sábado, 31 de outubro de 2015

DINASTIA: CAPÍTULO VII - REENCONTROS E NOVOS ENCONTROS




Rita levou Salvatore até a casa que moravam. Contou que os irmãos partiram pelo mundo e só ela restou na casa com os pais. Salvatore perguntou como estavam seus pais e Rita respondeu que bem. O pai abrira uma mercearia na cidade.

Rita entrou em casa com Antonieta reclamando da demora da filha. Rita mandou que a mãe parasse e reparasse quem estava com ela. Antonieta que segurava um prato que enxaguava ao ver o filho deixou cair o prato no chão despedaçando o mesmo e gritou seu nome.

Abraçou o filho às lágrimas repetindo que Deus existia e não tinha esquecido dela. Benito desceu a escada perguntado o que ocorria e ao ver Salvatore ficou sem voz.

Salvatore aproximou-se do pai, pegou sua mão e disse “a bênção papa”. Benito ficou um tempo olhando o filho, com lágrimas nos olhos e respondeu “Deus lhe abençoe meu filho”. Salvatore naquele instante deu um abraço forte no pai, emocionado, um abraço de muita saudade.

Salvatore durante meses, depois que chegou da Itália, procurou pela família em vão, saindo todos os dias pelas ruas de São Paulo, até na estação de trem procurou.

Sonhava em Ribeirão Preto encontrar, sempre que olhava pessoas mais velhas no cafezal sonhava ser seus pais e por ironia do destino, no momento que mais precisava surgiram.

Sentaram no sofá da casa confortável no Brás e Benito contou a epopeia da família depois da chegada. O quanto lhe procuraram e que a família foi trabalhar em Campinas, conseguiu juntar um bom dinheiro e voltou a capital para continuar o tipo de trabalho que fazia em Nápoles, seus irmão preferiram continuar em Campinas.

Salvatore contou sua vida no Brasil, todos os dramas e Antonieta lamentou que o filho sofrera tanto. Salvatore comentou que sua esposa estava no hospital e ainda teria que voltar ao local para enterrá-la.

Benito colocou a mão no ombro do filho e disse para irem ao hospital e que ele não estava mais sozinho.

No enterro Salvatore viu o caixão descendo com o corpo da amada e ainda teve que enterrar seu filho em um pequeno caixão. O homem deixava cair umas lágrimas, sentia o peito apertado e pedia a Deus para que nunca mais se apaixonasse. No fim Benito chamou o filho para morar com eles.

Salvatore agradeceu, mas disse que continuaria na pensão, apesar do pai alegar que aquilo só traria sofrimento o rapaz respondeu que era uma forma de estar perto de Lorena.

Benito aceitou, mas convidou o filho a trabalhar com ele na mercearia como nos velhos tempos, na mercearia que seria dele um dia.

Salvatore pensou por um tempo e respondeu “negócio fechado”. Dessa forma o italiano largou a indústria, a taverna e voltou ao passado com seu pai.

Tentou seguir sua vida. Saía com Mathias, Olga e Rita para se divertirem, fazer coisas de jovens, mas sentia falta de Lorena, a saudade doía.

Trabalhando com o pai conseguiu ampliar a mercearia. De transformações em transformações quando foram ver tinham um pequeno restaurante e se não dava pra fazer fortuna pelo menos os Granata já tinham uma vida confortável. Às vezes recebiam cartas dos outros filhos contando como estava a vida em Campinas. Alguns já possuíam pedaços de terra.

Salvatore só trabalhava, sua vida era isso, não pensava em amores e construir família. Isso preocupava Benito que queria ver o filho construir sua família. O homem já estava velho e sonhava carregar um neto no colo.

Mas quem decidiu construir família foi Rita. A moça se encantou com Alberto, irmão de Mathias e o moço foi aos Granata pedir a mão da filha em casamento.

Tenso Alberto foi até a casa com Mathias e fez o pedido. Benito olhou sério para o rapaz e perguntou a Salvatore o que ele pensava. O rapaz olhou Alberto com a mesma seriedade e respondeu não saber se deveria, pois, o rapaz não era italiano.

Rita se indignou e Alberto gaguejando respondeu que se fosse o caso se naturalizava, mudava sua nacionalidade. Benito olhou para Salvatore e os dois começaram a rir. Benito disse a Alberto que era uma brincadeira e que o rapaz era bem vindo à família.

Benito abraçou Alberto que logo depois deu um beijo na testa de Rita e Salvatore foi buscar o vinho. O rapaz abriu a garrafa enquanto Antonieta distribuía as taças.

Alberto prometeu fazer Rita feliz e Benito respondeu que esperava mesmo, pois, se não fizesse castraria o rapaz. Alberto se assustou e gargalhando Benito disse “estou brincando ragazzo..ou não”. Ao fim Salvatore pediu a palavra e brindou aos noivos gritando “Viva a Itália!!”.

Todos gritaram viva e beberam. Terminaram aquela noite festiva cantando “Mérica, mérica, mérica”.

De madrugada Rita desceu para beber água e encontrou Salvatore sentado no sofá da família. Foi até seu encontro e lhe deu um abraço por trás e um beijo no pescoço. Salvatore fez carinho na irmã que lhe perguntou no que pensava.

Salvatore respondeu que em nada, sempre tivera dificuldades para dormir. Rita respondeu que isso era verdade, mas sentia o irmão triste.

O italiano mandou que a irmã não se preocupasse e Rita sentou ao seu lado dizendo que se preocupava sim, era seu irmão e lhe amava. Salvatore agradeceu e a irmã completou que o irmão era jovem ainda e estava na hora de ser feliz.

Perguntou por fim se o irmão queria um copo de leite e Salvatore respondeu que sim. Antes que entrasse na cozinha Rita mandou que o irmão sempre se lembrasse daquilo que dissera, que estava na hora dele ser feliz.

A irmã se afastou e Salvatore ficou pensando no assunto.

Chegou o dia do casamento e Mathias e Salvatore ajudavam Alberto a se arrumar. O noivo nervoso contou que sonhara que a noiva não aparecia no altar. Salvatore riu e mandou que ele se despreocupasse com isso e se preocupasse realmente com o que viria depois, a vida de casado.

Mathias completou afirmando que acabaria a vida de farras, bebedeiras e noites acordado e que teria que viver para a esposa. Alberto negou que fizesse essas coisas e Salvatore riu e contou que o bafo dele naquela manhã lhe denunciava.

Alberto contou que só bebera um pouco na noite anterior e Mathias mandou que o irmão parasse de mentir já que também estava na despedida de solteiro. Salvatore mandou que o cunhado escovasse os dentes e Alberto jurou que fez nada de errado, não desrespeitou sua irmã.

Salvatore respondeu que ele não devia se preocupar e a partir daquela data sim deveria respeitar Rita. Mathias levou Alberto ao banheiro para escovar os dentes e por alguns segundos Salvatore parou e lembrou-se de seu casamento com Lorena.

Lembrou de sua vida com Lorena, os poucos momentos com Morgana, a adolescência com Dora. Perguntou-se como Dora estava imaginando que ela já fosse mãe, tivesse filhos, pensou “linda como era nunca que deixariam ficar solteira”.

Alberto e Mathias voltaram do banheiro e Alberto mandou que Salvatore se levantasse a partissem logo, pois, estavam atrasados.

Salvatore riu alegando que a irmã se atrasaria muito mais, mas não quis contrariar o cunhado e assim partiram.

Chegaram na igreja. Mathias era padrinho de Alberto e Salvatore de Rita. Com todos no altar Salvatore mandou que o cunhado se acalmasse e parasse de andar de um lado para outro. Alberto respondeu que não estava e Salvatore riu que o cunhado estava “suando como um porco”. 

Rita entrou na igreja ao som da marcha nupcial, linda como nunca. Benito entregou a filha ao rapaz e assim a cerimônia prosseguiu.

Salvatore observava ao lado da mãe a cerimônia continuar e Antonieta virou-se para o filho e em seu ouvido contou que seria um dia especial, de muitas surpresas. O rapaz não entendeu e perguntou para a mãe o que ela queria dizer com isso. Antonieta mandou que o filho se calasse para não atrapalhar o casamento.

A cerimônia aconteceu e foram para a festa. Uma festa linda tipicamente italiana com sua dança, comida, a Itália estava presente naquela noite. O único que parecia não se divertir era Salvatore.

Sentado em um canto e observando a Lua o italiano bebia um copo de vinho quando a irmã se aproximou. Rita lhe abraçou e perguntou se ele lembrava do que ela dissera um tempo atrás.

Salvatore respondeu que sim, que Rita lhe disse que era hora de ser feliz. Rita contou que era isso mesmo e que a hora chegara.

Salvatore sorriu e disse a irmã que ela estava certa porque estava muito feliz por seu casamento e sua felicidade. Rita sorriu e respondeu que ele estava certo, mas não era essa felicidade que dizia. Chegara a hora dele construir sua família.

Salvatore contou que não sabia como. Rita deu um beijo em seu rosto e se afastou em silêncio. Salvatore bebeu mais um pouco de vinho e ouviu uma voz feminina lhe dizer “pelo jeito continua gostando da Lua”.

O rapaz conhecia aquela voz e deixou o copo cair no chão, virou-se e lá estava ela. Linda com um vestido azul, sorriso nos lábios, mais velha, mas linda como sempre.

Era Dora.

Salvatore olhou paralisado para Dora e a moça perguntou se depois de tanto tempo não merecia um abraço. O rapaz saiu do transe, levantou e abraçou a antiga namorada. Um longo e silencioso abraço.

Benito, Antonieta e Rita se aproximaram. Salvatore desorientado perguntou o que acontecia e Benito respondeu que nunca se separara da vida em Nápoles, desde que chegou ao Brasil manteve contato com as pessoas do lugar através de cartas.

Antonieta continuou dizendo que todos lá sabiam do passo a passo, do sumiço dele e do reencontro anos depois. Que o rapaz ficara viúvo e trabalhava com o pai.

Dora completou que nunca esquecera Salvatore, não conseguiu amar mais ninguém e um dia teve coragem, arrumou suas coisas e com a ajuda dos Granata conseguiu viajar ao Brasil chegando naquele dia.

Salvatore ouviu aquilo tudo em silêncio e no fim Dora implorou para que ele dissesse algo. O rapaz respondeu que estava muito feliz em vê-la, mas que ela não devia ter feito aquilo. Salvatore disse isso e se afastou.

Antonieta pediu que Dora se acalmasse que com o tempo tudo daria certo. Dora respondeu que não, já esperara tempo demais e foi atrás do rapaz.

Dora puxou Salvatore e perguntou o porque daquela reação. O rapaz pediu desculpas, mas não podia ter nada com ela porque era amaldiçoado no amor, não nascera para ele.

Dora irritada respondeu que não viajara tanto tempo pelo oceano para ouvir aquele tipo de resposta, puxou Salvatore e lhe beijou.

Salvatore não conseguiu resistir e retribuiu o beijo. No fim falou que ela era louca e nem podia casar com ela, pois, já se casara na igreja e ela respondeu que não se importava, não queria casamento, queria a ele.

Beijaram-se novamente sob aplausos de todos os presentes.

Salvatore resolveu se dar uma nova chance de ser feliz no amor e por ironia do destino com aquela que tudo começou, seu primeiro amor. Aquela que despertou seu coração. Sem esquecer Morgana e Lorena Salvatore resolveu enterrar seus fantasmas.

Comprou uma pequena casa no Brás, perto da casa dos pais e ali construiu seu lar com Dora. Benito já estava velho então Salvatore tomou frente do restaurante.

Dora engravidou e todos os fantasmas voltaram a atormentar Salvatore. Em vez de feliz o homem ficou preocupado e assim foi até o dia que trabalhava e Mathias entrou correndo pra dizer que a mulher estava em trabalho de parto.

Todos os fantasmas vieram à tona, ainda mais que Dora ainda estava de oito meses.

Chegando ao hospital encontraram Olga que pediu para que o homem se acalmasse porque o parto estava difícil, o bebê estava atravessado. Salvatore não entendeu e perguntava como assim atravessado quando Olga voltou para dentro.

O italiano se desesperou lembrando de anos antes ali esperando Lorena dar a luz. Pedia a Deus que a tragédia não se repetisse, não iria suportar perder mais uma mulher quando começou a ouvir um choro, choro de bebê.

Olga voltou à sala sorrindo e dando parabéns ao papai.

Os olhos de Salvatore brilharam e o homem perguntou “nasceu? Está tudo bem?”. Olga respondeu que sim, que era um menino.

Salvatore deu um grito de felicidade, abraçou a Mathias e a mulher mandou que ele fosse lá ver a esposa e o filho. Salvatore foi correndo e entrando no quarto viu Dora deitada com o pequeno menino nos braços.

Salvatore com lágrimas nos olhos se aproximou, deu um beijo na testa de Dora e disse “meu amore”, olhou o bebê e completou “meu bambino”. Dora mandou que o marido pegasse o filho nos braços.

Salvatore pegou o bebê, levantou ao céu e disse “bem vindo ao Brasil Giuseppe Granata!!”.

Foram pra casa e assim a família foi sendo construída. Salvatore e Dora tiveram mais dois filhos. Oscar e Giuliana.

Essa última estava no colo do patriarca, de Benito Granata, quando este faleceu. Estava quietinha, dormia no colo do avô que naquele instante já repousava ao lado de Deus.

No enterro estavam todos Alberto, Rita que amparava a mãe, Mathias, Olga, Luzia a dona da pensão, Oscar, Giuliana no colo de Dora, Giuseppe e Salvatore.

Salvatore via o caixão do pai descer e agradecia ao homem por tudo que lhe ensinou, todo o carinho dado e prometia honrar e perpetuar seu nome.

Giuseppe vendo o pai emocionado pegou a sua mão e disse “Pode deixar que agora tomo conta de você papa”.

Salvatore sorriu e agradeceu beijando a testa do menino.

No fim todos partiram do cemitério. Salvatore partiu de mãos dadas com Giuseppe.

A saga da família Granata apenas começava.

*Capítulo de hoje dedicado a minha querida sogra descendente de italianos e primeira leitora do livro Ana Oliete. Grazie dona Ana.


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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SOBE O SOM: IVETE SANGALO




Ivete Maria Dias de Sangalo Cady (Juazeiro, 27 de maio de 1972) é uma cantora, compositora, instrumentista, atriz, apresentadora, dubladora, produtora, empresária e escritora brasileira

Alcançou sucesso ainda como vocalista da Banda Eva, vendendo mais de 4 milhões de discos, e chegando a fazer cerca trinta shows por mês. Em sua carreira solo, já vendeu mais de 15 milhões de cópias, totalizando cerca de 20 milhões de cópias em toda sua carreira (contando com o período da Banda Eva), se transformando em uma das maiores artistas com vendagem de discos no Brasil

Ivete é mais frequentemente reconhecida pela sua poderosa voz, carisma e notáveis performances durante os seus shows.


Então vamos lá!!

Sobe o som Ivete Sangalo!!


Se eu não te amasse tanto assim

Não precisa mudar - Com Saulo Fernandes

Quando a chuva passar

Completo

Amor que não sai

Eu nunca amei ninguém como eu te amei

Beleza rara

A Lua que eu te dei

Arerê

Vem meu amor

Eva

Flor do reggae

Tempo de alegria


Alô paixão 



Sorte Grande

Agora eu já sei

Só num sonho

Coleção

Acelera aê

Sá Marina


Bem. Aí está um pouco da obra de uma das maiores artistas do Brasil. De uma diva nossa. Semana que vem vamos homenagear outra diva. Barbra Streissand.


Enquanto isso vamos relembrar um grande momento de nosso país.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CINEBLOG: LÚCIO FLÁVIO, O PASSAGEIRO DA AGONIA




Cineblog hoje fala de um filme que conta a real história de um bandido carioca dos anos 70.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Lúcio Flávio, o passageiro da agonia


Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia é um filme brasileiro dirigido por Hector Babenco em 1976, baseado em livro de José Louzeiro (coautor do roteiro)

 

Sinopse

O filme relata a trajetória do criminoso Lúcio Flávio, famoso bandido da década de 70 que tornou-se nacionalmente conhecido pelos roubos a banco e fugas espetaculares, embora algumas cenas do filme sejam diferentes em relação aos acontecimentos reais.

 

Elenco principal

 

  • Reginaldo Faria .... Lúcio Flávio
  • Ana Maria Magalhães .... Janice
  • Grande Otelo .... Dondinho
  • Ivan Cândido .... Bechara
  • Lady Francisco .... Lígia
  • Milton Gonçalves .... 132
  • Paulo César Peréio .... dr. Moretti
  • Stepan Nercessian .... suicida
  • José Dumont .... prisioneiro

 

Principais prêmios e indicações

Festival de Gramado 1978 (Brasil)
  • Recebeu quatro Kikitos de Ouro nas categorias de Melhor Ator (Reginaldo Faria), Melhor Ator Coadjuvante (Ivan Cândido), Melhor Fotografia e Melhor Edição.
  • Foi indicado na categoria de Melhor Filme.
Mostra Internacional de Cinema São Paulo 1977 (Brasil)
  • Foi escolhido como o Melhor Filme pelo Júri Popular.


Semana que vem Cineblog volta com o clássico dos anos 80 “O clube dos cinco”.


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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CARTA PARA DONA ANA




Bom dia dona Ana, tudo bem?

Acredito que agora sim, não é? Estão cuidando da senhora. Algumas vezes a morte pode ser uma benção. Difícil para nós, simples mortais, entender isso. Somos egoístas e queremos ficar com as pessoas, mesmo sofrendo, ao nosso lado sem perceber que a missão delas acabou e tem que partir.

Sou humano, não sou perfeito e também tenho dificuldades em entender a morte. Outro dia mesmo escrevi sobre o pequeno Ben, neto do meu amigo Alexandre Valle que morreu ainda criança. Minha mãe mesmo teve uma história parecida com a da senhora. Sofreu muito e eu lhe amando não percebi que era hora de deixá-la partir.

Por falar nisso pedi que ela olhasse pela senhora. Conversei muito com ela esses dias e suas histórias se parecem. Mais sofrimento que mereciam. Minha mãe cumpriu sua trajetória aqui e seu falecimento me fez crescer, me desenvolver. Dei muitas topadas, mas fazem parte da vida. A sua também se encerrou e brilhantemente. Criou uma família maravilhosa, filhas adoráveis e talvez seja a hora delas serem as matriarcas. Pegarem de frente “o problema” que é cuidar de uma família.

E a senhora cuidou da sua, cuidou de mim. Eu estava desacostumado com isso e me  tratou como um filho. Já perdera minha mãe há alguns anos e quando cheguei em sua casa me lembrei o que era ser filho. Poucas vezes fui tratado com tanto mimo fora de casa. Fez as comidas que eu gostava, leu meu livro vorazmente, não deu vontade de vir embora.

Acho que nem fui porque uma parte de mim ficou aí.

Essas boas lembranças tenho que agradecer a senhora. Como é bom ter lembranças. Como é bom ter histórias pra contar, conviver com pessoas que te acrescentam mesmo que seja por pouco tempo. Tive tudo isso.

E obrigado por nossa florzinha. A Hellen.

Às vezes acho que faltaram umas palmadas nela (estou brincando), mas a senhora me deu um presente. A Hellen entrou na minha vida para me fazer bem, sentir amado, querido, protegido. Temos gênios fortes e isso de vez em quando traz ruídos na comunicação. Mas ela é linda, maravilhosa, amável, doce, companheira, amada. Uma pessoa que eu amo, entrou em minha vida para ficar. Infinito.

Que bom que a senhora me deu um bem tão precioso e que bom que  pude participar de alguns dos doces momentos entre vocês.

Mas essa carta não é apenas para dizer o quanto a senhora é especial e agradecer. É para dizer que agora é comigo. Se sua filha deixar, não implicar muito comigo (Brincando de novo) cuidarei bem dela. Hellen, Miguel e Dani são minha família agora junto com Gabriel e Bia. Descanse, deixe o serviço comigo agora que farei com maior prazer.

Tenho enxugado as lágrimas da Hellen e dentro do possível ficado ao seu lado a cada suspiro de saudade. Não tive isso quando a minha partiu então sei o quanto é importante. Uma hora o choro dela vai cessar, minha manga não estará mais molhada com suas lágrimas e a vida vai continuar. Mas a senhora sabe que nesse momento o amor por ti não acabará, simplesmente será transformado em saudade.

É o ciclo da vida dona Ana, a senhora sabe bem. Sábado foi a senhora, com o tempo serei eu, a Hellen e a vida têm graça por causa disso. Ela nunca finda, sempre se perpetua enquanto existir amor.

E amor existe muito. Nosso pela senhora e entre nós.

Vai com Deus dona Ana, pegue em sua mão e vá para uma vida mais feliz que vinha tendo aqui. Nós os egoístas, vamos entender isso. Volte para casa e espere por nós aí.

A todos nos toco emigrar alguna vez....todo se regresa.


Grazie...


sábado, 24 de outubro de 2015

SOBE O SOM:OS CAMPEÕES




O “Sobe o som” de hoje é uma homenagem a grandes compositores.

Gente que sofreu, ralou, suou, se inspirou e conseguiu. Gente que venceu o concursos de samba-enredo no grupo especial do Rio de Janeiro. Aqui apresento os campeões nas versões concorrentes. Sei que vários já foram alterados, mas quero homenagear o compositores na essência, no que compuseram. 

Mais pra frente boto as versões finais com os cantores oficiais.
Parabéns a todos e boa sorte na Marquês de Sapucaí.

Então vamos lá!!


Sobe o som Os campeões!!

Edson Marinho, Adilson Chaves, Jorge Xavier, André Feliz, JB e Salviano (Estácio) 



Martinho da Vila, André Diniz, Mart’Nália, Arlindo Cruz e Leonel (Vila Isabel)



Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão (Mangueira) 



Marquinhos do Banjo, Cap. Barreto, Miguel, Roger Linhares, Paulo Guimarães, Dr. Robson, Jamiro Faria e Gugu das Cadongas (União da Ilha)



Rodrigo Índio, Alexandre Araújo, Fabio Rossi, Vinícius Nagem, Amado Osman, Armando Daltro, Rodrigo Telles e Davi Costa (São Clemente)



Jeffinho Rodrigues, Wander Pires, Paulo Ferraz, Marquinho Índio, Jorginho Medeiros, Jonas Marques, Lauro Silva, Léo Pires e Domingos Pressão  (Mocidade)


Márcio das Camisas, Mariano Araújo, Competência, Kaká e Dinho (Grande Rio)



Wanderley Monteiro, Samir Trindade, Elson Ramires, Dimenor, Lopita 77 e Edmar Jr (Portela)




Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge, Moisés Santiago e Aldir Senna (Imperatriz)



Dudu Nobre, Zé Paulo Sierra, Claudio Mattos e Gustavo Clarão (Tijuca)

 

Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga, Getúlio Coelho, Ricardo Fernandes e Francisco Aquino (Salgueiro)



Marcelo Guimarães, Sidney de Pilares, Manolo, Jorginho Moreira, Kirraizinho e Diogo Rosa (Beija-Flor) 



Bem. Aí estão todos o campeões do carnaval 2016. Semana que vem tem mais uma grande campeã do carnaval. Tem Ivete Sangallo.


Enquanto isso vai nossa homenagem aos campeões.



SOBE O SOM ANTERIOR:

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O CARIOQUISMO




Semana passada morreu o produtor musical, cantor, ator, apresentador, homem de inúmeros talentos Luiz Carlos Miele.

Miele morreu como um artista de seu nível deve morrer. Em plena ativa.  Aos 77 anos de idade acabara de lançar sua biografia e estava muito animado com ela dando entrevistas e viajando pelo país. Não foi vencido pelo tempo, não definhou em um hospital. Simplesmente teve um mal súbito e morreu.

O carioqúissimo Miele.

Carioca nascido em São Paulo.

Curioso isso, mas sim, podemos dizer que Miele foi um dos maiores cariocas de nosso tempo sem ter nascido aqui. Mas ele é a personificação da frase “ser carioca é um estado de espírito”. Miele era bem humorado, gozador, charmoso, talentoso e tinha muitas histórias para contar.

Não viveu a fase de ouro do Rio de Janeiro. Ele foi um dos autores dessa fase de ouro. Junto com Ronaldo Bôscoli criou shows inesquecíveis como os do “Beco das garrafas”, produziu artistas e participou de alguns dos grandes momentos da televisão que ainda engatinhava.

Miele era contemporâneo de Simonal, Bôscoli, Nelson Motta, Daniel Filho, Hugo Carnava, a galera da bossa nova, do pasquim, do rei da noite Ricardo Amaral, outro que é carioca de São Paulo. A essência do Rio de Janeiro que se encontra em um boteco para beber umas geladas (Breja é coisa de paulista), jogar conversa fora, fazer umas músicas e soltar um fiu fiu para uma moça bonita que passa na rua.

Aliás, para quem é politicamente correto e acha esse gracejo agressão a mulher, saiba que de um fiu fiu para uma menina que ia em um doce balanço a caminho do mar surgiu a maior música da história do Brasil.

Carioca é assim. Não precisa ser carioca do Rio. Pode ser carioca de São Paulo, Minas, do Sul, da Argentina, até de Tóquio.

Pode ser carioca da zona Norte, Oeste ou zona Sul. Nossas maiores marcas são a alegria, camaradagem, irreverência e essa mistura que só nós temos e que alguns que cultivam o ódio querem acabar.

É o moleque esperto surfando no Arpoador junto com o garoto sagaz que foi da zona Norte pra lá atravessando o Rebouças batucando em um ônibus. É o velho mestre sala que da janela do barraco sorri vendo o dia amanhecer em sua comunidade. É o trabalhador que acorda junto com o galo cantar, pega a condução lotada, calor e ainda consegue soltar  uma piada dessa situação.

Porque o carioca pode perder tudo. Menos o bom humor.

Miele se foi, mas deixou seu legado. Cariocas nascem e surgem todos os dias seja em nossas maternidades, aeroportos ou rodoviárias. Sejam todos bem vindos. O Cristo lhes saúda de braços abertos sobre a Guanabara.

Tamos juntos e misturados parceiro.

CINEBLOG: DE VOLTA PARA O FUTURO II




Celebrando a data de hoje, que marca a chegada de Marty McFly diretamente de 1985, vai a homenagem a essa trilogia inesquecível.
Cineblog orgulhosamente apresenta:


De volta para o futuro II


Back to the Future Part II (no Brasil, De Volta para o Futuro II e em Portugal, Regresso ao Futuro II) é um filme estadunidense de 1989  do gênero ficção científica, dirigido por Robert Zemeckis.
 
É a sequência de Back to the Future, e foi filmado simultaneamente com a terceira parte da trilogia, Back to the Future III. Os dois filmes foram lançados com seis meses de diferença.O filme teve críticas geralmente positivas com o RT em 64%

 

Sinopse



O filme começa onde termina o anterior. Após se recompor da sua viagem a 1955, Marty reencontra-se com a sua namorada Jennifer, que estava ansiosa para dar um passeio com o carro novo de Marty, que Biff tinha acabado de deixar na garagem.

No momento que eles iam se beijar, aparece Emmett com o DeLorean, avisando-o que tinha que ir com ele para o futuro, para 2015, pois já lá tinha estado e tinha visto o casamento dele com Jennifer e, vira também como Marty iria ter problemas com seu filho. No futuro, Emmett aproveitou também para introduzir um mecanismo de vôo no DeLorean, dado que em 2015 todos os carros voavam. Como Emmett queria manter o segredo da máquina do tempo com Marty, rapta também Jennifer para que não contasse a ninguém o que viu e, induz-lhe radiação alfa para adormecer e, quando acordar, pensar que fosse um sonho. Biff vê o DeLorean levantar vôo e desaparecer no ar, ficando apavorado.

Quando chegam a 2015, Emmett dá a Marty roupas especiais automatizadas para que pareça com seu filho Marty McFly Jr. Chegando ao centro de Hill Valley, vê a cidade totalmente transformada, ainda com a mesma torre do relógio e com o mesmo peditório a decorrer para que não fosse modificada, mas já com uma pista de aterragem de automóveis e, uma oficina de transformação de carros em carros voadores e, também um espectáculo holográfico para crianças, que simulava uma cena em que o espectador é engolido por uma versão High-Tech holográfica de um suposto "Tubarão 19" (o mesmo do antigo filme de Steven Spielberg), que assustou Marty.

Elenco  

 

Atriz/Ator
Personagem
Michael J. Fox
Marty McFly
Christopher Lloyd
Dr. Brown
Lea Thompson
Lorraine Baines
Crispin Glover
George McFly
Thomas F. Wilson
Biff Tannen
James Tolkan
Sr.Strickland
Elisabeth Shue
Jennifer Parker
 

Principais prêmios e indicações

Oscar 1990 (EUA)
  • Indicado na categoria de melhores efeitos visuais.
Prêmio Saturno 1991 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)
  • Venceu na categoria de melhores efeitos especiais.
  • Indicado nas categorias de melhor figurino, melhor maquiagem e melhor filme de ficção científica.
BAFTA 1990 (Reino Unido)
  • Venceu na categoria de melhores efeitos especiais



Semana que vem Cineblog volta com Lúcio Flávio, o passageiro da agonia.


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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

DINASTIA: CAPÍTULO VI - SÃO PAULO




Benedito encontrou o corpo de Dino algumas horas depois e foi atrás de Manolo. Foi atrás da confirmação que Salvatore era o autor do crime. Manolo desconversou, mas Benedito contou que já existia um rumor que Dino atacara Lorena.

Manolo confirmou a história e Benedito perguntou se o homem tinha noção que Bertoldo mandaria caçar o italiano quando soubesse do crime.

Manolo respondeu que sim, mas nada adiantaria que Salvatore já estaria longe. Benedito acendeu um cigarro de palha e disse que esperava que sim, gostava do italiano, mas teria que cumprir seu dever.

Virou-se para sair e antes de partir virou para o espanhol e disse “aquele sujeito já foi tarde pra casa do cão”.

Como já era de se esperar Bertoldo furioso com o crime mandou seus jagunços fuçarem a cidade atrás de Salvatore e Lorena. Bertoldo chamou os pais de Lorena até a sala e ordenou que contassem onde estava a filha deles. Os velhos não sabiam de nada e injuriado o fazendeiro mandou que arrumassem suas coisas e fossem embora.

Manolo protegeu os pais de Lorena e usando seus conhecimentos arranjou abrigo para o casal em uma fazenda vizinha.

Enquanto Benedito e os jagunços reviravam Ribeirão Preto atrás de Salvatore e Lorena eles já estavam no trem rumo a São Paulo.

Salvatore olhava a paisagem, a mesma que lhe fascinou indo para Ribeirão Preto e Lorena com olhar triste e a cabeça encostada no ombro do amado dizia estar com medo. Salvatore beijou a cabeça da esposa e comentou que ela não precisava ter medo, pois, estaria sempre com ela.

Lorena perguntou o que aconteceria com seus pais e o italiano mandou que não se preocupasse que Manolo cuidaria deles. A moça deixou cair algumas lágrimas do rosto perguntando se algum dia veria sua família de novo.

Salvatore ficou um tempo em silêncio, abraçou a esposa e disse que suas famílias agora eram um ao outro.

Chegaram a São Paulo. Salvatore tinha algum dinheiro, juntado no trabalho na lavoura e dado por Manolo e com esse dinheiro procuraram uma pensão.

Receberam indicações e baterem na porta de uma casa velha na região do Brás. Uma senhora negra atendeu e Salvatore perguntou se dona Luzia estava. Ela respondeu “sou eu”.

Salvatore espantou-se e exclamou “Mas a senhora é negra!!”. Luzia riu e devolveu “E você italiano, qual o problema?. Salvatore riu e disse que precisava de um quarto, ela pediu que entrassem e contou que agora falavam a mesma língua.

Eles entraram e ficaram por lá mesmo. Era uma casa simples, mas muito acolhedora. Pegaram um quarto com cama de casal, uma escrivaninha, banheiro no corredor que dividiam com mais cinco famílias e dessa forma recomeçaram.

Salvatore arrumou emprego na indústria e Lorena ajudava dona Luiza nos afazeres da pensão. Tudo corria bem.     

Algum tempo depois Salvatore já ganhava bem e faziam planos de comprar uma casa pelo bairro. Fizeram amizade com um casal, Olga e Mathias, este último trabalhava com Salvatore e Olga era enfermeira. Numa saída com eles para assistir uma peça de teatro Lorena passou mal.

Os quatro correram para o hospital que Olga trabalhava e enquanto essa entrava na emergência com Lorena Salvatore esperou na recepção com Mathias. O italiano muito tenso andava para um lado e outro dizendo que não podia ficar sem a esposa e Mathias mandava o amigo se acalmar.

Depois de um tempo Olga saiu e Salvatore desesperado correu até a mulher perguntando como estava sua esposa.

Olga ficou um tempo séria e respondeu que estava tudo bem. Salvatore respondeu “Graças a Deus” e Olga emendou “Com o bebê também”.

Salvatore virou-se para a mulher e respondeu que não entendera. Olga sorriu e confirmou a informação “Com o bebê também, Lorena está grávida”. Salvatore ficou um tempo olhando a mulher e depois começou a pular como criança e abraçar Olga e Mathias dizendo que teria “um bambino”.

Olga rindo mandou que o homem parasse de pular e fosse ver sua esposa.  Salvatore deu um beijo em sua testa e entrou correndo para ver sua amada.

Viu Lorena deitada na cama e perguntou se a esposa estava bem. 
Lorena sorriu e respondeu que apenas estava enjoada. Salvatore sentou a seu lado na cama e lhe deu um beijo na testa dizendo “teremos um bambino”. Lorena sorriu e confirmou “o nosso bambino”.

Salvatore deu um beijo na testa da amada e deitou sobre a cama lhe abraçando e agradecendo.

Lorena foi pra casa e Salvatore intensificou seu trabalho. Além de trabalhar na indústria ainda arrumou bico de garçom numa taverna só para aumentar o dinheiro e comprar uma casa quando seu filho nascesse.

Cuidou de Lorena com muito mimo enquanto a moça fazia com crochê o enxoval da criança. Salvatore tinha certeza que viria um menino, Lorena uma menina e pra não haver discussão a moça fazia enxoval para ambos os sexos.

Salvatore parecia finalmente de bem com a vida. Desistira de procurar a família, alguns anos já haviam se passado e enterrou fantasmas que lhe atormentavam como Morgana, sua irmã e Dino. Era feliz com Lorena e ao lado da esposa fazia acontecer seu sonho de vencer no Brasil.

Sentia sim saudade da família, Dora, da Itália, Manolo, mas o futuro já lhe mostrava que o passado poderia ficar apenas no passado.

Uma noite trabalhava na taverna quando Mathias entrou esbaforido. O italiano que servia uma mesa perguntou qual era o problema e Mathias respondeu que era sua esposa em trabalho de parto.

Salvatore respondeu que era impossível, pois, a esposa estava apenas de sete meses e Mathias puxou o amigo mandando que se apressasse que era sério. Correram para o hospital.

Chegando lá encontraram Olga. O italiano desesperado agarrou a mulher perguntando o que ocorria. Mathias mandava o amigo se acalmar e o italiano respondia que não queria se acalmar, apenas saber como estavam sua esposa e seu filho.

Olga respondeu que o menino nascera prematuro e não resistira. O chão de Salvatore sumiu. O homem sentou em uma cadeira desorientado sendo amparado por Mathias e depois de algum tempo levantou a cabeça e perguntou por Lorena.

Olga respondeu que a moça perdera muito sangue e não estava bem. O italiano pediu para ver a esposa e Olga levou até ela.

Entraram no quarto e encontraram Lorena muito abatida. Olga deixou os dois a sós e Salvatore sentou na cadeira apertando a mão da amada.

Lorena pediu desculpas ao marido e Salvatore respondeu que ela não precisava se desculpar, lhe amava. Ficaram um tempo em silêncio e o italiano respondeu que era um menino, um bambino.

Lorena com lágrimas nos olhos contou ao marido que estava morrendo e mais uma vez pediu desculpas. Salvatore acariciou o rosto da amada, beijou várias vezes e respondeu que não, ela estava enganada, sairia dali sã e salva e teriam muitos filhos ainda.

Lorena chorando respondeu que não e pediu que o marido fizesse uma promessa. Salvatore também com lágrimas nos olhos perguntou qual e ela pediu que ele prometesse que seria feliz.    

Salvatore respondeu que sim, seria com ela e Lorena pediu mais uma vez que ele prometesse mesmo se fosse pra ser feliz sozinho e construísse uma nova família. O italiano se recusou a prometer e Lorena implorou “pelo amor de Deus, prometa!!”.

Salvatore chorando prometeu e Lorena aliviada respondeu que já podia partir. A mulher fechou os olhos, Salvatore percebeu o que ocorria e gritou por seu nome e que não partisse.

Olga e o médico entraram naquele instante e pediram que Salvatore saísse. Com muita insistência o homem saiu com o médico ainda tentando ressuscitar Lorena e na sala Mathias o consolava e mandava se acalmar.

Depois de um tempo Olga saiu do quarto. Salvatore apenas a olhou de forma triste, desencantada e a mulher lhe abraçou dizendo “sinto muito”.

O italiano enlouqueceu, desvencilhou-se de Olga e saiu correndo. Mathias ainda tentou alcançá-lo, mas em vão.

Salvatore andou pela cidade sem orientação, seu corpo estava lá, mas a alma não. De repente uma chuva torrencial caiu em São Paulo misturando-se com as lágrimas do italiano. Ele mais uma vez perdera tudo. Perdeu a família, a esposa, o filho, a pátria.

Em certo momento, debaixo daquela chuva torrencial Salvatore olhou para o céu e gritou com os braços abertos perguntando porque Deus não gostava dele.

Salvatore não percebeu um bonde vinha a seu encontro e apenas quando o bonde estava em cima ele pulou para não ser atropelado e caiu no chão, batendo com a cabeça e ficando desacordado.

Ao acordar o italiano notou uma multidão a sua volta olhando e se perguntando se estava morto. O condutor do bonde perguntou se ele estava bem e Salvatore respondeu “não, mas estou bem”. O condutor respondeu ao público que estava tudo bem com ele e que voltassem ao bonde.

Ficando sozinho sentado naquela calçada molhada, debaixo de chuva Salvatore sentiu dor, mas não dor por causa da queda, mas dor no coração, na alma. Naquele instante que se sentia sozinho no mundo ouviu uma voz chamando seu nome. Salvatore.

O italiano se virou e viu uma moça chorando. Olhou bem, tentando reconhecer e ela falou de novo “Salvatore, meu irmão”. Salvatore então reconheceu quem era, seus olhos brilharam e ele exclamou “Rita!!”. Era sua irmã.

Salvatore abraçou sua irmã e eles ficaram lá abraçados por um bom tempo, sem dizer nada, apenas com a chuva assistindo aquela cena.

Salvatore, naquele momento, entendeu que Deus lhe amava.


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