sexta-feira, 29 de julho de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXI - A GUERRA


Pepino deu um sorriso de surpresa ao ver a antiga namorada. Não disse nada, apenas olhou a moça que rindo comentou “é, já vi que não veio me buscar”. Pepino levantou-se e contou que era uma adorável surpresa ver a mulher. Bianca aproveitou e pediu carona já que ele não fora lá buscá-la.

Pepino deu a carona e eles foram conversando pelo caminho. Bianca contou sobre sua vida na Itália, tudo que fez e Pepino sobre a saga da família e a separação de Isabela. Bianca ouviu a tudo e disse “sinto muito”, depois resolveu completar rindo “sinto muito nada, ela é uma cobra”.

Pepino riu e encheu-se de coragem para pedir perdão a antiga namorada pelo que tinha feito. Bianca pediu para que o homem esquecesse, já passara muito tempo e eles eram imaturos demais na época. Pepino perguntou se a mulher lhe perdoava e ela respondeu com uma pergunta “acha que se não tivesse estaria nesse carro?”. Pepino sorrindo comentou mais nada.

Pepino e Bianca foram se aproximando e o amor reacendeu. O homem que perdera Roberta quase que imediatamente ganhava a chance de reaver algo que se perdera no passado. Os dois voltaram a namorar e em pouco tempo Pepino pediu Bianca em casamento.

O homem era separado, não podia casar de novo, mas Bianca aceitou assim mesmo e o casal decidiu morar juntos. Pepino comprou uma bela casa com piscina e decidiu dar uma festa para comemorar com praticamente toda Feital presente, menos Isabela lógico que amaldiçoava o casal.

Os anos foram passando e nasceu Luisa, a primeira filha do casal, quarto de Pepino. O homem cada vez tinha mais o domínio sobre os negócios da família e chamara os velhos amigos da juventude para trabalhar com ele. Felipe e Josué tornaram-se seus comparsas e os responsáveis pelo “jogo sujo”, a tomada de outras bancas do bicho nem que fosse embaixo de balas.

Já era o ano de 1970. Todos reunidos assistiam na mansão do Barão um jogo do Brasil na copa do Mundo quando o telefone tocou. A empregada chamou por Pepino. O homem irritado perguntou quem era e a empregada respondeu que não quis se identificar, só que era importante.

Pepino atendeu e uma mulher chorando se identificou como Rosa, companheira de Domenico e precisava muito falar com alguém da família Granata. Pepino passou o endereço e mandou que a mulher fosse até lá.

Rosa compareceu com uma menininha. A empregada chamou a menina para lanchar enquanto Pepino conduziu Rosa até o escritório da mansão. Perguntou qual era o problema e Rosa chorando contou que Domenico desaparecera.

O casal fazia parte de um grupo de esquerda que assaltava bancos para financiar a luta armada. Em uma dessas ocasiões Domenico levou um tiro no braço e foi levado ao DOPS. Dois meses já se passara e não tivera nenhuma notícia dele.

Pepino perguntou por seu tio Oscar e Rosa respondeu que estava na luta armada no Araguaia. Pepino prometeu cuidar do caso e perguntou quem era a menina na sala. Rosa respondeu chamar-se Adriana, filha do casal e pediu que os Granata tomassem conta dela enquanto estivesse fora.

Pepino perguntou para onde a mulher iria e Rosa respondeu “voltar à luta”.

Pepino e Rosa foram até a sala e encontraram Adriana lanchando. Rosa fez um carinho na cabeça da menina e chorando disse que se ausentaria por um tempo, mas voltaria para lhe buscar. Adriana perguntou para onde a mãe iria e ela respondeu “sair de férias”, mas que já voltaria e pediu para que a menina obedecesse ao “Tio Pepino”.

Adriana riu do nome “Pepino” e Rosa lhe deu um abraço emocionado dizendo que lhe amava muito. Encheu-se de coragem e partiu.

Pepe Granata desceu as escadas perguntando o que acontecia e quem era a menina. Pepino pediu que o pai lhe acompanhasse ao escritório, pois, teriam que conversar.

Pepino contou toda a história e Pepe resolveu deixar as diferenças de lado e tentar descobrir o paradeiro de seu caçula. Os dois homens foram atrás de Enrico.

Enrico abriu a porta com a velha ladainha de “poderia prender vocês”. Pepe foi entrando e mandou que o filho parasse de palhaçada e contasse onde estava Domenico. Enrico ironizou que pelo tempo que não se viam esperava o pai preocupado com ele e não com o irmão. Pepe tirou uma arma da cintura e encostou ao queixo do filho dizendo que não estava para brincadeiras.

Enrico com medo comentou que o pai não teria coragem de atirar no próprio filho e Pepe respondeu “já fiz coisas que até Deus se assusta, não duvide de mim”. Enrico percebeu que a coisa era séria e disse não saber de nada.

Pepino duvidou, mas Enrico jurou alegando não estar mais no DOPS. Pepino comentou que o irmão desaparecera e Enrico falou “já era esperado. Subversivo, terrorista, estava na lista dos mais procurados”. Pepe gritou que ajudara os militares a assumirem o poder, ajudava a lhes bancar e era uma de seus maiores apoiadores e não admitia que sumissem com seu filho.

Chegou a Enrico e mandou que ele tomasse alguma providência. Procurasse por seus contatos saber o paradeiro de Domenico e que ele faria o mesmo.

Enrico, Pepino e Pepe procuraram pessoas, ligaram para todos os conhecidos e nada de pistas de Domenico, até que Enrico conseguiu algo.

Levou até o pai e o irmão um homem que fora solto há pouco pelo DOPS. O homem não quis dizer seu nome, apenas que atendia pelo codinome “Zezinho” e estava na cela ao lado de Domenico.

Pepe pediu que o homem falasse e jurou que ninguém saberia de nada e ele seria recompensado. Zezinho contou que durante dias Domenico foi barbaramente torturado, ouvia seus urros de dor vindo da sala de tortura e depois na cela. Pepe sentou-se abalado com as informações e Pepino perguntou onde Domenico estava agora, Zezinho respondeu “Domenico está morto”.

Pepino perguntou a Enrico se aquilo era verdade e o irmão respondeu que provavelmente sim. Ouviu boatos que Domenico fora arrastado amarrado em um carro pelas ruas com a boca no cano de descarga e que também poderia ter sido arremessado vivo de um avião sobre a Baía de Guanabara.

Pepe socou a mesa e perguntou se era assim que o Brasil pagava por tudo que sua família fez por ele e Enrico respondeu que a coisa não acabava ali. Pepe perguntou o que mais tinha e Enrico respondeu que Oscar fora assassinado no Araguaia.

Era demais para Pepe que fechou os olhos sentado na cadeira não querendo viver aquele momento. Os homens ficaram um tempo em silêncio e Pepino perguntou ao pai o que fazer. Pepe virou a Enrico e exigiu o corpo do irmão para lhe dar um enterro cristão. Que os militares devolvessem a família o seu corpo e que continuaria procurando por Domenico.

Pepe pediu licença e saiu da sala arrasado lembrando do irmão Oscar. Tudo que viveram juntos na juventude, a grande amizade que lhes unia e lamentou o afastamento na fase madura.

O corpo de Oscar foi entregue e Dora, mãe de Pepe e Oscar e viúva de Salvatore não aguentou enterrar o filho morrendo pouco depois. A vida de Pepe ganhava contornos de dramaticidade, Cecília se preocupava com o marido que respondia que não iria morrer, pois, sua morte seria em um momento de felicidade plena.

Como vociferou Mãe Baiana.

Pepe dedicou sua vida a procurar por Domenico ou pelo menos seu corpo em vão. Rosa nunca mais apareceu e Adriana acabou adotada por Mariana que vivera na infância por situação semelhante. Pouco depois Pepe também sofreu o abalo da morte de sua irmã Giuliana em um enfarto fulminante no convento.

Pepino vivia seu amor com Bianca e cada vez bebia mais deixando um pouco de lado os negócios. Dessa forma não via o que ocorria a sua volta.

Seu irmão Benito se transformara em banqueiro do jogo do bicho conquistando as bancas de seu antigo patrão Rui Major. Não eram muitos pontos, mas com sua inteligência e obstinação Benito foi aumentando seu império atacando as bancas de outros bicheiros e muitas vezes assassinando os inimigos.

Chegou uma hora que Benito achou ser a da vingança. Mais forte e preparado começou a atacar as bancas dos Granata matando apontadores, gerentes e tomando para si. No começo Pepino não percebeu o que ocorria, mas um dia Felipe procurou o amigo e contou que eles perderam doze bancas.

Pepino perguntou como e Felipe respondeu que através de ataques. Pepino encheu um copo de uísque e comentou que isso era impossível, existia uma cúpula do bicho que dividia muito bem as regiões e os Granata nunca receberam um ataque na vida.

Sentou-se e calmo disse que resolveria tudo. Felipe falou que o assunto era sério e se não tomassem providências a sangria seria grande com os Granata podendo até perder tudo. Pepino riu e perguntou quem teria a audácia de tentar fazer isso com eles e Felipe perguntou se o nome Benito Vergara Granata lembrava algo.

Naquele instante Pepino percebeu que a coisa era séria. Parou de beber imediatamente, levantou-se e pediu para que Felipe repetisse e o homem repetiu “Benito Vergara Granata”. Pepino perplexo balbuciou “o canalha do meu irmão” e Felipe completou “aquele que quer você e seu pai destruídos”.

Pepino imediatamente foi à mansão atrás de Pepe. Entrou correndo na casa gritando pelo pai e Cecília pediu que se acalmasse porque parecia que o mundo estava acabando. Pepino esbaforido respondia que era mais ou menos isso e Pepe apareceu perguntando o que ocorria.

Na frente da mãe Pepino contou tudo e Cecília riu dizendo ser impossível, Benito era seu filho, da família e nunca faria essas coisas. Pepino respondeu que não só faria como fez e o irmão começava uma guerra contra eles. Pepe comentou que a esposa estava certa. Benito apenas fez bravata quando disse que lhes destruiria.

Pepino perguntou ao pai se a tomada de doze bancas, mortes de apontadores e gerentes era bravata. Pepe perguntou se o filho tinha certeza que aquilo partira de Benito e Pepino respondeu que sim. O homem respirou e disse que convocaria uma reunião extraordinária da cúpula.

A cúpula se reuniu e Pepe apenas assistia o filho contar o que ocorria e pedia que as regras fossem respeitadas. No meio da reunião Benito entrou e perguntou porque não fora convidado já que era um banqueiro.

Pepino viu o irmão e gritou exigindo a devolução das doze bancas. Benito riu e afirmou que não ficaria apenas com as doze, pegaria todas e mataria o irmão e o pai. Pepe sacou a arma e os seguranças de Benito imediatamente também sacaram. Quando foram ver todos estavam com armas em punho apontando para cada um.

Benito riu e falou ao pai que se ele quisesse o derramamento de sangue começava ali, mas garantia que não perdia. Pepe furioso disse entre os dentes que Benito não era mais seu filho e esse gargalhando contou que nunca fora.

Virou-se para o chefão que comandava a cúpula dizendo que o caso era pessoal e que ninguém se metesse, ele só queria as bancas dos Granata e caso alguém tomasse as dores partiria para ataques contra outros banqueiros. Todos ficaram em silêncio, Benito contou que era só aquilo que tinha a dizer e se retirou com os seguranças.

E a guerra efetivamente começou. Benito se preparara por mais tempo e parecia mais forte. Tomou diversos pontos dos Granata e matou o chefe da segurança de Pepe. O homem saía do supermercado com a família quando foi cercado e fuzilado com trinta e oito tiros. Tudo visto por mulher e filhos.

A sangria estava grande, de bancas e pessoas. Pepino e Pepe resolveram reagir com o auxílio de Enrico que fazia parte de um esquadrão da morte da polícia. Os policiais receberam dinheiro dos Granata e começaram a atacar os pontos de Benito matando também pessoas importantes.

O caos tomava conta não só de Feital e imediações como a guerra se espalhou para outros estados com bicheiros ligados aos dois lados sendo assassinados na Bahia e em Minas Gerais. Uma das lojas da “Casas Granata” também foi atacada com coquetel molotov arranhando a imagem da instituição.

Pepino estressado bebia muito para tentar aliviar sua tensão e com isso tinha brigas diárias com Bianca chegando a agredir a mulher. Sonhava constantemente com Marta e as pessoas começaram a perceber traços de loucura no homem. Apareceu em uma festa de aniversário de Luigi completamente bêbado com arma em punho dizendo que Benito estava escondido no lugar.

O menino chorava agarrado à Isabela pedindo para o pai ir embora. Isabela chegou perto do ex-marido e perguntou se era preciso ligar para a polícia para que ele fosse então num momento de lucidez Pepino perguntou o que ocorria. Isabela mandou que ele parasse de bancar o maluco. Pepino pediu desculpas a Luigi, a todos e decidiu partir.

Enrico descobriu detalhes de um plano de assassinato de Pepino e o homem se assustou por ter passos de sua vida que apenas pessoas próximas sabiam. Pepe comentou que alguém traía o grupo e Pepino passando a mão pelo rosto como se cansado disse que só assim se explicavam algumas baixas deles.

Enrico prometeu descobrir quem fazia jogo para os dois lados e Pepe perguntou se Pepino tinha certeza que aguentaria a pressão. Pepino respondeu que não entendia a pergunta do pai e Pepe sério comentou “entende sim, estou falando do seu modo nos últimos tempos culminando naquela cena patética do aniversário”.

Pepino ironizou que o pai nunca confiara nele de verdade e nem sabe como um dia pode ter lhe escolhido em relação a Benito. Pepe olhou para o filho e disse “Não me faça arrepender dessa escolha”.

Um dia Pepino tomou um daqueles grandes porres na casa do pai e achando melhor não dirigir preferiu deixar seu carro na mansão.

Pegou um táxi e em casa no dia seguinte passando por uma grande ressaca Bianca mandou que ele atendesse ao telefone porque seu irmão alarmado queria falar com ele de qualquer jeito. Com dificuldade Pepino atendeu e Enrico gritava para que o irmão não saísse com o carro, pois, o mesmo fora sabotado.

Pepino respondeu que não teria problema, o carro não estava com ele, estava na mansão. No mesmo instante Pepino se tocou da gravidade da situação, desligou o telefone e ligou desesperado para a casa. A empregada atendeu e Pepino perguntou pelo pai. A empregada respondeu que saíra e Pepino gritou para que ela não deixasse ninguém entrar em seu carro. A empregada respondeu que não entendera pedindo para que ele explicasse de novo e antes que Pepino conseguisse explicar ouviu uma explosão ao telefone.

Pepino gritou “Meu Deus!!” e largou o telefone no chão. Bianca perguntou o que acontecera e Pepino pediu a chave de seu carro, Bianca continuou sem entender e Pepino gritou “me dá a chave do seu carro porra!!”.

Pepino pegou a chave e saiu em disparada para a mansão dos Granata. Chegou na frente da casa e encontrou carro da polícia e dos bombeiros. Desceu do carro de Bianca e entrou correndo na mansão vendo o carro incendiado e os bombeiros tentando apagar o fogo. Encontrou Mariana e a empregada chorando e gritou perguntando quem estava dentro do carro”.

As mulheres apenas choravam e Pepino gritou “Me diz!! Me diz quem está dentro do carro!!!”. Nesse momento Pepino viu Isabela no chão chorando desesperada e essa respondeu “sua mãe e a Sophia”.

Cecília resolveu levar a neta ao dentista e a primeira chave que viu na sala foi a do carro de Pepino. Ela mesma decidiu dirigir e quando ligou o carro o mesmo explodiu. Morte instantânea das duas.

Pepe teve que ser medicado e não compareceu aos enterros. Pepino nem conseguia chorar. O ódio lhe consumia nos funerais, queria jogar futebol com a cabeça do irmão. Enrico chegou próximo ao homem e disse descobrir quem era o traidor. Pepino perguntou quem era e Enrico respondeu que o irmão teria uma surpresa.

Pepino, Enrico e mais dez homens entraram no escritório dos Granata em Feital e encontraram Josué com a secretária, os dois se beijando. O casal se assustou e Pepino gritou “Corre vagabunda que saiu a milhar desse safado e ele será premiado agora”. Pepino pegou Josué pelo colarinho, deu um soco no homem e disse que já sabia que ele era o traidor.

Josué do chão, com a boca sangrando disse não entender o que ocorria e que eles eram como irmãos e Pepino gritou “irmãos é a puta que pariu!! Encham esse filho da puta de porrada até ele começar a cantar!!”.

Os homens começaram a chutar e esmurrar Josué caído que não aguentou e pediu pra pararem que contava tudo. Enrico colocou Josué sentado em uma cadeira e mandou “canta sabiá”.

Josué confirmou que Benito fora o mandante da explosão e comentou que se servia de conforto o homem estava muito mal com a morte da mãe, era pra Pepino estar no carro, não ela.

Pepino furioso falou que não apenas sua mãe morrera, sua filha também e pediu o endereço de Benito. Josué implorou para não ser obrigado a contar senão Benito lhe mataria. Pepino jurou proteger sua vida se contasse.

Josué então respirou fundo e deu o endereço, o horário que o homem estava em casa e os momentos que não teria seguranças no local. Pepino acendeu um cigarro calmamente e perguntou a Josué “sabe aquele momento que jurei proteger sua vida?”. Josué respondeu que sim e Pepino completou “Eu menti” ordenando logo depois a execução do homem.

Benito entrou em casa, colocou uma dose de uísque no copo, ligou a vitrola e quando foi sentar viu surgir Pepino, Enrico e seus soldados. Sem tempo para reagir Benito foi metralhado recebendo tiros de todos os lados, mais de cem tiros foram executados.

Benito tombou no chão e Pepino se aproximou do irmão. Bastante ensanguentado, ainda com um fiapo de vida Benito sorriu e balbuciou “sua mulher te trai”. Pepino descarregou as balas do revolver em cima do irmão que morreu.

Os homens deixaram o local com a missão cumprida e Pepino perturbado comentou com Enrico “você ouviu o que ele disse antes de morrer?”. Enrico mandou que o irmão não se preocupasse “ele fez de propósito, para lhe perturbar”.

Mas Pepino resolveu realmente levar a sério. Investigou por conta própria e parou em um prédio em Botafogo. Bateu na porta e em alguns instantes abriram. Era Felipe.

Felipe assustado exclamou “Pepino!!”. O homem deu um tiro em sua testa e Felipe caiu morto. Bianca apareceu de toalha na porta do quarto e implorou gritando “Não Pepino!!”. Pepino descarregou a arma na mulher.

Foi embora deixando os corpos pra trás, o apartamento todo ensanguentado ao som de Jackson 5 que tocava na vitrola.

Pepino voltou para sua casa e bebeu, bebeu muito, bebeu como nunca bebera na vida. Pepe ligava para o filho da mansão e Pepino não atendia. Isabela mandava o homem não se preocupar, pois, Pepino apenas tomava mais um de seus porres e Pepe respondeu que aquele filho só lhe dava preocupação.

Pepino continuou bebendo e uma chuva torrencial caía sobre o Rio de Janeiro. O homem resolveu sair da casa e andar pelo jardim debaixo daquela chuva gritando para Deus e perguntando porque nunca tivera paz.

Naquele instante viu a imagem de Marta e gritou contra a morta “Eu não tive culpa do que aconteceu com você!! Você se jogou porque quis!! Mas quer saber? Eu to pouco me lixando porque você está morta!! Morta!!”.

A imagem de Marta desapareceu, mas ele continuava gritando e andando como se ela estivesse lá, como se andasse em direção a ela, andava e gritava com uma garrafa de uísque na mão.

“Sua maldita!! Por acaso você tem alguma coisa a ver com minhas desgraças? Que se dane eu nunca gostei de você mesmo, eu só queria sexo com você sua vadia!! Bem feito, morreu, voou daquela sacada feito um passarinho, se esborrachou feito uma pedra!!”.

Chegou na beira da piscina, pegou a garrafa, começou a jogar o líquido nela e continuou gritando.

“Eu sou rico sua vadia!! Sou podre de rico!! Meu pai já era rico e eu tripliquei a fortuna da família!! Por isso nunca me pegaram pelo seu voo na Itália e por isso eu faço e aconteço e ninguém me pega!! Por isso posso despejar uísque nessa merda, uísque caríssimo porque eu vou lá e compro outro sua vadia!! Vadia de merda!!.

Terminou de jogar, lançou a garrafa longe e aos berros perguntou “Cadê você sua vadia??? Me perseguiu durante anos e agora sumiu?? Eu to aqui pra te enfrentar!! Pra te matar de novo!! Cadê você sua vadia??”.

Quando terminou de gritar Marta surgiu ao seu lado e gritou em seu ouvido. Pepino se assustou e acabou se desequilibrando caindo na piscina.

Pepino não sabia nadar e tinha agravante de estar muito bêbado. Debateu-se desesperadamente sendo observado por Marta até que afundou para sempre.

Giuseppe Granata Filho, o Pepino Granata estava morto.

No fundo da piscina, cercado por seus fantasmas, chegava ao fim a sua história.


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ROBERTA

quinta-feira, 28 de julho de 2016

SOBE O SOM: DONNA SUMMER & GLORIA GAYNOR


Donna Summer, nome artístico de LaDonna Adrian Gaines (Boston, 31 de dezembro de 1948  — Naples, 17 de maio de 2012), foi uma cantora norte-americana conhecida por suas gravações em estilo disco dos anos 70 e posteriormente dance-music nos anos 80, 90 e 2000´s.

Recebeu o título de Rainha da Disco. Com 37 anos de carreira, estima-se que tenha vendido mais de 130 milhões de discos. Foi a primeira artista a ter três álbuns duplos consecutivos a atingir o primeiro lugar nas paradas da Billboard nos Estados Unidos.

Summer foi um caso raro na cena disco', pois sua carreira iniciou-se antes da "explosão" daquele estilo, e continuou após aquela fase. Apesar de ela ser uma das mais conhecidas artistas da "Era Disco'", seu repertório incluiu diversos gêneros, incluindo "rhythm'n blues" e rock, tendo ganho prêmios "Grammy" nestas categorias.

Gloria Fowles (Newark, 7 de setembro de 1949), mais conhecida pelo seu nome artístico, Gloria Gaynor, é uma cantora estadunidense, mais conhecida por seus grandes sucessos da Era Disco,

Gloria Gaynor começou a cantar em um grupo chamado The Soul Satifiers na década de 1960. O grupo se apresentava em boates e assim Gloria foi descoberta e, logo foi levada para gravar seu primeiro single. Gloria Gaynor também foi a primeira artista a gravar versões "extended mix" das músicas e também a primeira a gravar o disco sem pausa.

Gloria Gaynor, continua gravando e em 2002, lançou o álbum I Wish You Love que foi muito bem sucedido, rendendo ainda mais prêmios para a artista.

Então vamos lá!!


Sobe o som Donna Summer & Gloria Gaynor!!


Hot Stuff (Donna Summer)


I feel love (Donna Summer)


Breakaway (Donna Summer)


On the radio (Donna Summer)


MacArthur Park (Donna Summer)


Love to love you, baby (Donna Summer)


Lucky (Donna Summer)


Bad girls (Donna Summer)


Never can say goodbye (Gloria Gaynor)


Can`t take my eyes off you (Gloria Gaynor)


I am what I am (Gloria Gaynor)


Reach out, I`ll be there (Gloria Gaynor)


I say a little prayer (Gloria Gaynor)


You`re the first, the last, my everything (Gloria Gaynor) - Com Barry White


Be soft with me tonight (Gloria Gaynor)


It`s raining men (Gloria Gaynor)


Bem. Aì está um pouco da carreira dessas duas divas da era disco. Semana que vem "Sobe o som" volta de um jeito diferente. Vem celebrar as Olimpíadas mostrado alguns de seus momentos históricos.


Enquanto isso vamos para uma última dança.


Afinal de contas nós sobrevivemos.


SOBE O SOM ANTERIOR:

CHARLIE BROWN JR & RAIMUNDOS

quarta-feira, 27 de julho de 2016

CINEBLOG: O CLUBE DOS CAFAJESTES


Cineblog fala hoje de um filme que marcou muito minha infância. Quem da geração anos 80 nunca quis fazer uma festa da Toga? Ter uma turma dessas?

Cineblog orgulhosamente apresenta:


O CLUBE DOS CAFAJESTES



National Lampoon's Animal House (br: O Clube dos Cafajestes / pt: A República dos Cucos) é um filme estadunidense de 1978, do gênero comédia, dirigido por John Landis.


Sinopse



Em 1962, Larry Kroger (Tom Hulce) e Kent Dorfman (Stephen Furst) são calouros na faculdade e sonham em entrar para uma fraternidade. Após não conseguirem entrar para a Omega eles resolvem tentar a Delta, que tem a fama de ser a pior fraternidade do campus. Lá eles conhecem Eric (Tim Matheson), Boone (Peter Riegert) e sua namorada Katy (Karen Allen), Hoover (James Widdoes) e Bluto (John Belushi). Larry e Kent logo são aceitos na fraternidade e passam a viver uma vida regada a viagens, piadas e festas de pijama. Só que Dean Wormer (John Vernon) está decidido a expulsar a Delta do campus da faculdade, contando com a ajuda dos integrantes da Omega.


Elenco



John Belushi .... John "Bluto" Blutarsky
Tim Matheson .... Eric "Otter" Stratton
Peter Riegert .... Donald "Boon" Schoenstein
Tom Hulce .... Lawrence "Pinto" Kroger
Stephen Furst .... Kent "Flounder" Dorfman
Bruce McGill .... Daniel Simpson Day, "D-Day"
James Widdoes .... Robert Hoover
Douglas Kenney .... "Stork"
James Daughton .... Gregory Marmalard
Mark Metcalf .... Douglas C. Neidermeyer
Kevin Bacon .... Chip Diller
John Vernon .... Dean Vernon Wormer
Verna Bloom .... Marion Wormer
Donald Sutherland .... Professor Dave Jennings
Karen Allen .... Katy


Cineblog volta semana que vem no espírito olímpico. Vem com o medalha de ouro "Carruagens de fogo".


CINEBLOG ANTERIOR:

HARRY & SALLY

terça-feira, 26 de julho de 2016

O SOM DA MINHA EMOÇÃO


Semana passada vi nas redes sociais a notícia de mais um fim da Rádio Cidade, tradicional rádio voltada ao rock no Rio de Janeiro. Ela já tinha terminado na primeira década do século, voltou e agora entrega seu dial a outra volta, da rádio Mania, mais voltada a músicas populares do Brasil.

Confesso que não ouvi nenhuma vez a Cidade depois de seu retorno, mas lamento assim mesmo seu novo fim porque eu era ouvinte nos anos 90, muitas das músicas que curto ouvir hoje no celular ou nos programas voltados a flash back eu aprendi através da Cidade.

Aliás, eu tenho uma relação bem pessoal com o rádio. Relação de apaixonado.

Difícil dizer quando foi a primeira vez que ouvi rádio, acho que ouço desde que nasci. Lembro bem de andar de carro com a minha família e o rádio do veículo estar sintonizado na 98FM, provavelmente a rádio FM mais famosa que o Rio de Janeiro teve. Tenho a famosa vinheta "no,no,no, noventa e oito" até hoje em minha mente. Infelizmente a 98 hoje é apenas lembrança, como outras rádios como a própria Cidade, Tropical voltada ao samba, RPC FM, estilo da Cidade, FM 105 e outras. Boa parte dessas rádios deram espaço ao mercado evangélico. Se eu quisesse saber a hora certa ligava na "Rádio Relógio", se quisesse ouvir música jovem Cidade ou 98, a apuração do carnaval em seus grupos de baixo, tempo que não existia esse monte de informações dadas por sites, na Tropical e vinha o desespero de começar Voz do Brasil e a campanha da Fraternidade bem na hora das apurações dos grupos do Boi da Ilha e do Acadêmicos do Dendê e assim não saber o que ocorrera com as agremiações.

Um parênteses..Pra que diabos ainda existe a Voz do Brasil em tempos que a informação é de tão fácil acesso em qualquer grotão do país? É antiquada, ditatorial e tira empregos e dinheiro das rádios. É desigual na competição da rádio com outros veículos e priva o ouvinte de informações importantes como trânsito em sua volta para casa ou notícias urgentes e em primeira mão.

Voltando ao assunto. Para qualquer uma dessas situações eu tinha rádios específicas para ouvir, mas meu xodó mesmo sempre foram as AMs, que estão migrando hoje em dia para as FMs.

Da tradicionalíssima Rádio Nacional vem a primeira transmissão esportiva da minha mente. A final do brasileiro de 1983 Flamengo 3 x 0 Santos. Também da Rádio Nacional o lendário programa esportivo "No mundo da bola" que começava 17 horas e era a primeira informação esportiva do dia. Na Nacional também tinha o programa de samba de Arlênio Lívio e Rubens Confete, que fazia o sambista matar as saudades das suas escolas em tempos pré internet. Aliás,foi através desse programa que entrei no estúdio da Nacional para falar. Fui falar do samba de 2001 do Boi da Ilha nervoso e com coração acelerado por estar em estúdio tão importante na história do Brasil. Mais que isso, no mesmo dia estava o lendário Edeor de Paula, autor do samba "Os Sertões" que foi lá falar de um samba que concorria em um bloco.

Um pouco antes do fim da 98 também estive em seu estúdio à convite do amigo Rica Perrone para ouvir o programa que ele comandava com Marcelo Adnet. Experiência inesquecível.

Ah o rádio..Estou perto dos meus 40 anos e a idade chega e vamos ficando saudosistas, o rádio é uma dessas saudades que tenho e que ainda trago comigo. Ouço hoje bem menos que antigamente, mas as rádios que ouço mais ainda continuam sendo as Rádios Globo e Tupi, principalmente seus programas esportivos. Na Tupi o "Giro esportivo" com o ótimo e amigo Eugênio Leal participando e o Show do Apolinho com o mítico Washington Rodrigues. Na globo o tradicional "Panorama esportivo" e a mais nova grande paixão no Rádio, que vem de poucos anos, o excepcional "Popbola" comandada pelo amigo Alexandre Araujo todos os dias 16 horas que trata com muito humor os times do Rio. 

Continuo ouvindo rádio diariamente, mas não consigo esquecer do rádio dos anos 80, quando essa paixão surgiu. Ligava no começo da tarde de domingo para ouvir o "Enquanto a bola não rola", programa que existe até hoje na Globo. Depois vinham as transmissões com José Carlos Araújo, Apolinho, Edson Mauro, Luiz Carlos Silva, Doalcey Bueno de Camargo, Luis Mendes, Sergio Noronha, Gerson, Jota Santiago, Luis Penido, Loureiro Neto e tantos outros..Após os jogos fixava na Globo e começava o maravilhoso "Bola de fogo" comandado pelo ex-presidente do Flamengo Kléber Leite e contava com Áureo Ameno, Afonso Soares, Celso Garcia (o garoto do placar) Apolinho, Seu Nonô, Francisco Horta, Gerson e lá davam uma suíte Champion para o melhor em campo e mandavam o pior para a "Pensão da Cremilda". Uma divertida zoação onde o perna de pau teria que encarar "os serviços" do estabelecimento. Também tinha a zoação entre eles como Áureo Ameno e seu "vascaínismo" exacerbado imitando bode ao falar Bebeto e quando o Flamengo venceu o Vasco em 1989 na estreia do mesmo Bebeto no clube e fizeram versão do jinge de Ulysses Guimarães a presidência para provocar o vascaíno.

Rádio que me fazia companhia de madrugada com o Show da Madrugada com Washington Rodrigues e Hilton Abi-Rihan, o programa que inventou o strip tease no rádio. Depois o programa do Antonio Luis ou Sylvio Samper no meio da madrugada e quando amanhecia o campeão de audiência Show do Antonio Carlos, aliás, eu recebi meu estandarte de ouro da mão dele, uma grande honra. Aliás de novo, um dos maiores momentos da minha vida foi quando no maior programa de rádio que já existiu, o programa Haroldo de Andrade, tocou o samba de 2001 do Boi da Ilha. Fui correndo avisar para todos de minha casa e os vizinhos.

Quando estava em uma fase mais romântica, apaixonado ouvia o "Good times" da 98. Programa lendário, que chegou a voltar por alguns meses ano passado na Rádio Globo e que é copiado por várias emissoras em seus fins de noite.

Hoje é fácil ouvir radio. Celular, tv a cabo, aplicativos.. No velho radinho de pilha poucos ouvem hoje em dia. Mas por muito tempo esse velho radinho foi meu melhor amigo. Quando morei no Mato Grosso era o rádio que me transportava ao Rio. Com chiado, só pegando a partir da noite, era ele que me aproximava de minhas raízes e matava minha saudade.

Não sei qual será o futuro da rádio comercial. Vejo que está em um momento difícil e assim como os jornais migram para a internet talvez o futuro do rádio esteja nas webrádios que atendem a públicos específicos e tem custo menor. Mas tantas vezes já tentamos prever o futuro e não conseguimos. Quem prevê bem mesmo é a Zora Yonara no programa do Antônio Carlos.

Meu amor pelo rádio é infinito, imortal. Não importa em qual plataforma estará, até onde a tecnologia irá, sempre será o veículo mais democrático. O companheiro da dona de casa, do coração solitário, do viajante, do taxista, caminhoneiro, do torcedor apaixonado. O veículo que ajudou a fazer desse país uma nação integrada. Que construiu ídolos e histórias inesquecíveis.


E eu vou em suas ondas até aonde meu coração consegue alcançar. O rádio faz parte de mim.


É quem dá som à minha emoção.    


sexta-feira, 22 de julho de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XX - ROBERTA


O tempo foi passando. Bianca foi estudar na Itália. Nasceu Luigi primeiro filho do casal e no ano seguinte Ricardo. Apesar da aparente felicidade o casamento era assim mesmo, de aparências.

Domenico, o caçula de Pepe tornou-se o primeiro Granata a entrar na faculdade e Enrico passou na prova para policial. Pepino e Benito continuavam sem se falar, mas respeitavam o pai Pepe Granata e trabalhando com o mesmo.

Na verdade Pepino e Benito passavam por uma guerra fria pelo controle da família quando o pai decidisse se retirar. Benito depois de perder Isabela tornou-se um obcecado ainda mais pelo trabalho, não mais namorou, não fazia amigos nem se divertia. Vivia para o jogo do bicho e para o clube de futebol que não conseguira ainda seus objetivos se tornando apenas um clube médio do futebol carioca.

Pepino cada vez bebia mais. Tomava porres homéricos dando preocupação ao pai. Tinha amantes, muitas vezes não conseguia mais disfarçar e nas brigas com Isabela a mulher pedia para pelo menos ele lhe respeitasse. Pepino respondia que ela lhe queria como marido e ele estava lá então não reclamasse mais.

Isabela chorava e com muita raiva dizia que lhe odiava. Pepino devolvia que finalmente tinham um sentimento mútuo.

Apesar desses problemas Pepino tinha duas vantagens em relação a Benito. Era o mais velho e já tinha uma família formada. Isso era importante para Pepe, ele queria a perpetuação do poder dentro da família.

Além do fato de Pepino ser mais diplomata, mais negociador. Sabia seduzir as pessoas pelo sorriso assim com seu pai fazia. Benito era mais sério, ríspido e sua principal virtude era a eficiência, sempre cumpria bem as ordens.

Sua principal virtude também se transformava em um problema, saber cumprir ordens. Um chefe dá as ordens.

Os anos passavam e outro membro da família dava problemas. Domenico.

Domenico decidiu seguir os passos do tio Oscar e virou comunista numa época conturbada do Brasil. O ano era de 1964, o início dos “anos de chumbo”.

Domenico entrara para a UNE e era um dos seus maiores ativistas. Apoiava o governo João Goulart e participou de momentos como o comício em frente à Central do Brasil em março de 1964. Trezentas mil pessoas participaram do evento.

Apesar da tensão e dos rumores mais fortes a cada dia do que ocorreria, que seria apoiado por muitos inclusive por Pepe, Domenico continuou em sua luta. Oscar voltara ao país quando Jango assumiu o poder e fazia parte de movimentos de esquerda. Tio e sobrinho se juntaram para desespero de Pepe.

Pepe e Oscar tiveram uma grande discussão por causa de Domenico. O Barão gritou com o irmão que ele era o chefe daquela família e não aceitaria que Oscar se metesse daquela forma nela. Oscar mandou o irmão diminuir o tom e revidou “você pra mim não é Barão coisa nenhuma, é Barão pras suas negas. Eu te conheço como Pepe, aquele que fazia xixi na cama e implorava a mama para que ela não contasse ao papa”.

Pepe se enfureceu e Oscar continuou “Não se esqueça Pepe Granata que você me deve uma, o problema de Pepino na Itália”. Pepe perguntou se o irmão estava lhe ameaçando e Oscar completou “não, apenas te lembrando e lembrando de mais uma coisa. Eu não tenho medo de você”.

No dia 1° de abril de 1964, dia do golpe, Domenico era um dos que entregavam folhetos com os dizeres “O golpe é a senha para o levante popular”.

Nesse mesmo dia estudantes entraram em confronto com tropas do governo. O prédio da UNE foi incendiado e muitos foram presos, inclusive Domenico. Pepe estava com prisão decretada e não podia aparecer para ajudar o filho. Pepino tomou as rédeas.

Com alguns contatos conseguiu a soltura de Domenico. Na saída da delegacia pediu ao irmão que não se metesse mais em confusões, Domenico riu e comentou que nem o próprio Pepino conseguia isso, como poderia pedir a ele.

Pepe enfureceu-se por Domenico continuar em atos contra o governo e brigava sempre com ele. Até que um dia o patriarca mandou que o rapaz escolhesse entre a família e a luta.

Domenico olhou bem para o pai e disse “arrivederci papa”. Pepe não acreditou na atitude do filho que deu um beijo na mãe chorosa pedindo para o filho não partir. Domenico se encaminhou até a porta e disse “papa, eu amo esse país tanto quanto o senhor, então não me peça para não lutar por ele”.

Disse isso e foi embora morar com o tio Oscar levando apenas a roupa do corpo.

Foi uma grande decepção para Pepe Granata, que sempre colocou a família unida em primeiro lugar, ver o caçula partir. O homem com mais de cinquenta anos de idade, cansado pelas lutas da vida achou que estava na hora de escolher o novo chefe.

Reuniu os dois filhos, Pepino e Benito e contou que chegara a uma decisão. Não deixaria de ser o comandante, mas apenas seria um supervisor que se meteria sempre que achasse necessário. Pediu que os dois respeitassem sua decisão. O escolhido passaria a ser seu sócio e o outro trabalharia pelo sucesso do irmão.

Pepino e Benito ouviam o pai com ansiedade. Pepe encheu três copos de uísque, passou um para Pepino, outro para Benito e sentou-se. Bebeu um gole e sem se alongar anunciou que o escolhido era Pepino.

Pepino agradeceu dizendo que o pai poderia confiar nele enquanto enfurecido Benito arremessou seu copo longe e gritou que não aceitaria aquela decisão. Pepe levantou e enfurecido gritou que ainda era quem mandava naquela família e não aceitava aquele tom.

Com muito ódio Benito olhou firme para o pai e disse que não era mais seu filho.

Saiu enfurecido do escritório da mansão passando por Cecília, Dora e Isabela que nada entenderam. Subiu as escadas e Pepe saiu atrás gritando que ele não podia sair assim e que lhe respeitasse. Pepino foi o último a sair do escritório e Isabela perguntou o que ocorria. Pepino comentou que chefiaria os negócios e Isabela deu “parabéns”. Seco Pepino respondeu que não havia nada a comemorar.

Benito desceu com as malas e da escada Pepe gritou que pelo menos ele tivesse dignidade e deixasse tudo como o irmão. Benito arremessou as malas longe e chegou bem próximo ao pai dizendo “o senhor ainda vai ouvir falar muito de mim, eu vou destruir vocês”. Pepe enfurecido pegou a arma na cintura e Cecília se meteu entre os dois para evitar uma tragédia.

Benito da porta antes de sair gritou novamente “Eu vou destruir vocês”.

O tempo foi passando. Pepino cada vez mais tomava as rédeas dos negócios com Pepe tornando-se apenas um consultor e preferindo fazer articulações políticas. Tornou-se deputado estadual e tinha muito prestígio junto aos militares mesmo sendo banqueiro do bicho.

Enrico continuava na polícia, casara-se, tinha uma menininha e andava afastado da família. Com o tempo foi trabalhar no DOPS, por ironia do destino órgão inimigo de Oscar e Domenico.

Oscar e Domenico caíram na clandestinidade em grupos de extrema esquerda e tornaram-se procurados. Uma vez Enrico participou de uma ação e desta Domenico foi preso.

Pepe não quis saber do assunto dizendo não reconhecer mais Domenico como seu filho e quem entrou em ação foi Pepino. O homem bateu na porta do irmão que se assustou em vê-lo.

Enrico sorriu e ironicamente contou que podia prender o irmão já que ele era contraventor. Pepino entrou na casa e comentou que o irmão não faria isso, pois, o dinheiro da contravenção pagara seus estudos.

Enrico perguntou o que queria e Pepino perguntou se não tinha nada para beber naquela casa. Enrico respondeu que só cerveja e Pepino disse que servia. Enrico pegou cerveja para os dois e perguntou o que o irmão queria, Pepino respondeu que queria Domenico solto.

Enrico riu e comentou que isso não dependia dele e Pepino bebeu a cerveja do copo de uma vez só, colocou na mesa e disse que dependia sim andando até a porta. Enrico perguntou o que ganhava com isso e Pepino sem olhar o irmão e abrindo a porta “talvez uma geladeira nova, a sua não consegue gelar uma cerveja”.

Alguns dias depois Domenico estava solto e Enrico ganhava uma geladeira nova.

A verdade é que a família Granata se dissolvia com cada um dos quatro irmãos indo para um lado. Com o tempo Pepe e Pepino descobriram que Benito já era o braço direito de um dos maiores rivais dos Granata e Pepino sabia que aquilo traria problemas à família.

A família mesmo de Pepino estava à deriva. Apesar do nascimento de Sophia, a primeira menina Granata em tempos, o casamento ia de mal a pior. Os dois bebiam demais e brigavam demais. Não eram raras as vezes que Pepino e Isabela se agrediam e trocavam acusações.

Naquele momento turbulento Pepino foi a uma festa na casa de Zaqueu, que se afastara dos negócios e curtia aposentadoria e lá conheceu sua nova esposa, Roberta.

Roberta era morena, cabelos encaracolados, olhos verdes grandes, sedutores e usava um decote provocante, a moça bem mais nova que Zaqueu. O homem apresentava todo feliz sua nova esposa e Pepino de cara se encantou.

Pepino não conseguia desviar o olhar de Roberta e Isabela reparou. Enfurecida a mulher foi embora deixando o marido sozinho. Pepe e Zaqueu conversavam animadamente sobre negócios, passado e Roberta entediada ao lado sorria fingindo gostar do assunto. Pepino afastado bebia olhando a mulher e deixou o copo de uísque cair quando viu o rosto de Marta no lugar de Roberta.

Pepino pegou uma taça de champanhe e achou melhor dar um passeio para não olhar tanto a linda mulher. Caminhou pela bonita casa de Zaqueu e bebia olhando a Lua.

De repente viu uma pessoa se aproximar, quando olhou era Roberta. A mulher comentou que a Lua estava linda, Pepino respondeu que era verdade, mas não existia Lua mais bonita que a de Nápoles.

Pepino olhou para trás e comentou que os dois conversavam animadamente. Roberta sorriu e disse que não entendia nada do que eles conversavam e sinceramente nem queria entender. Pepino contou que falavam de negócios e ele era contra falar sempre de trabalho, ainda mais em festas.

Roberta perguntou sobre o que ele gostava de conversar e Pepino respondeu que sobre a vida e o amor. Quando ele terminou de falar começou a tocar a música “Roberta” de Pepino di Capri.

Roberta sorriu da coincidência da música com seu nome tocar e alguém com o nome dele cantar e Pepino olhando a moça respondeu não acreditar em coincidências. Roberta perguntou em que ele acreditava e Pepino respondeu “destino”.

Roberta e Pepino olharam-se por um tempo e a mulher comentou que achava melhor voltar para perto do marido. Pepino com a cabeça concordou e Roberta voltou para onde estavam Zaqueu e Pepe sem tirar os olhos do homem.

Roberta não tirava os olhos de Pepino enquanto Zaqueu ria e comentava com a esposa a forma que uma vez ele e Pepe fugiram de uma briga com mais de dez homens na Lapa.

De madrugada Pepino bebia uísque no escritório da mansão quando Pepe entrou no lugar. O Barão pegou um copo, encheu o seu e antes de beber comentou que sabia o que o filho estava fazendo. Pepino disse não entender o que o pai dizia e Pepe contou “você e a esposa de Zaqueu”.

Pepino falou que o pai entendia tudo errado e Pepe pediu que o filho duvidasse de tudo, menos de sua inteligência. “Eu sou homem, tenho minhas necessidades de homem, mas respeito um amigo e peço que você faça o mesmo” disse Pepe que depois encheu novamente o copo e deu boa noite ao filho.

Pepino sentou na cadeira sozinho, mexeu com o dedo no gelo da bebida e sorrindo falou sozinho “Roberta..”.

Não teve jeito e os dois tornaram-se amantes. Encontraram-se várias vezes e Pepino montou uma “garçoniére” para os encontros com a amada. Os Granata já desconfiavam do caso. Pepe ordenava que o filho parasse e Isabela enfurecida acusava o marido de traição. Pepino negava tudo, mas estava na cara aquele amor proibido.

Uma noite Pepino bebia na garçoniére e tocaram a campainha, era Roberta. O homem já esperava a amante com champanhe no gelo e assim que ela entrou colocou “Roberta” na vitrola chamando-lhe pra dançar.

Enquanto dançavam Pepino comentou que iria se separar de Isabela. Roberta perguntou porque e Pepino contou que lhe amava. Era a primeira vez que falava isso para a amante.

Roberta ficou num misto de surpresa e felicidade com que o homem disse e sem deixá-la respirar Pepino pediu que ela também se separasse de Zaqueu e que eles morassem juntos. Roberta comentou que Pepino era louco e o homem respondeu “louco por você”.

Roberta ficou em silêncio e Pepino fez o pedido “case comigo”. Roberta sorriu e disse que aceitava. Pepino feliz deu um beijo em Roberta e os dois fizeram amor.

Pepino chegou apenas de madrugada em casa e quando entrou no quarto Isabela lhe esperava sentada na cama. Pepino entrou e deu um seco “boa noite” à esposa que perguntou “você estava com ela não é?”. Dessa vez não teve mentiras, enrolação, nada. Pepino confirmou “Sim, estava”.

Isabela pegou um copo sobre a mesinha e arremessou em Pepino gritando “desgraçado, ainda assume!!”. Pepino sem esmorecer contou que queria se separar e Isabela levantou esmurrando o peito do marido e dizendo que na sua família ninguém se separava.

Pepino se desvencilhou da esposa, pegou uma mala e começou a arrumar dizendo que o casamento fora um erro e ela poderia ficar na mansão com as crianças. Isabela chorava, se ajoelhava agarrando as pernas de Pepino pedindo para que não lhe abandonasse e Pepino disse “Não posso te abandonar porque nunca estive com você”.

Pepino desceu com a mala, Isabela chorava atrás e na sala Pepe de roupão perguntou aonde o filho ia. Pepino respondeu “Vou ser feliz”.

Pepino se mudou para a garçoniére e lá esperou Roberta aparecer contando que largara o marido. Esperou o dia seguinte inteiro até que a campainha tocou. Pepino correu para abrir a porta.

Quando abriu viu que era Zaqueu.

Pepino se assustou ao ver o amigo do pai. Sem entrar na casa e com voz calma Zaqueu contou que sabia de tudo, a esposa lhe contara do caso dos dois pedindo perdão e que perdoara a mulher. Pepino não conseguia acreditar no que ouvia e Zaqueu finalizou dizendo que no dia seguinte viajaria para uma longa viagem à Europa com a mulher e se soubesse que ele lhe procurara mais uma vez mataria o filho do amigo Pepe sem dó nem piedade.

Zaqueu terminou de falar, viu que Pepino ficou em silêncio, sem reação e falou “era isso, dê lembranças ao seu pai”.

Pepino ficou sozinho no lugar. Pegou uma garrafa, ia encher o copo de uísque e desistiu bebendo direto da garrafa. Viu a imagem de Marta e irritado jogou a garrafa contra o vazio. Sentado desandou a chorar a traição da amante.

Desesperado foi no dia seguinte ao aeroporto tentar encontrar Roberta e Zaqueu. Ainda viu os dois entrando na área de embarque felizes se beijando e desistiu de fazer algo. Viu o casal sumir do seu campo de visão para nunca mais aparecerem.

Desolado Pepino sentou em um banco pensando que largara tudo por aquela mulher quando ouviu uma voz lhe perguntar “veio me buscar?”. Pepino olhou e viu a imagem de Marta. Ficou sem reação e a mulher perguntou novamente “O que foi? Não ta me reconhecendo?”. Esfregou os olhos novamente.

Era Bianca.


CAPÍTULO ANTERIOR:

VOLTANDO AO BRASIL

quinta-feira, 21 de julho de 2016

SOBE O SOM: CHARLIE BROWN JR & RAIMUNDOS


Raimundos é uma banda de rock brasileira formada em Brasília em 1987. O nome é derivado de uma de suas maiores influências, a banda Ramones. Com 8 discos autorais, 20 anos de estrada e mais de 5 000 000 de cópias vendidas, o Raimundos está marcado na história como uma das principais bandas de rock no Brasil.

O grupo foi formado em Brasília no final do ano de 1987 com Digão na bateria e Rodolfo Abrantes na guitarra. Os dois eram vizinhos. Digão era muito influenciado por Dead Kennedys (ele considera o álbum Bedtime For Democracy o seu predileto). Na época, Raimundos era um cover de Ramones. No entanto, faltava um baixista. Rodolfo decidiu chamar Canisso para tocar com eles e com a entrada deste, a banda foi levada um pouco mais a sério.

A primeira apresentação da banda foi realizada na casa de Gabriel (cantor do Autoramas) durante a virada de ano de 1988, sendo que um dos presentes era Fred, que tornar-se-ia então baterista. A parte nordestina do som é reflexo da cultura familiar dos integrantes e das canções do compositor de forró Zenilton.

Charlie Brown Jr. (também abreviada como CBJR) foi uma banda brasileira formada em Santos no ano de 1992. Misturou vários ritmos como o rock, hardcore, Surf Rock, o reggae, o rap, o skate punk, criando um estilo próprio. Suas letras fizeram críticas à sociedade da perspectiva do universo jovem contemporâneo. Todos os membros da banda eram naturais da cidade de Santos, exceto o vocalista Chorão, que nasceu em São Paulo.

No dia 6 de março de 2013, o membro-fundador Chorão faleceu em seu apartamento em São Paulo devido a uma overdose de cocaína e álcool. Os membros remanescentes da banda decidiram não mais usar o nome Charlie Brown Jr., assim mudando-se para A Banca, na intenção de preservar a memória de Chorão com o antigo nome e homenageá-lo.

Em Julho de 2015, um levantamento da plataforma de streaming Deezer revelou que o Charlie Brown Jr. é a segunda banda brasileira de rock mais ouvida no exterior, atrás apenas do Sepultura . Em Setembro de 2015, levantamento similar da Billboard Brasil divulgou uma lista similar com 47 brasileiros, e o CBJr. apareceu na 31a posição, o quarto grupo (depois do Sepultura, Natiruts e Tribalistas).

Então vamos lá!!


Sobe o som Charlie Brown Jr e Raimundos!!


Céu azul (Cbjr)


Dias de luta, dias de glória (Cbjr)


Só os loucos sabem (Cbjr)


Senhor do tempo (Cbjr)


Ela vai voltar (Cbjr)


Meu novo mundo (Cbjr)


Zóio de lula (Cbjr)


Proibida pra mim (Cbjr)


Como tudo deve ser (Cbjr)


Te levar (Cbjr)


Puteiro em João Pessoa (Raimundos)


Eu quero ver o oco (Raimundos)


A mais pedida (Raimundos) - Com Érika Martins


Esporrei na manivela (Raimundos)


Reggae do manêro (Raimundos)


I saw you saying (Raimundos)


Vinte e poucos anos (Raimundos)


O pão da minha prima (Raimundos)


Tora tora (Raimundos)


Deixa eu falar (Raimundos)


Bem. Aí está um pouco da história dessas duas grandes bandas que surgiram nos aos 90. Semana que vem falo de duas divas dos anos 70. Tem Donna Summer e Gloria Gaynor.


Enquanto isso eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer.


Já que ela é complicada e perfeitinha.


SOBE O SOM ANTERIOR:

GLEE

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CINEBLOG: HARRY & SALLY


Cineblog fala hoje de um dos filmes que inaugurou a temática "comédia romântica" no cinema começada no fim dos anos 80 ajudando a consagrar Meg Ryan como estrela do gênero.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


HARRY & SALLY


When Harry Met Sally... (br: Harry e Sally - Feitos um para o outro / pt: Um amor inevitável ) é um filme estadunidense de 1989, do gênero comédia romântica, dirigido por Rob Reiner. É estrelado por Billy Crystal como Harry e Meg Ryan como Sally. A história segue os personagens a partir do momento que viajam juntos de Chicago até Nova Iorque e passam a se encontrar esporadicamente por 12 anos ou mais de encontros casuais em Nova Iorque. O filme levanta a questão "Pode homens e mulheres sempre apenas ser amigos?" e avança muitas idéias sobre as relações que se tornaram conceitos domésticos e a "pessoa de transição".

As origens do filme vieram do retorno de Reiner a vida de solteiro após o divórcio. Uma entrevista realizada por Ephron com Reiner forneceu a base para Harry. Sally foi baseada em Ephron e alguns de seus amigos. Crystal entrou no elenco e fez suas próprias contribuições para o roteiro, fazendo Harry mais engraçado. Ephron forneceu a estrutura do filme com grande parte do diálogo baseado na amizade na vida real entre Reiner e Crystal. A trilha sonora é composta por padrões realizados por Harry Connick, Jr., com uma big band e orquestra arranjado por Marc Shaiman. Connick ganhou seu primeiro Grammy Award para melhor performance vocal masculino de jazz.

Columbia Pictures lançou o filme usando a "plataforma" técnica, que envolveu abri-lo em algumas cidades selecionadas, deixando um boca a boca positivo gerar interesse, e então gradualmente expandindo a distribuição ao longo de semanas subseqüentes. When Harry Met Sally... arrecadou um total de 92,8 milhões de dólares na América do Norte. Ephron recebeu um British Academy Film Award, uma nomeação ao Oscar, e uma nomeação ao Writers Guild of America Award para seu roteiro. O filme está classificado em 23 na lista das melhores comédias estadunidenses segundo o American Film Institute e número 60 no Bravo em sua lista dos 100 filmes mais engraçados. No início de 2004, o filme foi adaptado para o palco em uma produção estrelada por Luke Perry e Alyson Hannigan.


Sinopse



Após se formarem pela Universidade de Chicago, um casal de estudantes que se odeiam, viajam juntos para Nova Iorque. Cada um leva a sua vida e se veem esporadicamente, durante muitos anos, até que descobrem que estão apaixonados.


Produção



Em 1984, diretor Rob Reiner, produtor Andy Scheinman e escritora Nora Ephron se reuniram durante almoço no Russian Tea Room em Nova Iorque para desenvolver um projeto. Reiner armou uma idEia para um filme que Ephron rejeitou. A segunda reunião foi transformada em uma longa discussão sobre a vida de Reiner e Scheinman como homens solteiros. Reiner lembra: "Eu estava no meio da minha vida de solteiro. Eu tinha sido divorciado por um tempo. Eu tinha sido uma série de vezes, todos esses desastrosos relacionamentos, confundindo um após o outro". A próxima vez todos eles se conheceram, Reiner disse que ele sempre quis fazer um filme sobre duas pessoas que se tornam amigos e não fazem sexo porque sabem que vai arruinar seu relacionamento, mas fazeM sexo de qualquer maneira. Ephron gostou da idEia, e Reiner adquiriu um negócio em um estúdio.

Ela então começou a entrevistar Reiner e Scheinman sobre suas vidas, a fim de ter material sobre o qual a desenhar. Estas entrevistas também forneceram a base para Harry. Reiner estava constantemente deprimido, pessimista, mas muito engraçado. Ephron também teve pedaços de diálogo a partir dessas entrevistas. Sally foi baseada em Ephron e alguns de seus amigos. Ela trabalhou em vários projetos ao longo dos anos, enquanto Reiner fez Stand By Me e The Princess Bride. Billy Crystal vieram a bordo, quando o projeto foi chamado Boy Meets Girl e fez suas próprias contribuições para o roteiro, fazendo Harry mais engraçado. O comediante "experimentou indiretamente" de Reiner (seu melhor amigo na época) o retorno à vida de solteiro depois de se divorciar da comediante/cineasta Penny Marshall e no processo fez inconscientemente pesquisa para o papel de Harry.

Durante o processo de roteiro quando Ephron não estava com vontade de escrever, ela iria entrevistar pessoas que trabalhavam para a empresa de produção. Algumas das entrevistas apareceram no filme como os interlúdios entre certas cenas com casais falando sobre como eles se conheceram, embora o material foi reescrito e refeita com os atores. Ephron forneceu a estrutura do filme com grande parte do diálogo baseado na amizade na vida real entre Reiner e Crystal. Por exemplo, na cena em que Sally e Harry aparecem em uma tela dividida, falar ao telefone enquanto assistem a seus respectivos aparelhos de televisão, canal de surf, era algo que Crystal e Reiner faziam todas as noites.

Originalmente, Ephron queria chamar o filme como How They Met (em português, eles se conheceram) e passaram por vários títulos diferentes. Reiner até mesmo começou uma competição com a equipe durante a fotografia principal - Quem veio com o título ganharia uma caixa de champanhe. A fim de entrar na mentalidade solitária de Harry quando ele estava divorciado e solteiro, Crystal ficou sozinho em um quarto separado do elenco e da equipe, enquanto eles estavam filmando em Manhattan. O roteiro inicialmente terminou com Harry e Sally ficando amigos e não perseguir um relacionamento romântico, porque ela sentiu que era "o verdadeiro final", como fez Reiner. Eventualmente, Ephron e Reiner perceberam que seria um final mais apropriado para que eles se casassem, apesar de admitir que esta não é, geralmente, um resultado realista.

Quando posou a questão central do filme, homens e mulheres podem ser apenas amigos, Ryan respondeu: "Sim, homens e mulheres podem ser apenas amigos. Eu tenho um monte de amigos platônicos, e sexo não fica no caminho". Crystal disse: "Eu sou um pouco mais otimista do que Harry. Mas eu acho que é difícil. Os homens, basicamente, agem como cães vadios na frente de um supermercado. Eu tenho amigas platônicas, mas não melhor, melhor, melhores amigas".

Rob Reiner inicialmente imaginou a atriz Susan Dey para o papel de Sally Albright. Quando ela recusou, ele mais tarde considerou Elizabeth Perkins. Ele também considerou para o elenco Elizabeth McGovern. Molly Ringwald quase foi lançada, mas Meg Ryan convenceu Reiner para dar-lhe o papel.

As cenas que mostram vários casais contando como se conheceram são verídicas, tendo sido gravadas pelo diretor Rob Reiner especialmente para serem inseridas no filme. "Harry" aparece lendo Misery, do escritor Stephen King, obra em que se baseou o filme seguinte dirigido por Rob Reiner.


Cena do restaurante



Em uma cena com os dois personagens do título com um almoço no Katz's Delicatessen em Manhattan, o casal está discutindo sobre a capacidade do homem de reconhecer quando uma mulher está fingindo um orgasmo. Sally afirma que os homens não podem dizer a diferença, e para provar seu ponto, ela vividamente (completamente vestida) finge um enquanto outros clientes assistem. A cena termina com Sally regressando a sua comida e uma mulher que casualmente a observa (interpretada por Estelle Reiner) pede ao garçom: "Quero o mesmo que ela comeu". Quando Estelle Reiner morreu aos 94 anos em 2008, The New York Times se referiu a ela como a mulher "que deu à luz uma das falas mais graciosas e memoráveis na história do cinema". Esta cena foi filmada de novo e de novo, e Ryan demonstrou fingir orgasmos por horas. A cena do orgasmo foi filmada no restaurante Katz's Deli, em Nova Iorque, e a mesa onde ocorreu tem atualmente uma placa onde se lê: "Congratulations! You're sitting where Harry met Sally" ("Parabéns! Você está sentado onde Harry conheceu Sally"), e há outras espalhadas no restaurante que dizem "We hope you had what Sally had" (um trocadilho que pode significar "Esperamos que tenha consumido o mesmo que Sally" ou "Esperamos que você tenha conseguido o mesmo que Sally", em uma alusão divertida ao orgasmo).

Esta cena clássica nasceu quando o filme começou a se concentrar demais em Harry. Crystal se lembra de dizer: "Precisamos de algo para Sally falar sobre", e Nora disse: 'Bem, fingir orgasmo é uma grande', e imediatamente nós dissemos: 'Bem, o assunto é bom', e então Meg veio a bordo e nós conversamos com ela sobre a natureza da idEia e ela disse, 'Bem, por que eu não posso simplesmente falsificar, basta fazer um?'" Ryan sugeriu que a cena acontecesse em um restaurante, e foi Crystal, que surgiu com a frase clássica da cena - "Eu quero o que ela pediu". Em 2005, o orçamento foi listado em 33 na lista das 100 frases memoráveis do cinema do American Film Institute pela frase. Reiner recorda que em uma sessão de teste, todas as mulheres na plaTEia estavam rindo enquanto todos os homens ficaram em silêncio.

No outono de 2013, Improv Everywhere, em Nova Iorque no anual No Pants Day nos metrôs e várias acrobacias flash mob, convocaram e filmaram uma reencenação. Enquanto um casal sósia realizava a cena, 30 outros se juntaram como se fosse contagiosa. Equipe e clientes responderam em apreciação. As entrevistas de cinema e de acompanhamento são públicos


Trilha sonora



O álbum da trilha sonora de When Harry Met Sally... apresenta o cantor e pianista estadunidense Harry Connick, Jr.. Bobby Colomby, o baterista do grupo Blood, Sweat & Tears, era um amigo de Reiner e recomendou Harry Connick, Jr., dando ao diretor um fita da música do músico. Reiner foi atingido pela voz de Connick e como ele soava como um jovem Frank Sinatra. O álbum da trilha sonora do filme foi lançado pela Columbia Records em julho de 1989. A trilha sonora é composta por padrões realizados por Harry Connick, Jr., com uma big band e orquestra de Marc Shaiman. Connick ganhou seu primeiro Grammy para melhor performance vocal masculino de jazz.

Arranjos e orquestrações de "It Had to Be You", "Where or When", "I Could Write a Book", e "But Not for Me" foram realizadas por Connick e Shaiman. Outras canções foram realizados com os solos piano/vocais, ou com trio de Connick, Benjamin Jonah Wolfe no baixo e Jeff "Tain" Watts na bateria. Também aparecem no álbum são saxofonista tenor Frank Wess e guitarrista Joy Berliner. A trilha sonora ficou em #1 na revista Billboard no seu top de jazz tradicional e estava dentro do top 50 na Billboard 200. Connick também excursionou pela América do Norte em apoio a este álbum. Ele passou a atingir o estatuto de dupla platina.

As demais canções do filme são realizadas por vários artistas, tais como Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Ray Charles, Bing Crosby, e Harry Connick, Jr..


Elenco



Billy Crystal .... Harry Burns
Meg Ryan .... Sally Albright
Carrie Fisher .... Marie
Bruno Kirby .... Jess
Steven Ford .... Joe
Lisa Jane Persky .... Alice
Michelle Nicastro .... Amanda Reese
Gretchen Palmer .... aeromoça
Robert Alan Beuth .... homem no aeroporto
David Burdick .... menino
Joe Viviani .... juiz
Harley Kozak .... Helen Helson
Joseph Hunt .... garçom
Kevin Rooney .... Ira Stone
Franc Luz .... Julian


Principais prêmios e indicações



Oscar 1990 (EUA)

Recebeu uma indicação na categoria de melhor roteiro original.

Globo de Ouro 1990 (EUA)

Recebeu cinco indicações nas categorias de melhor filme - comédia/musical, melhor diretor, melhor ator - comédia/musical (Billy Crystal), melhor atriz - comédia/musical (Meg Ryan) e melhor roteiro.

BAFTA 1990 (Reino Unido)

Venceu na categoria de melhor roteiro original.
Indicado também na categoria de melhor filme.

American Comedy Awards 1990 (EUA)

Venceu na categoria de ator mais engraçado (Billy Crystal) e atriz mais engraçada (Meg Ryan)


Semana que vem Cineblog volta com o lendário "O clube dos cafajestes".



CINEBLOG ANTERIOR:

TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO

terça-feira, 19 de julho de 2016

TROCANDO EM VERSOS: CRIATURAS



Hoje vim aqui ironizar
Felicitar quem não tem razão
Endeusar o idiota que vai falar
E não tem neurônio pra dar opinião
Terrorista agora tem PHD
E eu nem consigo passar no vestibular
Chego em casa e ligo a TV
Nas desgraças tenho que me atualizar
Vou criar um website na internet
Meus fracassos compartilho via satélite

Celebração da incompetência
Apologia da mediocridade
Tributo a incoerência
Muitos vivas para a falsidade

Como diria um psicopata amigo meu
A ética no mundo se perdeu
A mídia se preocupa com problemas existenciais
Que vem passando uma tribo de canibais
O Brasil é um país complexado
Parece até criado pela avó
O malandro agora vira deputado
Enche o cu de grana e o nariz de pó
A babaquice fez daqui seu habitat
São criaturas que chegaram pra ficar

Celebração da incompetência
Apologia da mediocridade
Tributo a incoerência
Muitos vivas para a falsidade


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

NO BAILE

sexta-feira, 15 de julho de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XIX - VOLTANDO AO BRASIL


Pepe deu uns telefonemas, Oscar e Dória foram escudo e Pepino conseguiu sair da Itália antes que o caso explodisse. No avião a cabeça de Pepino não parava, era um redemoinho pensando em tudo o que ocorrera. Foi o responsável pela morte de Rubens e de Marta. Principalmente de Marta.

Bebeu demais no avião que passava por uma tempestade, suava frio e a aeromoça perguntou se estava bem. Pepino respondeu que sim e pediu mais uma dose. Já estava de noite, todos dormiam no avião menos Pepino que tremia e olhava a janela. De repente viu o clarão de um trovão e o rosto de Marta na janela do veículo. Deu um grito desesperado, assustador.

A aeromoça foi ver o que ocorrera e um transtornado Pepino apontava para a janela. A mulher contou não ver nada e deu um remédio para que ele se acalmasse. Um sossega leão que fez Pepino dormir até chegar ao Brasil.

Chegando ao Brasil Pepe lhe esperava sozinho no aeroporto. Pepino foi até o pai lhe dar um abraço e o homem devolveu apenas com um aperto de mão. Pepe olhou sério o filho e comentou que eles nunca tocariam no assunto, nunca mais seria pronunciado. Pepino entendeu o recado e concordou.  

Pepino estava de volta para alegria da família. Voltava para estudar e continuar sua carreira de boxeador mesmo contra a vontade do pai. Treinava em uma academia em Feital e uma luta foi marcada.

A família Granata toda foi ao ginásio no dia da luta e Pepino mostrou ser um grande boxeador dominando todo o combate. Parecia caminhar para a vitória quando se distraiu vendo Marta sentada em uma das cadeiras lhe assistindo.

Pepino se assustou e recebeu um soco em cheio do adversário sendo nocauteado. Pepino caiu desmaiado no chão e rapidamente levado para um hospital.

Ficou quatro dias em coma e quando acordou viu Marta parada ao seu lado. Começou a gritar sendo acudido por enfermeiras.

Recebeu visita da família e Pepe ao entrar pediu para ficar sozinho com o filho. Todos saíram e Pepe sentou ao lado da cama de Pepino. Olhou por um tempo o filho e disse “chega de besteiras”. Antes que Pepino tentasse se defender emendou “quem manda sou eu e você vai me ouvir”.

Pepe emendou “Você receberá uma última chance. Arrumei emprego pra você e na semana que vem irá trabalhar na construção da nova capital”.Pepino tentava falar e o pai não deixava “Você é meu filho mais velho e tem que se preparar, criar juízo. Trabalhará lá como mais um, sem pai ou tio pra lhe adular e quero que volte homem, para aprender os negócios da família senão irei te deserdar”.

Pepino ficou em silêncio e Pepe perguntou se o rapaz entendera o recado. Pepino desgostoso respondeu “sim papa” e Pepe completou “semana que vem”.

Pepe saiu do quarto e Pepino fechou os olhos quando bateram novamente na porta de seu quarto. O rapaz desanimado mandou que entrasse e teve uma surpresa, era Bianca.

Anos que Pepino não via Bianca e seu coração acelerou. Bianca tímida se aproximou de Pepino e perguntou como o rapaz estava. Pepino respondeu que bem e Bianca contou que esteve na luta.

Pepino riu e falou que não lutou muito bem, Bianca contou que gostara da luta, mas Pepino disse que sua carreira se encerrara ali. O rapaz pegou a mão de Bianca e comentou “Pensei que você me odiasse”. Bianca pela primeira vez olhou nos olhos de Pepino e respondeu “Eu nunca odiei você, só tive medo”.

Pepino surpreso perguntou “medo de mim?” Bianca respondeu “Não, medo de mim”.

Dessa forma Pepino e Bianca se aproximaram. O pai de Bianca morrera então o maior entrave do romance dos dois não existia mais. Pepino fez a corte e eles começaram a namorar mesmo com Pepino a poucos dias de embarcar. Pepino jurou amor eterno à moça e que se corresponderiam sempre.

Pepino embarcou para a construção de Brasília, a nova capital e lá ficou por dois anos trabalhando duro na feitura da cidade. Como Pepe prometera não teve privilégios, trabalhou como peão.

Aos poucos Pepino se afastava das confusões. Amadurecia tornando-se um homem mais sério. Não deu trabalho aos chefes e manteve-se fiel à Bianca. Mandava cartas todas as semanas contando de seu amor e quanto sentia saudades. Às vezes passava finais de semana no Rio de Janeiro ou a moça em Brasília. Assim como Marta Bianca queria se manter virgem para o casamento, mas diferente do que fez na Itália Pepino respeitou.

Pepino carregava o peso da morte de Marta e não eram poucas as vezes que sonhava com a moça ou via seu vulto. Preferia guardar para si o que ocorria e cada vez mais bebia. Não era alcoólatra, mas não tinha um dia que Pepino não bebesse algo.

Dois anos se passaram e algumas coisas ocorreram como as mortes de Manuel e Constância. Benito, o segundo filho de Pepe, começara a trabalhar com ele. Era um rapaz saído da adolescência e foi nessa época, mesmo antes da inauguração de Brasília que Pepe chamou Pepino de volta.

Era o começo de 1959. Pepino com vinte e um anos, Benito com dezenove e os outros filhos, Domenico e Enrico no meio da adolescência. Pepe Granata era um dos homens mais poderosos do Brasil. O principal banqueiro de jogo do bicho do país além de ter “Casas Granata” espalhadas por todo o território nacional. Aumentava seu império, conquistava outras bancas e regiões sem pedir “por favor” ou comprá-las.

Muitas vezes tomava na marra, não foram poucas as vezes que seus inimigos eram encontrados mortos. Mas o Barão de Feital sempre negava envolvimento nos crimes.

Sofreu alguns atentados e foi preso também algumas vezes como quando descobriram um cassino clandestino de sua propriedade. Mas seu poderio era grande envolvendo políticos e juízes e sempre escapava no fim. Tinha corpo fechado para bala e cadeia como dizia Mãe Baiana.

Com esse cenário Pepino foi apresentado de verdade ao jogo do bicho e aos outros negócios do pai como cassinos. Zaqueu cuidava exclusivamente dos negócios “limpos” da família como o comércio. Pepino e Benito seriam os responsáveis pelo lado “sujo”.

Além desses negócios Pepe investiu em outras áreas. No clube de futebol e na escola de samba da região. Benito ficou responsável pelo Feital Futebol Clube, clube pequeno da região que o Barão resolveu assumir para disputar com os grandes do campeonato carioca. Deu carta branca para que Benito jorrasse dinheiro no clube, dessa forma além de cuidar do futebol que era uma das suas paixões praticaria “lavagem de dinheiro”.

Para Pepino restou outra grande paixão de Pepe, escola de samba.

O Barão levou Pepino até um ensaio da Acadêmicos do Feital, escola que ficava numa pequena favela do bairro. Pepino se incomodou com o calor e o batuque, não estava acostumado e Pepe mandou que ele sorrisse bastante e agradasse a comunidade, pois, assumiria a presidência da escola.

Pepino alegou que não entendia nada de samba, nunca estivera numa escola antes e nem gostava do batuque em vão. Pepe com um lenço limpou a testa e contou ao filho que muitas vezes um homem era obrigado a fazer o que não gostava para ganhar na frente e apontou para a quadra.

“Está vendo essas pessoas felizes sambando?” Perguntou Pepe. “Essas pessoas, as que torcem pelo Feital, as que são protegidas por nossa fundação são as mesmas que nos protegerão de nossos inimigos e nos darão sustentação política para ganhar o poder”.

Dito e feito. Com pressão de Pepe e apoio da população e de seu braço na Assembléia conseguiu a emancipação de Feital que assim virava um novo município do Rio de Janeiro e tornou-se o primeiro prefeito da cidade. O primeiro de muitos da família Granata a governar a cidade.

Pepino e Benito cresciam junto ao pai. Benito era ambicioso, queria ser o herdeiro de Pepe, trabalhava com afinco e inteligente procurava sempre aprender, se esforçar enquanto Pepino curtia mais a vida. Bebia, saía com os amigos, namorava Bianca e também trabalhava e mostrava inteligência.

Pepino finalmente parecia tomar jeito na vida e Pepe podia contar com os dois filhos.

Um dia Pepino bateu na porta da namorada com um buquê de flores e outra moça atendeu. Uma moça linda, cabelos encaracolados, adolescente ainda que lhe atendeu com um sorriso.

Pepino sem jeito deu bom dia e perguntou por Bianca. A moça ainda sorrindo comentou “ah, você que deve ser meu cunhado” e gritou por Bianca.

Bianca apareceu abraçando o namorado e perguntou se ele conhecia Isabela. Pepino respondeu que não e a namorada contou que era sua irmã e vivia com seus avós em Minas. Com a morte da avó ela e o avô vieram morar na cidade.

Pepino soltou um “interessante” sem a namorada perceber e Bianca pegou as flores do namorado, deu um beijo em seu rosto e perguntou se não iriam passear. Pepino saiu do surto e respondeu que sim. Isabela pegou as flores e desejou bom passeio ao casal.

Pepino e Bianca foram ao cine Rian assistir “Quanto mais quente melhor” com Marilyn Monroe e foram lanchar na confeitaria Colombo. Enquanto Bianca falava da beleza de Marilyn Pepino pensava na beleza da irmã da namorada.

Bianca riu e comentou que o namorado estava com pensamento longe e Pepino distraído perguntou sobre o que ela falava. Bianca limpou o rosto do namorado sujo de sorvete e comentou que Pepino devia estar pensando na Marilyn, mas ela não tinha ciúmes.

Pepino disse “que bom” e em pensamento dizia que não podia entrar em mais uma “roubada”.

Por pedidos da mãe de Bianca o casal começou a levar Isabela para passear junto. Pepino para tentar aliviar sua situação levava Benito com os três, mas nem sempre o irmão, fissurado pelo trabalho, acompanhava. Então os três formavam um estranho casal. Só Bianca não percebia o que ocorria. Isabela tentava seduzir Pepino que tentava resistir.

Mesmo com todas as investidas Pepino conseguiu juntar Benito e Isabela e os dois começaram a namorar. Mas mesmo sendo casais agora e a festa dada por Pepe pela união total dos Granata com os Fontenelle Isabela não se dava por vencida na tentativa de seduzir o cunhado.

Uma noite Pepino bateu na porta de Bianca e Isabela atendeu. A moça contou que a irmã tinha saído um pouco com a mãe e o avô, mas ele poderia entrar. Pepino achou por bem voltar em outra hora, mas a cunhada insistiu e ele entrou.

Isabela mandou que Pepino sentasse e perguntou se o cunhado queria um copo de uísque. Pepino respondeu que sim e a moça preparou. Isabela voltou com dois copos brindando com o cunhado pela união da família. Pepino virou de uma vez só e maliciosa Isabela comentou que o cunhado gostava de beber.

Pepino respondeu que aquele era bom e perguntou se tinha mais. Isabela respondeu que era melhor levar a garrafa para a sala. Enquanto buscava Pepino perguntava por Bianca e mais uma vez Isabela disse que já chegava.

Pepino era muito fraco para a bebida e sem perceber já bebera metade da garrafa. Foi ficando zonzo e confundindo o rosto de Isabela com Bianca. A cunhada chegou em seu ouvido e comentou que tomaria banho, mas já voltava.

O rapaz continuou bebendo, cada vez mais zonzo, bêbado e Isabela voltou à sala apenas de toalha dizendo que tinha um bicho no banheiro, achava ser uma barata e pediu para Pepino ir ao local matar. Pepino se levantou, ficou frente a frente com a cunhada apenas de toalha e em vez de ver seu rosto viu o de Marta.

O homem totalmente perdido comentou “temos algo pra terminar” e beijou a cunhada lhe jogando no sofá. Isabela riu e perguntou se ele só faria aquilo. Pepino tirou a camisa, abriu a calça e se jogou em cima da cunhada.

Os dois se agarraram com vontade, violentamente no sofá. Faziam amor quando Bianca, a mãe e o avô entraram na casa.

Bianca deu um urro de dor e histérica perguntou o que significava aquilo. Isabela rapidamente colocou a toalha de volta e Pepino tentava se vestir falando que não era nada daquilo que ela pensava. O avô de Bianca tirou seu cinto e partiu pra cima do rapaz que bêbado e apenas de samba canção fugiu deixando a calça pra trás.

Em casa Pepe deu um tapa na cara de Pepino e perguntou como ele tivera coragem de cometer uma burrice tão grande. Pepino respondeu que estava bêbado e o pai gritou que não era desculpa, um homem sempre teria que estar ciente dos seus atos. Pepino chorando gritava que amava Bianca e Pepe com ódio respondeu que nenhuma mulher aceitaria o que ele fez, ainda mais com a irmã.

Pepino tentou, procurou diversas vezes Bianca, mas foi enxotado não só pela moça como por sua mãe e avô. Isabela fora mandada passar uns dias fora da cidade na casa de tios. Pepino caía em desgraça com a família Fontenelle e com seu pai.

A situação só piorava. Uma vez Pepino bebia uísque na sala de casa quando Benito entrou e ficou parado em pé olhando o irmão. Pepino percebeu a presença e olhando Benito perguntou qual era o problema. Benito tomado pelo ódio gritou “Eu amava a Isabela e ela está grávida de você seu desgraçado!!”. Pepino ficou em pé e disse não entender o que o irmão dizia quando tomou um soco dele.

Pepino caiu, mas se levantou partindo pra cima do irmão. Os dois se esmurravam quando Dora apareceu gritando para que eles parassem. Os irmãos não pararam até que Dora começou a passar mal e o restante da família apareceu.

Os dois irmãos foram apartados Pepe perguntou o que acontecia. Benito revoltado contou que Isabela voltara para a cidade e estava grávida do “calhorda”. Pepe perguntou a Pepino se aquilo era verdade e o filho respondeu que não sabia, estava tão surpreso quanto ele.

Pepe comentou que só tinha um jeito de descobrir e iriam até a casa dos Fontenelle.

Pepe, Cecília e Pepino foram a casa e no local a mãe das meninas confirmou tudo. Pepino o tempo todo olhava para Bianca que com ódio desviava o olhar e não dizia uma palavra. Pepe pediu desculpas à família de Isabela e disse que o filho faria o certo.

Pepino perguntou “o que era o certo” e Pepe respondeu “vocês irão se casar”. Pepino levantou e gritou que não aceitava, não amava e Isabela e Pepe deu um tapa em seu rosto mandando que nunca mais gritasse com ele.

Pepe pegou um lenço, limpou a testa e completou que aquilo era o digno de um homem fazer, de um Granata, ele tinha feito com sua mãe e o filho faria o mesmo. Pepino ainda tentou argumentar quando Pepe ameaçou “faz isso ou está fora da família”.

Pepino era obrigado a concordar para felicidade de Isabela e tristeza de Bianca.

Os Granata e os Fontenelle apressaram o casório. Pepino se arrumava triste no quarto quando Benito entrou. O irmão mais velho deu um sorriso e se disse aliviado pelo irmão estar lá lhe perdoando e pediu um abraço. Benito cheio de ódio se aproximou e falou que não perdoava, nunca iria perdoar e seu ódio por Pepino seria eterno.

Benito completou “Eu só vim aqui pra dizer de coração que desejo que você seja muito infeliz na vida” e saiu do quarto. Pepino atormentado com o que o irmão disse abriu um uísque, encheu o copo, sentou e bebeu de uma vez. Viu a imagem de Marta no espelho e tacou o copo no mesmo destruindo por inteiro.

Bianca não foi ao casamento e um triste Pepino esperou Isabela no altar. A moça entrou linda na igreja acompanhada de um tio e Pepino recebeu sua mão. Em seu ouvido Isabela disse “Vou te fazer muito feliz”. Pepino devolveu “Eu duvido muito”.

A festa na mansão dos Granata foi suntuosa com todo mundo se divertindo, menos Pepino. Graças aos Fontenelle a nata da sociedade estava presente e quando Pepe decidiu fazer um discurso disse “Eu sei que muitos de vocês que estão aqui não gostam de mim, me acham bandido e menor porque vim da pobreza, mas tudo bem, sintam-se em casa. Tem muita bebida, comida, podem se fartar e até colocar na bolsa pra levar”.

A festa acabou e Isabela pediu que fosse levada pelos braços até um quarto da mansão. Pepino pegou a moça nos braços e jogou sobre a cama. Isabela maliciosa disse “vem”.

Pepino respondeu “vou trabalhar”. Espantada Isabela perguntou como assim e Pepino desejou bons sonhos deixando o quarto.

O rapaz passou a noite toda, sua noite de núpcias, no escritório do pai na casa mexendo na papelada dos negócios.

Pensando em Bianca.


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VOLTANDO AS ORIGENS