quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SOBE O SOM: FESTIVAL DA CANÇÃO PARTE II




Depois de mostrar os campeões de 2014 do carnaval carioca conforme prometido a “Sobe o som” volta ao tema “Festival da canção”.

Agora com abordagem aos anos 70 e 80. Momentos especiais da música popular brasileira onde grandes compositores, cantores e músicas foram lançadas para nossa história. Então vamos lá!

Sobe o som “Festival da canção parte II”.


Fato consumado – Djavan (Festival abertura 1975)


Bandolins – Oswaldo Montenegro (Festival MPB 1979)   


Palco – Gilberto Gil (Festival MPB 1979)


Agonia – Oswaldo Montenegro (Festival MPB 1980)


Foi Deus quem fez você – Amelinha (Festival MPB 1980)


Porto Solidão – Jessé (Festival MPB 1980)


Demônio Colorido – Sandra de Sá (Festival MPB 1980)


Nostradamus – Eduardo Dusek (Festival MPB 1980)


Planeta Água – Guilherme Arantes (Festival MPB 1981)


Pelo amor de Deus – Emílio Santiago (Festival MPB 1982)


Dona – Sá & Guarabyra (Festival MPB 1982)


Os metaleiros também amam – Língua de trapo (Festival dos festivais 1985)


Verde – Leila Pinheiro (Festival dos festivais 1985)


O dono da terra – Abelhudos (Festival dos festivais 1985)


Escrito nas estrelas – Tetê Espíndola (Festival dos festivais 1985)


 Bem...Aí estão grandes momentos da história da nossa música. Semana que vem junto com o canal Viva iremos reviver grande clássico de nossa teledramaturgia. A novela “água Viva”.


Enquanto isso uma homenagem ao rei, vencedor do festival de Sanremo em 1968.    


ARQUIVO:

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O CLUBE DOS 23: ATLÉTICO PARANAENSE




Prosseguindo a série “O Clube dos 23” continuo no Paraná. Dessa vez falo do maior rival do Coritiba, o Clube Atlético Paranaense.

Clube Atlético Paranaense é um clube de futebol brasileiro de Curitiba, Estado do Paraná. Foi fundado em 26 de março de 1924 a partir da fusão do Internacional Futebol Clube e do América Futebol Clube . É o primeiro clube paranaense a disputar um campeonato nacional, a chegar na final da Libertadores e atualmente é o 13° colocado no ranking nacional. 

Conhecido como Furacão, foi o Campeão Brasileiro de 2001 e vice-campeão da Copa Libertadores da América de 2005, além de possuir uma Seletiva da Taça Libertadores da América de 1999. No Campeonato Brasileiro de Futebol de 2010 foi o único representante paranaense na Série A conseguindo terminar na 5ª colocação.


Em um levantamento divulgado pela IFFHS (Fundação Internacional de História e Estatística do Futebol, entidade que divulga mensalmente o ranking mundial de clubes reconhecido pela FIFA) em 30 de novembro de 2010. O Atlético Paranaense foi elencado como o 9º maior clube de futebol do Brasil no Século XXI e o 74º do mundo, ficando à frente de clubes como Manchester City, Arsenal e Athletic Bilbao, da Espanha, Juventus da Itália, e de brasileiros como Vasco da Gama, Atlético Mineiro e Botafogo.

De acordo com a empresa BDO RCS Auditores Independentes a marca do clube é a décima quarta de maior valor no Brasil, ultrapassando os 89 milhões de reais.

A primeira partida de futebol (amistosa) que a nova agremiação realizou foi no dia 6 de abril de 1924, contra o Universal FC. e obteve vitória por 4x2. O Atlético jogou com Tapyr, Marrecão e Ferrário; Franico, Lourival e Malello; Smythe, Ari, Marreco, Maneco e Motta.

Os gols foram marcados por Marreco, Ari (2) e Malello. O árbitro foi José Falcine, atleta do Savoia, que mais tarde jogou no rubro-negro.

Com a união de forças, o Clube Atlético Paranaense ficou uma equipe reforçada e pôde fazer frente aos mais temíveis esquadrões existentes como o Britânia, o Savoia, o Palestra Itália e o Coritiba. Realizando uma campanha brilhante o Atlético conquistava seu primeiro título de campeão paranaense em 1925.

Após ser vice-campeão por 3 anos seguidos (1926, 1927 e 1928), o Atlético Paranaense voltou a vestir a faixa de campeão em 1929.

O Atlético era a melhor equipe do futebol paranaense no início dos anos de 1930. Mantendo os mesmos jogadores que haviam se sagrado campeões em 1929 e os reforços de Chumbinho e Érico, o Atlético tornou-se uma equipe que se impôs aos adversários. Em 1930, ganhou o título de bicampeão paranaense (primeira vez na história do clube) com duas vitórias sobre o Coritiba por 3x2 durante o campeonato.

A partida que consagrou o bicampeonato foi na segunda vitória sobre o Coritiba, em 28 de dezembro de 1930, em uma verdadeira guerra campal com o resultado de 3x2 para o rubro negro (gols de Zinder Lins, Marreco e Levoratto). A última partida do certame de 1930 o Atlético não compareceu, para comemorar com a sua torcida. Este jogo era para ser com o Palestra Itália.

Outro feito notável nesse ano, aconteceu no dia 21 de julho, quando em partida amistosa venceu o poderoso Corinthians por 1x0, gol de Marreco, uma grande conquista para o Atlético.

Em 1934, o Atlético Paranaense já era proprietário, em definitivo, do terreno da Baixada da Água Verde e o estádio passou a ser denominado de Joaquim Américo Guimarães, sugestão de Alcídio Abreu, para homenagear o grande desportista que havia morrido em 1917.

Nesse ano, após tropeçar em 1931, 1932 e 1933, o rubro-negro voltou a ter uma equipe competitiva e fez bonito. Sagrou-se campeão paranaense de 1934. Na equipe campeã desse ano figurava como goleiro, o jovem Alfredo Gottardi, o "Caju", que viria a ser o maior ídolo de todos os tempos da torcida atleticana.

Em 1936, com apenas 12 anos de existência, o Atlético Paranaense conquistava seu quinto título paranaense e dessa vez de forma invicta.

Fotos:

Time campeão paranaense de 1982


Arena da Baixada


Alex Mineiro


Assis


Bellini


Caju


Djalma Santos


Geninho


Kléberson


Paulo Rink


Paulo Baier 


Sicupira


Washington 


Vídeos:

Campeão paranaense 1990


Campeão paranaense 2000


Campeão paranaense 2001


Campeão paranaense 2005


Campeão paranaense 2009



Campeão brasileiro 2001


Aí está um pouco da história do Atlético Paranaense que briga pelo título da Copa do Brasil e está no G4 do brasileirão.


Semana que vem continuo na região Sul. Vou para o Rio Grande falar do Internacional. 



O CLUBE DOS 23 (Clube anterior)


terça-feira, 29 de outubro de 2013

ACONTECEU NO VERÃO

 
*Conto da coluna "O buraco da fechadura" publicado no blog Ouro de Tolo em 26/01/2013

Diego era adolescente na faixa dos quinze anos de idade, introvertido, com poucos amigos e mais ligado a modernidades como internet e vídeo game.
Filho de um juiz de direito, Olavo Feitosa e de Sonia Feitosa, artista plástico Diego vivia bem em uma mansão no Cosme Velho, bairro do Rio de Janeiro.
Olavo era juiz da área criminal e não tinha medo de bandidos nem de poderosos. Era considerado um juiz honesto de linha dura. Temido pelos criminosos, mas alvo de muitas ameaças também.
Sobrevivera a dois atentados, mas mesmo tendo sua vida em risco nunca quis arrumar seguranças, dizia que a população em geral não tinha o benefício da segurança particular então não era justo que tivesse. Diego era totalmente alheio a vida do pai e seus riscos, era alheio a tudo só queria saber de jogar e usar redes sociais.
Olavo vivia em confronto com Sonia. O casamento não ia bem e estavam prestes a se separar, mas Olavo decidiu fazer uma última tentativa e chamou esposa e filho para jantar fora.
Diego foi sem vontade nenhuma e no restaurante colocou fone no ouvido e ficou ouvindo músicas ignorando totalmente os pais. Olavo e Sonia viviam um clima bom como há tempos não passavam. Olavo levou um presente para a esposa, um colar de brilhantes e colocou em seu pescoço. Logo depois dois homens tocando violino surgiram para abrilhantar o momento.
Combinaram tentar melhorar a vida em conjunto e salvar o casamento. Fizeram planos para uma nova lua de mel e beijaram-se apaixonadamente como há tempos não faziam. Olavo chegou no ouvido da esposa e convidou para continuarem a conversa em casa, no quarto só eles.
Sonia deu um sorriso e concordou com o marido. Olavo pediu a conta e contou a Diego que ele estava livre daquele “martírio”.
Saíram, o manobrista levou o carro até eles e Olavo assumiu a direção com Sonia ao seu lado e Diego atrás jogando no celular. Andaram alguns quarteirões e Olavo notou um carro estranho que lhes seguia.
O carro de repente passou por eles e deu uma fechada. Quatro homens desceram do veículo com fuzis na mão e metralharam o veículo acertando muitos tiros em Olavo e Sonia que morreram na hora. Diego foi alvejado com dois tiros e quando os bandidos se aproximaram do carro fechou os olhos fingindo estar morto. Ainda ouviu seu pai tomar o tiro de misericórdia.       
O caso ganhou grande repercussão. Enquanto Diego estava em coma lutando pela vida a imprensa deu grande espaço para o assassinato do juiz e a polícia caçava os assassinos. Ao mesmo tempo em que a polícia prendia suspeitos Diego saiu do coma.
A polícia esperou que ele melhorasse um pouco, ficasse mais forte e levou o rapaz para reconhecimento. Ele reconheceu a todos, entre eles estava Pablo Chacal, um perigoso contrabandista de armas que tivera seus negócios atrapalhados por Olavo. O homem contratou os outros três bandidos para junto a ele cometerem os assassinatos.
Dessa forma o habeas corpus dos quatro bandidos foi negado e eles iriam a julgamento. O homem tinha outros comparsas soltos então se chegou à conclusão que era melhor Diego “sair um pouco de circulação”, sair do Rio de Janeiro, além de que realmente precisava de um novo lar com a morte dos pais.
A solução foi Diego morar em Saquarema com sua avó dona Margarete.
Era um mundo novo para Diego. Saquarema não é uma cidade pequena, muito pelo contrário. Na região dos Lagos do Rio de Janeiro é a cidade preferida dos surfistas graças a suas ondas e recebe muitos turistas o ano inteiro devido suas belezas naturais.
Mas sem dúvidas era bem diferente da capital, diferente do ambiente que Diego se acostumara. Não era uma mansão como morara com os pais, mas era uma casa bonita e confortável na beira da praia. 
Da sala podia ouvir o mar, as ondas batendo nas pedras. Seria a casa dos sonhos de muita gente, mas não de Diego.
Chegou com as malas sendo saudado pela avó e reagindo friamente. Perguntou qual era seu quarto e ela mostrou. Entrou no lugar e nem desarrumou as malas direito pegando o notebook e entrando na internet.  
Dona Margarete chamou o neto para o almoço, fez uma macarronada a bolonhesa maravilhosa, mas o neto sentou-se à mesa, deu umas colheradas rápidas e se levantou voltando para o quarto.
Isso foi assim durante alguns dias até que dona Margarete se aborreceu e entrou em seu quarto. Diego reclamou a invasão e dona Margarete irritada pegou o note. Diego revoltado mandou que a avó devolvesse e ela respondeu que só à noite. A partir daquela data ele só usaria computador ao anoitecer e teria que aproveitar o dia na rua.
Diego implorou que a avó não fizesse isso, mas dona Margarete manteve-se irredutível e mandou que ele fosse para a rua. Resignado o rapaz não teve alternativa e foi.
Andou um pouco pela areia e sentou olhando as ondas. Sentiu saudade dos pais, de sua casa onde tinha liberdade e pensava que começaria a conhecer o inferno com sua avó quando um rapaz de sua idade se aproximou perguntando se ele poderia guardar suas coisas enquanto surfava.  
Diego concordou e o garoto correu pro mar com a prancha dando um show. Diego ficou impressionado e quando o garoto voltou se apresentou, chamava-se Frank.
Diego entusiasmado falava do garoto surfando e Frank rindo respondeu que já notara que ele não era dali. Uma grande amizade surgia nas areias de Saquarema e Frank convidou o novo amigo para irem a uma boate de noite.
Diego relutou um pouco, disse que teria que entrar na internet e Frank mandou que o rapaz parasse de bobagem que a vida real era muito melhor. Diego nunca tinha saído a noite para se divertir e acabou topando.
Contou para avó que iria sair e ela tomou um susto. Perguntou a Diego se tinha certeza que ele era o seu neto e o menino riu dando um beijo nela e contando que não iria chegar tarde. Encontrou Frank na porta da boate e entraram com o surfista mandando o amigo se preparar que ali era o paraíso da mulherada.
E era verdade, Diego nem sabia para onde olhar com tantas mulheres lindas no local.  Frank bem enturmado, bonitão logo chegou a um grupo de meninas e chamou o amigo para se aproximar.
Diego tímido chegou até o grupo e Frank encheu a bola do amigo contando que ele era uma fera da informática. Uma menina se interessou por Diego e começaram a bater papo. Quando foram ver já estava de porre aos beijos com a menina em um canto da boate.
Acordou na manhã seguinte na areia com uma vaca lambendo sua cara. Acordou assustado e Frank gargalhando e com uma garrafa na mão lhe deu bom dia e passou a garrafa para que ele tomasse um gole.
Diego pegou, deu o gole e rindo respondeu ao bom dia.
Chegou apenas de manhã em casa e encontrou dona Margarete preocupada. Deu um beijo na avó e perguntou “a senhora não queria que eu saísse?”. Indo direto para o quarto dormir. 
Saía todas as tardes para aprender a surfar com Frank e a noite para as boates e farras da vida. Diego era um novo garoto, mais feliz, com mais vida.
Um dia batia papo com Frank na areia quando viu chegar um carro à casa próxima. De lá viu sair uma mulher espetacular, mais ou menos vinte anos mais velha que ele e se encantou.
Perguntou a Frank quem era e ele respondeu que se chamava Ana. Mudou-se pra lá há pouco tempo e só isso que se sabia dela. Diego notou que ela tirava várias sacolas de compras do carro e Frank falou que ela precisava de ajuda.
Saiu correndo em direção a mulher com Diego correndo atrás pedindo que ele esperasse. Frank chegou na mulher e perguntou se ela precisava de ajuda. Ana respondeu que sim, eram muitas compras e o surfista logo pegou uma sacola levando para dentro.
Diego e Frank levaram as sacolas para dentro da casa da Ana que agradeceu e perguntou se eles queriam tomar café. Os dois aceitaram e eles beberam, papearam até que ficou tarde e Frank comentou que tinham que partir.
Na saída Frank apertou a mão de Ana e comentou que esperava vê-la mais vezes, Ana simpática respondeu olhando Diego que estava sempre ali e era só aparecer. Dessa forma os meninos foram embora.  
Andando pela areia Diego comentou com o amigo que estava apaixonado e Frank rindo respondeu que Ana era mais velha, um mulherão e ele não tinha nenhuma chance. Diego concordou com o amigo, mas pediu pelo menos permissão para sonhar um pouco.
Alguns dias depois Diego entrou em casa e Ana estava sentada no sofá da sala com dona Margarete. O menino sorriu com a surpresa e Ana lhe cumprimentou. Dona Margarete comentou que Ana vendia perfumes e xampus perguntando se o menino queria algum. Diego sentou com as duas e começou a olhar o catálogo, mas na verdade não tirava os olhos de Ana.
Enquanto olhava Ana comentou com dona Margarete que seu computador estava com problemas e perguntou se ela conhecia alguém que entendesse de informática. A senhora logo apontou para Diego dizendo que ele era especialista. Ana perguntou ao garoto se era verdade e o rapaz gaguejando respondeu que sim. Ela perguntou se ele poderia ir a sua casa no dia seguinte e ele concordou.
No dia seguinte Diego estava lá mexendo na máquina e Ana perguntou se ele tinha namorada. O rapaz respondeu que não e a mulher comentou que era um desperdício, pois, era um rapaz muito bonito. Diego suando frio terminou o conserto e perguntou se ela queria checar. Ana checou e o computador estava ótimo. Agradeceu o conserto e chamou Diego para jantar em forma de agradecimento. 
Diego tímido aceitou o convite e apareceu a noite para o jantar. Beberam vinho, conversaram bastante, riram. Diego contou sobre sua vida e disse que seus pais foram assassinados. Ana lamentou e não falou muito sobre ela, só que era separada.
Diego quis saber porque o casamento não deu certo e Ana não quis entrar muito no assunto, apenas disse que o ex era violento e estava preso.
Diego olhou o relógio e contou que tinha que ir embora. Ana levou o garoto até a porta e lhe deu um beijo no rosto pedindo que voltasse, pois, não tinha amigos e ele era seu único.
E ele voltou várias vezes com a intimidade deles aumentando. Frank reclamava que o amigo não aparecia mais, mas a verdade é que Diego estava completamente apaixonado, o que sentia nunca passara na vida e aquele amor impossível por uma mulher mais velha era o que tomava sua cabeça e seu coração vinte e quatro horas por dia.    
Uma noite Diego bateu na porta de Ana e a mulher abriu chorando. O rapaz perguntou o que a mulher tinha e ela o abraçou forte molhando o ombro de Diego com lágrimas.
Ele entrou e sentaram no sofá. Ana comentou que recebera comunicado do presídio que o ex fora assassinado, não tinham mais amor um pelo outro, anos separados, mas ela sentia porque ele tinha sido muito importante em sua vida.
Diego abraçou mais uma vez Ana e em seu ouvido ela pediu que ele nunca lhe abandonasse. Diego limpou as lágrimas da mulher e prometeu ficar sempre junto. Os dois se olharam por instantes e Ana beijou Diego.
Minutos depois estavam no quarto de Ana fazendo amor. Era a primeira vez de Diego.
Um apaixonado e feliz Diego foi acordado no dia seguinte por Ana com um beijo apaixonado e dizeres de bom dia. Diego se espreguiçou respondendo o bom dia e Ana perguntou se ele estava com fome.
Diego respondeu que sim então a mulher falou que já voltava com café na cama.   
Diego colocou a cueca, se espreguiçou na cama novamente e ouviu uma voz masculina dizendo “surpresa”.
Quando abriu os olhos viu Pablo Chacal. O rapaz tomou um susto, ficou branco Chacal riu perguntando ao menino se achava que deixaria barato mesmo a delação para a polícia. Diego estava tão encantado, vivendo tanto aquele momento com Ana que nem soube que Chacal fugira da cadeia.
Diego tentava entender aquela situação e Chacal contou que era uma armadilha. Ele descobrira que Diego estava lá e mandara sua mulher pra seduzi-lo e levar até onde ele queria. Chacal riu e chamou o garoto de idiota por acreditar que uma mulher daquelas iria se interessar por ele.
Apontou a arma para Diego e falou que era hora de morrer. Diego deu um salto sobre o bandido e os dois começaram uma luta ferrenha pela arma. No meio da luta ouviu-se um estampido e Diego caiu ferido.
Chacal ria quando Ana apareceu no quarto atirando cinco vezes no marido. Chacal caiu morto no chão. A mulher logo depois limpou a arma e jogou sobre o bandido.
Diego agonizando olhava Ana que pediu desculpas, deu um beijo no garoto e pegou uma maleta que pertencia a Chacal.
Uma maleta com quinhentos mil dólares que o bandido escondera e levara para a casa para fugir com Ana. Mas ela resolveu fugir sozinha deixando os dois pra trás.
Entrou no carro, botou a maleta no banco de trás e deu um beijo em Frank que lhe esperava no banco de carona. Ligou o carro e partiu.
Deixando um rastro de sangue pra trás.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

DIEGO COSTA





E de uma hora pra outra Diego Costa virou Edson Arantes do Nascimento. Não sabe quem é Diego Costa? Eu te explico. Diego Costa é um jogador que ninguém conhecia até um tempo atrás, fez uns golzinhos pelo Atlético de Madri e se tornou a mistura de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar sendo disputado pelas seleções brasileira e espanhola. Simplesmente a atual campeã do mundo e a maior vencedora da história.

Que coisa não? Mas por quê o dito jogador virou notícia?

Como eu disse o cara fez uns golzinhos na Espanha, é o atual artilheiro do campeonato espanhol e isso aguçou a federação espanhola de futebol. A dupla cidadania do jogador está para sair e a Espanha quer o jogador em seu ataque na Copa.

A Espanha sempre fez isso. Dois dos maiores exemplos são o argentino Di Stéfano e o húngaro Puskas. Puskas já jogara em 1954 a copa do mundo pela Hungria quando jogou pela Espanha em 1962.

O Brasil mesmo teve o caso de Mazola que jogou pelo país e foi campeão do mundo em 1958 e pela Itália em 1962.

Mas na dita “era profissional” é uma situação inusitada. Os brasileiros Deco, Rui Ramos e Thiago Motta, entre muitos outros, jogaram pelas seleções portuguesa, japonesa e italiana respectivamente. Mas nenhum dos três jogou por nossa seleção profissional. Aí está a questão.

Diego Costa jogou pela nossa seleção. Jogou dois amistosos no primeiro semestre de 2013 atuando alguns minutos e agora existe essa possibilidade de jogar pela Espanha.

A Espanha mostra o regulamento da FIFA que diz que o único empecilho de um atleta jogar por duas seleções é quando já jogou um torneio oficial pela primeira. Não seria o caso já que Diego jogou amistosos.

A CBF alega que o Brasil, por ser sede da copa do mundo, jogou pouquíssimos jogos oficiais de 2010 pra cá. Os amistosos que o jogador entrou em campo eram Datas Fifa e esses amistosos são usados para estabelecer o ranking da FIFA, primordial para escolher os cabeças de chave da copa.

Então seriam jogos que não podem ser desprezados.

Como resolver esse imbróglio então?

Felipão, essa semana que passou, foi enganado por humoristas espanhóis, uma espécie de Pânico espanhol. Um humorista do grupo se passou pelo presidente do Atlético de Madri e nosso técnico confirmou que iria convocar Diego para dois amistosos em novembro da seleção.


Confirmou depois de forma oficial a convocação de Diego Costa e mais quatro jogadores. A desculpa da convocação antecipada seria para dar tempo dos mesmos arrumarem vistos para entrar no país que os jogos serão feitos, Se não me engano é no Canadá, a verdade é que Felipão e a CBF usaram isso para pressionar o jogador, a federação espanhola e a FIFA dizendo que o quer.

Então? Como se revolve o imbróglio? Vai valer a vontade do jogador e ele quer a Espanha.

Lógico que isso fere a auto estima brasileira. Nos consideramos o país do futebol, o mais talentoso, o mais vencedor e alguém se recusar a vestir a camisa cinco vezes campeã do mundo numa copa jogada em casa é crime de lesa pátria, caso de fuzilamento em praça pública. Por muito menos Tiradentes foi enforcado e esquartejado.

Menos, bem menos. Não é no esporte que uma pessoa pode ser considerada patriota ou não. Vejamos o caso do Nenê Hilário, jogador de basquete. O cara quase sempre recusa convocações para a seleção, não foi na Copa América e o Brasil foi humilhado e espera de forma mais humilhante ainda um convite para o mundial.

Ele pode ser considerado um anti-patriota como diz o Oscar? Não, apesar dessas recusas me incomodarem. Só que o cara, que não joga pela seleção, tem projetos sociais, ajuda crianças carentes do país e na semana do jogo da NBA aqui no país foi dar clínica de basquete em favela. Um cara assim pode ser considerado anti-patriota? 

Oscar que nunca recusou a seleção, mas é aliado de gente como Paulo Maluf é patriota? Não sei. Como esportista prefiro o Oscar, até como pessoa porque não é uma recusa ou não a uma seleção ou uma aliança política ou não que define uma pessoa.

Diego Costa é mau caráter? Odeia o Brasil? Não sei, não conheço o cara. Ele deve estar visando o sonho de jogar uma copa do mundo e vê na Espanha uma possibilidade maior de ir ao mundial que na seleção brasileira e nisso ele está certo. A chance dele ser convocado pela Espanha é maior.

Então não posso julgar o patriotismo de alguém ou caráter por algo esportivo. Posso julgar a pessoa esportivamente e nisso acho que ele está sendo burro.

Porque mesmo que ele tenha  mais chance pela Espanha tem que confiar no seu potencial. Não é o artilheiro do espanhol? Não ta jogando pra cacete? Então que continue assim. Continue metendo gols, se empenhando, aceitando as convocações do Brasil e mostrando nos amistosos que merece.

Nem sempre o caminho mais fácil é o melhor caminho. Ser convocado pela Espanha é mais fácil, ser convocado pelo Brasil e jogar uma copa aqui, podendo ser campeão com o Brasil no Maracanã é algo que transcende qualquer momento esportivo. 

As seleções de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 entraram pra história? Sim, mas vocês vão ver o que é história se esses caras ganharem 2014. Se os 23 convocados forem campeões em 2014 serão os atletas mais celebrados de nossa história. Brasileiro é passional pro bem e pro mal. Os de 1950 entraram pelo lado negativo, os de 2014 seriam “Deuses”.

Mais uma vez seria questão de confiar no seu taco. Jogar em 2014 pelo Brasil é não ter medo de virar um Barbosa que morreu sendo o maior criminoso de nossa história. Nem Guilherme de Pádua e Alexandre Nardoni foram tão massacrados. 

Mas pode ganhar a eternidade também.

Apesar de que de qualquer forma Diego Costa será personagem marcante dessa copa. Provavelmente será pela Espanha o jogador mais vaiado da história da humanidade. Torcedor não perdoa.

Agora pra finalizar. Qual minha opinião sobre isso tudo?      

Acho perigoso e pode significar o fim das seleções de futebol como conhecemos hoje. Jogadores de países mais pobres podem ser seduzidos por países com maior poder econômico. A FIFA devia proibir jogadores com dupla cidadania quando o mesmo obtém por razão de futebol.    

Mas deixa esse mané pra lá. Brocador ta dando mole aqui prontinho pra vestir a 9.



 E ele não tem medo de nação.

 

sábado, 26 de outubro de 2013

ERA DA VIOLÊNCIA 2: CAP VI - ESSA TAL LIBERDADE




Enfim livre. Mas a liberdade por si só não bastava, algumas coisas tinham que ser resolvidas. Onde iria viver? Do que iria viver? Por quê Assassino com cara de bebê, que foi um cara que eu ajudei quis me matar? Por quê o negão antes quis me matar? Por quê o Assassino citou o negão?

Será que tinha alguém por traz disso tudo querendo me matar?

Bem. Era hora de recomeçar. Peguei a graninha que economizei na cadeia, do salário da coluna e aluguei uma quitinete. Fui até o jornal para me apresentar, ver como me utilizariam. 

Fui direto ao diretor do jornal perguntar se eu iria fazer reportagens, além de continuar com a coluna e o homem pediu que eu me sentasse. Sentei e ele contou que infelizmente não contariam mais com meus serviços.

Perguntei qual era o problema e o diretor foi franco. Eu era um cara marcado, cercado de problemas, com um péssimo histórico e poderia não ser bom pra imagem do jornal me ter ali. 

Estranhei o fato e perguntei “Mas não fui problema para a imagem de vocês na cadeia, muito pelo contrário, minha coluna era popular”. O diretor respondeu “Acontece que você era um presidiário, uma situação curiosa, agora você não passa de um ex detento”.

Ex detento. É, era isso que eu era, um ex detento. O diretor pediu que eu passasse no RH e não me deu mais atenção. Saí do jornal desempregado e tinha que arrumar um emprego para sobreviver.

Bati na porta de vários jornais, de alguns conhecidos, pessoas que me deviam favores e consegui nada. O preconceito já é grande com um ex presidiário, difícil alguém dar oportunidade a quem sai da cadeia e a minha situação parecia ainda pior. Eu parecia uma figura queimada na grande mídia. As atitudes que tive, os rolos que me meti parece que fizeram as pessoas criarem repugnância por mim. Seria ainda mais difícil recomeçar. Mais do que eu pensava.

Vivia fazendo bicos aqui e ali para sobreviver. Ainda tinha um pouco de dinheiro do trabalho na cadeia e dessa forma continuava procurando um emprego fixo. Apesar de não ter computador em casa continuava atualizando meu blog, agora contando como era a vida de um ex detento, as agruras que passa alguém que tenta se consertar na vida, mas a sociedade não permite.

Apesar de ter uma visitação expressiva eu não conseguia patrocinadores para o blog. Ninguém queria associar sua marca a um ex presidiário, principalmente a mim. Todos viraram a cara, ninguém estendia a mão. Até Pardal e Lucinho sumiram.

Minha rotina todos os dias era essa. Passava uma hora por dia numa lan house atualizando o blog e o restante do tempo procurava emprego ou patrocínio para o blog. Como jornalista já via que não conseguiria nada. O jeito era procurar outros tipos de emprego.

Andava “limpo”. Tempo que não me drogava e nem bebendo estava. Muito também por falta de dinheiro. Mas eu queria provar que estava recuperado.

Até que finalmente consegui arrumar um emprego. Não era grande coisa, mas foi o melhor que conseguiu. Empacotador de compras em um supermercado.  

É parceiro. Parecia que eu chegava ao fundo do poço. Eu que era um jornalista foda, fui rico, tive luxo, tudo do bom e do melhor, amigos importantes e sempre fui vaidoso agora trabalhava em um supermercado colocando as compras de madame em sacos plástico. Maluco, como eu odiava aquilo, mas precisava sobreviver.

Oito da manhã estava no mercado trabalhando até seis da tarde.  Quando saía ia até a lan house mexer no blog e contar aos leitores como estava minha vida. Desistira de procurar emprego como jornalista ou patrocínios, procurava aceitar minha nova condição.

Até conseguia ser feliz na medida do possível. Sem dúvidas era melhor que estar na cadeia. Mas a vida sempre foi difícil pra mim malandro, não seria ali que ela facilitaria.

Um dia estava no trabalho e fiquei até o fim normalmente como todos os dias. Fui para a lan e depois para minha quitinete dormir. Estava lá sonhando com a Kelly Key, sim sou um tradicionalista, quando bateram na minha porta quase arrombando.

Sonolento abri a porta para ver o que era e o dono do mercado entrou com mais dois caras perguntando onde estava o dinheiro. Respondi que sabia de nada e perguntei de que dinheiro que ele falava.

Ele deu um soco na parede de ódio e gritou “O dinheiro da caixa registradora que você trabalha sumiu, sobrou nada, nem um centavo!!

Ainda tentei argumentar que sabia de nada. Saí do trabalho e a menina do caixa disse que anda ficaria alguns minutos contabilizando o dinheiro quando um dos capangas me deu um soco no rosto que me fez cair no sofá.

Levantei com a mão no rosto perguntando qual era o problema e furioso o dono do mercado gritou “Não se faça de santo seu filho da puta!! A grana sumiu e quem estava preso até outro dia era você!! Devolve logo o dinheiro seu merda!!”.

Mais uma vez contei que sabia de dinheiro nenhum e o homem mandou que os dois capangas me batessem.

É..Bateram muito em mim naquela noite e como eu não sabia de dinheiro nenhum nada faria com que parassem de bater. 

De manhã eu já estava todo quebrado, sem forças nenhuma e o dono do mercado limpando o suor de seu rosto mandou que os capangas parassem dizendo “Isso é bandido casca grossa, não vai dizer onde colocou meu dinheiro”.

Agradeci pela ordem para pararem de bater e o homem esbravejou “ladrão filho da puta”. Antes que saíssem perguntei “Será que posso faltar ao trabalho hoje? Não estou em condições físicas, depois apresento um atestado”.

O homem nem respondeu. Os três saíram e fiquei com a leve impressão que estava despedido.

Sim. Eu estava e o que era ruim ficou ainda pior. Além de estar queimado em toda as redações de jornais agora estava com o comércio local. Não conseguia um novo emprego e o dinheiro foi acabando..acabando até que acabou.

Não tive mais como pagar o aluguel da quitinete até que fui despejado. Sim, parei na rua com uma mão na frente, outra atrás e uma mala com roupas sem saber o que fazer. Não tinha para onde ir. Não tinha a quem buscar. Não me restou alternativas.

Fui morar na rua.

Sim amigos. Eu disse acima que chegara próximo ao fundo do poço. Ali eu poderia dizer que cheguei. Eu, o grande jornalista, o bandidão, parei embaixo de um viaduto com minha mala, tirei uma coberta de dentro dessa mala, pois estava frio e com chuva e dormi ali, na rua.

Tentando dormir com barulho de chuva e frio ouvi a voz de Pardal “Que vergonha hein? Virou mindingo”. Virei para ele e corrigi dizendo que não era mindingo e sim mendigo. O fantasma completou. “Você não anda com moral pra corrigir alguém”.

Mantive a pose e revidei “Pior você e Lucinho que sumiram quando viram que eu estava na merda”. Pardal riu e comentou “Já tive uma vida de merda, quer que eu tenha uma morte também? Se vira aí” sumindo no ar.

É. Eu estava na merda mesmo.

Tentava sobreviver catando latinhas nas ruas para vender. Dessa forma conseguia comprar alguma comida pelo menos uma vez por dia e não morrer de fome. De noite era aquele inferno. Dormir na rua. No frio, no calor, embaixo de chuva ou Sol forte, assim eu tentava sobreviver.

Fora às vezes que eu tinha que sair na porrada com algum mendigo maluco que achava que eu estava tomando seu ponto de dormir.

Era o inferno na Terra. Foram quatro meses assim.

Um dia consegui grana para almoçar, não era todo dia que conseguia. Parei em um bar e pedi a refeição do dia. Devorava a comida como se fosse um prato de comida. Ok, pra esse tipo de situação não serve essa velha metáfora. Não conseguia nem parar pra respirar quando uma mulher bonita entrou e se sentou ao meu lado com cara de cansaço, se abanando devido o calor e pedindo uma água.

Olhei para ela com aquele jeito de “conheço você de algum lugar”. A mulher tentou disfarçar, mostrou claramente que estava incomodada quando lembrei de onde conhecia e falei:

“Bia!!”.

Bia para quem não lembra é Beatriz Quintanilha. A mulher que no presídio apareceu com a proposta que eu publicasse um livro.

Ela ouviu seu nome e olhou para mim não me reconhecendo de cara. É, minha imagem depois de quatro meses na rua não era das melhores. Dei um sorriso e ela reconheceu “Gilberto?”.

Fiquei feliz, tentei lhe dar um abraço. Mas antes disso, lembrei que fazia um tempinho que não tomava banho e desisti. Assustada Bia perguntou o que acontecera comigo, respondi que era uma longa história e a mulher disse “Tenho tempo, vem comigo”.

Fomos ao seu apartamento. Antes de qualquer coisa ela me entregou uma roupa que o irmão esquecera, uma lâmina de barbear, toalha e disse que me esperava na sala.

Tempo que não tomava um banho tão gostoso, água tão quentinha! Fiz a barba ficando com cara de bebê. Não, prefiro não lembrar essa expressão. Voltei para a sala e Bia elogiou “Uau, parece outro homem!”.

Sentei na sala agradecendo a ajuda e ela pediu que eu contasse o que ocorreu. Contei tudo. Desde minha fuga da casa de Juliana quando ela me ameaçou entregar à polícia, como virei dono do morro do Trololó, a prisão pelo BOPE e minha passagem pelo presídio com todas as agruras. Terminei contando minha via crucis como ex presidiário que não conseguia se restabelecer.

Bia ouviu a tudo atentamente e no fim disse “É uma grande história, mais uma grande história”.

Pegou minha mão e disse “Vem comigo”. Levou-me até a editora que lançou meu primeiro livro e foi direto à sala do diretor. O homem cumprimentou Bia efusivamente e perguntou “Que grande história tem pra mim agora?”.

Bia apontou pra mim e perguntou “Lembra dele?”. O diretor colocou os óculos e respondeu “Sim, claro. Gilberto Martins, o jornalista bandido. Umas das histórias mais fascinantes da crônica policial carioca”. Não sei se era pra agradecer, mas meu ego, como sempre inflado mandou e sorrindo disse “Sim, sou eu sim”.

Bia continuou e contou ao homem que o meu livro tinha sido o mais vendido da editora nos últimos vinte anos e somente um livro poderia superar aquela venda. O homem perguntou qual e ela respondeu “A continuação”.

Bia pediu que eu contasse como foi minha vida nos últimos quinze anos, mais ou menos o período após o livro e contei. O homem ouviu fascinado e no fim comentou “É um best seller”. Bia respondeu “Vai vender um milhão de livros e virar filme!!”.

Empolgado o dono da editora pediu que eu escrevesse a história que ele queria publicar o livro. Bia respondeu que eu iria escrever, mas precisava de um adiantamento. O homem na hora pegou um talão de cheques, uma caneta, abriu e perguntou quanto.

Naquele dia mesmo comecei a escrever “Era da violência 2 – Os senhores da morte”.

Fiquei no apartamento de Bia, no quarto que era de hóspedes e escrevia praticamente dezesseis horas por dia. Não parava para comer, dormir, nada. Bia que levava lanches para mim e mandava descansar. Reativei o blog, parado desde que parei nas ruas e graças ao conhecimento de Bia arrumei patrocinadores. Voltava a viver um bom momento.

Três meses depois o livro estava pronto e em mais três meses sendo lançado em uma grande livraria. A imprensa toda presente, eu com um lindo terno lembrando em nada o mendigo de tempos atrás.

Ou “mindingo” como disse Pardal que também compareceu ao evento.

Dei autógrafo para muitas pessoas, algumas delas personalidades da cidade. Entre elas Rubinho Barreto.

Rubinho comandava a construtora Barreto. Parceiro de vários governos não só pelo país como pelo mundo. Responsável por algumas das grandes construções de nosso tempo, que faturava muito com as Olimpíadas do Rio de Janeiro que se aproximavam e o pior.

Novo marido de Juliana.    

Bia levou Rubinho até a mim para apresentar e o cumprimentei dizendo que já lhe conhecia. Além de ter ouvido falar dele esteve com Juliana na noite de autógrafos de meu primeiro livro. Rubinho sorriu e comentou que lembrava bem daquela noite.

Perguntei por Juliana e Rubinho respondeu “Foi a Brasília em uma reunião do partido, se lançará em campanha para o senado”. Assinei o livro, entreguei a Rubinho e comentei “Dê lembranças a ela”. Rubinho apertou minha mão e se afastou.

Antes que eu me sentasse novamente Rubinho se virou e disse “Ela pediu que você não se metesse em confusões novamente e fique fora da cadeia”.

Respondi que iria me esforçar para isso e ele se afastou, ainda falei baixinho “Filho da puta”.

A noite foi maravilhosa e emendei em um restaurante com Bia. Bebemos muito, rimos mais ainda e quando percebi já estava aos beijos com ela em sua cama.

No dia seguinte nos encontramos na sala de seu apartamento em um silêncio constrangedor. Um não conseguia olhar para o outro até que ela me estendeu a mão sorrindo e perguntou “Amigos?”.     

Sorri e apertei sua mão respondendo “Amigos”.

Livro já estava lançado, minha vida encaminhada e no mesmo dia me mudei para um apartamento que alugara. Bia era minha amiga e eu amigo dela e isso era mais importante que qualquer foda. Como um anjo que some e aparece sempre na hora necessária Bia sumiu de novo. Foi lançar projetos culturais pelo Brasil e só continuamos a ter contatos por telefone e internet.

Mas era muito importante pra mim. Sempre será. 

Precisava trabalhar, ganhar dinheiro. Ganhava com os direitos autorais dos livros, mas sabe como é direito autoral no Brasil né? Também ganhava uma graninha com o blog e, por sugestão de Bia, comecei a fazer palestras pelo Brasil sobre jornalismo, tudo o que passei e como dar a volta por cima.

Quem diria. Virei exemplo.

Mas não era o suficiente. Precisava de um emprego fixo e isso ocorreu no fim de uma de minhas palestras. Uma das pessoas que assistiu veio até a mim parabenizando não só pela palestra, mas pela história, que conhecia bem e perguntou se eu nunca pensara em ser professor.

Olhei para ele e respondi que não, nunca passara por minha cabeça, mas poderia ser interessante um dia. Enquanto eu arrumava minha pasta ele fez a proposta “Sou coordenador do curso de comunicação de uma Universidade e adoraria contar com você como professor. Tem muito a ensinar”.

Olhei para ele. Lembrei que precisava de um emprego e de supetão respondi com uma pergunta “Por quê não?”.

Dessa forma virei professor de jornalismo. Que chique.

Alguns dias depois, nervoso e com minha pasta me encaminhei para sala de aula pensando “Vai dar tudo certo, já fui traficante, mendigo, presidiário, fiquei no meio de tiroteios, dar aula é fichinha”.

Respirei fundo e entrei na sala de aula. Primeiro dia de aula daquela turma.

Turma de João Arcanjo e Rui de Santo Cristo.



ERA DA VIOLÊNCIA 2 (CAPÍTULOS ANTERIORES) 




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