quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O DIA EM QUE O FUTEBOL MORREU


O dia 3 de fevereiro de 1959 é marcado por uma tragédia.

Após um show em Clear Lake, Iowa, EUA os cantores Buddy Holly, Ritchie Valens (Conhecido pelo mega sucesso La Bamba) e J. "The Big Bopper" Richardson morreram em um desastre aéreo. O evento marcou toda uma geração, ceifava as vidas de três jovens expoentes do rock e devido toda a dramaticidade do fato a data ficou conhecida como"O dia em que a música morreu".

Evidente que a música nem o rock morreram nessa data. Existem até hoje cada vez mais fazendo surgirem talentos e públicos sempre se renovando.  

O leitor é inteligente e sabe porque contei essa história. Evidente que o futebol não morreu ontem. Continuaremos nos emocionando, celebrando, xingando, zoando, vivendo e respirando futebol provavelmente até o fim de nossas vidas, mas nunca esqueceremos o dia de ontem. O tempo vai passar, a dor vai diminuir, a ferida cicatrizar, a vida vai continuar, mas dentro de nossas corações vai ter uma pequena dor. Uma pequena dor que pode dar suas pontadas de vez em quando e nos lembrar que nunca mais será como já foi um dia. Assim como a F1 não é pra quem é da minha faixa etária.

A Chapecoense nunca mais será um clube comum para nós, nunca mais será "apenas mais um dos pequenos". Ela pode até fazer como outros clubes emergentes que surgiram, fizeram sucesso e caíram, mas mesmo que isso ocorra não lhe esqueceremos e sempre pensaremos no que ela poderia ter sido. A Chapecoense queria conquistar a América. Acabou conquistando o mundo.

29 de novembro de 2016. O dia em que o futebol morreu. Pelo menos da forma que nós conhecemos.

Desastres com grande número de vítimas sempre nos sensibiliza, só lembrar a boate Kiss. Desastre que envolve o futebol, a nossa maior paixão e onde só estamos acostumados a ter alegrias ou dores que consideramos menores como perda de campeonato dói mais ainda. O que falar então quando envolve um clube, um grupo de jogadores que com simpatia, talento e garra conquistaram todo o país?

Envolve esporte como a morte de Ayrton Senna, envolve avião com jovens esperançosos no auge como foi com os Mamonas, envolve avião e enorme quantidade de pessoas como o fokker 100 da TAM, envolve o nosso despertar tomando um soco no estômago antes mesmo de dar uma golada no café da manhã como com a boate Kiss. Todas as nossas tragédias jogadas em um liquidificador macabro e nos fazendo sofrer. Sim, estamos sofrendo, estamos chorando a cada charge, vídeo ou mesmo citação porque são nossos rapazes que estavam lá, nossos meninos queridos que só queriam mostrar que eram grandes. Chorando nossos parceiros de tv que todos os dias entravam em nossos lares com microfones para contar histórias esportivas. É a dor de perder um desconhecido íntimo, o melhor amigo que nunca nos foi apresentado. Como perder 71 amigos assim de uma vez só? Como sobreviver a isso?

Temos e vamos sobreviver.Vamos respirar fundo, enxugar as lágrimas que teimam em cair de forma avassaladora e com as pernas trêmulas caminhar. Até porque tem um órfão que precisa da gente, um curumim, um jovem indiozinho de apenas 43 anos que precisa de nossa força, de nossas mãos para continuar vivendo. O futebol que nos deu tanto agora precisa da gente.

Precisa de cada clube de futebol desse país,clubes que estão deixando rivalidades de lado e se unindo para ajudar a Chapecoense. Clubes que nunca se unem para nada tendo que se unir na dor. Torcidas das mais variadas cores e até nacionalidades deixando um espaço em seus corações para a "Chape" seja comprando camisas, virando sócios torcedores ou mesmo orando.

Curioso isso. Vivemos tempo de tanto ódio, tanta intolerância tendo o futebol como um expoente desse ódio cada vez maior e precisamos de uma tragédia tão grande para entendermos duas coisas; Que é só futebol e que esse só é coisa pra cacete.

Tentando ver por um lado bom talvez com o tempo a gente perceba que o dia 29 de novembro de 2016 não foi o dia em que o futebol morreu, mas o dia em que o futebol renasceu. Em um dia tão triste fica a dor da tristeza, mas o cheirinho da esperança. Quem sabe não era esse o famoso cheirinho?  


Obrigado querida Chapecoense por nos lembrar porque amamos futebol, você não está sozinha.



A partir de agora somos todos da sua tribo índio Condá.

Campeões invictos da nossa emoção.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

TROCANDO EM VERSOS: AQUI E ALI


Pensei que aquele dia fosse um dia normal
Estava tudo igual
Quando reparei em você

Cabelos dourados estavam no Sol a brilhar
Um sorriso a afagar
Passei a me perguntar

Nunca pensei em me apaixonar
Sempre achei que a paixão fosse uma nuvem
Cheia de ilusão

Baby não vá
Não vá embora não, fique aqui
Baby não vá
Como dói a solidão

Baby não vá..Baby não vá..
Não vá porque eu não vou deixar
Aonde você for eu vou
Aqui e ali
Nunca vou desistir

Amanhece o dia estou olhando pro mar
Tentando encontrar
Um jeito de te achar

Olho pras ondas tentando aliviar a tensão
Que está em meu coração
Preciso recuperar a razão

Mas não enxergo, não escuto
Eu não paro um segundo de te chamar
De te amar

Baby não vá
Não vá embora não, fique aqui
Baby não vá
Como dói a solidão

Baby não vá..Baby não vá..
Não vá porque eu não vou deixar
Aonde você for eu vou
Aqui e ali
Nunca vou desistir


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

SÓ PENSO EM VOCÊ

terça-feira, 22 de novembro de 2016

SOBE O SOM: ROBERTO RIBEIRO E JOÃO NOGUEIRA


Dermeval Miranda Maciel, mais conhecido como Roberto Ribeiro (Campos dos Goytacazes, 20 de julho de 1940 — Rio de Janeiro, 8 de janeiro de 1996) foi um cantor e puxador de samba-enredo brasileiro.

Sambista do Império Serrano, Roberto Ribeiro construiu uma respeitável carreira de intérprete e compositor desde a segunda metade da década de 1960. De voz bem timbrada e enxuto fraseado, seu repertório incluíam sambas de todos os tipos, como afoxés, ijexás, maracatus e outros ritmos africanos. Tem mais de 20 discos gravados,

Filho de Antônio Ribeiro de Miranda (um jardineiro) e Júlia Maciel Miranda, Roberto, apesar de não ter nascido no Rio de Janeiro, era um carioca típico, apaixonado por futebol e samba. Aos nove anos de idade, trabalhava como entregador de leite. Naquele tempo, já frequentava a Escola de Samba Amigos da Farra, da cidade de Campos dos Goytacazes, e participava das festas do tradição "Boi Pintadinho".

João Nogueira (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1941 — Rio de Janeiro, 5 de junho de 2000) foi um cantor e compositor brasileiro.

Com a feiura na mão filho do advogado e músico João Batista Nogueira e irmão da também compositora, Gisa Nogueira, cedo tomou contato com o mundo musical. Logo, aprendeu a tocar violão e a compor em parceria com a irmã.

João Nogueira começou a compor aos 15 anos, fazendo sambas para o bloco carnavalesco Labareda, do Méier, através do qual conheceu o músico Moacyr Silva, dirigente da gravadora Copacabana, que o ajudou a gravar. Mas ele apareceu na cena artística nacional quando no início dos anos 70 emplacou o primeiro sucesso. O samba assumiu as primeiras posições das paradas na voz de Eliana Pittman e mereceu citação em reportagem da revista americana Time.

Então vamos lá!!


Sobe o som Roberto Ribeiro e João Nogueira!!


Todo menino é um rei (Roberto Ribeiro)


Meu drama (Roberto Ribeiro)


Propágas (Roberto Ribeiro)


Mel pra minha flor (Roberto Ribeiro) - Com Alcione


Partilha (Roberto Ribeiro)


Heróis da Liberdade (Roberto Ribeiro)


Acreditar (Roberto Ribeiro)


Gamação danada (Roberto Ribeiro)


Além do espelho (João Nogueira)


Nó na madeira (João Nogueira)


Minha missão ( João Nogueira)


Clube do samba (João Nogueira)


Um ser de luz (João Nogueira)


Poder da criação (João Nogueira)


Boteco do Arlindo (João Nogueira)


Samba-rubro negro (João Nogueira)


Bem. Aí está um pouco da obra desses brilhantes e imortais artistas. O Império Serrano, a Portela e todo o mundo do samba agradecem a esses artistas iluminados.Semana que vem tem mais artistas brilhantes e imortais. Tem Nat King Cole & Ray Charles.


Enquanto isso o trem de luxo parte


Para não deixar o espelho se quebrar


SOBE O SOM ANTERIOR:

A GATA COMEU

CINEBLOG: OITO E MEIO


Cineblog hoje fala de um grande filme, um dos maiores filmes do lendário Federico Fellini

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Oito e meio



8½ [ˈɔtto e ˈmɛddzo] (br: Oito e meio — pt: Fellini 8 ½) é um filme franco-italiano de 1963, do gênero drama, dirigido por Federico Fellini e com trilha musical assinada pelo compositor Nino Rota.

Oito e meio é um filme autobiográfico, com muitas cenas retiradas da vida do próprio diretor. Segundo o próprio Fellini, algumas cenas foram concebidas através de seus sonhos. O título do filme é uma referência à carreira do próprio diretor, que até então já havia dirigido seis longa-metragens, dois episódios de filme e havia codirigido um longa-metragem.

Fellini chegou a cogitar a possibilidade de escalar o ator Laurence Olivier como o protagonista de Oito e meio, mas acabou optando por Marcello Mastroianni.


Sinopse



O filme retrata a crise de criatividade de um cineasta chamado Guido Anselmi, que demonstra um certo esgotamento no seu estilo de vida e resolve se internar em uma estação-de-águas para buscar inspiração.

Usa de uma estratégia engenhosa para contornar o bloqueio criativo que—conta-se—o próprio Fellini estaria sentindo: contar a própria dificuldade de realizar um filme. E ainda obter o prestígio de fazer um filme metalinguístico, que usa a linguagem do cinema para comentar um filme que seus personagens estão fazendo.

O filme tem grandes influências da psicanálise jungiana, da qual Fellini era um entusiasta. Um exemplo é o grande foco nos sonhos do protagonista para explicar sua persona e acontecimentos de sua infância. O uso da fotografia preta e branca também serve para reforçar o conceito jungiano de sombra.


Elenco



Marcello Mastroianni .... Guido Anselmi
Claudia Cardinale .... Claudia
Anouk Aimée .... Luisa Anselmi
Sandra Milo .... Carla
Rossella Falk .... Rossella
Barbara Steele .... Gloria Morin
Madeleine LeBeau .... Madeleine, a atriz francesa
Caterina Boratto .... mulher misteriosa
Eddra Gale .... La Saraghina
Guido Alberti .... Pace, o diretor
Mario Conocchia .... Conocchia, o diretor de produção
Bruno Agostini .... o secretário de produção
Cesarino Miceli Picardi .... Cesarino


Principais prêmios e indicações




Oscar 1964 (EUA)

Venceu nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor figurino – preto e branco para Piero Gherardi.
Recebeu ainda outras três indicações, nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro original e melhor direção de arte – preto e branco.

BAFTA 1964 (Reino Unido)

Recebeu uma indicação na categoria de melhor filme.

Festival de Moscou 1963 (Rússia)

Ganhou o Grand Prix.

Prêmio Bodil 1964 (Dinamarca)

Venceu na categoria de melhor filme europeu.

Prêmio NYFCC 1963 (EUA)

Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.


Semana que vem Cineblog volta com o polêmico filme nacional Oh Rebuceteio.


CINEBLOG ANTERIOR:

GISELLE

FERNANDA


A vida é feita de encontros.

Pessoas vem e vão por nossas vidas em uma velocidade enorme. Gente que era essencial para nós, não conseguíamos passar um dia sem encontrar, bater papo, celebrar a amizade podem sim se tornar apenas mais uma e até desconhecidas com o tempo. Você tem hoje em sua roda de amigos quantas pessoas que tinha na infância? Vou além, dez anos atrás. O mundo hoje é rápido, na velocidade de uma rede social, pessoas vem e vão com mais facilidade ainda.

Fora isso temos a mania de dar mais importância a relações do que ela realmente tem. Adoramos nos fazer de populares, que temos um milhão de amigos. Bobagem isso porque Jesus só tinha doze e um deles ainda era traíra. Temos quase sempre a confusão de confundir amigos com colegas. Quem bebe com você, vai pra farra, de vez em quando troca um zap, encontra nos lugares e acabam ficando juntos pra se divertir não são amigos, são colegas.

Amigo é quem você pensa logo quando tem algo bom ou ruim pra dividir, é aquela pessoa que você sempre tem assunto e mesmo quado não tem não rola aquele silêncio desconfortável. Amigo frequenta a sua casa, você a dela e abrem a geladeira um do outro sem nem pedir permissão. Não aparta briga, entra de voadora. Amigo pelo olhar sabe como você está.

Eu sempre achei que tivesse muitos amigos, mas não tenho. Ninguém tem na verdade porque é muito difícil achar alguém que preencha tudo isso dito acima. Tenho muitos colegas e que me chamam de parceiro e irmão, ainda mais depois que entrei para sites de carnaval e "ganhei o poder" de divulgá-los nesses sites, consertar seus sambas ou analisá-los. Mas sim tenho amigos. Por incrível que pareça mais amigas até que amigos. Fiz boas amizades esse ano com mulheres como a Simone. Geniosa, que briga a beça comigo, mas pessoa maravilhosa. Como a Vanessa que também conheci esse ano e sabe dar bons conselhos, pessoa zen que passa tranquilidade.  

E tenho ela. Amiga, cúmplice, companheira, amor, é tudo desde 2013 pelo menos. Falo de uma moça linda por dentro e por fora chamada Fernanda.

A Fe, branquinha, ou como quer que chame entrou na minha vida nesse ano de 2013, meio sem querer graças ao twitter. Da empatia nos tweets mútuos vieram as DMs, facebook, whatsaap e quando fomos ver já éramos muito íntimos, sabíamos tudo da vida do outro. Éramos quem procurávamos nos momentos felizes ou para dividir o ombro, mesmo virtual, para chorar nas tristezas.

Sei muito da vida dela e acredito que ninguém saiba mais da minha vida que ela. Ela preenche tudo que eu falei de amizade e tudo que disse sobre pessoas que ultrapassam o tempo. A Fernanda é mais que isso, muito mais. Até hoje,em quarenta anos, é a pessoa que chegou mais próximo ao ideal que escrevi várias vezes do "ficar velhinho ao lado dividindo copo de dentadura e morrendo nos braços" . Só não vai ocorrer isso porque sou mais velho que ela.

É muito legal você gostar amorosamente da pessoa que é sua melhor amiga e saber que isso é recíproco. Acho que tem nada melhor e nunca tinha passado por isso.

Em três anos só nos vimos duas vezes por ela morar longe de mim, em Belém. Injusta geografia que distancia pessoas tão próximas. Sempre foi nosso maior problema e desde o começo nosso quebra cabeça de como resolver.

E nas duas vezes quem resolveu foi ela. A Fe não é só a minha melhor amiga ou mulher que quero pra mim. É a pessoa que mais admiro na vida. Menina ainda, quase saída da adolescência já passou e passa por muitos obstáculos, é guerreira, passa por cima de seus limites e está a semanas de se formar na faculdade com essa garra monstruosa e maior que a minha. Viajou duas vezes para o Rio arrecadando dinheiro fazendo pedágios. Acho que ela não tem noção da admiração que tenho por ela. Admiração que sinto todas as vezes que ela me mostra um trabalho seu da faculdade e entendo quase nada. Admiração que sei que é recíproca porque desde 2013 ela é a primeira pessoa a ver tudo o que eu escrevo. Ela foi a primeira não só a ver prontas, mas a ver passo a passo da criação de peças como "Eu matei Nelson Rodrigues" e "Dona Carola" cada uma já mais de dez vezes apresentada. Passo a passo viu a criação do meu livro "Amor" chorando, se emocionando e se envolvendo com a história. Se envolveu tanto que escrevi uma continuação para o livro e lhe coloquei. Chegou a um ponto que enquanto estou escrevendo já imagino o que ela irá pensar.

Admiração, gratidão, carinho, muitos são os adjetivos que posso dizer dela, mas acho gratidão o maior. Tenho que ser muito grato a uma pessoa que sempre mostra tanto amor por mim, tanto carinho e amizade. Uma pessoa que sim, brigo e ela comigo toda hora, mas sempre se aproxima e permite minha aproximação depois como se nada tivesse ocorrido. Uma pessoa que ficou do meu lado nos piores momentos que foram os dois anos entre o fim de 2013 e o fim de 2015 quando qualquer mulher teria se afastado de mim, quando não pude mostrar o quanto ela era importante para mim, que tive que ser injusto com ela não dando a ela o papel que sempre mereceu e outras pessoas exerciam.

Mas a justiça foi feita quinta-feira passada quando para quase 200 pessoas eu disse o quanto ela era importante pra mim. Ela é sim, demais e como fico feliz em finalmente te fazer justiça e poder mostrar isso ao mundo.

Não por acaso foi pra ela que fiz uma das músicas mais bonitas da minha vida, um (confesso) excelente letrista, mas sofrível melodista conseguiu pra ela fazer melodia de gente grande. Nada é por acaso nessa vida. Voltando ao começo sim, a vida é feita de encontros.

E que bom ela me fez encontrar você.


Faça amor comigo
Relaxa quero te olhar
Acabando a distância entre nós
Me sinto tão bem quando você está

O toque macio de suas mãos
Teu corpo pesando em cima do meu
Era tudo que eu queria agora
Mas o destino ainda não entendeu

Te vejo na tela do meu coração
E sinto saudades do que não vivi
Queria ao menos estar ao teu lado
E ao vivo te fazer sorrir

Menina, confesso eu to mesmo afim
Por você atravesso um país
Te acordar pro café da manhã
E adormecer te fazendo feliz

No jardim que você nasceu
Eu quero ser o teu beija-flor
Provar do teu polem que é meu
Te namorar vendo o Sol se por

Menina que mexeu comigo
Com graça e inocência me deixe te amar
A distância não faz sentido
Quero você e vou te buscar


Beijo de lesma


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXXI - O BAÚ


Não seria como advogado de um escritório em Feital que eu conseguiria fazer alguma coisa. Por mais vontade que eu tivesse, por mais que meu sobrenome ajudasse não seria o suficiente e eu não queria mais atingir simplesmente a milícia de Feital.

Eu queria acabar com a bandidagem do Rio de Janeiro.

Ao contrário de meu pai que se elegeu deputado federal através do voto de cabresto, cometendo todos os tipos de crime eleitoral e praticando atos da velha política eu fiz uma campanha limpa. Prestei contas em um site da internet de todos os meus gastos, não ofereci camisas de futebol, dentaduras, nada em troca de votos. Apenas minhas propostas e retidão de caráter.

Arregacei as mangas. Fui às ruas quase não parando em casa. Subi as favelas que o “poder paralelo” deixou. Visitei escolas, passei aos estudantes minhas propostas. Fiz corpo a corpo embaixo de Sol dando pessoalmente meu “santinho” a cada pessoa.

E usei sim o nome de meu bisavô. Pepe Granata era um homem respeitado, tradicional e a única coisa que usei dele foi seu nome. Apesar dos quase cem anos de idade era um homem ativo. Gravou propaganda eleitoral comigo e participou de alguns comícios. Na verdade ele queria participar de todos, mas por recomendações médicas foi poupado.

Luciana também foi uma grande companheira no período. Entendeu que eu não tinha tempo pra namorar, viu o tamanho de meu projeto e caminhou ao meu lado. Ajudou-me a entregar santinhos e botou a boca no microfone dizendo porque confiava em mim.

E assim fui fazendo minha campanha até que chegou o dia da eleição.

Tenso acordei logo cedo e fui ao colégio Benito Granata, local que eu votava. Entrei no colégio e fui bastante aplaudido por populares. Cumprimentei mesários, encaminhei-me a urna eletrônica e na hora de votar fiz o “V” da vitória. Todos os clichês de candidatos.

Depois de votar fui pra casa descansar um pouco e mais tarde “grudei” na internet acompanhando a votação. Tive menos votos do que esperava, talvez devido minha “campanha limpa” coisa pouco normal na classe política. Depois de um tempo fechei o notebook e liguei para Luciana achando que não entrara.

Deitei um pouco e bateram na minha porta. Abri e a empregada assustada disse que meu bisavô chamava no escritório. Perguntei porque ela tremia e ela respondeu “ele tem diabinho na garrafa”. A mesma coisa que dissera ao meu pai. Ri, contei que essa história era crendice popular e fui ao escritório.

Chegando lá encontrei o Barão com alguns homens do meu partido bebendo e ao me verem Pepe gritou “salve o deputado Francisco Granata!!”. Os homens deram o salve e eu respondi que nada entendia, pois, minha votação fora aquém que eu pensava.

Um dos homens perguntou se eu vira quem foi o campeão de votos. Respondi que não e ele me contou que fora Juninho Babalu, o cantor de tecnobrega. Comentei que isso era bom já que Juninho se candidatara por nosso partido e ele emendou “graças a sua votação vários de nossos candidatos foram eleitos, inclusive você”.

Com sorriso amarelo peguei um copo e brindei com os homens. Graças ao Juninho Babalu, que tinha como principal projeto o feriado de dia do tecnobrega eu fui eleito deputado.

Comemorei com Luciana em um motel. Dentro da hidro enquanto ela bebia champanhe eu bebia guaraná. Ainda não me adaptara totalmente a bebida alcoólica. Luciana ria e ironizava que devíamos assistir um show de Juninho Babalu até como forma de agradecimento. Eu ri e respondi que ela poderia ir sozinha me representando.

Séria Luciana perguntou se eu tinha noção da responsabilidade que eu carregaria a partir daquele instante. Respondi que com grandes poderes vinham grandes responsabilidades. Luciana achou bonito e perguntou de quem era aquela frase, achava ser de Abraham Lincoln ou Churchill e eu rindo respondi que era uma fala de tio Bem para o homem aranha.

Minha namorada me deu uns tapas rindo e perguntou qual seria meu primeiro ato depois de eleito. Respondi que era casar com ela e dei um mergulho.

Ao voltar encontrei quieta me olhando. Perguntei se estava tudo bem e ela me pediu que repetisse o que eu disse. Perguntei se ela queria casar comigo. Luciana pálida perguntou se o pedido era sério e respondi “nunca falei tão sério em minha vida”. Emocionada minha namorada me abraçou e contou que era tudo que queria.

Perdi Luciana duas vezes, não queria perder a terceira. Por tudo que vivi com ela e principalmente tudo que vivi sem eu já não tinha dúvidas que era o amor de minha vida. Era minha mulher, minha amante, companheira e queria que fosse para sempre.

No dia do casamento minha mãe colocou minha gravata rindo que eu não conseguia aprender a colocar. Eu brinquei que era um dos meus maiores defeitos e nunca aprenderia. Renata colocou a mão em meu rosto e disse “bendito seja o homem que um dos maiores defeitos é não saber colocar uma gravata”. Sorri sem jeito e ela completou dizendo que tinha muito orgulho de mim.

Abracei emocionado minha mãe dizendo obrigado quando Cássio surgiu. Perguntou se eu estava pronto para ser enforcado e sorrindo com lágrimas nos olhos respondi que estava pronto para ser feliz.  

Saí da mansão e já encontrei Pepe no carro. O meu bisavô gritou mandando que eu me apressasse, pois, estava com fome e queria ir logo para a festa. Rindo respondi que já ia e pedi para que ele enganasse a fome com biscoito.

No altar perguntei a Cássio se Luciana iria mesmo e me gozando meu padrasto respondeu que no lugar dela fugiria. Antes que eu falasse algo a marcha nupcial começou a tocar e Luciana entrou.

Na hora que ela entrou conduzida pelo pai lembrei-me da noite que lhe conheci na festa de Pepe e Beatriz e uma lágrima rolou por meu rosto. Luciana estava linda demais e eu queria que aquele momento se eternizasse. Peguei a mão da mulher que amava e falei para ela “casaria com você quantas vezes fosse necessário” e Luciana respondeu “eu diria sim a todos os seus pedidos”.

A festa como sempre foi na mansão Granata. Muita fartura de comida, bebida e felicidade. Puxei Luciana para o meio do salão e assim dançarmos. Todos olhavam e enquanto eu conduzia minha amada na dança perguntei se ela imaginava que duas crianças poderiam naquele momento nos olhar e se apaixonarem como ocorreu conosco um dia. Luciana séria chegou em meu ouvido e disse “espero que não porque você dança muito mal”.

Todos os convidados foram para a pista de dança e celebravam nosso casamento. De repente o som parou e uma voz conhecida disse ao microfone que queria cantar uma música em homenagem ao casal. Pepe Granata.

Eu esperava por “Mérica, Mérica, Merica” o hino de nossas festas, mas ele cantou “Reginella campagnola”, a música que mudara sua vida.

Apesar da idade avançada Pepe Granata cantou no tom, sem desafinar e divinamente bem acompanhado pela orquestra. No fim desejou felicidade para nós e celebrou sua ótima memória que fez lembrar daquela música em momentos importantes de sua vida.

Saímos à francesa da festa e fomos ao hotel onde reservamos um quarto. Peguei minha esposa em meus braços, entramos no quarto e fizemos amor. Ao fim deitados e abraçados comentei rindo com Luciana que eu era o primeiro de muitas gerações de Granatas que não casava com a noiva grávida.

Enquanto eu ria Luciana séria perguntou “Quem te disse isso?”. Comentei sobre Pepe, Pepino, Luigi e só depois entendi onde ela queria chegar e parei. Luciana olhou para mim e disse “soube três dias atrás, mas quis esperar o casamento”.

Continuei olhando para ela que assustada pedia para que eu falasse algo. Peguei Luciana no colo e rodei com ela pelo quarto comemorando.

No caminho ao aeroporto para a lua de mel contei ao celular a novidade a familiares e amigos. Embarcamos para Macchu Picchu. Finalmente eu conseguiria “curtir” o local em paz.

Não ficamos muitos dias no Peru, logo voltamos porque tinha coisas para fazer no Brasil. Luciana voltou ao trabalho no escritório de Cássio e eu me preparava para tomar posse.

Tomei posse como deputado estadual no começo de 2011 e estabeleci a milícia como foco de meu mandato. Estudei muito sobre ela, seus meandros, ramificações, sustentáculos e um dia decidi falar na plenária.

Eu era o mais novo dos deputados e sentia que meus colegas não me levavam muito a sério. Talvez apenas por minha idade ou pelo histórico dos Granata na política, pouca eficácia e muitas negociatas. O presidente da casa me deu autorização para falar e subiu ao púlpito.

Com tranqüilidade peguei meus papéis, dei boa tarde aos meus colegas e falei “eu sei que muitos dos senhores são milicianos”. Até eu falar essa frase ninguém prestava muita atenção em mim, mas depois como mágica se ouviu um grande burburinho e agitação. Continuei “nem citei nomes e a plenária ficou dessa forma, isso prova que estou certo”.

Fiz um discurso contundente mostrando a milícia como aquela casa nunca vira, desnudada. Quanto mais eu falava mais aumentava a agitação e no fim eu prometi que acabaria com a milícia no Rio de Janeiro e colocaria muitos daqueles deputados na cadeia.

Desci do púlpito sob forte gritaria e protesto chamando muito mais atenção do que quando subi.

Eu sabia que mexia um vespeiro, abria a caixa de Pandora e não tinha mais como voltar atrás.

Cheguei ao apartamento que alugamos em Copacabana e encontrei Luciana assustada. Perguntei a ela o que ocorrera e ela perguntou se eu sabia o que estava fazendo. Não entendi o que minha esposa quis dizer até que me toquei. Perguntei como ela já sabia e Luciana respondeu que só se falava sobre nos noticiários.

Liguei a televisão e vi o noticiário que falava sobre meu discurso. Senti orgulho. Não de aparecer na tv como provavelmente seria o orgulho de meu pai, mas por saber que eu fazia o certo e essa era a minha luta. No fim do noticiário o telefone tocou e era meu bisavô pedindo que eu fosse até a mansão cedo no dia seguinte.

Na manhã seguinte ao tomar café lia os jornais e eu era primeira página em todos. Luciana me contou que sentia medo, principalmente porque teríamos um filho. Peguei em sua mão e comentei que era por ele e seu futuro que eu fazia aquilo. Minha mulher sorriu e falou que estaria comigo sempre. Dei um beijo em sua mão e respondi que sabia.

Fui até a mansão e quando entrava passei por Ricardo que saía. Meu tio olhou pra mim e falou “moleque, ta cavando a sepultura”. Sem medo olhei para ele e respondi “espero sinceramente tio que o senhor não tenha nenhum envolvimento com esse tipo de negócios, porque eu não vou querer saber se temos o mesmo sobrenome”. Ricardo riu e argumentou que seus negócios eram outros. Completei “isso que vamos ver”.

Encontrei Pepe na sala todo arrumado e perguntei aonde ele iria. O Barão respondeu que eu iria com ele. Nada entendi e ele completou “vi ontem na televisão que você fez, precisa se precaver”.  

Entramos no carro e fomos ao morro de Mangueira. Pepe me levou ao centro comandado pela neta de Mãe Baiana, aquela que fez seu santo. A mulher celebrou a nossa chegada e Pepe comentou que queria proteção para mim.

Falei com meu bisavô que eu não tinha nenhuma religião e Pepe me deu uma bronca “mexe com o tipo de gente que está mexendo e não tem religião pra lhe proteger? Quer deixar sua mulher viúva e seu filho órfão?”. Entendi o seu conselho e decidi seguir.

Pedi licença não remunerada na Assembleia, me despedi de Luciana e mais de setenta anos depois de Pepe repeti seus passos, “fiz o santo”. Fiquei vinte e um dias no barracão passando por todos os procedimentos que o Barão passara na juventude quando “fechou seu corpo” e no fim a mãe de santo contou que eu estava com o “corpo fechado”.

Comentei com ela que se a minha situação era igual à de Pepe, só morrer quando atingisse a felicidade plena eu teria problemas, pois, me considerava a pessoa mais feliz do mundo. A mulher olhou pra mim e respondeu que não, minha missão era outra.

Ela contou que minha missão só estaria completa quando eu fizesse o povo feliz. Não entendi o que ela quis dizer e ela completou “sucê vai mudar a vida de sua gente. Desse país. Quando esse povo for feliz de verdade sua missão estará completa”.

Naquele momento também virei filho de Xangô.


Pedra rolou Xangô

Lá na pedreira

Segura a pedra meu Pai

Na cachoeira

Tenho o meu corpo fechado

Xangô é meu protetor

Firma seu ponto meu Pai

Pai de cabeça chegou


Dessa forma eu voltei forte ao trabalho. Poderoso. Fiz investigações, contei com a ajuda da polícia e consegui começar a colocar algumas pessoas em maus lençóis e claro que isso me traria problemas.

Um dia dirigia sozinho em direção a minha casa quando parei em um sinal de trânsito. Sem perceber um homem chegou com uma pistola na minha janela. Lembrei logo da morte de meu pai e senti um frio na espinha. Mas o homem não me reconheceu, só queria me assaltar.

Tentei manter a frieza e desci do carro. Ao descer o homem saiu em disparada com o veículo. Cruzou a esquina e eu peguei meu celular para ligar. No momento que comunicava o assalto à polícia ouvi muitos disparos de tiros.

Corri em direção ao barulho. Era a direção feita pelo carro. Ao virar a esquina vi meu carro parado e totalmente metralhado. Um carro parado ao lado. Na hora me escondi para ver o que ocorria.

Um homem desceu do carro e abriu a porta do motorista. O assaltante caiu no chão morto e o homem gritou “puta que pariu!! Não é ele!!”. Imediatamente eu entendi a situação. Aqueles tiros eram pra mim e se não fosse assaltado eu que estaria naquele chão morto.

Lembrei de meu bisavô e da história de “corpo fechado”. Aquilo realmente funcionava.

Mas o atentado não me esmoreceu, a única diferença é que comecei a andar com dois seguranças. Continuei minha devassa e cada vez eu ganhava mais espaço na mídia e apoio de políticos, juízes e personalidades em geral. Eu era de fato e de direito “O homem da justiça” ganhando até capa na mesma revista semanal que começou a ruína de Luigi Granata.

Alguns policiais começaram a ser presos. Ligações de alguns políticos começaram a vir à tona trazendo transtornos para eles. Deputados foram investigados, cassados e nesse meio termo aumentavam as ameaças contra minha família e eu. Ligações quase diárias e nesse ambiente Luciana entrou em trabalho de parto.

No momento que isso ocorreu eu não estava com ela. A polícia foi prender um dos figurões que tinha negócios com a milícia e eu fiz questão de ir junto. Policiais batiam na porta e nada do homem atender até que um debaixo do prédio contou que ele tentava fugir pulando a janela.

A polícia arrombou a porta e encontrou o figurão já pendurado na janela para pular. O responsável pela operação apontou a arma para ele e deu voz de prisão. O homem saiu da janela e levantou as mãos não oferecendo resistência e sendo algemado. Nesse instante aproximei e falei “Eu disse que te pegaria se estivesse envolvido tio Ricardo”.

Sim. Caía à casa de Ricardo Granata. O homem estava envolvido até o pescoço com tráfico de drogas, caça níqueis, bingos clandestinos, assassinatos e sociedade com a milícia em muitos desses negócios. Ricardo algemado andava e gritava para mim que aquela história não acabaria assim e eu me daria mal. Gritei de volta “isso é pelo meu pai, por Luigi Granata seu ordinário”.

Ricardo foi levado e meu telefone tocou. Atendi e gritei aos policiais que meu filho nascera.

Corri para a maternidade e minha avó, mãe e padrasto já se encontravam no local. Perguntei por Luciana e minha mãe respondeu que estava bem e mandou que eu fosse logo vê-la. Nem precisou pedir duas vezes.

Entrei no quarto e encontrei Luciana com Bruno no colo. Dei um beijo emocionado em minha esposa que mandou que eu pegasse nosso filho em meu colo. Todo sem jeito peguei e disse “bem vindo ao mundo Bruno Granata, espero que você encontre um mundo melhor do que eu encontrei”.

Deixei que minha esposa dormisse e fui até a mansão contar a Pepe Granata que era trisavô. Ele no escritório encheu dois copos de uísque e brindamos ao novo herdeiro. Conversamos por um tempo e ele me pediu licença, pois, estava cansado e precisava dormir.

Dei a licença a ele e também fui embora. No carro pensava na vida, em meu filho que nascera e como eu sentia necessidade de trabalhar por ele. Pensei em meu pai e senti sua falta, queria Luigi comigo naquele momento. Pensei em tanta coisa que esqueci uma pasta importante na mansão.

Voltei até ela e a empregada me atendeu. Contei que precisava ir ao escritório pegar uma pasta importante e a empregada se benzeu perguntando “Você vai sozinho ali? Deus me livre, tem o diabinho”. Eu ri e mandei a mulher dormir que eu fecharia a porta ao sair.

Fui ao escritório e peguei a pasta. Quando saía percebi que o quadro de meu trisavô Salvatore Granata estava torto na parede. Fui ajeitá-lo, mas um prego se soltou e o quadro caiu no chão revelando um cofre.

Eu não sabia da existência de cofre nenhum na mansão e fiquei curioso. Olhei uma numeração atrás do quadro e arrisquei, era a combinação do cofre e consegui abrir.

Abrindo dei de encontro com um baú.

Peguei o baú e coloquei sobre a mesa. Minha curiosidade naquele momento já era imensa. Abri o baú e tomei um susto. Havia uma garrafa dentro. Peguei a garrafa e olhei, tinha um bonequinho dentro dela, a imagem de um diabinho. Ri e pensei “não é que aquela louca estava certa?”. Não dei muita atenção para a garrafa. Havia vários cadernos velhos dentro e esses me chamaram mais atenção.

Quando abri o primeiro vi que era uma preciosidade. Um velho diário amarelado e com folhas soltando de Salvatore Granata.

Desde sua vida na Itália. Abri os outros e já eram diários de Pepe Granata desde a infância em São Paulo. Eu estava com um grande tesouro na mão.

Que daria um belo livro.


CAPÍTULO ANTERIOR:

O HOMEM DA JUSTIÇA

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O GOL


A vida tem muitos momentos sublimes, inesquecíveis. Alguns importantes outros que aparentemente nem são, mas que nos fazem um bem danado, um bem na alma.

Um deles, dos mais importantes é o gol.

Quem não curte futebol não entende como esse momento pode ser tão sublime para gente. Mas o gol é aquele momento de extravasar, de soltar um grito sufocado, de emocionar, fazer abraçar o cara do lado que nunca vimos na vida ou chorar como criança. Todos que gostam de futebol tem aquele gol que lhe marca.

Tem uma música que tocava na Rádio Globo de São Paulo, que não sei se ainda toca, que o operador de som colocava na hora do gol que dizia "É gol que felicidade, é gol o meu time é o mais querido da cidade" o sentimento é esse mesmo na hora do gol, de felicidade.

Sou Flamengo e tenho meus gols inesquecíveis. O gol de Renato na semifinal do brasileiro de 1987 contra o Atlético no Mineirão, o terceiro na vitória por 3x2, o antológico e famoso gol de Pet contra o Vasco no carioca de 2001, o gol de cabeça de Ronaldo Angelim contra o Grêmio em 2009. Dos que não vi e sempre me arrepia ao ver está o gol de Nunes, o terceiro na final contra o Atlético em 1980 e, evidente, os gols do mundial de 1981.

Pela seleção brasileira os gols do meu ex ídolo Ronaldo na final da copa de 2002, ex ídolo porque não adianta você ser um grande jogador se jogar bola é apenas uma atividade que faz de uma pessoa homem ou não, também tenho como marcante o gol de Falcão, o segundo na derrota para a Itália em 1982 e claro, o gol de falta de Branco contra a Holanda nas quartas de final da copa de 1994.

Reconheço gols importantes de outros times como os quatro que fizeram a virada épica do Vasco contra o Palmeiras na final da Mercosul de 2000, o gol de barriga de Renato pelo Fluminense contra o Flamengo na final do carioca de 1985, gol de Mauricio pelo Botafogo na final do carioca de 1989 contra o Flamengo ou o impedido de Tulio contra o Santos na final do brasileiro de 1985.

O gol de Basilio que tirou o Corinthians de uma fila de 23 anos, de Paulinho na Libertadores de 2012 que classificou a equipe diante do Vasco, o gol de Guerrero que deu o título mundial ao clube. O gol de falta de Raí pelo São Paulo dando a vitória contra o Barcelona no mundial de 1992, de Renato pelo Grêmio na prorrogação contra o Hamburgo na final do mundial de 1983, de Figueroa pelo Inter em 1975, gol de seu primeiro título brasileiro ou de Adriano Gabiru contra o Barcelona lhe dando o título mundial de 2006.

Enfim..Todas as torcidas tem seu gol do coração e mesmo quando não é o time que torcemos tem aquele gol que nos encanta. Seja bonito ou feio o importante é fazer gol. É pelo gol que o futebol existe. O gol é o orgasmo do esporte.

Por quê decidi falar de gol hoje?

Para falar do gol mais importante da história do futebol brasileiro e num ato patriótico sou capaz de dizer do futebol mundial. Esse gol foi marcado no dia 21 de junho de 1970. A bola começou com Clodoaldo na defesa da seleção brasileira, o mesmo deu uns dribles perigosos em que mostrou todo seu talento e a bola foi passando de pé em pé naquele que foi o maior time que o esporte já produziu.

Até que chegou em Pelé e esse parou a bola e parecendo tocar com nojo rolou para o lado e Carlos Alberto deu um chute extraordinário fazendo o gol. O último gol da copa de 70, o último ato da maior de todas as seleções.

Lembro esse gol antológico para, com atraso, saudar Carlos Alberto Torres que nos deixou algumas semanas atrás. O homem que levantou em definitivo a Jules Rimet agora é saudade e história. Do pé de um lateral direito saiu o maior gol da história do futebol, corrigindo, não de um lateral direito, mas do lateral direito.

Essa copa já tem 46 anos. Aos poucos os craques daquele time inesquecível vão envelhecendo e partindo e, só podemos agradecer a quem fez essa história. Obrigado Carlos Alberto Torres. Obrigado a todos, dos craques aos maiores botinudos, que são capazes de exercendo seus trabalhos fazer de nossas vidas mais felizes.


No gol do meu time eu também me sinto um artilheiro.


Eu me sinto campeão.


TROCANDO EM VERSOS: SÓ PENSO EM VOCÊ



Faço de conta que não ligo
Que só quero ser seu amigo
Mas é difícil entender
Como não tenho você

Mas não quero que seja assim
Quero você pra mim
Quero que o resto se dane

Só penso em você
Não penso em nada mais
Não me leve a mal
Mas como eu te queria
Maria

Aparecida apareceu
Dentro de um sonho meu
Nesse sonho eu sonhava
Receber um beijo teu

Mas você já tem um amor
Só me resta a dor
E cantar pra desabafar

Pra você dou uma flor
Pra você dou meu amor
O que quero é te namorar

Só penso em você
Não penso em nada mais
Não me leve a mal
Mas como eu te queria
Maria

Quero baby que você venha comigo
Não quero baby
Ser apenas seu amigo
Não quero não

Só penso em você...
Só penso em você...



TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

VOCÊ E EU

SOBE O SOM: A GATA COMEU


A Gata Comeu é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 18 horas entre 15 de abril e 19 de outubro de 1985, em 167 capítulos,[1] substituindo Livre para Voar e sendo substituída por De Quina Pra Lua. Foi a 30ª "novela das seis" exibida pela emissora. Escrita por Ivani Ribeiro, com colaboração de Marilu Saldanha, e contou com a direção de Herval Rossano e José Carlos Pieri. Com gerência de produção de Carlos Henrique de Cerqueira Leite, e também contou com a direção geral e núcleo de Herval Rossano. É um remake da novela A Barba-Azul, escrita pela própria Ivani Ribeiro para a extinta Rede Tupi e exibida em 1974.

Contou com as participações de Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Mauro Mendonça, Anilza Leoni, Bia Seidl, Deborah Evelyn, Fátima Freire e Danton Mello.

Apesar de já ter ficado várias vezes noiva, Jô Penteado sempre acaba o noivado com seus pretendentes, o que lhe rende o apelido de Lucrécia Bórgia. Rafael Benavente, ator de teatro, é seu oitavo noivo e todos esperam que, enfim, aconteça o casamento. Nesse meio tempo, o Professor Fábio (uma pessoa honesta e trabalhadora que dá aula na Urca) organiza uma excursão com lancha para seus alunos. A embarcação é de propriedade de Horácio Penteado (pai de Jô). Na excursão, alguns amigos dele e Jô acabam indo para a excursão. Porém, a lancha quebra e todos vão parar numa ilha deserta. No local, Jô e Fábio brigam o tempo todo, e trocam até tapas. O ódio de um pelo outro aumenta a cada instante. Após terem sido dado como mortos, ficam 2 meses na ilha, e são resgatados.

Então vamos lá!!


Sobe o som A gata comeu!!


Só para o vento - Ritchie


Amigo do Sol, amigo da Lua - Benito di Paula


Seu nome - Byafra


Choro - Fabio Junior


Eu queria ter una bomba - Barão Vermelho


Tipo One Way - Ciclone


I should have know better - Jim Diamond


The heat is on - Glenn Frey


Crazy for you - Madonna


Heaven - Bryan Adams


Every time you go away - Paul Young


Forever by your side - Manhattans


Bem. Aí está um pouco da trilha sonora dessa novela maravilhosa que vem sendo reprisada pelo Canal Viva. Semana que vem tem mais. Tem samba com João Nogueira & Roberto Ribeiro.


Enquanto isso se prepare que vai começar.


SOBE O SOM ANTERIOR:

MÚSICAS ITALIANAS 

CINEBLOG: GISELLE


Cineblog vem hoje com um filme forte. Considerado um dos primeiros filmes "Pornográficos" brasileiros apesar de não ter cenas explícitas.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Giselle



Giselle é um filme brasileiro de 1980, dirigido e roteirizado por Victor di Mello.

Foi lançado na época de relaxamento na censura, e teve grande destaque nos cinemas brasileiros como "o primeiro filme pornográfico brasileiro". O título buscou correspondência com o do filme pornô chic internacional Emmanuelle, com Sylvia Kristel, também finalmente liberado para exibição comercial no país. Mas no caso brasileiro foi mais um exemplar do gênero pornochanchada.


Sinopse



O filme conta a história de Giselle (Alba Valéria), filha adolescente do rico fazendeiro Lucchini (Nildo Parente). A jovem possui um comportamento liberal e promíscuo, tendo casos com a madrasta Haydée (Maria Lúcia Dahl) com a amiga Susana (Vera Gimenez) e com Ângelo (Carlo Mossy), capataz da fazenda de seu pai. Posteriormente, com a chegada do filho de Haydée, Sérginho (Ricardo Faria), as intocáveis relações familiares passam a dar lugar a um triângulo amoroso entre os três, regado a sexo e busca do prazer físico e psicológico. Ao mesmo tempo, são revelados, aos poucos, os segredos de cada membro da família por trás do aparente teatro social que o clã ostenta.

Apesar de ter sido propagandeado como um mero filme erótico na época, a trama do longa trata de temas mais profundos e controversos como os tabus da homossexualidade, promiscuidade, hedonismo e, sobretudo, o processo de desestruturação familiar. Isso é evidenciado pela primeira e a última cenas do filme, nas quais é possível se ler, sobre a cena de uma nuvem de cogumelo: “Assim como na antiga civilização romana, como em Sodoma e Gomorra, todas as vezes que uma sociedade está em decadência, a principal característica, é a falta de valores morais, a promiscuidade sexual, o desamor, as frustrações e os desencontros. Os dias que hoje estamos vivendo não diferem muito daqueles que antecederam a destruição daquelas sociedades”.

Elenco



Alba Valéria .... Giselle
Monique Lafond .... Ana Clementina
Celso Faria .... Sabino
Zózimo Bulbul .... Jorge
Vinícius Salvatori .... Bobo
Luciano Sabino .... Bandido I
Yara Jali
J. Queiroz
Mário Ludgero
Esmeralda de Lima
Hudson Malta Santos
Ana Henriqueta
Nildo Parente .... Luscini
Carlo Mossy .... Angelo
Ricardo Faria .... Serginho
Maria Lúcia Dahl .... Haydée


Cineblog volta semana que vem com um clássico. Oito e meio do gênio Federico Fellini.


CINEBLOG ANTERIOR:

XANADU

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VIDEOBLOG: ANÁLISE - CLÁSSICOS DA MPB


Hoje começo uma nova sessão aqui, uma experiência.

Aproveitando o trabalho que fiz no site Carnavalesco irei analisar alguns clássicos da música nacional, músicas que fizeram sucesso e são ricas tanto em melodia quanto em suas letras e nas mensagens que elas passam.


Espero que vocês gostem. Gostando farei mais vídeos.


Análise


Para vocês tirarem suas próprias conclusões postarei as quatro músicas, afinal, aqui é uma democracia.

Segure o Tchan


Vem fazer Glu Glu


Dança do ET



50 reais


Espero que tenham gostado e caso tenham mandem sugestões de duelos musicais.