quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O SER POLÍTICO


"O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht"

Sempre que eleições se aproximam eu penso nesses dizeres de Brecht. Porque político é meio como rainha de bateria. Só vemos em uma época do ano e no restante ficam congelados em algum frigorífico. As rainhas aparecem no carnaval e os políticos em eleições.

O político conta com o fato de pensar que o eleitor é otário, e muitas vezes está certo, que basta um jingle bonitinho (aqui no Rio quase sempre samba) um sorriso colgate e esbanjar simpatia que o eleitor vai esquecer de todas as promessas que fez na eleição anterior (não cumpridas) e votará nele de novo.

Agora temos as redes sociais para alavancar mais ainda os candidatos. Tem seu lado bom porque democratiza um pouco a coisa já que eleição, infelizmente, não é para candidato pobre. Mas aumenta o nível do "sacocheiômetro". Eles já nos azucrinam com carros de som nas ruas, tv, rádio e agora invadem a internet, nossas redes sociais para nos convencer.

Político, na maioria, trata de tudo, menos do que realmente interessa. Meu bairro, a Ilha do Governador, tem uns seis ou sete candidatos a vereador. Pra começar isso é exagero. A vaidade desses cidadãos não permite pensarem que quanto mais candidatos temos menores são as chances de algum ser eleito já que os votos irão se dividir. É como falei em coluna anterior, Ilha só tem político baixo clero, não tem nenhum de relevância na política fluminense.

E mesmo com essa quantidade enorme de candidatos eu não consigo conhecer as propostas de ninguém. Político da Ilha se parece muito com aqueles de cidade do interior. Acham que o sorriso, o jingle, distribuição de camisas de futebol, churrascos, diplomas  são mais importantes. O eleitor não sabe qual é a atribuição de um vereador e esses políticos se aproveitam disso. Eu vejo alguns candidatos pelo Rio de Janeiro, alguns até conhecidos meus, que eu não acredito como podem ter virado candidatos. Primeiro porque eu conheço e sei que não dá para botar a mão no fogo pela honestidade e segundo porque não tem a mínima noção do que é trabalho de um vereador, não resiste a uma pergunta do que se propõe a fazer pela população.

É hora de prestar atenção. Meu facebook recebe diariamente pedido de amizade de gente com números abaixo, claramente querendo entrar em minha rede social para fazer campanha. Não aceito porque não é essa a hora que político tem que convencer a votar nele. O que convence é o histórico da pessoa, o que ela faz em seu dia a dia. Esse momento é só consequência.

Mas é difícil cobrar transparência e decência nesse país da classe política. Ainda mais quando vemos espetáculos deprimentes como do impeachment onde deputados e senadores fazem do congresso nacional um circo.

E para isso fica um adendo, sei que ele não vai ler, ma escreverei assim mesmo. Eduardo Paes, a cidade está linda, parabéns. A Olimpíada foi um sucesso, parabéns. Mas na sua testa está escrito ingrato porque você recebeu muito dinheiro do governo federal e liberou seu pupilo para ir a Brasília votar pelo impeachment. Isso não esquecerei jamais. Quem se alia a golpe golpista é.

O pior analfabeto sempre será o analfabeto político.

E isso eu não sou.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

CINEBLOG: A DAMA DE VERMELHO


Cineblog muda sua programação hoje para prestar homenagem. Homenagem a um grande ator que encantou plateias e gerações desde os anos 70. Homenagem ao grande Gene Wilder morto aos 83 anos nessa última segunda. A homenagem vem em um de seus filmes mais famosos e que eu adoro. Um filme que marcou os anos 80 e toda minha geração.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


A dama de vermelho



The Woman in Red (br: A Dama de Vermelho – pt: A Mulher de Vermelho) é um filme americano de 1984, do gênero comédia romântica, dirigido por Gene Wilder.

A música do filme é de John Morris e as canções de Stevie Wonder, cantadas por Stevie Wonder e Dionne Warwick


Sinopse



O executivo Teddy Pierce sempre andou na linha... até conhecer a dama de vermelho. Com pernas maravilhosas e um estilo de arrasar, a sexy Charlotte é tudo aquilo que a fantasia ousa imaginar. Teddy está fadado a se encrencar, após ter decidido ceder, só esta única vez, à tentação, e ele está ansioso pelo momento mais romântico de sua vida. Mas o que Teddy não pode antever são as hilárias complicações que ocorrem quando seus amigos, sua secretária e o marido de Charlotte se envolvem na história.


Elenco



Gene Wilder .... Theodore "Teddy" Pierce
Charles Grodin .... Buddy
Joseph Bologna .... Joey
Judith Ivey .... Didi Pierce
Kelly LeBrock .... Charlotte
Gilda Radner ....Ms. Milner
Kyle T. Heffner ....Richard
Michael Zorek ....Shelly
Kyra Stempel ....Missy Pierce
Robin Ignico ....Becky Pierce
Billy Beck ....Bartender


Principais prêmios e indicações



Oscar 1985 (EUA)

Ganhou o Oscar de melhor canção original ("I Just Called to Say I Love You").

Globo de Ouro 1985 (EUA)

Venceu na categoria de melhor canção original ("I Just Called to Say I Love You").

BAFTA 1985 (Reino Unido)

Recebeu uma indicação na categoria de melhor canção original ("I Just Called to Say I Love You").


Curiosidades



Foi um dos primeiros filmes lançados a receber a classificação de censura PG-13, que havia sido recentemente criada.

Refilmagem de O Doce Perfume do Adultério, de 1976.


Cineblog volta semana que vem com o filme prometido para essa semana "O irmãos caras de pau".


Salve Gene Wilder!! Obrigado!!


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TOP GUN

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXIII - O COMANDO


Luigi foi levado para a FUNABEM e trancafiado. Era menor de idade, não podia ir para uma cela comum nem seria julgado como um maior.

Ao chegar no reformatório todos já lhe conheciam e sabiam de quem ele era neto então aconteceu uma mistura de respeito e desdém. Respeito pelo sobrenome Granata, desdém pelo garoto ser uma dessas celebridades sociais e pertencer a grupo musical. Luigi era bonitinho e isso poderia lhe trazer problemas no lugar. Ele sabia disso.

Foi cercado por um grupo que disse que ele não era bem vindo no reformatório e teria problemas. Luigi respondeu que quem estivesse do lado dele iria se dar bem, mostrou um maço de dinheiro e os garotos perguntaram como ele conseguiu entrar com aquilo no lugar. Luigi respondeu perguntando “esqueceram de quem sou neto?”.

Dessa forma, com seu jeito valente e de não abaixar a cabeça quase a totalidade do desdém se rendeu ao grupo do respeito. Uma noite três garotos ainda tentaram lhe atacar, mas no momento que era retirado da cama por esses um grupo se juntou e atacou violentamente os menores. Luigi pegou um pedaço de madeira acertando com raiva um dos três abrindo e deformando a sua cabeça e gritou que ninguém mexia com ele.

Luigi tornara-se o líder do local.

Pepe foi ao encontro do neto pedindo que ele tentasse se comportar, pois, a situação não estava fácil para ele. Luigi respondeu que cada vez sentia mais raiva, raiva de todos, do mundo e tinha que extravasar. O avô pedia calma que com raiva nada se resolvia.

Mas Luigi com essa raiva, esperteza e dinheiro tomou conta do reformatório. Subornou os guardas e conseguia receber drogas no lugar. Das mais variadas e vendia se tornando um traficante dentro do lugar que devia regenerar menores. Vendia sem nenhum pudor no pátio a luz do dia e era severo com quem lhe devia dinheiro.

Esfaqueou um de seus devedores cinquenta vezes até as tripas do menor sair do corpo. Evidente que com todos subornados, menores e guardas, “ninguém soube” quem matou o garoto, só faltou alegarem suicídio.

Era difícil identificar o motivo de tanta raiva em Luigi que até entrar para o “ritmo quente” era um garoto sossegado, risonho e feliz. Mas a verdade é que Luigi vivia um grande drama interior com sua sexualidade. O rapaz sabia que sentiu desejo por Gilmar, sabia que nunca sentira nada por mulheres e não queria assumir a verdade, enxergar o óbvio.

Era homossexual, mas ao mesmo tempo era um Granata. Aquilo seria um escândalo, seu avô nunca aceitaria e seria capaz até mesmo de deserdá-lo. Era grande o conflito, grande a dor que explodia em raiva.

Depois de um ano Luigi completou dezoito anos e acabou solto. O irmão Ricardo foi buscá-lo no reformatório feliz, dando lhe um abraço e friamente Luigi perguntou pelo avô. O irmão respondeu que estava em casa preparando uma festa pra recepcioná-lo.

Luigi entrou no carro, colocou óculos escuros e disse “legal, mas nós não vamos pra casa não, vamos a outro lugar antes”.

Ricardo ao volante perguntou para aonde e sorrindo Luigi respondeu “para a boca do inferno”.

Foram até a favela da Jibóia, zona Norte do Rio de Janeiro e pararam em uma birosca. Desceram e Luigi pediu uma cerveja e dois copos. Ricardo respondeu que não bebia e o irmão autoritário disse “vai aprender a beber hoje”. O dono do bar perguntou se os dois rapazes tinham carteira de identidade e Luigi abriu a carteira, tirou uma grande quantia de dinheiro e colocou em cima do balcão falando “taí minha carteira”.

O homem serviu e enquanto Ricardo se engasgava com a cerveja Luigi perguntou ao barman se ele conhecia um homem chamado “boca do inferno”. O barman sério perguntou o que queria com ele e Luigi respondeu “negócios”.

O barman riu e perguntou “que tipo de negócios um fedelho iria querer com o Boca?”. Luigi bebeu de uma vez o copo, encheu novamente e respondeu “Eu vim da parte de Pepe Granata, sou neto dele, não acredita ou quer ver minha identidade de novo?”. O barman ficou sério e pediu para que Luigi esperasse. Ausentou-se e Ricardo comentou que o avô não tinha pedido nada. Luigi mandou o irmão ficar quieto e beber.

O barman voltou com um rapaz que perguntou o que Luigi queria com o Boca do inferno e Luigi respondeu que só tratava com ele. O Rapaz sacou uma arma apontando para Luigi e disse que ele era folgado. Luigi sem piscar mandou que o rapaz atirasse, espalhasse o cérebro de um Granata na favela para ver o que aconteceria a eles.

O rapaz pensou melhor, guardou a arma e mandou os irmãos Granata subirem com ele.

Luigi e Ricardo subiram atrás do rapaz que devia ter uns quinze anos, sem camisa e que guardava uma arma no short. O retrato daquela favela não era muito diferente das favelas que Pepe frequentava nos anos trinta atrás de samba e capoeira ou o cortiço que Salvatore foi com Manolo no fim do século anterior.

Casas muitas vezes de madeira, extrema pobreza, porcos e galinhas sendo criados para servir de comida, crianças brincando ou chorando de fome, muitas com barrigas grandes que representavam verminose. Era incrível como o cenário da pobreza no Brasil não mudara em quase oitenta anos.

A diferença que as favelas começavam a ter donos, chefes. Pessoas que com bandos dominavam a região e ali estabeleciam seus negócio. O tráfico de drogas.

Chegaram em um barraco e um homem negro, gordo, barbado com mais ou menos quarenta anos e camisa aberta cheirava um pó que se encontrava sobre a mesa. O rapaz disse que ali estavam os dois que queriam falar com ele. O homem parou de cheirar, levantou, virou-se para eles e perguntou o que queriam.

O homem tinha dois revólveres trinta e oito na cintura e apenas três dentes na boca o que lhe rendeu o bonito apelido “Boca do inferno”.

Luigi pegou uma cadeira, sentou-se e respondeu que estava ali para tratar de negócios. Boca deu uma gargalhada expondo aqueles três dentes podres e perguntou o que um moleque como aquele tinha
para propor.

Luigi respondeu que muitas coisas. Primeiro porque era o herdeiro mais velho de Pepe Granata e muito em breve seria o maior banqueiro de bicho do país e segundo porque foi até ele recomendado por Birigui, perguntou se ele sabia quem era Birigui.

Boca puxou uma cadeira, sentou e respondeu que sim, Birigui era irmão dele e estava em um reformatório. Luigi contou que estava até poucas horas antes nesse reformatório com ele e Boca exclamou “você é o italianinho que ele contou que mandava no lugar e ajudou meu irmão quando quiseram lhe matar!!”.

Luigi respondeu que sim. Boca agradeceu e comentou que o “italianinho” chegava com ótimas credenciais, perguntou que negócios Luigi tinha para propor e o rapaz respondeu “primeiro que eu não sou italianinho, nunca estive na Itália, segundo que eu quero vender seus produtos na zona Sul, tenho muito conhecimento lá”.

Boca achou interessante. Luigi contou que tinha muitos amigos, conhecia muita gente e faria os negócios crescerem. Boca seria seu fornecedor, ele venderia no lugar e rachariam o lucro. Boca pensou um pouco e respondeu “é, a proposta é boa e amigo do Birigui é meu amigo, negócio fechado”.

Os dois apertaram as mãos firmando o negócio e Luigi perguntou se o traficante não liberava um papelote daqueles para comemorarem.

Chegou com Ricardo completamente drogado na festa que Pepe organizara para boas vindas. Quando entraram na mansão Pepe levantou-se e perguntou por onde o rapaz andara. Luigi fora de si gritou que celebrara a liberdade e subiu as escadas cantando o hino da Independência.

Luigi realmente era muito bem relacionado e começou a vender cocaína pela zona Sul do Rio de Janeiro. Vendia para ricaços, para filhos de ricaços, netos de ricaços, para muita gente com grana. Levava diretamente aos grandes apartamentos da Avenida Atlântica e Vieira Souto para que os mesmos experimentassem.

Levava para empresas. Chegava nas secretárias pedindo para falar com seus chefes dizendo ser de uma empresa terceirizada que trabalhava com grupo. Apresentava-se como Luigi Marcondes, sobrenome da mãe. A secretária anunciava ao chefe que já sabendo do que se tratava rapidamente mandava entrar.

Luigi, de terno e gravata entrava com uma maleta na sala do empresário, apertava sua mão e abria a maleta para mostrar seu produto. Sacolés e mais sacolés de cocaína que o rapaz garantia ser 100% puro e “made in Colômbia”. Sempre dava uma amostra grátis ao empresário que se interessava e comprava grandes quantias.

Depois ele saía da sala, dizia “passar bem” para a secretária e ia embora com uma bolada no bolso. A cena se repetia várias vezes ao dia podendo ser em pequenas empresas ou multinacionais.

As festas na zona Sul no fim dos anos 70 eram regadas de uísque, cerveja, vinho e cocaína, oferecidas por Luigi. Não era raro o mesmo garçom que passava com bandeja oferecendo uísque passar depois com uma cheia de “listas brancas” e com a cara mais normal do mundo oferecer “madame?” “senhor?”. E a pessoa agradecer pegando um canudo e mandando ver com o nariz.

Luigi Granata foi um dos responsáveis por democratizar a cocaína no Rio de Janeiro. Ricos, pobres, negros, brancos, homens, mulheres, todo mundo cheirando por causa dele.

Desde a prisão no reformatório de Luigi quem começou a trabalhar mais com Pepe foi Ricardo. Depois da soltura do rapaz Pepe imaginou que as coisas fossem mudar e teria o neto mais velho ao seu lado, mas em vão. Luigi estava mais preocupado com os ganhos que tinha, a grana era muito boa e rapidamente o rapaz comprou um carro do ano e roupas novas.

Pepe perguntou a Luigi onde ele arrumara dinheiro para tudo aquilo e o rapaz respondeu que trabalhando, como toda pessoa devia fazer. Pepe disse “espero que seja trabalho honesto” e Luigi respondeu “fique tranquilo nono, é tão honesto quanto o seu”.

Em um dia de 1979 Luigi vendia seu produto numa empresa quando a polícia invadiu e levou todos presos.

A casa do rapaz caía. Luigi cresceu com seus negócios, se sentiu imponente, invencível, forte e nunca imaginou que algo daquilo pudesse ocorrer. Quando percebeu já estava sendo colocado na traseira de um carro da polícia algemado. Assustado viu aquela multidão de repórteres se aproximarem para fotografar e para não demonstrar fraqueza sorriu.

A manchete do dia seguinte era “Os Granata ampliam seus negócios” e a foto de Luigi sorrindo.

Pepe furioso foi ver Luigi e perguntou o que significava tudo aquilo. Luigi respondeu que eram seus negócios apenas e ninguém tinha nada a ver com aquilo. Pepe irritado comentou que a partir do momento que o sobrenome Granata estivesse envolvido ele teria sim a ver com tudo. Luigi irônico pediu desculpas por manchar o sobrenome da família com atividades ilegais e Pepe se levantou chegando bem perto dele.

“Você é debochado, se acha o mais esperto de todos, o mais forte, eu já te disse. Essa vaidade ainda vai acabar com você”. Disse Pepe.

Luigi foi levado para o presídio da Ilha Grande enquanto esperava julgamento. Uma noite sonhou que estava em um lugar escuro e via Gilmar. Aproximava-se do rapaz feliz, acariciava seu rosto e quando iria lhe beijar em vez dele surgiu Alice lhe chamando de viado. Luigi no sonho deu um grito desesperado enquanto várias pessoas surgiam no sonho. Alice, Gilmar, Leonardo, Isabela, Ricardo, Boca do Inferno, Pepe, até Pepino lhe chamando de viado.

Luigi acordou gritando e um preso sentado ao seu lado que fumava maconha perguntou se ele tivera um pesadelo.

Luigi suando respondeu que sim e o homem rindo respondeu que era normal passando o baseado para Luigi dar uma “puxada”. Enquanto Luigi se acalmava apresentou-se como Marreco.

Luigi fumou, devolveu ao Marreco que comentou “você é um cara sagaz, turma aqui quando você chegou comentou tudo que você fez lá fora e de quem você é neto”. Ressabiado Luigi perguntou aonde o homem queria chegar e ele respondeu.

“Se liga, a gente aqui forma uma família, um grupo onde um ajuda o outro, quem ta fora ajuda quem ta dentro e quem ta dentro sai pra ajudar também, se junta a gente que você vai se dar bem.”

Luigi se interessou pela história e pediu para ouvir mais sobre ela.

Dessa forma entrava para o “Comando Vermelho”.

Era o início da organização oriunda da “Falange Vermelha”. Um grupo de presos comuns e políticos que cometiam o mais variado tipo de crimes pelo Rio de Janeiro como tráfico de drogas, assaltos à banco e mandavam uma espécie de “dízimo” para a cadeia. Dessa forma os presos da organização subornavam guardas por melhor tratamento e financiavam planos de fuga. Fugindo reiniciavam todo o processo com os presos e assim por diante.

Luigi rapidamente virou um de seus principais membros. Atacou inimigos de outras galerias espancando, incendiando. Liderou motins, subornou guardas e menos de um ano depois da prisão conseguiu fugir em um bote.

Nenhum dos Granata sabia de seu paradeiro. Pepe preocupado usava suas fontes para tentar achar o neto que se escondeu no bairro da Ilha do Governador. O rapaz junto com uma quadrilha começou a assaltar bancos, gritava para ninguém se mexer que só queria a grana do patrão e fazia a “limpa”.

Rapidamente se tornou um dos mais procurados do estado e seu rosto até no Jornal Nacional apareceu o que lhe fez comemorar bebendo uma cerveja e jogando pela janela do apartamento que se escondera. Quando reclamaram Luigi foi até a janela, sacou uma arma e deu disparos ao céu gritando que era Luigi Granata.

Graças a sua vaidade rapidamente descobriram onde ele estava escondido. Conseguiu escapar de cerco policial após troca de tiros e se refugiou com seu bando por vários lugares até que teve uma ideia.

Voltou a procurar Boca do Inferno na favela da Jibóia. Boca se espantou ao perceber o rapaz em sua porta e comentou “Cumpadi, a polícia toda ta atrás de você”. Luigi riu e respondeu que sabia e por isso foi até o morro, queria conversar com o amigo, sossegar um pouco, voltar a vender drogas na zona Sul e financiar os irmãos que estavam presos.

Boca do Inferno riu e contou que até era uma boa ideia, mas não podia mais ter o rapaz como sócio, estava muito visado então dessa vez ele estava fora. Luigi riu, os dois ficaram rindo e o rapaz perguntou às gargalhadas “e quem disse que você será meu sócio?”

Sacou uma pistola e acertou a cabeça de Boca do Inferno que caiu morto no chão. Marreco entrou no barraco e Luigi comentou “isso aqui agora é tudo nosso, vamos ganhar muito dinheiro”.

Luigi ficou escondido um tempo na favela enquanto Marreco fazia o trabalho de vender na zona Sul. Ganharam muito dinheiro, mas Luigi não conseguia ficar no anonimato muito tempo e rapidamente voltou à ativa vendendo para os empresários, socialites, festas e boates. A polícia dessa vez não lhe prendeu de cara, achou melhor esperar.

Seguiu seus passos e descobriu onde ele se escondia e de onde vinha a droga. Uma noite invadiu a favela da Jibóia e matou todo o bando, inclusive Marreco e sobrou apenas Luigi vivo. O rapaz colocou as mãos para o alto, disse que se rendia e estava desarmado.

O líder dos policiais chegou a engatilhar a arma para fuzilar o rapaz quando desistiu e comentou “você vale mais vivo”. Levou Luigi até um orelhão e obrigou a ligar para Pepe.

Luigi discou e antes que falasse o policial pegou o telefone e contou estar com o garoto, queria uma quantidade de dinheiro para deixá-lo vivo e entregar na delegacia. O policial fez o acerto com Pepe, pegou o dinheiro e levou Luigi para a delegacia, não antes avisando a imprensa da prisão.

Os policiais entraram na delegacia cheia de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos com Luigi algemado. Um deles disse no ouvido do rapaz “sorria que eu sei que você gosta”. Eles passaram por Pepe que olhou Luigi e de novo falou “essa sua vaidade vai acabar com você”. Luigi foi levado para a cela.

Transferido para o presídio de Água Santa foi condenado a quinze anos de prisão por tráfico de drogas e assalto.

Alguns meses depois da prisão de Luigi os corpos dos policiais que chantagearam Pepe foram aparecendo um a um.  

E Luigi na cadeia finalmente percebia que esperteza não combinava com raiva.


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NOS EMBALOS

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

SOBE O SOM: JOGOS OLÍMPICOS 2016


Ainda com o coração cheio de saudades "Sobe o som" presta uma homenagem aquela que partiu, mas deixou lembranças que se eternizarão. As Olimpíadas do Rio 2016.

Cercada de muitas desconfianças, turbulência e com vários problemas no Brasil podemos dizer que os Jogos Olímpicos deram certo. Desde a emocionante e surpreendente cerimônia de abertura até a triste e alegre ao mesmo tempo cerimônia de encerramento foram duas semanas de sonhos onde os maiores atletas da humanidade passaram por aqui e fizeram história entrando para o Olimpo.

Sobe o Som homenageia hoje esses heróis. Todos vencedores, nas Olimpíadas não existem vencidos. Mostra em forma de saudade alguns dos maiores momentos das Olimpíadas e seus heróis. Celebrando os jogos da paz, se enchendo de orgulho por mostrar ao mundo o que tem de melhor. A homenagem hoje é aos cariocas, a todos os brasileiros. A todos nós.


Então vamos lá!!


Sobe o som Jogos Olímpicos 2016!!


Cerimônia de abertura


Rafaela Silva


Michael Phelps


Thiago Braz


Seleção feminina de futebol


Diego Hypolito e Arthur Nory


Simone Biles


Paula Pareto


Katie Ledecky


Arthur Zanetti


Rafael Nadal & Marc Lopez


Novac Djkovic


Dançarino de Kiribati


Refugiados


Robson Conceição


Isaquias Queiroz e Herlon de Souza


Martine Grael & Kahena Kunze


Bruno Schmidt e Alison


Seleção americana de basquete masculino


Futebol Masculino


Vôlei masculino


Usain Bolt


Cerimônia de encerramento


Foram muitos os heróis e os grandes momentos desses jogos e seria impossível colocar todos. Mas com esses citados fica aqui o muito obrigado por essas duas semanas de sonhos. Semana que vem voltamos a programação normal mandando aquele abraço a Gilberto Gil.


Enquanto isso a música que melhor retrata nosso sentimento com relação as Olimpíadas...


...E que venham as Paralimpíadas!!


SOBE O SOM ANTERIOR:

RIO DE JANEIRO

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CINEBLOG: TOP GUN


Cineblog fala hoje de um filme que exatos trinta anos atrás fez história, lançou tendências e um astro chamado Tom Cruise.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Top Gun



Top Gun (Top Gun - Ases Indomáveis (título no Brasil) ou Ases Indomáveis (título em Portugal)) é um filme norte-americano de 1986, do gênero ação, dirigido por Tony Scott.

O roteiro de Jim Cash e Jack Epps Jr. é baseado num artigo do jornalista israelense Ehud Yonay chamado "Top Guns" publicado na revista California Magazine.


Sinopse



Pete "Maverick" Mitchell é um arrojado piloto de caça da Marinha dos Estados Unidos que é selecionado para participar do curso na Navy Fighter Weapons School ou Top Gun, após seu companheiro abandonar a aviação de caça. Lá se envolve com Charlie, instrutora na escola e desenvolve uma rivalidade com outro aluno, Ice.


Elenco



Tom Cruise — Maverick
Kelly McGillis — Charlie
Val Kilmer — Ice
Anthony Edwards — Goose
Tom Skerritt — Viper
Michael Ironside — Jester
John Stockwell — Cougar
Barry Tubb — Wolfman
Rick Rossovich — Slider
Tim Robbins — Merlin
Clarence Gilyard Jr. — Sundown
Whip Hubley — Hollywood
James Tolkan — Stinger
Meg Ryan — Carol, esposa de Nick
Adrian Pasdar — Chipper


Produção e Influências posteriores



O MiG-28 foi uma aeronave fictícia usada no filme "Top Gun". Na verdade o Mig-28 era um F-5 Tiger II, construído pela Northrop nos Estados Unidos em 1964. O filme não usava aviões Mig verdadeiros, pois na época era impossível conseguir legítimas aeronaves soviéticas, e na verdade nunca existiu um MIG-28, mas sim MiG-27 e MiG-29, sempre em números ímpares. [3] A motocicleta utilizada pelo personagem Maverick é uma Kawasaki GPZ 900R e o veículo de Charlie foi um Intermeccanica 356A Speedster.[4] Filmado em locação em San Diego, Califórnia, contou com o apoio da Marinha dos Estados Unidos e dos oficiais e alunos da própria Navy Fighter Weapons School. Foram utilizados os navios de guerra USS Ranger (CVA-61), USS Enterprise (CVN-65) e USS Carl Vinson (CVN-70). O filme foi dedicado a Art Scholl, piloto acrobático, morto nas filmagens quando seu avião caiu no Oceano Pacífico.

O título do filme foi satirizado em um episódio da série Total Drama Action, como Top Dog - Cachorros Indomáveis. Foi feito uma sátira do filme chamada Hot Shots! (br: Top Gang), e uma sequência, Top Gang 2.


Trilha Sonora



Harold Faltermeyer foi o responsável pela trilha do filme, que obteve grande sucesso comercial. Os destaques são Danger Zone de Kenny Loggins, Take My Breath Away de Berlin e Top Gun Anthem do próprio Faltermeyer e Steve Stevens.

Prêmios e indicações



Globo de Ouro Melhor canção original

Giorgio Moroder (música) Tom Whitlock (letra) por Take My Breath Away Venceu
Melhor banda sonora original Harold Faltermeyer Indicado

People's Choice Awards

Melhor filme Venceu

Grammy

Melhor performance instrumental pop
Harold Faltermeyer e Steve Stevens por Top Gun Anthem. Venceu

Oscar

Melhor canção original
Giorgio Moroder (música), Tom Whitlock (letra) por Take My Breath Away Venceu
Melhor mixagem de som
Donald O. Mitchell, Kevin O'Connell, Rick Kline e William B. Kaplan Indicado
Melhor montagem Billy Weber e Chris Lebenzon Indicado
Melhor edição de som Cecelia Hall e George Watters II Indicado


Semana que vem Cineblog volta com um clássico. Com o grande "O irmãos cara de pau".


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OS GOONIES

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SONHO


Eu tive um sonho..

Sonhei que um dia estava assistindo tv e minha cidade, o Rio de Janeiro, foi escolhida para sediar as Olimpíadas. Algo inacreditável, a primeira Olimpíada da América do Sul. No sonho eu chorei emocionado e todo meu povo ficou eufórico.

Sonhei que os anos se passaram e justo no ano da realização da Olimpíada meu país e minha cidade passaram por um momento sombrio. Insegurança, violência, crise econômica, golpes, falta de educação formal e no dia a dia, saúde e a Olimpíada que parecia ser uma benção virava um fardo.

Afinal: O dinheiro investido nas Olimpíadas não seriam melhor investido em outras áreas? O país da zika estava zicado? Tem clima no meio de uma crise política e moral? As pessoas que comandam o país merecem receber os jogos? Por quê tantas subcelebridades e pessoas fora de propósito carregando a tocha? Por quê até uma onça mataram por causa dos jogos? E eu, justo eu, que tanto gostava de Olimpíadas comecei a lamentar sua presença.

Mas o bom do sonho é que nele não existem limites e o que parecia começar a virar um pesadelo vira um sonho bom. Sonhei que a abertura dos jogos foi linda, inesperada, surpreendente e linda. Sonhei que nosso país deu um show de emoção, brasilidade, botou até o 14 bis voando no Maracanã e que aquela pira acesa reacendeu nossa esperança e o espírito olímpico.


Sonhei que depois por duas semanas esquecemos nossos problemas. Que fomos abençoados pelos Deuses do Olimpo e Eles trouxeram alguns dos maiores esportistas da humanidade para cá. Sonhei que um americano assombrava na piscina a cada braçada e que raios trouxeram para cá um jamaicano sorridente e carismático que corria com a leveza de uma pluma. Sonhei com gigantes bloqueando em redes, enterrando em cestas e gigantes pequeninos rodopiando no solo e subindo em traves e cavalos de madeira. Sonhei que o homem voava!! Sim, voava graças a uma vara e do alto via que a Terra era dourada. Sonhei com o chão também. Que de um golpe do destino uma heroína da cidade que tem o nome de Nosso Senhor levantou do chão e entre vazaris e ippons deu a volta por cima e conseguiu reconhecimento. Sonhei com pessoas se superando e vencendo seja medalhas seja seus limites, seus medos. Não houve vencidos. Só vencedores.

Sonhei que a cidade, assim como a heroína, saiu do chão e renasceu. Renasceu se encontrando e voltando a encontrar o caminho para suas águas. Revitalizada, com mobilidade, mais auto estima recebendo todos os povos do mundo com sorriso e simpatia. O pesadelo do terror ficou longe do meu sonho e se teve alguma violência ela que sofreu de estrangeiros. Mas com nosso bom humor e capacidade de perdoar no máximo respondemos com gozações e vaias.

Os maiores atletas do mundo espalhados pela cidade por duas semanas renovando nossas emoções. Novas histórias surgiram, novos heróis que se eternizaram. Até que o sonho teve fim. Pelas lágrimas em forma de chuva o fogo apagou, pelo sorriso em forma de samba a alma sorriu.

Aí eu acordei. Acordei e lamentei.."Era tudo um sonho? Mas se era um sonho por quê acordar tão rápido. Já acabou?"
.
Olhei em volta e vi a realidade bem diferente de meu sonho. Me entristeci e quis voltar para o sonho, mas não se volta a sonhos, eles são únicos. Mas se não podemos voltar a um sonho podemos fazer dele realidade. Tudo na vida é motivo para aprendizado, até mesmo o sonho.

Eu tive um sonho, um sonho lindo e sei que muitos tiveram também esse sonho e se deprimem ao acordar. Mas se cada um de nós tentar tirar o melhor desse sonho e trazer para o mundo real é capaz da realidade ser melhor e não precisarmos mais sonhar tanto.

Sonho nada mais é que esperança. Esperança de alcançar a medalha de ouro em nosso dia a dia. Na realização de nossos sonhos. Olha o sonho ai de novo..O que move um atleta durante quatro anos é o sonho. O que move nossos sonhos é a esperança.

E o que seria da realidade se não fosse o sonho?


Eu tive um sonho..


...e graças a ele pude sorrir.

   

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XX - NOS EMBALOS


Pepe Granata perdeu seus filhos. Pepino morto afogado na própria piscina. Benito assassinado pelos irmãos e seus comparsas. Domenico nunca mais apareceu mesmo com toda a luta do Barão para lhe dar um enterro digno e Enrico, integrante de esquadrão da morte, foi preso, se converteu na cadeia tornando-se pastor, mas mesmo assim foi esfaqueado enquanto dormia. Morte Instantânea. Muitos inimigos.

Pepe Granata construiu um império. O banqueiro de bicho mais poderoso, um dos maiores empresários, deputado influenciando diretamente muitos políticos, juízes, elegendo, financiando, recebendo favores.

Venceu como queria, como prometera ao perder Beatriz sob a alegação que era pobre e não poderia lhe dar um futuro decente. Vingou-se, foi além do que imaginava. Destemido, corpo fechado, mas pagou preço alto por isso.

Perdeu todos os filhos, uma neta e sua esposa. Nunca se apaixonou por Cecília, mas tinha na mulher uma companheira, uma cúmplice. Pensava todos os dias em Beatriz, no amor de sua vida. Mas teve um bom casamento com Cecília. A mulher mais bacana, amorosa e amiga que conheceu e sofria sua perda.

Deprimiu-se, deixou os negócios de lado e vagava pela casa. Sentia o peso da idade, dos mais de sessenta anos. Perguntava-se se tudo valeu a pena.

Até que um dia juntando roupas da esposa para doar encontrou um caderno.

Quando pegou o mesmo e parou para analisar viu que era um diário.

Abriu para ler o diário de Cecília. Horas lendo sobre a vida dos dois depois de casados, tudo que ela sentia. Pepe se emocionou com a leitura. A mulher falando dos filhos, netos, da vida.

Emocionou-se com Cecília falando dele. Do homem forte, corajoso, contundente, bom pai e bom avô com quem se casou graças a uma relação sexual descuidada. No fim, quando ela escrevia sobre o dia que começaria levando sua neta ao dentista Cecília, como se pressentindo o que ocorria, escreveu.

“Pepe realizou meu sonho, ao seu lado consegui saber o que é felicidade”.

Pepe deixou cair algumas lágrimas, fechou o livro dando um beijo na capa e dizendo “te amo minha Cecília”. Ficou mais um tempo sentado, quieto quando o neto Luigi entrou no quarto.

“Nono, a mama pediu pra lhe avisar que está na hora da janta” disse Luigi.

Pepe enxugou as lágrimas e respondeu “sim bambino, estou descendo”. Luigi perguntou se o avô estava triste e ele respondeu.

“Estou feliz como há muito não me sentia”.

Isabela pegara o comando da organização da casa e dessa forma Pepe, ela os filhos da mulher com Pepino, Luigi e Ricardo, de Pepino com Bianca Luisa viraram uma família e se reuniram para jantar.

Enquanto comia Pepe lembrou-se do diário e o diário fez o homem se lembrar de porque tinha ido para o Rio de Janeiro. Era a volta do Barão de Feital.

Era o ano de 1975 e mesmo Pepe com sessenta e três anos voltava a comandar os negócios. Com rédea curta, seu jeito durão e um sorriso quando aparecia alguma adversidade. Comprou bancas do bicho, aumentou seu império, fez de sua escola de samba campeã do carnaval.

Com um grande amor pelo neto mais velho. Luigi em sua adolescência era um garoto bonito, cabelos loiros longos, adepto da calça boca de sino como os jovens da sua época. Adorava tocar violão em festinhas e seria ele o novo “imperador Granata” quando estivesse pronto.

Sempre andava com o avô. Curioso perguntava por tudo, se interessava, mostrava vocação para os negócios.

Um dia Isabela apareceu com uma novidade. Um namorado. Chegou à mansão Granata apresentando Leonardo Simão, um produtor musical da época que usava cabelo black power e era muito conceituado. Isabela tinha Pepe como um pai e por isso quis a aprovação do mesmo.

Leonardo era boa praça, ótima conversa e logo levou um vinho para o Barão. Conhecia a Itália, conversaram bastante sobre o país, ainda contou que seu pai lutou na revolução constitucionalista e
dessa forma “ganhou” o velho.

O namoro ficou sério e Leonardo pediu Isabela em casamento. Pepe sentiu tristeza por saber que sua família partiria, mas mesmo assim brindou aos noivos e fez uma grande festa na mansão para celebrar o casório.

No dia do casamento Luigi anunciou à mãe que não partiria, ficaria com o avô. Isabela não concordou, tentou convencer o filho a ir junto, mas o jovem bateu pé firme. Não teve jeito, Isabela cedeu e Luigi ficou na mansão com o avô e a irmão Luisa enquanto Isabela e Ricardo foram morar na casa de Leonardo.

Luigi tornou-se o melhor amigo de Pepe, seu cúmplice e dividia sua vida entre aprender o ofício do avô e curtir as coisas boas coisas que o Rio de Janeiro oferecia a jovens de sua idade. Todos os dias ia para praia conversar com sua turma em um trailer ou pegar onda no arpoador. Era adepto também do voo livre, fazia parte da geração saúde, apesar de ser consumidor de maconha.

E de noite ia para boates com os amigos e uma carteira de identidade falsificada para parecer maior de idade. Frequentava as discotecas da moda requebrando ao som de Bee Gees, Gloria Gaynor, Donna Summer, Jackson 5 entre outros.

Figurinha carimbada da noite carioca, várias vezes tendo seu rosto em colunas sociais Luigi Granata mesmo tão jovem era considerado um dos bons partidos da sociedade e o fato de nunca ser visto com namoradas atraía muito mais atenção das moças.

Nessa época Leonardo teve a ideia de aproveitar a notoriedade do enteado. Ele procurava alguma situação para ganhar dinheiro com música jovem no Brasil e num dia pensou “por quê não um grupo musical novo?”.

O primeiro nome que pensou foi no enteado que às vezes arranhava como cantor. Queria mais um rapaz e uma moça. Fez seleção e conseguiu juntar o trio a que deu o nome de “ritmo quente”.

Luigi garantiu a atenção necessária ao trio pelos fatos que disse acima e por ter um sobrenome polêmico. Ser neto de um bicheiro cuja família se envolvera em uma guerra pouco antes e por toda a nebulosidade que envolvia Pepe e Pepino fazia com o que muita coisa viesse à tona e pela primeira vez tocassem na polêmica sobre a passagem de Pepino pela Itália.

Pepe não gostava de exposição e sabia que para seus negócios quanto menos o sobrenome aparecesse melhor e essa foi à causa das primeiras desavenças entre avô e neto. Pepe exigia que Luigi saísse do trio enquanto o rapaz alegava que vivia um sonho e não poderia deixá-lo.

Em uma discussão Pepe irritado perguntou o que o neto queria afinal, ser cantor ou comandar os negócios da família. Luigi respondeu que cada coisa tinha o seu momento e na hora certa pegaria os negócios.

Pepe revidou que a vaidade e a vontade de ser famoso não combinavam com o tipo de negócios que a família conduzia e completou “não se deixe perder pela vaidade”.

Luigi ouviu os conselhos, mas não deu atenção. O grupo fazia sucesso e se apresentava por todo o país. O rapaz conseguiu milhares de fãs e se deslumbrava com isso. Mas ao contrário de seus companheiros de palco não se interessava por ninguém.

Era acompanhado de Alice e Gilmar. Um casal de irmãos bem apessoados, carismáticos e talentosos que ao contrário de Luigi sabiam aproveitar bem o momento. Eram tempos pré-AIDS, do amor livre e tanto um quanto outro tinha fila de fãs depois dos shows para “conhecerem melhor”.

Como diria Renato Russo em “Faroeste Caboclo” Gilmar “comia todas as menininhas da cidade” em festas com orgias e drogas. Alice não curtia pó, mas não se importava se era homem ou mulher, o que vinha ela agradecia enquanto Luigi trancava-se no seu quarto e se isolava.

Luigi gostava de se olhar no espelho, se admirar. Ficava de sunga na frente do mesmo olhando seu corpo, se tocava e dançava sozinho, em um ritual narcisista.

Uma noite depois do show bateram em sua porta e ele atendeu assim, só de sunga. Quando viu era Alice bêbada com uma garrafa de champanhe. Perguntou o que a mulher queria e ela respondeu que “brindar ao disco de ouro”.

Perguntou por Gilmar e a moça entrando sem ser convidada respondeu que se divertia com algumas fãs. Alice sentou-se em um sofá perguntando se iriam beber ou não.

Luigi pegou duas taças e Alice encheu as mesmas. Ergueu sua taça e disse “ao nosso sucesso”, Luigi brindou com a moça e naquele instante Alice lhe roubou um beijo.

Luigi se desvencilhou perguntando o que significava aquilo e Alice respondeu que “só fariam um amor gostoso, sem compromisso”. Luigi pedia para a mulher parar, que não tava afim e Alice insistia dizendo que “seria legal”.

Irritado Luigi levantou e gritou que ela parasse. Alice enfurecida se levantou e gritou que nunca ninguém recusara sexo com ela e Luigi emendou “não to afim, me respeite”.

Alice se sentindo humilhada pela recusa gritou “Viado!! Você é viado por isso nunca ta com mulher, por isso não me quis!!”. Luigi assustou-se com o que Alice respondeu e gritava que não era viado. Com a gritaria Leonardo apareceu no quarto perguntando o que acontecia e Alice gritou que Luigi era viado.

Transtornado Luigi se aproximou de Alice com a mão espalmada ameaçando bater na moça e Alice encostou seu rosto na mão do rapaz dizendo “vai, me bate seu viadinho de merda, mostra que pelo menos pra isso você é homem”.

Leonardo interveio e pediu que Alice saísse do quarto. A moça saiu ainda chamando Luigi de viado e o rapaz transtornado sentou no sofá. Leonardo pedia que ele se acalmasse. O rapaz respondeu que não tinha como, ela iria acabar com sua imagem e Leonardo fechou a porta dizendo que tinha como acalmá-lo.

Tirou um papelote de cocaína e espalhou o pó sobre uma mesa, Luigi agradeceu e respondeu “não transo drogas, só maconha”, mas Leonardo insistiu que faria bem ao rapaz. Ele acabou aceitando e experimentando.

Pela primeira vez Luigi usava cocaína e foi lhe ofertada pelo próprio padrasto.

Luigi tornou-se um consumidor voraz da droga também experimentando heroína e ácido. Alterava momentos de euforia com “bad trip” que atrapalhava o trio muitas vezes em suas apresentações. Sua relação com Alice depois do episódio no quarto nunca mais foi a mesma. Leonardo lhe dava broncas ameaçando de expulsão do grupo e Luigi ria respondendo que era um Granata e se quisesse seu avô lhe matava.

Única pessoa que ele ainda se dava bem era Gilmar que não estava nem aí para nada e só queria curtir. Mas mesmo com o rapaz Luigi já não se sentia tão a vontade. O jovem não conseguiu esquecer Alice gritando que ele era gay e se recusava a concordar com a moça mesmo não sentindo interesse por mulheres.

Mas Luigi começou a ver Gilmar de um modo diferente e isso perturbava o rapaz. Luigi se tornava cada vez mais irritadiço e dava mais problemas a Leonardo. Em um show subiu ao palco totalmente sem condições ao misturar álcool e cocaína, em outro nem apareceu.

Sentia desejo por outro homem, não queria admitir e sofria.

Depois de mais um show que se apresentou sem condições e recebeu uma sonora vaia da platéia Luigi foi direto ao hotel sem querer conversar com ninguém. Trancou-se no quarto e não abriu a porta mesmo com Leonardo batendo diversas vezes na mesma querendo falar com ele.

Luigi bebia, cheirava, afundava em sua viagem solitária. De novo bateram na porta, mas uma outra voz foi ouvida “abre cara, quero falar com você”. Era Gilmar.

Luigi decidiu abrir a porta e o rapaz entrou. Perguntou o que ocorria com Luigi e falou várias coisas. Luigi não prestava atenção em nada, só no rosto do rapaz e em um momento não aguentou dando lhe um beijo na boca.

Gilmar se afastou de Luigi e deu um soco em seu rosto dizendo “Alice tava certa, você é viado!! Nunca mais se aproxime de mim sua bicha!!”. Saiu enfurecido deixando Luigi no chão.

No dia seguinte Leonardo, Gilmar e Alice se reuniram na sede da gravadora para tratar da demissão de Luigi quando este entrou na sala sem ser convidado. Leonardo pediu pro rapaz se retirar enquanto ele se aproximava de Gilmar e lhe dava um murro com soco inglês na mão.

Gilmar caiu atordoado e Luigi continuou lhe esmurrando. O rapaz parecia possuído, ninguém conseguia lhe parar só foi parado quando a segurança lhe pegou. Gilmar desmaiado no chão estava com o rosto desfigurado e seguro pelos seguranças, sendo retirado Luigi gritou “faz show com o rosto assim filho da puta!!”.

O caso virou um grande escândalo. Luigi foi demitido do trio e Pepe lhe tirou da cidade por alguns dias para evitar a imprensa, não antes lembrar que a vaidade não combinava com o negócio.

Luigi depois de um mês fora voltou e disse ao avô que queria ser o novo “chefão”. Pepe sentindo o neto mais determinado e focado voltou a carregá-lo a todos os lugares e ensinar. Luigi passou a andar armado e com seguranças.

Sozinho no escritório do avô olhando a contabilidade foi procurado pelo irmão Ricardo.

Tempo que não se viam, Luigi deu um abraço em Ricardo perguntando o motivo da visita e reparando que o irmão estava com olho roxo. Perguntou o que ocorria e pela mãe.

Ricardo sentou e contou que Isabela tivera uma discussão forte com Leonardo por causa de Luigi e o padrasto agredira a mãe, ele tentou intervir e levou um soco.

Luigi perguntou pela mãe e Ricardo respondeu que estava internada em um hospital, mas não era nada grave. Ricardo completou que preferia falar com o irmão sobre o assunto porque se falasse com o avô fatalmente ele tomaria alguma atitude pior.

Luigi ouviu a tudo e mandou o irmão se tranquilizar que resolveria o problema e não contaria a Pepe.

Luigi foi até o apartamento de Leonardo e ele abriu com um copo de uísque na mão. Bêbado Leonardo perguntou o que “o viadinho queria”. Luigi entrou e disse que queria apenas saber uma coisa perguntando “você bateu na minha mãe?”.

Leonardo riu e respondeu “bati, por quê? Vai me bater com soco inglês?”.

Luigi falou que só aquilo que ele queria saber e sacou uma arma dando cinco tiros no padrasto.

Calmamente foi para casa e esperou que a polícia batesse na mansão atrás dele.

Algemado, com a imprensa presente a vaidade de Luigi ia até a estratosfera. Com o ego inflado sorria para os flashes, voltava a ser celebridade como sempre gostou. Pepe ao lado dizia em seu ouvido que não se preocupasse que lhe soltaria e Luigi gritou para que a imprensa guardasse.

“Podem fotografar, eu sou um Granata”.


CAPÍTULO ANTERIOR:

A GUERRA

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

SOBE O SOM: RIO DE JANEIRO


Aproveitando que os jogos olímpicos estão chegando ao fim "Sobe o som" homenageia hoje aquela que realmente mereceu medalha de ouro nessas Olimpíadas por sua beleza, charme e a forma de acolher seus convidados. Em forma de canções foi homenageada das mais diversas formas e ritmos e hoje será aqui também.

Rio de Janeiro (frequentemente referida simplesmente como Rio) é um município brasileiro, capital do estado homônimo, situado no Sudeste do país.

Maior destino turístico internacional no Brasil, da América Latina e de todo o Hemisfério Sul, a capital fluminense é a cidade brasileira mais conhecida no exterior,funcionando como um "espelho", ou "retrato" nacional, seja positiva ou negativamente. É a segunda maior metrópole do Brasil (depois de São Paulo), a sexta maior da América e a trigésima quinta do mundo. Tem o epíteto de Cidade Maravilhosa e aquele que nela nasce é chamado de carioca. Parte da cidade foi designada Patrimônio Cultural da Humanidade, com o nome "Rio de Janeiro: Paisagem Carioca entre a Montanha e o Mar", classificada pela UNESCO em 1 de julho de 2012.


Então vamos lá!! Vamos homenagear a cidade mais bonita do mundo!!


Sobe o som Rio de Janeiro!!


Garota de Ipanema - Tom Jobim & Frank Sinatra


Copacabana - Dick Farney


Domingo - União da Ilha


O meu lugar - Arlindo Cruz


Samba do avião - Tom Jobim, Miucha e Toquinho


Babilônia maravilhosa - Evandro Mesquita


Feitiço da Vila - Noel Rosa


Rio 40 graus - Fernanda Abreu e Chico Science


Valsa de uma cidade - Os cariocas


Rio antigo - Alcione e Chico Anysio


O campeão - Neguinho da Beija-Flor


Cariocas - Adriana Calcanhoto


Rio de Janeiro - Barry White


Rio babilônia - Fernanda Abreu e Claudio Zoli


Only a dream in Rio - James Taylor e Milton Nascimento


Do leme ao Pontal - Tim Maia


A voz do morro - Zé Keti


Endereço dos bailes - Monobloco


Racho na Praça Onze - Dalva de Oliveira


Aquele abraço - Gilberto Gil


Bem. Aí está um pouco da beleza de nosso Rio de Janeiro retratada em versos e melodias. Semana que vem têm grandes momentos. Tem o melhor das Olimpíadas 2016.


Enquanto isso mais uma homenagem ao coração do Brasil.


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40 MÚSICAS DA MINHAS VIDA

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

CINEBLOG: OS GOONIES


Cineblog volta hoje com um dos filmes que marcou a minha infância.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Os goonies



Os Goonies (no original, The Goonies) é um filme de 1985, produzido por Steven Spielberg, escrito por ele e Chris Columbus, e dirigido por Richard Donner. Na época, teve um extremo sucesso. Conta com a participação de Cyndi Lauper, cantando a música-tema do filme "The Goonies 'R' Good Enough".


Sinopse



Após encontrar um mapa do tesouro no sótão de sua casa, Mickey, Brand, Bocão (Mouth), Dado (Data) e Gordo (Chunk) partem em busca do tesouro de Willy Caolho. Juntam-se a eles nessa aventura Andy e Stef mas, além das armadilhas deixadas por Willy Caolho por entre as cavernas e trilhas subterrâneas, os garotos terão de enfrentar também uma família de bandidos italianos, Os Fratelli. Para salvá-los resta somente o valente e destemido Sloth.

"Da imaginação de Steven Spielberg, "Os Goonies" nos apresenta uma turma de pequenos valentes, com uma surpresa em cada canto! Seguindo um misterioso mapa do tesouro por incríveis passagens subterrâneas, traiçoeiras armadilhas e um antigo navio pirata cheio de dobrões de ouro, os garotos correm para ficar um passo a frente de uma família de caras maus... e um amável monstro com um coração de herói. Uma clássica aventura familiar do início ao fim. "Os Goonies" é um tesouro do cinema, de ação empolgante, efeitos deslumbrantes e calafrios de arrasar!" Adaptado da sinopse ©2001 Warner Home Video, an AOL Time Warner Company – Brasil

"Uma aventura deliciosa com uma garotada simpática e divertida!" Kathleen Carroll, New York Daily News.


Elenco



Sean Astin – Michael 'Mikey' Walsh
Josh Brolin – Brandon 'Brand' Walsh
Jeff Cohen – Lawrence 'Chunk' Cohen (Gordo)
Corey Feldman – Clark 'Mouth' Devereaux (Bocão)
Kerri Green – Andrea 'Andy' Carmichael
Martha Plimpton – Stephanie 'Stef' Steinbrenner
Jonathan' Ke Huy Quan – Richard 'Data' Wang (Dado)
John Matuszak – Lotney 'Sloth' Fratelli
Robert Davi – Jake Fratelli
Joe Pantoliano – Francis Fratelli
Anne Ramsey – Mama Fratelli
Lupe Ontiveros – Rosalita
Mary Ellen Trainor – Harriet Walsh (Mãe do Mikey e Brand)
Keith Walker – Irving Walsh (Pai do Mikey e Brand)


Ficha técnica



Realização: Richard Donner
Roteiro: Steven Spielberg com colaboração de Chris Columbus
Produção: Steven Spielberg, Richard Donner, Harvey Bernhard, Kathleen Kennedy e Frank Marshall
Cinematografia: Nick McLean
Edição: Michael Kahn
Música Original: Dave Grusin
Produtoras (Estúdios): Amblin Entertainment e Warner Bros. Pictures
País/Ano de Produção: Estados Unidos - 1985
Duração (DVD): 114 min
Classificação Etária: Brasil- Livre; Portugal- M/6 anos
Estreia mundial: 7 de junho de 1985 (Estados Unidos e Canadá)
Estreia no Brasil: 15 de agosto de 1985
Estreia em Portugal: 29 de novembro de 1985


Semana que vem Cineblog volta com outro "Blockbuster" da mesma época. Com "Top Gum".



CINEBLOG ANTERIOR:

OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE

terça-feira, 16 de agosto de 2016

TROCANDO EM VERSOS: OPERÁRIO DOS SONHOS



Sua emoção
É a razão do meu cantar
Com uma caneta e um papel
Uma olhada pro céu
Me ponho a pensar

Escrevo sobre heróis e artistas
Histórias e conquistas
O amor em seu esplendor

Sou um operários dos sonhos
Faço do sonho um poema
E do poema uma canção

Folha rasurada de rabiscos
Entre garranchos e riscos
Surge a inspiração

Hoje entro nessa avenida
No compasso da minha criação
Cantando feliz da vida
Nas batidas do seu coração

Hoje entro nessa avenida
No compasso da minha criação
Cantando feliz da vida
Nas batidas do meu coração

TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

CRIATURAS

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

SEMANA 40 ANOS: UM ENCONTRO INUSITADO



Bem galera. Hoje fecho a semana 40 anos agradecendo a todos que leram essas colunas, mandaram mensagens felicitando, lembraram-se de mim, mandaram energia positiva e..

- Peraí que essa bosta acabou ainda não!!

Que coisa estranha. Parece que ouvi a voz de alguém. Mas não to vendo ninguém.

- Além de de ser feio pra caralho ta ficando cego? O que é isso? É a idade? Ta ficando brocha também?

Esse jeito de falar..Não, não pode ser, é imaginação da minha cabeça. Ela não existe, é um personagem de ficção.

- Não existe? Vou te mostrar quem não existe seu...

Carola!!

- Carola é o cacete!! Onde é que tá o respeito? Te dei confiança? Pra você é Dona Carola!!

Para que ta doendo? Onde arrumou esse guarda chuva velha doida? E o que está fazendo aqui??

- Temos contas a acertar.

Que contas? Pra senhora sei que não to devendo dinheiro.

- Olha que ele ta gozado hoje. Ta gozado hein? Foi pegar algum daqueles travestis da praia?

O que a senhora quer afinal?

- Eu quero saber se é verdade que você é o responsável de eu morrer num filme pornô e ter as cinzas cheiradas por um defunto!!

Bem..De certa forma sim já que eu te criei.

- Safado!! Sem vergonha!! Eu vou te encher de guarda chuvada!! Eu sempre fui uma mulher decente!! Só do major e você me fodeu!!

Peraí..Calma lá Dona Carola!! Lembre-se que fui eu que te criei, a mim a senhora não engana!!

- O que quer insinuar com isso fedelho??


Que eu sei muita coisa e o que eu não souber eu crio!!

- Está me ameaçando?? Quer que eu faça com você o que eu fiz com as Marias??

Não, não tem necessidade. Eu quero lhe mostrar o lado bom dessa história.

- E qual o lado bom de morrer num filme pornô e ser cheirada? Ver o pau do homem de lata?? Vi caralhos muito maiores!! Epa..Eu não disse isso!!

Disse sim, eu te criei. Eu fiz falar.

- Olha lá..Ele é perigoso, manipulador. Sabe enganar.

Ta falando igual minhas exs namoradas Dona Carola. O que eu quero dizer é que tudo bem, peguei pesado com a senhora, desculpe, mas eu criei a senhora como mãe do Henrique, por exemplo.

- Henrique, o meu bebê...

Sim. Dei a oportunidade da senhora ser mãe do Henrique, aquele filho que a senhora tanto ama. Isso não foi bom?

- É, foi bom. Mas tinha que botar aquela vaca da Carla no caminho dele?

Eles se amam Dona Carola e pense, eu sou pai e sei do que estou falando. Nós não somos para sempre e nossos filhos tem que caminhar ser felizes e fazer suas histórias.

- Ta, ta legal..Mas você me fodeu assim mesmo!!

Como se a senhora é um sucesso?

- Sou?

Claro..Lembra quando te criei em forma de conto em 1998? A senhora sempre teve valor, mas depois que foi ao teatro começou a ser reconhecida, sua história começou a ser encenada!! Várias vezes já no Rio de Janeiro com um grupo muito bacana, virou musa em Ribeirão Preto se apresentando no Municipal e até abrindo festival. A senhora chegou a Portugal e até roubada foi e apresentada sem autorização no interior de São Paulo.

- É, fiquei puta com aqueles viadinhos. Deu vontade de meter a mão na cara deles!!

Cada vez mais reconhecida, amada. Tem noção de quantos em pouco tempo já riram com suas histórias? Com as coisas que disse?

- É, eu sou foda mesmo, eu sou muito bucetuda.

Bem ou mal além do Henrique criei para a senhora Carla, Simone, Agenor, Crisaldo, Zulmira, Chefe, Bob Crazy, Pai Xoxó, Maria Rita, Maria Lucia..São bacanas, são sua família e sei que lá no fundo a senhora gosta deles.


- Bota fundo nisso hein? Fundo pra caralhooooo!!

É meu personagem mais popular, mais querido no qual mais devo gratidão por todo sucesso que faz, por mostrar que sou mais que carnaval e pelas pessoas bacanas e lugares que me fez conhecer.

- Quer me fazer chorar seu merda? Minha buceta já tá toda molhada..

Vem cá me dê um abraço.

- Claro..Abraçar é o caralho!! Vou te dar guarda chuvada!!

Para que ta doendo porra!!

- Olha só, ele sabe falar palavrão também.

Claro que eu sei. Eu que te ensinei esses palavrões todos. Veio aqui só pra me xingar e bater? É isso?

- Não, vim aqui trazer um recado pra você também.

De quem? Do major? Não obrigado.

- Da sua mãe, disse que tem muito orgulho de você e se você não acredita nessas palavras é só fechar os olhos e sentir..Fechar os olhos que vai sentir todo esse amor e orgulho.  

Poxa, obrigado, fiquei comovido agora.

- Pediu também que eu tomasse conta de você, fosse sua segunda mãe, a representante dela aqui e serei hein? Já que você me criou para representar todas as mães, o amor de mãe de uma forma cômica eu farei isso, ta fodido comigo.

Obrigado Dona Carola, gentileza da sua parte.

- Gentileza é o caralho, eu lá sou mulher de gentileza?

Ta bem Dona Carola, agradeço assim mesmo.

- E vou ficar de olho nessas mulheres que você arruma. Arruma cada uma que puta que pariu!!

Acontece..

- Bem, tenho que ir embora. Vai rolar uma rave lá em Nosso Lar agora e eu não tenho tanto tempo para perder com você. Ainda mais que são três conduções e lá é longe pra caralho. Mais longe que Belém!!


Ta bom, muito obrigado Dona Carola.

- Obrigado nada, vai baixando a calcinha!!

Oi?

- Hahaha sacaneei. Bem, vou lá, tchau otário.

Dona Carola!!

- Que é peste?

Te amo!!


- Eu..Ah, achou que ia falar que te amava? Vai se foder!!


SEMANA 40 ANOS:

40 MÚSICAS DA MINHA VIDA

OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE

O DIA