quarta-feira, 30 de abril de 2014

SOBE O SOM: ROUPA NOVA





Hoje a “Sobe o som” fala de uma das bandas mais queridas do Brasil. A “dona” de megahits Roupa Nova.

A banda surgiu em agosto de 1980, devido a mudanças ocorridas após 1978 no grupo chamado Os Famks , e mantém até hoje sua formação original. É composta por Paulinho (voz, percussão e vocal), Serginho Herval (bateria, voz e vocal), Nando (baixo, voz e vocal), Kiko (guitarra, violões e vocal), Cleberson Horsth (teclados e vocal) e Ricardo Feghali (teclados, voz e vocal).
São os atuais recordistas em trilhas sonoras de novelas, com mais de 35 músicas.

É a banda brasileira com maior tempo de formação, mais de 30 anos de estrada e com seus membros originais.

Em junho de 2005 o Roupa Nova foi o grande vencedor do Prêmio TIM de Música na categoria Canção Popular recebendo dois prêmios: o prêmio de melhor disco com Roupacústico, disputando com Beleza Roubada de Dulce Quental e Outros Planos da banda 14 Bis, e o prêmio de melhor grupo, disputando com Red e 14 Bis.

Em 2009 o grupo recebeu um dos mais importantes prêmios da música mundial, o Grammy Latino, na Categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro desta vez concorrendo com Ivete Sangalo, Jota Quest, Skank e Rita Lee

Nos dias 2 e 3 de julho de 2010 foi gravado um projeto em comemoração aos 30 anos de carreira com participações de Sandy, Milton Nascimento, Fresno e o Padre Fábio de Melo. O álbum foi lançado em outubro de 2010.

Em 30 anos de carreira, o grupo já vendeu quase 10 milhões de discos.

Então vamos lá!!

Sobe o som Roupa Nova!!



Dona



Linda demais



Volta pra mim



Amar é..



A força do amor


A viagem



Meu universo é você



Coração pirata



Um sonho a dois

 
Seguindo no trem azul



Sapato velho



Anjo 



Começo, meio e fim


Chuva de prata


Canção de verão


Clarear 


Tema da vitória



Bem. Aí está um pouco da história do Roupa Nova que há tantos anos embala nossos romances e corações. Semana que vem será de monarquia no blog. Teremos Elvis.


Enquanto isso um sonho a mais não faz mal. 


ARQUIVO:

SOBE O SOM

terça-feira, 29 de abril de 2014

O CLUBE DOS 23: SÃO PAULO




Hoje “O clube dos 23” fala de um dos clubes mais vitoriosos do país. O São Paulo.

O São Paulo Futebol Clube (conhecido apenas por São Paulo e cujo acrônimo é SPFC) é uma associação esportiva brasileira. O clube foi fundado em 1930 e refundado em 1935 após um breve período de inatividade sendo que hoje, é um dos times mais bem sucedidos do Brasil e do mundo.

Dentre seus principais títulos destacam-se seis Campeonatos Brasileiros, três Copas Libertadores, duas Copas Europeias/Sul-Americanas e o Mundial da FIFA de 2005, totalizando três campeonatos mundiais interclubes, além de vinte e um Campeonatos Paulistas. Quanto a títulos internacionais o São Paulo é a terceira maior equipe da América do Sul, depois de Boca Juniors e Independiente, totalizando 12 conquistas.

Também possui tradição em outros esportes que não o futebol, como no atletismo, onde seu atleta Adhemar Ferreira da Silva foi o primeiro bicampeão olímpico do país e quebrou recordes mundiais, responsáveis pelas duas estrelas douradas no escudo do clube.

No âmbito nacional o São Paulo só deixa de estar na primeira colocação no Ranking da CBF onde aparece em sétimo. Já pelas classificações da revista Placar, Folha de São Paulo e RSSSF, ele aparece sempre em primeiro. 

Entre os demais clubes do mundo o Tricolor do Morumbi, um dos apelidos pelo qual é conhecido, ocupa a oitava colocação de acordo com a Folha de S. Paulo. Pelo ranking da CONMEBOL, que leva em conta apenas os resultados obtidos nas últimas cinco edições das competições organizadas pela entidade, o clube é o quarto entre os brasileiros e o sétimo em toda a América Latina.

Já para a IFFHS, órgão de estatística reconhecido pela FIFA e que produz mensalmente um ranking de clubes, o Tricolor Paulista é o 10º melhor clube atualmente e o 18º melhor de todos os tempos, sendo o primeiro entre os clubes brasileiros. A mesma IFFHS elegeu o São Paulo como o melhor time brasileiro da última década (2001-2011) e o segundo na América do Sul, atrás apenas do Boca Juniors da Argentina

De acordo com a empresa BDO RCS Auditores Independentes a marca do clube é a terceira de maior valor no Brasil ultrapassando os 848 milhões de reais, ficando muito próximo ao Flamengo (com R$ 855 milhões) e distante do Corinthians (com R$ 1,1 bilhão). Essa posição foi obtida graças a um incremento de 234% em bilheteria e 93% no marketing, além de possuir o Estádio do Morumbi

Em 18 de outubro de 2006 foi sancionada na cidade de São Paulo a lei nº 14 229 de 11 de outubro do mesmo ano, cujo projeto de lei era de nº 648 de 2005, onde fica definido que no dia 16 de dezembro de cada ano será comemorado o "Dia Tricolor", homenageando, dessa maneira, a data de refundação do clube.

Fotos:

CT de Cotia


Morumbi



Adhemar Ferreira da Silva


Zetti


Gilmar 


Waldir Peres


Cafu



Fórlan 


Oscar 


Bellini


Mauro Ramos


Dario Pereyra 


Gérson 


Pedro Rocha


Raí


Silas


Zizinho 


Muller


Canhoteiro


Careca 


Leônidas


Friedenreich 


Rogério Ceni 



Muricy Ramalho



Telê Santana


Vídeos:

Campeão paulista 1991


Campeão brasileiro 1977


Campeão brasileiro 1986


Campeão brasileiro 1991


Campeão da Libertadores 1992


Campeão da Libertadores 1993


Campeão da Libertadores 2005


Campeão mundial 1992


Campeão mundial 1993


Campeão mundial 2005


Bem. Aí está um pouco da história do tricolor paulista que começou bem o campeonato brasileiro de 2014.



Semana que vem tem outro tricolor. O das três cores que traduzem tradição. Tem Fluminense.


O CLUBE DOS 23 (CLUBE ANTERIOR)

BOTAFOGO
  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O JOGO


*Conto publicado na coluna "O buraco da fechadura" do blog Ouro de Tolo em 01/07/2013

Téo era um menino como todos os outros de sua idade nessa era moderna. Morava em um condomínio e lá dentro fazia toda sua vida mal botando a cara na rua.
Lá tinha seus amigos e a brincadeira deles eram todas feitas dentro do local que tinha piscina, sauna, churrasqueira, quadras de tênis, de futebol, heliponto..se  desse mole tinha até banquinha do jogo do bicho.
O menino era fissurado em games. Tinha vídeo game moderníssimo em casa onde ficava quase 24 horas jogando e quando não estava nele jogava no celular. Mãe e pai repreendiam, colocavam de castigo, mas não adiantava o moleque era fissurado.    
Um dia saiu com os amigos do condomínio para ir a uma danceteria. Dançou muito, beijou algumas meninas e teve uma noite agradável longe dos games. Na saída o grupo passou em uma lanchonete e dois amigos começaram a jogar sinuca.
Téo bebia um refrigerante e comia um hambúrguer olhando entediado o jogo quando reparou que na sala ao lado tinha máquinas de fliperama. Curioso foi até o local sem que ninguém percebesse.
O local estava vazio, meio empoeirado com todas as máquinas ligadas. Téo passou por elas rindo da antiguidade e teve que tirar algumas teias de aranha da frente para ver todas.
Até que percebeu uma em especial. Nunca vira aquele jogo antes então Téo se aproximou. O jogo chamava-se “No inferno com o diabo” e o rapaz ficou curioso.
Procurou alguém que lhe vendesse uma ficha e não encontrava até que viu um velho estranho varrendo o chão parecendo sair de algum filme de terror e perguntou quem vendia fichas.              
O velho parou de varrer e olhou o rapaz por um tempo. Téo incomodado perguntou novamente e o velho voltou a varrer respondendo “cinquenta reais”.
Téo tentou argumentar que o preço era um absurdo enquanto o velho varria e respondia que era esse mesmo. O rapaz pensou, pensou e estava muito curioso para conhecer o game. Decidiu aceitar a proposta e deu o dinheiro para o velho que lhe entregou uma ficha.
Téo com a ficha na mão caminhou até a máquina, olhou bem pra ela e comentou “vamos ver como é essa belezinha”. Colocou a ficha e começou a jogar.
O rapaz era expert em games, não tinha um no qual não se saísse bem e chegasse até o fim “zerando” a máquina, mas com o tal jogo foi totalmente diferente.
Téo perdeu rapidamente e se aborreceu, foi atrás do velho e comprou mais uma ficha perdendo novamente rápido. Mais uma, mais uma até que já comprara dez fichas e no máximo chegara perto de ultrapassar a primeira fase, mas fracassando.
O dinheiro acabou então não tinha mais como Téo fazer nada. O Garoto olhou para a máquina fascinado com o jogo que conhecera e a dificuldade que lhe impôs. Chegou bem perto do jogo e disse baixinho “eu volto”. Caminhou empolgado em direção a saída e gritou para o velho, que nem se importou e continuou varrendo, que voltaria.
Encontrou os amigos no salão da lanchonete que perguntaram onde ele estava. Téo entusiasmado contou sobre a máquina de fliperama e como ela lhe derrotou. Os amigos curiosos pediram para ir até o salão de fliperama e quando tentaram entrar encontraram a porta fechada. 
Téo socava a porta tentando que abrissem e os amigos ironizavam falando que pelo jeito da porta ela não era aberta há muito tempo e Téo apenas devia ter imaginado que jogou. O grupo voltava para o salão da lanchonete com Téo jurando que tinha fliperama lá e os amigos brincando dizendo que ele fumou maconha.
Téo foi pra casa e sonhou com o jogo, ficara obcecado. No café da manhã os pais notaram que Téo estava quieto e perguntaram se ele tinha algum problema com o menino respondendo que não.
Ele saiu e foi até a lanchonete que tinha fliperama nos fundos. Entrou indo até o local que os jogos funcionavam e ele estava fechado. Perguntou a um homem que limpava o chão da lanchonete que horas abria o salão de jogos e ele respondeu que era novo na casa e nem sabia que tinha fliperama.
Téo foi pra casa e recebeu novo convite de amigos para sair. Seu melhor amigo contou que tinha uma menina especial naquela noite para acompanhar e que ele iria adorar.
De noite foram todos de novo a danceteria e a menina se apresentou a Téo como Marina. Conversaram um pouco, Téo pegou bebida para os dois e logo depois já estavam se beijando.
No final da noite todos se perguntavam aonde seria a “saideira” e Téo sugeriu a lanchonete. Alguns reclamaram que já estiveram no local no dia anterior e Téo insistiu contando que o lugar era legal e tinha sanduíches ótimos conseguindo assim convencer.
Foram até a lanchonete e enquanto os garotos faziam os pedidos Téo contava a Marina do fliperama. A moça pediu que ele a levasse até lá, Téo olhou em direção ao salão de jogos percebendo que a porta estava aberta e chamou a menina para acompanhá-lo.
Téo andou em direção ao salão sem avisar aos amigos e quando entrou viu que se desencontrara de Marina. O lugar estava exatamente como Téo deixara na noite seguinte, com as máquinas ligadas e vazio.
Téo andou pelo local procurando o velho e depois de procurar um tempo encontrou o senhor varrendo. Cumprimentou o homem que olhou e voltou a varrer dizendo “você de novo”.
O rapaz respondeu que sim e pediu dez fichas para o velho que entregou as mesmas e pegou o dinheiro. Téo se aproximou da máquina que parecia estar lá esperando por ele e vociferou “hoje você não escapa”.
Colocou a primeira ficha e começou a jogar. Novamente não fora bem sucedido e colocava uma a uma fracassando. Na hora da última ficha é que ocorreu de pela primeira vez Téo chegar a segunda fase.
Entusiasmou-se e pegou mais três fichas, nas três conseguiu chegar novamente na segunda fase, mas fracassou na tentativa de “zerar”. Abismado olhava a maquina que lhe derrotara novamente se perguntando o que poderia fazer.      
Saiu do salão de jogos e perguntou a Marina onde ela estava. A moça respondeu que foi lhe seguindo, mas se desencontrou dele. Perguntou se ele conseguira entrar no salão e brincar com o fliperama e Téo respondeu que sim, mas novamente fracassara na disputa.
Marina consolou o rapaz dizendo que era assim mesmo e lhe beijou. Téo perguntou se Marina queria namorar com  ele e ela não respondeu nada, colocou o indicador em sua boca e lhe beijou novamente.
Téo e Marina começaram a namorar e a obsessão do rapaz com o jogo aumentava a cada dia.
Ele só conseguia entrar no fliperama de noite e perdia todo seu dinheiro na máquina. Cada vez ele conseguia passar mais fases e sonhava com o dia de “zerar”.
Os pais começaram a se preocupar com o filho que sumia todas as noites e seu dinheiro ia todo embora. O pai começou a pensar que Téo tinha problema com drogas e chamou o filho para uma conversa.
Téo jurou ao pai que não e que a única coisa que fazia era jogar em um fliperama. O pai não entendia o porque com tantos jogos em casa o filho se preocupava com um jogo velho. Téo contou que não sabia responder, era mais forte que ele e precisava chegar à fase final daquela máquina.
O pai não acreditou muito naquela história e levou o filho a um psicólogo. Na sala para a consulta Téo confirmou a versão que não usava drogas, apenas jogava e no fim da sessão com Téo se afastando o psicólogo contou ao pai que ele teria problemas.
Téo cada vez menos aparecia em casa aumentando a preocupação dos pais.  O rapaz não comparecia mais ao colégio e todos os amigos reclamavam de sua ausência, menos Marina que teria todos os motivos em reclamar por ser a namorada, mas não fazia, ao contrário ainda incentivava o rapaz a jogar.
Téo passava as noites no salão e sua insistência começava a fazer efeito. O rapaz já conseguia chegar em fases intermediárias e vibrava como se fosse a coisa mais importante do mundo. Téo virava para o velho faxineiro e falava que ele ainda iria lhe aplaudir quando zerasse a máquina.
O velho olhava sério Téo e nem lhe dava muita atenção voltando a varrer aquele salão poeirento.
No dia seguinte Téo se despediu dos pais contando que iria sair e o pai perguntou aonde, Téo respondeu que iria ao fliperama.
O pai que lia jornal e continuou lendo respondeu “essa noite não”. Téo se espantou e seu pai mandou que ele voltasse ao quarto.
O rapaz esbravejou, discutiu com o pai, mas em vão sendo obrigado a voltar para o quarto e trancado no local.
Téo sentia necessidade de jogar, a fissura que só viciados sentem. Olhou a janela trancada pelo pai e se aproximou dela. Observou o chão e consigo mesmo pensou que nem era tão alto.
Quebrou a janela e pulou de uma boa altura já que o apartamento ficava no terceiro andar. O pai nada ouvira porque prestava atenção em ópera naquele dia. Téo se ralou um pouco na queda, mas estava livre.
Foi até a garagem e lá encontrou o carrão importado de seu pai. Fez ligação direta e partiu com ele. Foi até uma favela próxima e mostrou o carro ao traficante que se entusiasmou, mas comentou que devia valer “os olhos da cara”.
Téo respondeu que faria uma pechincha para ele dando o preço. O traficante gostou e fechou negócio. Entregou a maleta cheia de dinheiro para o rapaz e perguntou se ele iria usar drogas. Téo abriu a mala, viu cheia de dinheiro e respondeu “não mano, eu vou jogar”.
Foi para a máquina e comprou a primeira ficha. De novo caiu em posição intermediária e comprou mais, mais até que chegou  na penúltima fase.
Entusiasmou-se vendo que estava no caminho certo e nem reparou que as horas passavam. Não só horas, mas dias, semanas e Téo chegava mais perto de seu feito. O menino parecia um zumbi, não dormia e a policia da cidade toda caçava seu paradeiro.
Até que depois de duas semanas jogando direto Téo chegou a última fase.
O menino com todo jeito, toda tato conduziu o jogo naquela fase crucial e com imensa tensão rezava para que conseguisse, acabasse aquele drama e voltasse a vida.
Até que conseguiu, zerou a máquina. Téo levantou os braços e deu um urro de felicidade. Alcançara seu objetivo e tinha que contar a todo mundo que conseguira, queria tirar uma onda com o velho faxineiro.
Até que notou um rosto no visor. Quando chegou mais perto para olhar percebeu que era Marina e nada entendeu.
Uma forte luz branca saiu de dentro do jogo puxando Téo para seu interior. Quando a luz se dissipou não tinha mais nada lá no salão, Téo desaparecera.
O velho faxineiro continuava sua varrida e entre assovios comentou “mais um”.
Game over.

sábado, 26 de abril de 2014

ERA DA VIOLÊNCIA 2 CAPÍTULO XIX - RESGATE E DÍVIDA




Falei para ligarmos para a polícia e ela pediu que não. Temia pelo futuro de nosso filho. Perguntei o que fazer e Juliana pediu “Use seus contatos”.

Ri e comentei “Mas você até outro dia reclamava do meu estilo de vida, me demitiu por isso”. Juliana implorou “Por favor, é nosso filho”. Pedi que ela me contasse qual favela era e que fosse embora que eu tentaria resolver.

Liguei para Rui e falei que estava com problemas. Um encontro foi marcado no galpão e contei a situação. Galalite comentou que era impossível um resgate “Nós só somos cinco, para enfrentar traficantes complica”. Scarface engatilhava a arma dizendo disposto a subir a favela quando Rui concordou com Galalite.

João intercedeu dizendo que não podíamos deixar meu filho lá e Rui concordou “Não podemos, mas só nós cinco não dá”.  Olhamos para ele esperando por uma solução, Rui pegou o telefone e discou dizendo “Eu resolvo”.

Na mesma noite vários homens surgiram. Eram outros “Cachorros velozes” e “convidados”. Ali mesmo no galpão Rui explicou toda a situação finalizando “Temos que salvar o filho do parceiro, não podemos deixar a escória fazer mais uma vítima”.   

Os homens atiraram pro alto e partiram em comboio pra favela. Alguns conheciam bem a comunidade, locais que ficavam as bocas, pontos estratégicos dos traficantes então foi fácil que matassem os “vapores” sem ser percebidos. Estávamos encapuzados e de preto para não sermos reconhecidos pelos moradores. Na encolha e sem trocar tiros chegamos na boca principal.  

Alguns bandidos, quatro ao todo, estavam sentados com fuzis na mão e distraídos. Em um canto sentado com capuz na cabeça estava Guilherme. Pelas marcas nos braços e pernas parecia que foi machucado. Falei baixinho “Filhos da puta” e Rui pediu que me acalmasse.

O policial percebeu que a área estava tranquila e fez sinal. Com o sinal a invasão se iniciou. Os encapuzados de nosso grupo fuzilaram os quatro homens enquanto eu e João pegávamos Guilherme e saíamos com ele do barraco.

João voltou para o confronto que se intensificou com outros traficantes surgindo. O tiroteio comia solto enquanto eu me protegia com Guilherme. Puto eu gritava com o moleque “Viu o que você aprontou? Não consegue ficar com esse nariz sem coçar?”. Marrento Guilherme respondeu “Não pedi pra ninguém vir me resgatar”.

As balas passavam perto então mandei que ele se abaixasse e falei “Se proteja direito nessa porra que se você tomar um tiro sua mãe me mata”.

Depois de um tempo os tiros pararam. Levantei pra ver o que ocorrera e os cachorros tinham terminado o serviço. Todos os bandidos mortos. Os “justiceiros” se abraçavam comemorando e gritando “É o comando porra!!”. Também davam tiros pro alto.

Autorizei Guilherme a se levantar e fui até Rui agradecer pelo trabalho deles. O homem sorriu e respondeu “Foi bom, limpamos mais ainda a cidade”. Agradeci mais uma vez e me virei para ir embora com Guilherme quando Rui gritou “Ta me devendo uma professor”. Olhei para ele que completou “É sério”.

Levei Guilherme pra mansão. Juliana abriu a porta e abraçou o filho. Disse a minha ex que conversara com ele e o garoto concordara em voltar ao tratamento. Juliana agradeceu e perguntou se eu não queria entrar já que Rubinho viajara. Respondi secamente que não e fui embora deixando os dois pra trás.

Peguei o carro e saí dirigindo sem rumo. Estava magoado com Juliana desde a demissão. Aliás, andava magoado mesmo com o mundo. Tentava ser um cara correto, tempo que não me metia em confusões, mas continuava a ser tratado da mesma forma. Juliana nunca confiou em mim, nunca me deu valor e isso me machucava.

Mal ela sabia que o “garoto irresponsável” era tão responsável que lhe amava e se afastou por saber de um segredo e nunca dividir para que não lhe abalasse.

Acabou que parei em um bar daqueles bem escrotos para beber uma cerveja. Pedi e servi meu copo. Enquanto bebia e pensava na vida notei uma gorda feia sentada na mesa à frente sozinha que sorria pra mim. Ela não tinha o “artilheiro” na frente da boca e mais alguns dentes, mas estava lá se insinuando pra mim.

Olhei para os lados e percebi que ninguém olhava aquela cena constrangedora. Tomei mais um gole de cerveja e pensei “Um boquete é um boquete e boquete não se recusa”. Levantei e sentei na mesa da gorda.

Na noite seguinte em vez de estar com uma gorda Scarface se encontrou com Donato. O homem, que foi reeleito deputado, saiu do aeroporto vindo de Brasília e deu de cara com o taxista encostado no carro lhe esperando. O deputado sorriu e foi ao encontro do amado chegando a sua frente.

Scarface perguntou “Fez boa viagem deputado?”. Donato tirou os óculos, olhou o taxista e respondeu “Sim, mas estou melhor agora”. Scarface abriu a porta de trás pro deputado que entrou. Scarface também entrou no veículo e perguntou para onde iriam. Donato deu novo sorriso e olhando o taxista pelo espelho da frente do carro respondeu “Você sabe muito bem para onde vamos”.

Foram para um motel. Foderam e depois Scarface de cueca brincava com a arma na cama enquanto Donato olhava a janela. Scarface comentou “Sabia que Jesus não gosta do que a gente vive? Jesus odeia bichas”. Donato se virou e perguntou onde o taxista viu isso, o homem respondeu “Ta na bíblia. Jesus expulsou os viados do templo”.

Donato riu e se aproximou de Scarface dizendo “Curiosa essa sua bíblia que diz isso e curioso você falar essas coisas e estar comigo”. Scarface respondeu que tem uma missão no mundo e a fé em Cristo que movia essa sua missão. Donato perguntou que missão era e Scarface respondeu “Matar todos os filhos da puta”.

Donato perguntou se ele era um dos filhos da puta e Scarface respondeu “Não, você é legal, eu gosto de você”. O deputado se afastou novamente e falou “Que bom, porque também gosto de você e estou com uma prova disso aqui”.

 Scarface perguntou que prova era. Donato foi até sua pasta, tirou um pacote e jogou na cama para o amado. Scarface perguntou o que era e o deputado respondeu “Abra”.

Scarface abriu e se espantou “Nossa! Quanto dinheiro é esse?”. Donato acendeu um cigarro e respondeu que não era só dinheiro e que ele olhasse bem. O taxista reparou “Tem um passaporte aqui também”. Donato respondeu que sim, tinha dinheiro e passaporte falso ali para ele ir embora para os Estados Unidos.

Scarface levantou e pediu “Não brinca comigo que é muito sério, que papo é esse?”. Donato explicou “Você não conseguiria entrar por meios legais nos Estados Unidos. Contactei umas pessoas, chamadas coiotes, que irão te ajudar a entrar pelo México”.

O taxista incrédulo comentou “Nem sei o que dizer”. O deputado se aproximou e respondeu “Diz que me ama, mesmo que seja mentira e que vai me esperar lá”. Scarface olhou bem para o deputado e nada respondeu, apenas lhe agarrando e jogando sobe a cama.

Na noite seguinte no galpão Scarface nos contou a novidade. Galalite, transtornado, perguntou se o amigo teria coragem de lhe deixar e Scarface respondeu que era seu sonho e não poderia deixar pra trás. Rui riu e comentou “Quem diria, você conseguiu seu maluco, vai matar os mother fucker”.

Scarface gargalhou e disse que não sobraria nenhum vivo. Rui deu um tapinha no rosto do taxista e comentou “Sabe o que me deixaria orgulhoso? Que você matasse o presidente americano”. João riu e mandou que Rui não brincasse que Scarface levaria a sério.

Perguntei quando ele iria e Scarface respondeu que embarcaria no dia seguinte. Rui comentou “Isso merece um brinde, melhor, vários brindes, vamos a um puteiro que conheço aqui perto”.  

João respondeu que não poderia, tinha que ir pra casa. Rui falou “Vai porra, tua mulher é uma chata, só sabe atrasar sua vida. De um cara que dá tudo pra ela”. O farmacêutico pediu desculpas que realmente tinha que ir pra casa. Aproveitando a situação Rui perguntou “E Yolanda?”.

João não entendeu e devolveu a pergunta “Por quê isso agora?”. Rui respondeu “Ela me falou de você, disse que era um cara legal”. João ficou claramente constrangido com o papo se despedindo e indo embora. Com o farmacêutico fora Rui perguntou “Como é que é? Vamos ao não ao puteiro pra nos despedirmos do Scarface?”.

Fomos os quatro.

João chegou em casa tarde da noite e Fernanda esperava sentada no sofá. O farmacêutico deu um beijo na testa da esposa perguntando se ela estava sem sono e Fernanda respondeu “Estava te esperado, ver se você cumpria a promessa, mas mais uma vez não cumpriu, mais uma vez chegando tarde em casa”.

João respondeu que estava em reunião e Fernanda se levantou enfurecida “Sempre em reuniões, isso é impressionante, não tem um dia que você não está em reuniões”. João alegou que era seu trabalho e ela tinha que entender.

Fernanda continuava irritada e retrucou “É, eu tenho que entender, sempre sou eu que tenho que entender tudo”. João que andava pela casa parou e voltou para falar com a esposa “Hoje me falaram que você é uma chata e me puxa pra trás”. Fernanda perguntou quem disse isso e João apenas olhou para ela indo ao banheiro e completando “Ainda me chamaram para ir a um puteiro, mas preferi voltar pra casa, sou um idiota”.

Fechou a porta do banheiro com Fernanda enfurecida jogando um copo na parede e dizendo que odiava o marido.

No dia seguinte Yolanda e Rui tomavam café da manhã quando o telefone da mulher tocou e ela viu o nome “João Arcanjo” no visor. A prostituta comentou que era o farmacêutico e o policial sorrindo e mordendo uma maçã disse “Atende”.

Yolanda e João foram se encontrar enquanto Scarface se despedia de Donato e a campainha de Fernanda tocava. A mulher atendeu e deu de cara com Rui de Santo Cristo. 

Fernanda se assustou e comentou “Rui? O João disse que estaria com você”. Rui perguntou “Queria falar com você sobre ele, posso entrar?”.

A mulher autorizou e Rui entrou. Fernanda mandou que se sentasse e perguntou se algo ocorrera. Rui fingindo tentar encontrar as palavras comentou que a mulher devia saber que ele entrou em sociedade com João nas farmácias, por isso estavam ampliando, investindo.

Fernanda respondeu que sabia e João continuou “Ele anda estranho Fernanda. Não aparece em reuniões, não aparece nas farmácias e eu percebi um desfalque nas finanças”.

Fernanda, zonza, contou que o marido estava estranho, chegando tarde em casa e muitas vezes dizendo que estava em reunião com ele. Rui fingiu susto “Eu? Muito tempo que não vejo o João, por isso vim aqui, pra te perguntar se algo ocorria com ele”.

Irritada a mulher respondeu que João teria que explicar direitinho quando chegasse em casa. Rui pegou em sua mão e disse “Não, não parta para o confronto que ele se sentirá acuado. Observe, veja os seus passos. Você é esperta, logo descobrirá o que está acontecendo”.

Fernanda admitiu a razão de Rui e respondeu que faria isso.

João estava com Yolanda. Pensativo e deitado na cama. A mulher perguntou o que ele tinha e João respondeu “Eu gosto de Fernanda, amo minha esposa, não é certo o que estou fazendo com ela, mas também gosto de estar com você”.

Yolanda se abraçou ao farmacêutico e respondeu “Sou sua válvula de escape João, o seu desafogo, quem sabe a nossa relação até não melhore a sua com ela?”.

João pensou mais um tempo e comentou “Talvez fosse melhor que a gente parasse. Não quero te magoar, não quero magoar a Fernanda, não estou sabendo lidar com isso”.

Yolanda levantou e fingindo desespero disse “Você não pode fazer isso comigo. Eu te amo e não sei mais viver sem você”.

João se espantou com a declaração da mulher e perguntou “Como? Você disse que me ama?”. Ela novamente deitou se abraçando ao farmacêutico e fingindo chorar disse “Eu te amo, eu aceito ser outra, te encontrar só quando você puder, mas não me abandone, por favor”.

João Arcanjo sem saber o que dizer apenas abraçou Yolanda lhe consolando enquanto pensava.

Mais tarde chegou em casa e encontrou Fernanda no sofá vendo televisão. Deu um beijo em sua testa e se encaminhou para dentro das dependências. Fernanda perguntou com quem o marido estava e o homem respondeu “Em reunião com o Rui de Santo Cristo”. Fernanda apenas limpou uma lágrima e fingiu continuar vendo tv.

Scarface comeu o pão que o diabo amassou, mas conseguiu cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos. Parou em Nova York como sonhava e arrumou emprego como lavador de pratos em um restaurante latino. Morava em um bairro barra pesada como gostava e poucas semanas depois recebeu a visita de Donato que foi numa comitiva de deputados aos Estados Unidos.

O deputado deixou uma grana para que Scarface morasse em um lugar melhor. O bandido aceitou a grana, mas em vez disso comprou armas. Gostava de treinar tiro na frente do espelho e sair de madrugada vagando pelas ruas e conhecendo de perto o submundo.  

Rubinho aproveitou a viagem do irmão para se encontrar às escondidas com Flávia. Enquanto os dois se divertiam eu estava na clínica esperando por Guilherme com Juliana. Estávamos em silêncio até que em determinado momento não aguentei e perguntei “Você não acha que seu marido viaja demais?”.

Juliana respondeu que ele era empresário, tinha que viajar e completei “É, mas você é senadora e viaja menos que ele”. Juliana perguntou o que eu queria insinuar e em vez de responder apontei para Guilherme que saía da clínica. 

Guilherme, com bom aspecto, se aproximou da mãe e lhe deu um abraço. Juliana pediu que aquela fosse a última vez que teria que buscá-lo em uma clínica de reabilitação e nosso filho respondeu “Fique tranquila, o susto valeu”.

Guilherme se aproximou de mim e disse “Obrigado pai”. Passei a mão em seu rosto e respondi “Gosto quando me chama de pai”. Marrento o moleque retrucou “Queria que te chamasse de que? De tio? Sem sentimentalismo”. Dessa forma fomos embora como uma família feliz.

Donato voltou de viagem e foi para a empresa. Rubinho lhe recebeu na sala e comentou “Sei que você ta fazendo merda, desonrando o nome da família, mas temos uma questão mais importante agora. Salomão Silveira”.

Donato perguntou qual era o problema e Rubinho respondeu “Ele embargou a obra do estádio olímpico, suspeita de superfaturamento. Porra é muita grana envolvida ali, as Olimpíadas estão se aproximando, aquilo não pode ficar parado”.

Donato comentou “É, não é a primeira vez que ele se mete com a gente. Ta dando trabalho, o que pretende fazer?”. Rubinho pegou o telefone e respondeu “Vou ligar pro Rui”. Donato perguntou se não era muito arriscado, afinal era um juiz e Rubinho respondeu “Preciso testá-lo, ver sua eficiência para decidir se ele pode pegar aquela causa maior”.

Donato olhou para os lados pra ver se não estavam sendo observados e perguntou “Você ta maluco? Vai fazer mesmo aquilo?”. Rubinho respondeu “Sim, aquele filho da puta está roubando a gente e vai ser na abertura, para alertar o filho da puta maior”.   

Rubinho ligou e Rui atendeu. Combinaram um encontro para conversar e Rui desligou. O policial estava na frente da casa de João Arcanjo e escondido viu o momento que Fernanda entrou. Assim que a mulher entrou Rui ligou para Yolanda e disse “É agora”.

Yolanda estava com João Arcanjo em um restaurante e desligou o telefone dizendo ao farmacêutico que tinha que ir ao banheiro. João perguntou se algum problema ocorrera e a mulher respondeu “Não, coisas de mamãe”.

No banheiro Yolanda ligou para a casa de Fernanda. A mulher atendeu e sem se identificar Yolanda disse “Teu marido ta te traindo, está nesse momento no restaurante Garota de Olaria”.

Fernanda desligou o telefone e abriu a porta na hora que Rui bateria na mesma. Ela se apressou em dizer que João não estava e ela sairia pra matá-lo. Rui saiu atrás da mulher que se dirigia ao carro perguntando o que ocorria e Fernanda respondeu “Ele está me traindo e eu vou comprovar”. Antes que ela abrisse a porta Rui segurou sua mão e disse “Deixa que eu dirijo, você está nervosa”.

Rui levou Fernanda até o local e quando pararam disse “Vou esperar aqui, ele é meu amigo e não quero confusão pro meu lado”. Fernanda agradeceu a ajuda e desceu.

João estava em clima de despedida com Yolanda. Comentava “Me desculpe, sei que estou te decepcionando, mas eu preciso dar atenção pra minha mulher. Não estou sendo um bom marido e a amo”.

Yolanda fingia chorar e ao notar a presença de Fernanda no restaurante disse “Tudo bem, eu te entendo, mas me dá um último beijo”.

João fez carinho nos cabelos da moça e lhe beijou. Naquele instante ouviu um grito “João Arcanjo!!”.

Era Fernanda.



ERA DA VIOLÊNCIA 2 (CAPÍTULO ANTERIOR)

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