quinta-feira, 30 de abril de 2015

SOBE O SOM: CAUBY PEIXOTO





Cauby Peixoto (Niterói, 10 de fevereiro de 1931) é um cantor brasileiro.


Voz caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo "dândi", que inclui figurinos e penteados excêntricos. Em atividade desde a década de 1940, Cauby é conhecido no meio artístico como Professor. Proveniente de uma família de músicos, o pai tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas e o tio pianista. Cauby também é primo do cantor Ciro Monteiro.

Citado nas revistas Time and Life como: O Elvis Presley brasileiro. Convidado para uma excursão aos EUA, onde gravou, com nome artístico de Ron Coby, um LP com a orquestra de Paul Weston, cantando em inglês. De volta ao Brasil, comprou, em sociedade com os irmãos, a boate carioca Drink, passando a se dedicar mais a administração da casa e interrompendo, assim, suas apresentações.

Então vamos lá!!

Sobe o som pro professor!! Sobe o som Cauby Peixoto!! 



Bastidores

 


Ninguém é de ninguém



Onde anda você?



Serenata



Loucura



Theme from New York, New York


A pérola e o rubi



Laura



Sorrir / Luzes da ribalta



Ave Maria no morro - Com Ângela Maria



Blue gardênia  



Tango para Teresa - Com Ângela Maria



El dia que me queiras



My Way



Sangrando



Ronda



Cauby, Cauby



Amei você



Bem. Aí está um pouco dessa lenda da música brasileira, um dos meus grandes ídolos e mais importante que tudo, ídolo da minha avó. Semana que vem continuamos com o gênio Caetano Velloso.


Enquanto isso vamos cantar quem lembramos muito bem.



SOBE O SOM ANTERIOR

LÉO JAIME

quarta-feira, 29 de abril de 2015

CINEBLOG: APOCALIPSE NOW




Cineblog hoje fala de um grande filme de guerra.

Cineblog orgulhosamente apresenta:

APOCALYPSE NOW



Apocalypse Now é um filme de guerra norte-americano de 1979 dirigido por Francis Ford Coppola e escrito por John Milius

Estrelado por Marlon Brando, Robert Duvall e Martin Sheen, o enredo sobre a guerra do Vietnã segue a história de seu personagem central, o oficial das Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos Capitão Benjamin L. Willard, do Comando de Assistência Militar, em uma missão para matar o renegado e presumido insano Coronel Walter E. Kurtz, das Forças Especiais. Kurtz, no passado um soldado brilhante, aparentemente enlouqueceu e comanda seu próprio exercito como um semideus. Analises de críticos vem discutindo se o filme é pró ou anti-guerra com suas imagens de destruição da natureza, além da brutalidade sem propósito e a supremacia norte-americana; os efeitos que a guerra é capaz de causar na mente humana.

O roteiro foi originalmente concebido por Millus no final da década de 1960, através de uma ideia de mudar a história do romance Heart of Darkness de Joseph Conrad, em que Charles Marlow parte em uma busca no Estado Livre do Congo pelo desaparecido Sr. Kurtz, para a época da guerra do Vietnã. A ideia chegou até Coppola no meio da década de 1970, inicialmente ele planejava apenas produzi-lo. 

O cineasta assumiu a direção e decidiu fazer o filme na Manila e Filipinas em busca de baixos custos e equipamentos emprestados pelo governo local, com a distribuidora United Artists e seu estúdio American Zoetrope. Ao decorrer das filmagens e pós-produção o roteiro foi severamente modificado pelo diretor que o considerava problemático, inspirando-se e adicionando elementos de Dispatches de Michael Herr, a versão cinematográfica de 1965 da obra Lord Jim de Conrad, que compartilha o mesmo caráter de Marlow em Heart of Darkness, e Aguirre, der Zorn Gottes (1972) de Werner Herzog.

O filme tem sido notado pelos problemas encontrados para fazê-lo. Estes problemas foram narrados no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse de Eleanor Coppola, que conta a história de Brando que chega no cenário acima do peso e completamente despreparado; cenários caros sendo destruídos pelo mau tempo; e seu ator principal (Sheen) sofrendo um ataque cardíaco enquanto no local. 

Problemas continuaram após a produção já que o lançamento foi adiado várias vezes enquanto Coppola editava milhares de vezes as sequências das filmagens. Levou cerca de três anos e meio para ser concluído e no final possuía um orçamento muito acima do estimado já que as gravações estavam muito atrasadas.

Sinopse



Em 1969, durante a guerra do Vietnã, o Capitão do Exército dos Estados Unidos e veterano das Operações Especiais Benjamin L. Willard (Martin Sheen) está em um hotel barato em Saigon, aguardando por uma missão, bebendo muito e pensando sozinho sobre sua vida e casamento fracassado. 

Depois de uma noite particularmente ruim em que fica alucinando sobre suas missões anteriores no país, é levado à força para uma reunião informal com os oficiais da Inteligência Militar Tenente-General Corman (G. D. Spradlin), Coronel Lucas (Harrison Ford) e um civil referido apenas como "Jerry". Os três avaliam seu passado como um membro das Operações Especiais e lhe oferecem uma missão para seguir o rio Nùng em selva remota, encontrar o trapaceiro Coronel Walter E. Kurtz das Forças Especiais se infiltrando em sua tropa e matá-lo, "encerrando seu comando". Kurtz aparentemente enlouqueceu e agora comanda sua própria tropa de montanheses dentro do neutro Camboja como um semideus.

A cena e monólogo de Bill Kilgore, "... Adoro o cheiro de napalm de manhã ...", é uma das mais icônicas da história do cinema.

Elenco




  • Martin Sheen como Capitão Benjamin L. Willard.
  • Marlon Brando como Coronel Walter E. Kurtz.
  • Robert Duvall como Tenente-Coronel Bill Kilgore
  • Frederic Forrest como Jay "Chef" Hicks. 
  • Albert Hall como "Chief" Phillips. 
  • Sam Bottoms como Lance B. Johnson. 
  • Laurence Fishburne como Tyrone "Clean" Miller. 
  • G. D. Spradlin como Tenente-General Corman,  .
  • Jerry Ziesmer como um homem misterioso (que é coincidentemente dirigido pelo general Corman como 'Jerry'; na versão disponível em Blu-ray é mencionado como um agente da CIA chamado R.E. Moore) 
  • Harrison Ford como Major Lucas.  ).
  • Scott Glenn como Capitão Richard M. Colby. 
  • Bill Graham como o agente e locutor responsável pela mostra das Coelhinhas.
  • Cynthia Wood (Coelhinha do Ano)
  • Linda (Beatty) Carpenter (Coelhinha de agosto de 1976) como a Coelhinha "Miss Agosto"
  • Colleen Camp como Coelhinha "Miss Maio"
 Música

A trilha sonora do filme foi composta pelo diretor e seu pai, Carmine Coppola, e editada por Walter Murch. Apenas três canções reais aparecem no disco: "The End", do The Doors, "Susie Q", pelo Flash Cadillac, e Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner. O álbum possuí 17 faixas e foi lançado junto ao filme em 1979.

Outras versões

Finais alternativos e variados

A versão original da película de 70 milímetros termina com o barco de Willard ao lado de uma estátua de pedra, em seguida a tela escurece sem os créditos atribuídos, salvo a nota "Copyright 1979 Omni Zoetrope" logo após o filme termina. Isso reflete a falta de seu título na abertura e supostamente decorre a intenção original de Coppola de "percorrer" o filme, como seria em um jogo: os créditos teriam aparecido em programas impressos fornecidos antes da exibição começar. Tem havido, até à data, muitas variações na sequência dos créditos finais, começando com a versão geral de lançamento da película de 35 milímetros, onde o diretor mostra os créditos sobrepostos a imagens da base de Kurtz explodindo.


Coppola explicou que havia gravado a metragem hoje icônica durante a demolição dos conjuntos (a destruição dos setes e o pedido de remoção exigido pelo governo filipino). Filmou a demolição com múltiplas câmeras equipadas com os estoques diferentes de filme e lentes para capturar as explosões em diferentes velocidades. Queria fazer algo com as imagens dramáticas e decidiu adicioná-las aos créditos.

  Bilheteria

Apocalypse Now teve um bom desempenho nas bilheterias quando foi lançado em agosto de 1979.  O filme foi aberto inicialmente em um teatro em Nova Iorque, Toronto, e Hollywood, arrecadando 322 489 dólares americanos nos primeiros cinco dias. Foi rodado exclusivamente nestes três locais durante quatro semanas antes da abertura em um adicional de 12 salas de cinemas em 3 de outubro de 1979 e, em seguida, várias centenas de semanas seguintes.  

O filme arrecadou mais de 78 milhões dólares americanos no mercado interno, com um total mundial de 83 471 511 dólares fazendo dele a quarta maior bilheteria dos cinemas internacionais naquele ano, embora existem fontes que citam uma bilheteria de cerca de 150 milhões de dólares.  Foi relançado em 28 de agosto de 1987, em seis cidades para capitalizar o sucesso de Platoon de Stone, Full Metal Jacket de Kubrick, e outros filmes sobre a guerra do Vietnã. Novas cópias de 70 milímetros foram rodadas em Los Angeles, São Francisco, San Jose, Seattle, St. Louis, e Cincinnati — cidades onde o filme foi bem sucedido financeiramente, em 1979. Foi lhe dado o mesmo tipo de lançamento, como a contratação exclusiva em 1979 sem logotipo ou créditos e as audiências receberam um programa impresso.


 Principais prêmios e nomeações



Oscar 1980 (EUA)
  • Ganhou nas categorias de Melhor fotografia (Vittorio Storaro) e Melhor som (Walter Murch, Mark Berger, Richard Beggs e Nathan Boxer).
  • Nomeado nas categorias de Melhor direção de arte, Melhor filme - drama, Melhor actor coadjuvante/secundário (Robert Duvall), Melhor realizador/diretor (Francis Ford Coppola) e Melhor edição (Lisa Fruchtman, Gerald B. Greenberg, Richard Marks e Walter Murch)
Festival de Cannes 1979 (França)
  • Recebeu a Palma de Ouro e o Prêmio FIPRESCI.
Globo de Ouro 1980 (EUA)
  • Ganhou nas categorias de Melhor realizador/diretor (Francis Ford Coppola), Melhor actor coadjuvante/secundário (Robert Duvall), Melhor argumento original (Carmine Coppola e Francis Ford Coppola)
Academia Japonesa de Cinema 1981 (Japão)
  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".
BAFTA 1980 (Reino Unido)
  • Venceu nas categorias de "Melhor direção" e "Melhor ator coadjuvante/secundário" (Robert Duvall).
  • Indicado nas categorias de "Melhor ator" (Martin Sheen), "Melhor fotografia", "Melhor edição", "Melhor filme", "Melhor desenho de produção" e "Melhor trilha sonora".
  • Indicado ao "Prêmio Anthony Asquith" para "Música de filme".
Grande Prêmio BR do Cinema Brasileiro 2002 (Brasil)
  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".
Prêmio César 1980 (França)
  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".
Prêmio David di Donatello 1980 (Itália)
  • Venceu na categoria de "Melhor diretor - filme estrangeiro".
   

Semana que vem "Cineblog" fala de "Assim caminha a humanidade".


CINEBLOG ANTERIOR:

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II

terça-feira, 28 de abril de 2015

O BURACO DA FECHADURA



*Último conto da série iniciada logo na primeira semana do blog no começo de 2013. Publicada na coluna "O buraco da fechadura" no blog "Ouro de Tolo" em 11/1/2014

Aloisio era um cara normal como outro qualquer. Sem superpoderes, não era galã de cinema, o craque da bola, nada disso. Era uma pessoa comum. Filho único de pais separados passou sua infância na Ilha do Governador, bairro da cidade do Rio de Janeiro sendo criado pela mãe e pela avó. Tímido, nunca foi de ter muitas amizades na infância, apenas alguns amigos no colégio e na rua em que morava.Odiava brincar na rua.

Se a sua mãe queria puni-lo mandava para fora de casa para brincar e o pobre menino ficava no portão querendo entrar. Era péssimo em todos os esportes e com as meninas, muitas vezes vendo as que gostava nos braços de algum amigo ou de alguém que não gostava. Era triste sua sina…

Acabava tendo a imaginação como válvula de escape. Como eu já disse era filho único e solitário então usava um boneco do homem aranha que tinha para criar histórias. Entrava assim em um mundo paralelo onde ele comandava as ações.

Com o tempo começou a escrever histórias em quadrinhos sobre os programas de televisão que gostava e brincava de fazer músicas com os amigos. Já adolescente começou a escrever pequenos roteiros.

Descobriu assim uma forma de interagir com as pessoas de sua idade e chegar nas meninas. Era muito bom em redação, criava histórias e o restante da turma gostava, ria, pela primeira vez Aloisio chamava a atenção de outras pessoas sem ser como péssimo jogador de futebol ou tirando zero em geometria.

O menino cresceu, se tornou adulto em meio a histórias e músicas que criava e descobriu um modo sui generis de mostrar que sabia escrever. Virou compositor de samba-enredo.

Ninguém que convivera com o Aloisio, aquele garoto tímido, desajeitado que não sabia nem batucar em uma caixa de fósforos pudesse virar sambista, mas ele virou e com relativo sucesso – sendo autor de vários sambas para o carnaval carioca e ganhando prêmios.

Só não mudou a sua total falta de aptidão com as mulheres. Parou de tomar tantos “nãos” como tomava quando era criança e adolescente, mas aí o problema foi o contrário. Muitos “sims” que recebeu lhe trouxeram dores de cabeça e Aloisio pulava de “galho em galho” não conseguindo amadurecer emocionalmente.

Intenso, romântico, carinhoso, surpreendente, amável, um príncipe encantado às vezes, um grande canalha nas outras, contraditório até a alma, apaixonado, apaixonante, desprezível, repugnante, maravilhoso, nojento, encantador… Uma pessoa comum com muitas qualidades e defeitos tendo como maior defeito a vocação para o suicídio emocional: fazer mal a si mesmo.

Aloisio parecia um de seus personagens com todo amor sufocante no peito e desvio de regras e condutas que eles têm. Seus personagens têm vida própria e viram fantasmas lhe rondando como costelas que lhe foram tiradas pra ganhar vida.

E foi dessa forma que o escritor virou personagem do último conto do livro.

O homem por traz do buraco da fechadura.

De tanto Aloisio aprontar a vida aprontou com ele.

Sempre se achou muito esperto, a inteligência em pessoa, mas foi pego “no pulo” em sua última relação e foi abandonado sem lenço, sem documento e apaixonado por mais contraditório que possa parecer ferir quem se ama.

Mas era assim que ele se sentia e não se conformava com o fim. Por quase dois anos tentou de tudo para reatar com sua última namorada. Fez declarações de amor, enviou flores, poesias, músicas, fez vídeos, foi até sua cidade, deu pirueta, salto mortal… Só não engoliu espadas porque pegaria mal. Fez de tudo e deu tudo errado.

Sabem o que é insistir no impossível dois anos?

Pois é, ele fez isso e sinceramente não sabemos quando algo deixa de ser força de vontade, luta, pra ser burrice, insanidade e Aloisio não sabia esse limite. Foram dois anos de desgastes dele, da moça e muitas vezes ele mesmo não agüentava.

Começou a sofrer um bloqueio mental. Não conseguia escrever mais nada, livros, colunas para um blog que tinha espaço aos domingos, músicas, mal era capaz de formular uma frase pra escrever no twitter!! E chegava a época das disputas de samba-enredo, sua parceria contava com ele para ajudar a fazer a letra do samba, mas estava difícil.

E mais uma vez teve uma conversa desgastante com ela na internet onde teve que engolir uma declaração sua que ele não devia ter ambições em relação a ela. Engoliu calado e quando ela se despediu sua vontade foi de destruir seu quarto a golpes de kung fu.

Mas não fez isso: decidiu sair de casa e dar um volta. Pensou na conversa recente, em todas as conversas que tiveram ao longo de quase dois anos, pensou se não seria melhor se falarem pessoalmente e finalmente resignado desistiu, chegando a conclusão que por mais que se falassem ele nunca conseguiria falar tudo que sentia.

Acabou parando no “Peixão”, um lugar de baixo meretrício perto de sua casa. Um puteiro, para os íntimos.

Chegou lá e algumas mulheres lhe ofereceram prazer em troca de um punhado de dinheiro, mas Aloisio estava tão carente, tão com baixa estima que só pagaria naquela noite por um elogio. Não se interessou por nenhuma delas e sentou perto do balcão. O atendente lhe cumprimentou e perguntou: “oi Aloisio, guaraná?”.
Aloisio se sentiu incomodado por um atendente de puteiro lhe conhecer tão bem e pensou em mudar o pedido, mas sem criatividade alguma confirmou o pedido do guaraná que já foi lhe entregue com canudo, que era o jeito que ele sempre bebia.

De repente uma mulher se aproximou dele e pediu um real para colocar música. Ele sem olhar a moça perguntou se ela colocaria funk e ela respondeu que não. Agradecido ele deu a moeda.

A mulher foi até a junkie Box e colocou “Never can say goodbye” na voz de Gloria Gaynor. Aloisio finalmente olhou para a mulher e disse que gostava dessa música.

Ela respondeu que sabia, pois dava nome a um de seus contos. Aloisio respondeu que era verdade, bebeu um gole de guaraná e depois se tocou perguntando “que conto?”.

A mulher sentou a sua frente e respondeu que era uma das histórias do livro de contos que ele escreveria. 

Aloisio riu e respondeu que não estava escrevendo nenhum livro de contos, ela contou que ele começaria naquela noite.

Aloisio respondeu que seria impossível, estava com bloqueio criativo e acabara de ter uma conversa ruim com uma ex namorada. A mulher bebeu um gole de seu guaraná e disse “sim, a Bia eu sei… E não precisa contar a história não que já está todo mundo cansado de saber e inclusive você a utilizou em um conto que se passava na rodoviária de São Paulo”.

Aloisio olhava espantado a mulher, que completou: “inclusive você usou o nome Bia em dois contos, está na hora de você ser menos previsível… Você é previsível demais pro ego que tem”.

A mulher ia se retirando do local quando Aloisio perguntou seu nome. Ela virou e disse que se chamava Bia… Rafaela, Michele, Vivian, Thais, Alice… O nome que ele quisesse.

Aloisio riu e falou que esses eram nomes de ex namoradas suas e se pudesse lhe chamar por um nome seria Emanuelle como a dos filmes do “Cine Privê”.

A mulher que já se retirara voltou e disse que ele tinha usado o nome Emanuelle em um conto com o mesmo argumento. Ela balançou a cabeça negativamente e criticou “previsível demais”.

Saiu e voltou de novo pra falar: “olha, para de falar e escrever sobre seus defeitos pra dizer que é uma pessoa comum e assim as pessoas te acharem o máximo por admitir que erra, isso só é mais um defeito”.

O rapaz foi pra casa atormentado com todas aquelas situações.

Entrou na internet um pouco e decidiu dormir. Ao acordar abriu o computador para ver se escrevia algo quando notou um arquivo novo chamado “O buraco da fechadura”.

Esfregou os olhos para ver se era isso mesmo e era. Abriu o arquivo e tinha um conto ali escrito sobre um rapaz chamado Rodrigo, noivo, que se apaixonara por uma prostituta e o nome do conto era “Amor, estranho, amor”.

Espantando se dizia “eu não escrevi isso”. Pensou em chamar a Bia na internet para contar o que ocorrera, mas deixou pra lá. Lembrou que tinha sonhado com algo parecido, mas não lembrava de ter escrito e ficou pensando “será que eu estava com tanto sono ao escrever que não lembro?”.

E no dia seguinte ao acordar tinha mais um conto e foi assim dia após dia sem interrupções, sonhava com histórias e quando ia ver estavam no papel.

Teve uma noite que decidiu não dormir. Cheio de sono ficou acordado para ver se algo ocorria e toda hora olhava o livro para ver se algum conto novo surgia e nada. Decidiu tomar um banho e ao voltar ouviu um choro na televisão. Quando olhou se viu na tv abraçado a um notebook dentro de um ônibus inter estadual e chorando.

Não entendeu nada, abriu o arquivo e lá estava o conto sobre um menino que se apaixonou ao passar férias em Curitiba. Fechou o computador assustado e pensou em ir a uma rezadeira.

Conseguiu se desligar daquele mistério escrevendo o samba-enredo pra União da Ilha. Pelo menos aquela história estranha serviu para algo: o seu bloqueio sumira.

Não contou para ninguém aquela situação, nem mesmo para a Bia que era a pessoa que mais confiava, mas desde a história da ambição ia se afastando aos poucos dele. Pensou em contar a algumas pessoas, mas pensariam que ele estivesse louco e pensariam com razão porque até ele começava a ter dúvidas de sua sanidade.

Com o tempo aquele espanto foi se tornando curiosidade. Assim que acordava Aloisio abria o notebook e lia o conto novo. Gostava da maioria e se perguntava “Fui eu que escrevi mesmo? Sabe que até que ficou legal?”.

Ria com alguns, se emocionava com outros e até se surpreendeu ao notar a letra de um samba-enredo homenageando a capital mundial do esterco em um deles. Gargalhou e comentou que fazia sambas dormindo melhor que acordado.

E percebeu que tinha um pedacinho dele em cada conto escrito, fosse personagem homem ou mulher. Cada um lembrava a ele um pouco, eram seus filhos, seus espelhos com todas as inquietudes e conflitos de sua alma, sua vocação para autodestruição, amores impossíveis e de tentar rir de si mesmo para disfarçar fraquezas.

Foi assim durante quarenta e um dias, quarenta e um contos, até a noite de estréia da disputa de samba na União da Ilha, nesse dia ele não sonhou e nenhum conto apareceu no livro.Aloisio estranhou e se perguntou se o livro estava pronto. Era dia de apresentação de samba, mas ele nem pensava em carnaval, queria saber do livro de contos, afinal, era assim que terminava? Do nada?

Foi para a União da Ilha e subiu no palco com seus parceiros para a apresentação. De cima do palco olhava a torcida e reparou em um canto numa mulher que o olhava fixamente. Ao olhar bem percebeu que era a mulher misteriosa do Peixão.

Desceu do palco sem dar muita importância para os cumprimentos pela apresentação, correndo atrás da mulher. Procurou por todos os cantos e não achou, até que decidiu ir ao banheiro.

Urinando sozinho no banheiro ouviu uma voz “você as vezes desiste muito fácil das coisas, só me procurou um pouco e desistiu”.
 
Olhou pro lado e viu a mulher sorrindo, disse que precisava mesmo falar com ela e a mulher logo falou “eu sei, você quer saber se o livro terminou”. Aloisio respondeu que sim e ela contou que não, faltava um capítulo.

Aloisio perguntou qual e ela respondeu: “o seu”.

A mulher estendeu a mão dizendo “vem” e Aloisio lhe acompanhou.

Quando percebeu estava na frente de uma boate chamada “Night Fever” e lembrou que era o nome da boate de um dos contos. A mulher puxando o rapaz pela mão entrou na mesma dizendo que era a boate do conto.

Entraram sendo recebidos por Jardel, o dono da boate do conto “Never can say goodbye”. Jardel deu um abraço no espantado Aloisio dizendo que era um prazer tê-lo em sua boate e brincou que o escritor poderia ter sido menos cruel com ele em seu conto.

Jardel puxava um Aloisio que nada entendia para dentro da boate dizendo que estavam todos lá e o escritor perguntou “Todos quem?”. Jardel apontando respondeu “Eles !!”.

E lá estavam Rodrigo, Marcela, Alexandre, Milena, César Vieira, Amanda, Jairo Mello, dona Carola e seu preto velho, Henrique, Carla, Y, Rafaela, Napoleão, Dudu, Martinho, Larcinho, Quito, Borjalo, Barrosão, Jardel, Elisa, Lucinha, André, Juliana, Marcelo, Gracinha, Beto, Silvana, Fabio, Lord Perversus, Afonso, Bianca, Jéssica, dona Zezé, Joca, Paula, Breno, o homem do metrô, Fabiana, Serginho, Ludmila, Jofre, Dr Rodrigues, Lurdinha, Leocádia, Acácio, Dorinha, Desidério, Matilde, Silas, Rubens, Vânia, Vinicius, Wallace Dorival, Teresa, Diego, Frank, dona Margarete, Chacal, Ana, Orlandinho, Ananias, Joyce, Barbosinha, Robertinho, Lara, Guto, Zezinho, Peteco, Jackson, Filomeno, Jussara, Ribamar, Romeu, Julieta, Téo, Marina, Letícia, Elias, Valéria, Francisco, Geni, Curió, Uósto, Andressa, Alice, Gomes, Teônia, Rogério, Januário, Amélia, Jurandir, Neusa, Diana, Jean, Bia, Ezequiel, Graziela, Filó, Cadinho, Gaspar, Larissa, Saulo, Adele, Gil, João, Ritinha, Cláudio, Patrícia, Igor, Emanuelle, Nezinho, Chocolate, Xibiu de Jesus, Nenê Beiçola, Franco, Nestor, Day, Maju, o boto em forma de homem, Nico Carioca, Rambo, Vitinho, Jaqueline, Jece, Kátia Flávia… Mais de cento e vinte personagens, mais de cento e vinte vidas criadas por ele em quarenta e um contos.

E eles felizes puxaram Aloisio para o meio da pista. Uma banda cantava “Never can say goodbye” no palco e Aloisio esquecia toda sua timidez e falta de talento para dança se acabando com aquelesamigos inesquecíveis, abraçando a eles, suando com eles, esquecendo todos os problemas da vida. Feliz como há muito tempo não ficava.

Depois de um tempo foi até o bar da boate e antes que dissesse algo o atendente falou “boa noite sr Aloisio, guaraná com canudo, certo?”. O escritor respondeu que sim e foi atendido. A mulher misteriosa sentou ao seu lado e perguntou se ele estava feliz.

Aloisio respondeu que sim e enxugando o suor em um guardanapo de papel perguntou se era assim que acabava a história. Ela respondeu que ainda não e mandou que ele se acalmasse e bebesse seu guaraná.Ele bebeu um gole e começou a se sentir zonzo, tentou se segurar nas cadeiras e não conseguiu. Levantou seu braço pedindo ajuda para a mulher que só olhava sorrindo até que ele desmaiou.

Acordou em um lugar estranho, em um gramado com um lago e passarinhos voando. Levantou sentindo grande paz e se perguntando se tinha morrido.

Começou a andar pelo gramado se questionando o que era aquilo afinal e o que fazia ali até que deu de frente com um grande muro branco e uma imensa porta. Tentou abrir com a maçaneta e não conseguiu, estava trancada.

O muro era alto, nem tinha como escalar, a porta fechada e ficou curioso sobre o que tinha do outro lado. 

Reparou no buraco da fechadura e que por ali dava pra ver o que aquele muro escondia.

Abaixou-se e olhou pelo buraco da fechadura. Levantou e parecia feliz, deu uma imensa gargalhada e respondeu que agora sim o livro estava pronto. Deu meia volta e continuou a andar deixando pra trás o muro, a porta e o buraco da fechadura.

Mas afinal… O que escondia o buraco da fechadura? Ficou curioso, não é?

Pode olhar… Fique à vontade…


FIM


sábado, 25 de abril de 2015

VIDEOBLOG: ED MOTTA

Videoblog de hoje fala das recentes e polêmicas declarações do cantor e músico Ed Motta.


sábado, 18 de abril de 2015

TROCANDO EM VERSOS: ELA



*Versão que fiz para a música "She" de Elvis Costello

Ela
Conquistou com seu olhar
Minha poesia e meu cantar
Tomou pra si minha emoção
O meu sonhar

Ela
Que um dia me acolheu
Disse seu amor sou eu
Se apossou em um verão
Do meu coração

Ela
Me tirou uma grande dor
Em seus braços me acalentou
Me fez sorrir, fez gargalhar
Não mais chorar

Ela
Minha vida devolveu
Colando o corpo junto ao meu
E em um beijo de amor
Me fez amar

E eu..Pobre moço que eu sou
Felicidade um dia abandonou
Só vivia pra sofrer
Me entristecer
Tive mão suave a me acarinhar
Voz doce no ouvido a sussurrar
Deixa cuidar de você

Ela
A quem tenho gratidão
A quem eu amo de paixão
Que a minha vida com ternura
Foi marcar

Ela
Minha amante e companheira
Amor para a vida inteira
Mulher que me faz feliz
Ouça a canção que eu te fiz
Que eu te fiz...
She


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

O ESPELHO E A PAZ

sexta-feira, 17 de abril de 2015

NICO CARIOCA



*Nos 25 anos que criei esse personagem republico conto da coluna "O buraco da fechadura" do blog "Ouro de Tolo" de 14/12/2013.

A empregada da casa dos Mourão de Souza varria a sala da mansão da família cantando o clássico de Luis Melodia “Lava roupa todo dia, que agonia” enquanto todos dormiam ainda na residência. Estendeu umas roupas e foi para o jardim catar as folhas que caíam das árvores daquela manhã de outono.

Com um saco de lixo e uma pá recolhia as folhas reclamando que devia pedir aumento salarial quando viu o patriarca da família, Jece Mourão de Souza, boiando na piscina. Deu bom dia a ele passando direto e com cara de estranhamento voltou, reparando que o homem estava morto.

Deu um grito de pavor e em poucos minutos a PM, a Civil, o BOPE, exército, marinha, aeronáutica, Interpol, Cia, KGB, Comandos em Ação estavam todos lá, fora a imprensa ávida por sangue. Jece Mourão de Souza era um dos maiores empresários da área da mineração do mundo, estando na lista dos dez homens mais ricos do planeta e evidente que essa notícia ganharia repercussão internacional.

Todos os órgãos de imprensa estavam à frente da mansão tentando alguma informação. Ninguém da família queria conversar, apenas a empregada que quase escondida com tantos microfones a sua volta contava do susto que tomou quando descobriu que o patrão tinha “cantado pra subir”.

Todas as televisões da cidade estavam ligadas em telejornais contando o caso, inclusive a do bar de seu Joaquim. Os frequentadores prestavam atenção e arriscavam palpites do que acontecera; menos Nico Carioca e Rambo que contavam moedinhas para pagar o pão com manteiga e café com leite que consumiram.

Nico Carioca é o “herói” de nosso conto, detetive um tanto quanto fracassado e desajeitado. Fã número 1 de Dick Tracy Nico costumava se vestir igual ao detetive americano com um chamativo terno amarelo, chapéu amarelo e gravata vermelha e tinha uma sala em um prédio velho em Copacabana aonde atendia seus clientes.

Mas há tempos Nico não recebia nenhum cliente, então começou a se virar como podia. Arrumou emprego como babá de cachorros e todos os dias passeava com vários pela Zona Sul. Rambo era seu auxiliar e de Rambo não tinha nada. Era um rapaz magrinho e com óculos fundo de garrafa que não abandonava Nico nem naquele momento difícil.

Nico e Rambo nem prestavam atenção na tv. Conseguiram juntar as moedas e pagaram o consumido, Nico pediu que Rambo desse uma faxina na sala e foi ao encontro de seus “bebês” passear com eles.

Na praia de Copacabana com muita dificuldade era conduzido por cinco cachorros enormes e tentava segurá-los pela corrente presa às coleiras. Um dos cachorros se soltou e Nico entregou a corrente a um menino que foi arrastado pelos cachorros. Nico corria atrás do animal gritando “Rex” e o encontrou entrando no mar.

Pegou o cachorro pedindo que ele não fugisse mais quando notou que o animal descobrira algo no fundo. Aproximou-se da água e comentou “mas o que é isso?”. Alguns minutos depois o caso “Jece Mourão de Souza” saía do ar para mostrar um Nico Carioca todo orgulhoso contando à imprensa que encontrara o corpo de Ulysses Guimarães.

Dia intenso para a imprensa brasileira.

Nico e Rambo festejavam na sala brindando com água da bica em copo descartável e Nico se vangloriava de ser o melhor detetive do planeta e que a miséria acabaria quando bateram na porta. Nico pediu que Rambo atendesse a porta e ele atendeu entrando uma morena misteriosa, altura dos cinquenta anos de idade e Nico pediu que se sentasse.

Perguntou qual era o problema e ela respondeu se chamar Jaqueline Mourão de Souza e que ele devia ter acompanhado o caso de seu marido pela TV. Nico respondeu não e Jaqueline contou que seu marido fora assassinado e queria que ele pegasse o caso. Jaqueline contou em pormenores o que ocorrera e o detetive topou o caso pedindo seu endereço para conversar com os moradores da casa.

Nico foi até a mansão dos Mourão de Souza e reuniu todos à sala. Moravam lá Jaqueline, Vitinho que era filho do casal, Edu irmão da vítima, o mordomo e a empregada que encontrou o empresário morto.

Nico perfilou a todos e andando de um lado para o outro disse que o assassino estava naquela sala. Olhou bem um a um e Edu bêbado respondeu “não olhe assim que me apaixono”. Nico perguntou ao grupo se ele era sempre assim e o mordomo respondeu que ele sempre se apaixonava mesmo. Nico olhou bem para o mordomo e comentou “interessante ter um mordomo, mordomo sempre é o culpado”. O mordomo respondeu “seria óbvio demais senhor detetive, odeio clichês”.

Nico ia saindo da casa quando a empregada correu atrás dizendo que tinha uma informação a ele. Nico perguntou qual era e ela respondeu que o empresário tinha uma amante chamada Kátia Flávia, ex surfista e ex garota de Ipanema que virava a cabeça do empresário. Nico achou interessante e achou ainda mais interessante o fato da amante ser quatro vezes viúva.

Nico com sua roupa de Dick Tracy pegou sua cadeira de praia e rumou a Ipanema. Sentou na areia e ficou lendo jornal para achar Kátia Flávia e achou a mulher saindo da água.

E ela era como na música de Fausto Fawcett, uma loiraça belzebu provocante. Nico ficou de queixo caído com a beleza da mulher e tremendo voltou a ler o jornal. Kátia Flávia passou por ele e em seu ouvido disse que se queria vigiá-la que pelo menos não botasse o jornal de cabeça para baixo. Nico notou a besteira e levantou dizendo que tinha algumas perguntas para fazer a ela. Kátia perguntou se ele não queria ir à sua casa. Ela tomaria um banho, ficaria seca e contaria tudo que ele queria.

Algumas horas depois estavam nus na cama debaixo de uma coberta Nico com cara de satisfação e Kátia Flávia dizendo que ele podia perguntar. Nico quis saber de seu caso com o empresário morto e as suspeitas que caíam sobre ela. Kátia respondeu que era inocente e não ganhava nada com sua morte, apenas Jaqueline que era beneficiada de um seguro.

O telefone de Nico tocou, ele atendeu e era Rambo informando sobre mais uma morte na mansão.

Nico correu para a casa que já estava cheia de policiais e a empregada levou o detetive até um dos banheiros do local. Ali Nico encontrou Edu morto com a cabeça na privada e coçou o queixo dizendo ter um serial killer naquela casa. O delegado da região mandou que Nico voltasse a cuidar de cachorros porque aquele caso era pra profissionais e o detetive revidou dizendo que encontraria o assassino antes dele.

Saiu do banheiro e encontrou quarto de Vitinho aberto. Foi até a porta e viu o menino compenetrado usando o computador. Perguntou ao adolescente se ele sabia do que ocorrera e Vitinho sem tirar os olhos da tela respondeu que seu tio morrera, assim como o pai. Nico perguntou se aquilo não lhe abalava e olhando para a tela ele respondeu que um dia todos morreriam mesmo.

Nico saiu e foi para a sala intrigado com aquela rápida conversa e comentou com o mordomo que aquele garoto não era normal. O mordomo respondeu que Vitinho era uma caixa preta e guardava muitos mistérios. Nico perguntou o que o mordomo quis dizer com aquilo e o mesmo desconversou e saiu.

Nico tinha várias pontas para ligar. A amante quatro vezes viúva, a esposa beneficiada por um seguro, o filho que guardava segredos. Todos naquela história poderiam ser o assassino e ele investigava o caso com afinco. Comentou com Rambo que o mordomo poderia ser chave para desvendar o mistério e começaram a lhe seguir. Em uma noite viram o homem entrar em uma boate gay e entraram atrás.

De longe viram o mordomo se embebedar e paquerar rapazes e quando já estava bem bêbado Nico disse a Rambo que era hora de se aproximarem e arrancar tudo do mordomo. Nico chegou nele e cumprimentou. O mordomo espantado falou que não sabia que Nico gostava da “fruta” e o detetive respondeu que tinha muitas coisas em segredo ali e que gostaria de saber alguns.

O mordomo respondeu que tinha que ir ao banheiro e depois contaria tudo que Nico quisesse e saiu. Nico pediu um drinque, recebeu várias cantadas e ouviu um grito.

Correu ao local e viu o mordomo caído esfaqueado. Morte instantânea. Nico agachado ao lado do corpo dizia que aquele caso era mais perigoso que imaginava e Rambo chegou correndo perguntando o que aconteceu. Nico respondeu que tinham mais uma morte pra investigar. O detetive voltou à mansão e contou à empregada o que ocorrera. A mulher se chocou e Nico pediu para revistar o quarto do mordomo recebendo a permissão.

Revistou o quarto todo do homem e encontrou um gravador. Colocou pra tocar e enquanto ouvia percebia que ali tinha pistas importantes. Subiu até o escritório de Jece.

Entrou no escritório sem que ninguém notasse e bateu na parede em vários lugares até que encontrou uma passagem secreta. Abriu a passagem e viu ali uma sala repleta de ouro, muito ouro em estátuas, prataria, quadros valiosíssimos, uma fortuna escondida pelo dono da casa e no fundo um cofre.

O cofre estava aberto e dentro tinha pastas com documentos e o que mais interessava a Nico. Dvds e mais dvds, colocou na TV do escritório e a maioria mostrava filmes caseiros gays e um especificamente uma briga em que Jece se envolvera. Nico estava próximo de solucionar o caso.

Jaqueline preparou uma mega festa de aniversário e a casa estava cheia de convidados. Nico e Rambo estavam presentes com o detetive na esperança de ali encerrar o caso. Enquanto todos se divertiam Nico andava pela casa procurando a solução, alguma pista para encontrar o assassino.

Olhava a todos os presentes. Jaqueline Mourão de Souza, Vitinho, Kátia Flávia que estranhamente estava aos risos com a viúva e a empregada que tensa servia os convidados. Nico virou para comentar com Rambo sobre suas suspeitas, mas seu auxiliar já sumira atrás de salgadinho.

Uma banda tocava no jardim músicas da Jovem Guarda e Nico em um canto observava comendo risole e tomando guaraná quando Kátia Flávia passou por ele dizendo que estava lindo e lhe apertou a bunda. Aquela mulher desconcentrava Nico, que no fundo torcia para ela não ser a assassina.

Entrou na casa para ver se descobria alguma coisa e ouviu uma discussão vinda do segundo andar. Antes que tivesse qualquer reação a luz na casa acabou e ouviu um barulho de tiro. Sabia que vinha do segundo andar e subiu correndo. Viu o vulto de uma pessoa toda de preto e mandou a pessoa parar. Ela não obedeceu e subiu para o terraço. Nico foi atrás e dessa forma os dois pararam no lugar que era bem alto.

Nico com medo de altura pediu que a pessoa vestida com roupa ninja e rosto coberto parasse quando ele apontou a arma ao detetive. Nico pediu calma e se atracou com o assassino. Os dois lutaram ferozmente pela arma na beira do terraço até que mais um tiro foi disparado acertando de raspão o braço de Nico. No mesmo momento o assassino se desequilibrou e caiu do terraço.

Nico desceu correndo as escadas enquanto as pessoas se juntavam em volta do assassino, que agonizava. Nico se aproximou do homem, ajoelhou a seu lado e tirou sua máscara tomando um susto.

Era seu auxiliar Rambo e a pessoa morta no segundo andar era Vitinho. Nico perguntou a Rambo “por quê” e Rambo pediu que Nico realizasse seu último desejo. Nico perguntou qual era e Rambo puxou o rosto do detetive lhe dando um beijo na boca e morrendo.Nico levantou cheio de nojo e dizendo as pessoas que não teve culpa, o outro que lhe beijou. Jaqueline perguntou o que acontecia.

Nico respondeu que Vitinho tinha um relacionamento homossexual e o pai descobriu achando vídeos caseiros em que ele transava com um homem com máscara. Vitinho se sentiu ameaçado e junto com o amante matou o pai e todos aqueles que ameaçaram seu segredo. Entre eles o mordomo que gravou um das brigas e nessa gravação falavam da passagem secreta. O amante matou o mordomo na boate gay para proteger Vitinho.

Jaqueline espantada ouvia a tudo e Nico completou que só não imaginava que o amante fosse seu amigo Rambo e contou que Vitinho estava no segundo andar morto.

Jaqueline deu um grito desesperado e correu atrás do filho. Nico pegou um risole e comentou com a empregada que talvez fosse melhor ir embora e cobrar em outro momento o dinheiro pela solução do caso. Andou um pouco e soltou um “ai” dizendo que era melhor passar antes em um hospital.

Alguns dias depois Nico andava com os cachorros pela praia, mas agora era um pouco diferente. Virara uma celebridade e com dificuldades dava autógrafo e tirava fotos com populares quando um carrão encostou ao seu lado.

Ele se aproximou do carro e a pessoa que estava dentro abaixou o vidro. Era Kátia Flávia que perguntou se ele passearia com cachorros ou preferia passear com ela. Nico olhou para aquela mulher linda, para os cachorros e soltou os animais mandando que eles corressem para a liberdade. Entrou no carro e Kátia deu a partida com o carro sumindo pelas ruas de Copacabana.

Seu nome é Carioca. Nico Carioca.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

sábado, 11 de abril de 2015

AMOR: CAPÍTULO VIII - A EXPLOSÃO DO AMOR




Depois de muito nos abraçarmos e beijarmos deitamos na areia e ficamos olhando o céu. Eu estava em puro êxtase vivendo tudo aquilo que sonhava e olhando para o lado percebi que Camila também sorria, estava muito feliz.

Ainda olhando as estrelas perguntei a ela o que talvez vocês também estejam curiosos para saber. Perguntei o que ocorrera.

Camila suspirou e contou que não conseguira dormir naquela noite pensando no que eu tinha dito. Dessa forma se arrumou para ir a igreja.

Camila era preparada pela mãe e algumas tias de forma séria. Dona Suely elogiava e falava que nunca vira uma noiva tão linda. Uma tia comentou “pelo que vocês gastaram tinha que ficar mesmo”. Camila permanecia séria e Bia só observava.

As senhoras saíram um pouco da sala e Camila e Bia ficaram sozinhas. Bia olhou bem Camila e perguntou “Você vai casar ou vai a um enterro?”.

Camila não entendeu a pergunta e Bia continuou “Você vai casar hoje, devia ser o dia mais importante da sua vida e ta com uma cara de quem vai para uma obrigação”.

A noiva abaixou os olhos contando “O Antonio me procurou ontem e..” sendo interrompida por Bia que comemorou “Finalmente ele se declarou”.

Camila perguntou se ela sabia e Bia respondeu “Só você não sabia boba, todo mundo sabe, esse homem é louco por você, olhe tudo que ele já fez por você”.

Camila comentou que não sabia o que pensar. Bia pegou suas mãos e disse “Nunca é tarde para ser feliz. Um casamento se desfaz até no altar”. Camila perguntou o que a amiga sugeria e ela respondeu “a felicidade sempre”.

Dessa forma Camila foi para a igreja. Osmar pegou a filha pelo braço do lado de fora do carro, na frente da entrada e perguntou se estava tudo bem, comentando que ela estava quieta. Camila respondeu que sim e Osmar brincou “vamos que seu noivo está esperando”.

Osmar e Camila entraram na igreja com todos os presentes se levantando. Começaram a caminhar e ouvindo a música Camila comentou “poderia ser Raspberries”. Osmar não entendeu e Camila explicou “Raspberries, eu gosto de Raspberries, a música poderia ser Don`t want to say goodbye”.

Isso tudo enquanto caminhavam em direção a Guga. Osmar sorrindo comentou baixinho “nunca imaginei que você conhecesse Raspberries” e Camila respondeu “Antonio que me apresentou”, antes que falasse para si mesma “Antonio..”.

Osmar entregou Camila para Guga e os dois se viraram ao padre que começou todo aquele falatório. Na hora do sim Camila foi perguntada e antes de responder ao padre perguntou a Guga “Você conhece Raspberries?”.

Guga não entendeu, disse que aquela não era hora para aquele tipo de pergunta, mas Camila insistiu. Guga respondeu que não sabia do que ela falava e a moça emendou “uma banda antiga de músicas românticas”.

Guga respondeu “Você sabe que não curto músicas românticas. Por favor, responda ao padre”. O padre refez a pergunta, Camila olhou para Guga e pediu desculpas.

O noivo nada entendeu. Camila virou-se para o padre e respondeu “não”. Um grande alvoroço tomou conta da igreja. Suely desmaiou e mais uma vez Camila pediu desculpas a Guga saindo da igreja.

Enquanto saía Bia gritou “Arpoador, ele fica no Arpoador!!” se referindo a mim.

Dessa forma paramos naquela areia.

Começamos a gargalhar e comentei que ela estava louca. Camila se virou para mim dizendo que louca estava de não ter percebido o quanto eu lhe amava e nos beijamos. Interrompi o beijo para dizer que estava com pena.

Camila perguntou de quem e respondi. De Guga.

Ela também lamentou a forma em que tudo se realizou e disse esperar que ele lhe perdoasse um dia. Eu queria também esse perdão. Apesar dos pesares Guga era um cara importante em minha história, meu amigo de infância e não queria que tudo terminasse daquela forma.

Olhamos mais um pouco as estrelas e Camila comentou que só faltava champanhe para celebrar aquele momento. Perguntei brincando porque ela não trouxera da festa e ela rindo respondeu que não dera tempo.    

Levantei e disse que daria um jeito.

Fui até um quiosque próximo e por sorte lá vendia sidra. Comprei, consegui duas taças e voltei para a areia.

Camila se surpreendeu com minha volta. Brinquei que nada era perfeito, só tinha sidra e meu amor respondeu “com você tudo é perfeito”.

Eu vivia um sonho. Estourei a sidra, enchi as taças e nos beijamos antes de beber. Depois joguei sidra nela e em mim. Nós dois molhados de sidra nos jogamos na areia e continuamos a nos beijar.

Abençoados por aquela praia maravilhosa e a Lua mais linda que já tinha visto.     

Vimos o nascer do Sol e fomos embora. Viemos para minha casa. Minha mãe dormia e entramos em meu quarto. Como ela estava vestida de noiva peguei em meus braços.

Ficamos em silêncio. Tensos e ansiosos. Eu conseguia sentir sua respiração pesada e a minha não era diferente. Fui até o aparelho de som e coloquei música. Raspberries. Don´t want to say goodbye.

Nossa música tocava e me aproximei de Camila. Peguei sua mão que se encontrava gelada. Acariciei seu rosto e lhe beijei. Um beijo de amor, um beijo que provocava ansiedade. Depois tirei seu véu e comecei a desabotoar seu vestido. Camila apenas me olhava lhe despir respirando fundo.   

Fizemos amor ouvindo a nossa música. Fizemos amor como se fizéssemos música.

Não era a primeira vez que eu transava, mas era a primeira que eu fazia amor. Primeira vez que fazia amor e com a mulher da minha vida. Era diferente, era especial e foi assim todas as vezes que toquei o corpo de Camila. Tivemos uma simbiose imediata assim que nos conhecemos nos entendendo em tudo e na cama não foi diferente. Meu corpo se alimentava do dela, o dela se encaixava com o meu.  

Aquelas horas foram as mais felizes da minha vida.

Depois do amor estávamos deitados ouvindo música e eu me sentia nas estrelas quando de repente me senti puxado por Camila perguntando se eu me casaria com ela.

Tomei um susto e perguntei “o quê?”. Camila rindo perguntou se eu já estava tirando o corpo fora e eu gargalhando respondi que não, só não esperava a pergunta.

Camila fingindo indignação disse “Eu não vou pra cama com qualquer um, acabei de deixar um noivo no altar por sua causa. Espero que me assuma”. Eu rindo respondia “ta bem, ta bem”, ela perguntou novamente se eu iria casar com ela e continuei rindo.

Camila perguntou “Lembra do que me respondeu quando perguntei se lhe amava?”. Respondi “pra sempre” e ela perguntou “E então?”. Respondi “Caso com você agora se quiser” e nos beijamos.

Saímos do quarto abraçados, gargalhando quando encontramos minha mãe sentada tomando café. Dona Hellen nada entendeu e sorrindo perguntou “Mas como?”. Camila cumprimentou minha mãe e eu respondi “A história é longa mãe, depois explico, mas agora to varado de fome”.

Sentamos, tomamos café e rimos muito. Uma alegria que há muito tempo aquela casa não conhecia.

Mas tínhamos que voltar a realidade.

Levei Camila até em casa e nos despedimos com um beijo. Camila perguntou de novo “me ama?” respondi “pra sempre” e ela se encaminhou para entrar.

Ao tentar abrir a porta sua mãe abriu antes. Com cara muito séria Suely mandou “entra”. Camila entrou e antes que eu cumprimentasse a senhora bateu a porta violentamente.

Mas nem liguei. Fui embora como Pelé, socando o ar, na hora do gol.

Eu tinha marcado um golaço.

Enquanto Suely e Camila quebravam o pau em casa com a mulher perguntando o que ela fez, minha participação na história e alegando que eu não tinha onde cair morto eu procurei por Guga em todos os lugares tentando tirar a situação a limpo.

Rodei a cidade inteira e não consegui lhe encontrar.

Encontrei Bia, Nando e Samuel em um shopping e fomos lanchar na praça de alimentação. Meus amigos curiosos perguntavam tudo, o que ocorrera e eu respondi. Bia comentou a conversa que teve com Camila antes da igreja e brincou “terão que me chamar para madrinha”. Comentei que procurara por Guga sem encontrar e Samuel respondeu que ele viajara. Tinha aproveitado as passagens de lua de mel.

Sorri, comentei “lua de mel que não aconteceu” e meu telefone tocou. Olhei o número e sorri de novo comentando “Camila”. 

Começamos assim nosso romance, nossa história. Mesmo sua família sendo contra. Camila sempre arrumava desculpas para que eu não fosse a sua casa e eu fingia acreditar mesmo sabendo que o motivo era sua família não aceitar.

Na verdade nem era a família, era Suely. Osmar era um grande empresário, um cara vitorioso, mas totalmente dominado pela mulher fazendo tudo o que ela determinava.

Também tinha o “fantasma Guga”. Esperei até que ele voltasse e ele voltou um mês depois do ocorrido.

Fui até a faculdade encontrá-lo. Esperei ansiosamente que saísse até que o vi saindo com uns amigos. Fui até seu encontro e disse que precisava conversar com ele.

Sem dar tempo de respirar Guga respondeu “fale com minha mão” me dando um soco no rosto. Levantei do chão, passei a mão em meu rosto e calmamente respondi “tudo bem, você tinha direito a esse soco, vamos conversar agora”.

Guga me deu outro soco. Caí novamente no chão, me levantei brabo e disse “Porra!! Dois não!!”. 

Dei um soco nele e começamos a brigar.

Rapidamente a faculdade toda foi ver o que acontecia se dividindo entre a turma do deixa disso e a que queria ver sangue. Os seguranças da faculdade também chegaram e conseguiram nos apartar.

A coisa foi tão feia que paramos hospital. Fui atendido e ao sair dei de cara com Camila que com cara braba perguntou “Virou moleque agora pra ficar brigando?”. Antes que eu respondesse Guga também saiu do atendimento.

O rapaz olhou para nós dois com fúria e disse “Nunca mais! Nunca mais eu quero que um dos dois dirija a palavra pra mim!” indo embora logo depois.

Eu e Camila ficamos em silêncio que foi quebrado por meu comentário “Viu o rosto dele? Ficou pior que o meu”.

Não queria aquilo. Como eu disse o Guga tinha importância fundamental em minha vida. Eu, ele, Samuel e Jessé éramos os mosqueteiros e achávamos que nada, nem ninguém um dia nos separaria.

Já perdera Jessé e agora perdia Guga.

Nosso romance continuou e éramos cada vez mais colados. Camila continuava sua faculdade e eu trabalhando como Dj, mas já pensando em dar vôos maiores. Pensava em voltar para a faculdade, ter uma profissão e assim casar com Camila.

Camila me incentivava nesse projeto de voltar aos estudos e eu nos seus. Fazíamos seus trabalhos juntos, eu aprendia e ensinava suas disciplinas junto com ela, lhe dando força. Éramos amigos, éramos companheiros, éramos namorados, éramos amantes.

Éramos tudo.

Um dia esperava por Camila na frente da faculdade torcendo para não dar de cara com Guga quando ela saiu. Camila não sorriu como sempre fazia ao me ver. Cara séria, semblante fechado, logo percebi e perguntei qual era o problema.

Camila, muito séria, pediu que fossemos até a praia que tinha uma coisa para me contar.

Fomos até o Arpoador. Sentamos nas pedras olhando o mar e perguntei a Camila o que ocorria. Sem me olhar ela me respondeu.

Estou grávida.      

Fiquei surpreso com a notícia e apenas soltei “como?”. Camila se irritou e retrucou “segunda vez que você me faz uma pergunta dessas e dessa vez você devia saber bem como”.

Eu ri, pedi desculpas e disse que evidente que sabia como tinha ocorrido. Camila abaixou a cabeça e retrucou “segunda vez, como eu fui deixar isso ocorrer?”.

Enquanto eu suspirava olhando o mar e sussurrava “filho, um filho..” Camila contava que daria um jeito, daquela vez tinha certeza que era de um mês, no máximo dois e dava para tirar.

Levantei, olhei para ela e disse “Tirar? Nós vamos casar!!”.

Camila também se levantou surpresa com minha declaração e continuei. “Eu te amo, você me ama, vamos nos casar. Teremos algumas dificuldades no começo, mas dará certo”. Camila retrucou que seus pais nunca aceitariam e perguntei se o motivo era porque eu era pobre.

Camila desconversou e emendei “estamos no século XXI, isso é coisa do século passado, vamos para sua casa conversar com seus pais”.  

Camila se desesperou e implorou para que eu não fizesse isso. Mas olhei bem firme em seus olhos e disse “confie em mim”.

Fomos até sua casa e seus pais se encontravam no local. Suely perguntou se algo ocorria e eu disse que precisava falar com eles.

Suely mandou que a empregada nos servisse café e enquanto eu reconhecia a moça que morava na rua ao lado da minha e lhe cumprimentava Suely, sem enrolações, perguntou o que eu queria.

Também fui direto e disse que Camila estava grávida e eu queria casar com ela.

Osmar colocou as mãos na cabeça e Suely mantendo a pose perguntou baixinho “de novo minha filha?”. Enquanto Camila se desculpava com mãe eu afirmei “A diferença é que dessa vez ela está de um homem de verdade. Eu amo sua filha e estou aqui para assumir tudo”.

O clima ficou pesado na sala. Osmar nada falava enquanto Suely ainda com a mesma pose pegou xícara, bebeu um pouco de café e disse “está bem, vocês casam”.

Todos se surpreenderam, até Osmar que levantou a cabeça e olhou para a mulher. Suely completou “está certo, se vocês se amam tem a nossa benção”. Nos levantamos e irradiando alegria Camila me abraçou enquanto Suely continuava bebendo café.

Fui embora. Camila agradeceu aos pais pelo apoio e subiu as escadas. Osmar olhou a esposa e disse “conheço você, está planejando algo”. Suely sem olhar o marido começou a subir as escadas respondendo “vamos dormir que o dia foi cansativo”. 

Os dias seguintes foram de extrema alegria. Camila e eu comprávamos o enxoval da criança e começávamos a planejar o casamento. Eu comecei a frequentar a casa de Camila e me sentia à vontade. Osmar me tratava bem, enquanto Suely mantinha distância mesmo não me maltratando.

Um dia estava em casa com minha mãe quando recebemos visita de Bia. Conversávamos e ela perguntou por Camila.

Respondi que tinha ido com a mãe fazer exames de rotina e eu não acompanhara por ser longe e não estar com muito dinheiro. Bia perguntou onde era e só respondi que era em Botafogo.

Naquele momento meu celular tocou e era Camila. Conversei um pouco com minha noiva que contou que estava chegando na clínica. Desconfiada como ela só Bia pediu para saber o endereço da clínica. Não entendi o motivo da pergunta de minha amiga e repassei a pergunta para Camila. Conversamos mais um pouco e desliguei.

Depois que desliguei Bia me perguntou o endereço e respondi. Bia deu um salto da cadeira e gritou “sabia, eu não confio nessa mãe da Camila! Esse endereço é de clínica de aborto!!”.

Nada entendi e Bia gritando me mandou ligar novamente para Camila. Liguei e o celular deu fora de área. Liguei para Suely e seu celular também estava. Bia me pegou pelo braço e mandou que nos apressássemos que estava de carro.

Saímos eu, Bia e minha mãe. Do carro ligava para as duas e nada. Consegui falar com Osmar que estava no trabalho e contei toda a situação. O homem não sabia de nada e também correu para a tal clínica.

Eu pedia para Bia acelerar o carro e me desesperava com a situação. Me lembrei de “Anos dourados” quando os personagens de Felipe Camargo e Malu Mader passavam por algo parecido e não acreditava que aquilo pudesse ocorrer em pleno século XXI.

Desci do carro correndo com Bia ainda parando o veículo chegando ao mesmo tempo de Osmar. Invadi a clínica gritando por Camila. A atendente tentou me segurar, mas não conseguiu, invadi uma sala.

Camila estava lá deitada e anestesiada com o médico pronto pra lhe tocar e Suely observando.

Ao me ver o médico saiu correndo. Gritei que Suely era louca fazendo aquilo com a própria filha e a mulher retrucou enquanto Osmar chegava.

“Louco é você que pensa que pode chegar, engravidar minha filha e achar que pode ficar com ela. Você é um merdinha, um pobre coitado que não tem onde cair morto! Filho de uma caixa de supermercado! Um vagabundo que não tem profissão nem estudo! Se ama minha filha como diz deixe a em paz e vai embora!”.

Minha mãe chegou no fim das palavras de Suely e gritou “meu filho é educado, não pode te bater! Mas eu posso te encher de porrada!!”.

Enquanto minha mãe batia em Suely com Omar e Bia tentando apartar eu levantava Camila da cama que desnorteada perguntava o que ocorria. Levei Camila até o carro de Bia que chegou logo depois abrindo o veículo.

Osmar surgiu dizendo que poderia nos levar e minha mãe retrucou “cuide da louca da sua mulher que é melhor”.

Osmar nos observava ir embora quando Suely saiu da clínica. Toda arrebentada, suja, juntando os trapos que restaram da roupa Suely não perdeu a pose e ordenou ao marido “vamos embora”.

Levei Camila até minha cama e lhe pus pra dormir. Sentei na mesa para tomar leite quando minha mãe surgiu e abriu a geladeira. Me levantei, dei um beijo em sua cabeça dizendo “te amo” e fui me deitar.

Dona Hellen era mais macho que muitos homens.

Camila rompeu com a família e ficou morando em nossa casa. Decidimos apressar o casamento, fazer antes que a barriga aparecesse e assim foi feito.

  que decidimos inovar. O casamento foi ao céu aberto. Na praia.

Todos os nossos amigos foram, evidente sem as presenças de Guga, Suely e Osmar. Até meu pai foi. Eu estava nervoso no altar improvisado com Samuel tentando me acalmar. Eu apenas respondi ao meu amigo “a noiva já tem histórico de fugir de casamento”.

Até que ela chegou. Linda, acompanhada de minha mãe em um táxi.

É, era estranho ver uma noiva chegar de táxi. Mas Camila já provara que não era uma noiva comum. Mas amigos, nunca vi a mulher que eu amava tão linda.

Minha mãe levou Camila pela areia até chegar num tapete vermelho colocado nela quando uma mão tocou em seu ombro perguntando se podia conduzi-la. Ao olhar quem era Camila abriu um sorriso. Era o pai.

Camila deu a mão a Osmar enquanto dona Hellen sorria e se encaminhava ao altar. Os dois se aprontaram e começaram a andar pelo tapete. Um homem ao lado do altar começou a cantar conduzindo assim a ida dos dois até mim. Ele cantava a  capella “Don`t want to say goodbye”.

Osmar sorriu e comentou baixinho “raspberries” com Camila respondendo “agora está certo”.

Camila se aproximava de mim e a cada passo dado era meu sonho que ganhava contornos de realidade. Tanto tempo que sonhei com aquele momento. Desde o atropelamento, ela me ensinando a dançar, eu cuidando dela grávida de outro, na minha andança pela América. Eu nunca consegui me afastar de Camila que sempre esteve dentro de mim, em meu coração e agora estávamos juntos pra valer. Pra sempre. 

Osmar me entregou Camila que sorriu pra mim e perguntou brincando “conhece raspberries né?” respondi “eu amo” e ela  virando para o padre e piscando pra mim completou “acho bom”.

Ouvimos os dizeres do padre e no fim, na hora do sim Camila em vez de responder me perguntou “me ama?”. Respondi “pra sempre” e pulamos as formalidades nos beijando e sendo aplaudidos por todos.   

A festa foi ali mesmo na praia. Samuel foi o Dj tocando todos os grandes sucessos e em determinado momento mandou que todos se afastassem que era a hora da dança do casal.

A luz focou em cima da gente e Samuel começou a tocar “El dia que me queiras” na voz de Luis Miguel. A música do concurso.

Começamos a dançar. Finalmente, abraçado a mulher que eu tanto amava eu podia comemorar a vitória naquele concurso. Poderia comemorar a vitória na minha vida.

Depois de um tempo todos dançavam animados quando Bia  perguntou a pessoas próximas. “Cadê os noivos?”.

Nós dois já estávamos longe dali. Descalços de mãos dadas correndo na beira da água. Pulando alegres e correndo jogando água e areia pro alto com os pés. De terno, vestido de noiva, descalços e felizes.

Pegamos um ônibus e os passageiros começaram a nos aplaudir. Duas pessoas deram lugar e nos sentamos. Ao sentar nos beijamos aumentando ainda mais os aplausos das pessoas.

Assim começava a nossa vida de casados. Com a intensidade que ela merecia.

E com o perdão da má palavra.

Eu estava feliz pra caralho.   


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