o ruim de bola e então acabava virando o “pele” da galera, o cara a ser zoado. Mas lembrando aqui do que fazíamos e deles deu saudade.  

Não sei se chegava a ser o famoso “bullying”. Acho que não até porque outros muitos eram zoados e alguns o pessoal chegava a tirar o short e deixar pelado na rua e isso nunca ocorreu comigo. Enfim, tive uma infância que a garotada de hoje não irá conhecer e essas zoações me ensinaram a devolver. A ser sarcástico, debochado então teve seu lado bom. 

Ao mesmo tempo formava minha galera no colégio. No primário fiz grande amizade com Luciano, Paulo e Fernando.  O apelido do Luciano era “biduda” e até hoje não sei o significa isso. 

Perdi a menina que eu gostava pro Fernando, normal na minha vida, e com Luciano e Paulo voltava andando do colégio pra casa. Grande conquista para um moleque de 9, 10 anos. No último dia de aula levamos ovos para jogar nos outros alunos e não tivemos coragem.

Acabamos depois rindo jogando em uma árvore na praia. 

O tempo passou, mudei de colégio e fiz uma das turmas mais especiais da minha vida. No colégio AME conheci Luis Felipe (foto), Gustavo, Rodrigo (esses dois irmãos), Marco Aurélio e George. Fizemos uma irmandade. Um grupo fechado mesmo onde um zoava o outro, mas se protegia. Por causa do Luis Felipe parei uma vez na sala da direção, mas em compensação foi em cima dele que vomitei no meio de uma prova de Matemática. 

Tenho contato com o Felipe até hoje graças às redes sociais e tenho orgulho de ser seu amigo e ver o que ele virou.  

Dessa época e desses amigos acabei escrevendo um livro. 

Me mudei para o Mato Grosso e lá conheci Caio, Sidney, Marcelo, João Batista, Pedro Paulo, Tarcisio, Adão, Válber..Tempo inesquecível quando começaram as festinhas, os bailes, a volta pra casa de manhã, a ida na zona e a minha primeira vez quando dei mole e sem querer contei ao Caio que era e ele me zoou muito.  

Caio é mais um desses amigos para a vida toda. Melhor jogador de botão que conheci, mas no ping pong eu era melhor que ele. Torcedor fervoroso do Ayrton Senna a quem fui consolar em sua casa quando o mesmo morreu. 

Voltei pro Rio, fui pra faculdade e conheci outros amigos especiais demais. Rodrigo (foto), Marcela, Eduardo, Alexandre, Fabio Jansen, Jorge, Jorel, Sandra, Marizete..Passamos quatro anos pelas barras e alegrias de uma faculdade. As colas nas provas, os projetos, as saídas para bares. O projeto Glauber Rocha que consistia em fazer um vídeo e que fiz com Rodrigo. Contracenar com Alexandre numa peça de teatro no projeto “Nelson Rodrigues” e sentar numa cadeira a quebrando e caindo de bunda no chão fazendo a platéia de um teatro lotado gargalhar e me sair bem...Lembranças inesquecíveis. 

Como fiz na internet...

Graças a internet conheci muita gente legal em chats, em comunidades do orkut, twitter e facebook. Participei de “orkontros”, briguei, amei, conheci gente como a Rê Pepper, Fernando, Patrícia, Tamires, Raphael, Ross..Não conheci pessoalmente, mas conheci Luciana, Gláucia, Val, Fabienne, Fernanda, Gisele, Cinthia, Carol que se tornaram tão importante como se convivesse diariamente fisicamente. 

Fiz amizades como a Paola a quem quis pegar no começo e virou grande amiga, Fabiola, a quem tivemos um namorico breve e virou minha “amiga doida” e através da Paola o Bruno Granata (foto), seu namorado.. Formamos os quatro uma irmandade a ponto de passarmos festas de fim de ano juntos e a família toda da Paola ir torcer por meus sambas. 

Conheci os “Monarcas do samba”. Lista de discussão da internet que me adotou de cara. Gente maravilhosa como Walkir, Pedro Migão, Reginaldo, Marcelo Einicker, Diego Mendes, Cadu, Armando Daltro, Tânia, Sandrinha, Mauricio Poeta, Marthinha, Carlos do K. 

Ali conheci uma de minhas melhores amigas. Companheira de cinema e UFC. Marta Caminha. Te amo pessoa. 

E amigos que não fiz bebendo, mas fiz no samba. 

Entre um samba e outro, uma vitória e uma derrota fiz amigos sendo parceiros ou adversário. Conheci antes do samba, mas fui pra lá com um dos caras mais maravilhosos que já pisaram nesse planeta. Paulo Travassos. Parceiro do meu samba estandarte de ouro, sempre com um sorriso no rosto, uma palavra amiga. Cara que não tinha muito, mas me ajudou quando eu mais precisei. Nunca esquecerei disso.

 No samba conheci Nando Pessoa, Duda, Clodoaldo, Silvana, Mestre Arerê, Barbieri, Marquinhus do Banjo, Gugu das Candongas, Dãozinho, Ricardo Mochila, Bruno Revelação, Daniel Burgos, Wagner Mariano, Fabio Fernandes, Raphael Ilha, Carlinhos Fuzil, Roger Linhares, Fabiano Fernandes, Gabriel, Marcinho, Jorginho, Ricardinho Delescluze, Nem, Thiago Lepletier, Alexandre Valle..São tantos..Pessoas talentosas, amigas, que eu sei que posso contar a qualquer momento. 

Dizem que amigo de verdade conhecemos na adversidade por isso digo que sim, tenho amigos de verdade. Quando minha mãe morreu, minha renda caiu de quatro mil para cento e sessenta reais e uma parte (não toda) da minha família virou as costas pra mim nenhum deles me abandonou. Todos ficaram do meu lado, me abraçaram, ajudaram a pegar na alça do caixão dela e alguns deles até financeiramente me ajudaram sem nunca cobrar nada. 

Pessoas especiais. 

Ta faltando um. Quem me conhece bem sabe e lógico que não esqueci dele. Cadinho da Ilha.


 Conheci o Cadinho em 1997 quando lhe indicaram pra cantar meu samba na União da Ilha. Branco, gordo, com cara de nerd claro que ele não aceitou e inventou uma desculpa. Mas no mesmo ano virou meu parceiro no Boi da Ilha e chegamos na final. 

Só não fizemos sambas juntos em 1998 quando ele foi para outra parceria e 1999 e 2000 quando foi pra igreja. De 2001 a 2013 fizemos quase uma centena de sambas juntos, eu na letra e ele na melodia. Cadinho não é apenas um dos melhores melodistas que já conheci. É meu irmão. 

Brigamos muito, algumas vezes nos ofendemos, mas nos permitimos a acontecer essas coisas e ficar tudo bem depois tamanho é nosso grau de amizade. Cadinho esteve presente em todos os momentos da minha vida nessa última década e eu na dele. Vi a transformação de um drogado e bêbado em um excelente pai e avô de família. Um cara que é um exemplo porque venceu na vida. Ganhar samba é mole, ganhar dos males que ele enfrentou não. Por isso tem minha admiração, respeito e amor. Amor hétero evidente. 

A gente pode até ser feliz sem dinheiro e sem amor. Mas sem amigos é impossível.
 
 
Então a todos vocês dedico essa imensa mensagem automática e meu muito obrigado. Por passarem pela minha vida, Por marcarem a minha vida. 

Nossa amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir.