quarta-feira, 31 de maio de 2017

CINEBLOG: ONDA NOVA


Cineblog fala hoje de um filme bastante polêmico, quase pornográfico de tão forte e que conta com algumas participações especiais em situações inusitadas.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Onda nova



Onda Nova é um filme brasileiro de 1983 dirigido por José Antônio Garcia e Ícaro Martins.


Sinopse



A vida conturbada de jovens garotas que acabaram de fundar o "Gaivotas Futebol Clube", um time de futebol feminino. O filme é considerado pelos seus realizadores como “uma colagem surrealista sobre a juventude paulistana”.


Curiosidades



"Onda Nova" é um filme underground, direcionado aos jovens dos anos 80 que não estavam interessados na visão romanceada de filmes como "Garota Dourada" e "Menino do Rio". Seu humor é ácido e não há compromisso com o final feliz, tudo no mais típico estilo underground do cinema dos anos 80, com direito a muitas cenas de nudez, sexo e uso de drogas. Foi considerado bem polêmico para os padrões da época mostrando cenas de transa homossexual durante o Regime Militar.

O filme conta com a participação de Caetano Veloso como passageiro de um táxi que volta da noite com uma garota, da atriz Regina Casé e dos jogadores de futebol Casagrande e Wladimir em cenas de sexo.

Outro título: Gaivotas Futebol Clube.

Algumas cenas do filme foram gravadas no bar e restaurante Ritz, em São Paulo, ponto de encontro dos "modernos" da época.

No meio da filmagem Casagrande brigou com a produção e abandonou as gravações. O roteiro foi modificado eliminando as passagens de que o jogador participava e que ainda não tinham sido gravadas, mas havia cenas imprescindíveis, principalmente considerando-se que ele era um dos protagonistas do enredo. As cenas foram então gravadas por um "sósia".

Elenco



Carla Camurati
Tânia Alves
Vera Zimmerman
Regina Casé
Cristina Mutarelli
Patricio Bisso
Sérgio Hingst
José D'Artagnan Jr
Cida Moreira
Casagrande
Osmar Santos
Caetano Veloso
José Paulo Gomes Alves
Wladimir
Luiz Carlos Braga
Ênio Gonçalves
Laura Finocchiaro


Em duas semanas "Cineblog" volta com o hilariante "Apertem os cintos, o piloto sumiu".


CINEBLOG ANTERIOR:

HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

terça-feira, 30 de maio de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XII - RENASCIMENTOS


Meu telefone tocou de madrugada, quando dormi e era Samuel aflito. Demorei para entender e quando consegui pedi que se acalmasse que estava indo ao hospital.

Novamente hospital. Era minha rotina.

Cheguei e encontrei Samuel e Anderson. De tão revoltado meu amigo mal conseguia falar e perguntei a seu companheiro o que ocorria. Anderson me contou tudo e realmente era revoltante. Um dos frentistas decidiu contar tudo a polícia que estava averiguando câmera de segurança.

Homofobia. Em pleno século XXI pessoas apanhando por opção sexual, nem dele era e mesmo que fosse isso não dava direito a ninguém de se meter em sua vida, de bater. Parece que vivemos na era das cavernas onde tudo era resolvido com tacapes e violência. Vivíamos uma era de intolerância e falta de respeito .Uma era onde mercadores da fé usavam nome de Jesus para propagar o ódio e a falta de amor.

Não entrava na minha cabeça, não entra. Se cada um cuidasse de suas vidas o mundo seria muito melhor. Com o perdão da má palavra cada um tem sua própria bunda e é pra cuidar dela. O que alguns querem fazer com a própria só devia interessar a elas.

Sem sentir na pele imaginava a revolta de Samuel. Ele mostrava ódio no olhar enquanto era amparado por Anderson. Samuel não era gay em nossa juventude, pelo menos não mostrava ser, e acabou se descobrindo com o tempo.

Junto com Anderson lutou pela adoção de Francisco, fez de sua opção sexual uma causa e dessa causa virou um dos melhores deputados de nosso país tão achincalhado pela classe política. Defendendo com unhas e dentes as minorias e por causa disso sendo desrespeitado e não levado a sério pela classe dominante.

O status quo morre de medo de gente como Samuel e por isso faz essas atrocidades.

Mas Samuel mesmo ferido continuava um lutador. Conversava com os policiais exigindo providências enquanto os mesmos pediam calma e relatavam que estavam olhando as câmeras de segurança. Samuel bradava “Calma?? Meu filho entre a vida e a morte por causa de marginais e vocês me pedem calma?”. Eu assistia a tudo com a certeza que Samuel não deixaria aquilo barato.

A situação de Francisco era difícil. Em coma lutava pela vida enquanto era operado. Fiquei a noite toda ali ao lado de meu amigo dando toda força e suporte necessário. Enquanto isso Gabriel vivia a sua felicidade.

Gabriel e Thais decidiram passar lua de mel em Buenos Aires e curtiam tudo que a cidade tem de melhor. Foram até o museu de Carlos Gardel, conheceram o túmulo de Evita Perón, comeram bife de lomo e chorizo no bairro de Boca assistindo casais dançando tango e de noite passearam pelo Caminito.

Abraçados curtindo a noite portenha Gabriel comentou "Meu pai diz que minha mãe falava que não existia felicidade e sim momentos felizes". Intrigada Thais pediu que ele explicasse e meu filho o fez "Nossa vida é feita de momentos. Felicidade e tristeza são passageiras e cabe a cada um de nós saber tirar o melhor
delas". Thais comentou que tinha sentido e ele continuou "Se a vida é feita de momentos felizes posso dizer que esse é um dos meus mais felizes". Thais sorriu e beijou o marido.

Ficaram mais um tempo em silêncio até que ele comentou "Queria que meu pai voltasse a ter seus momentos felizes também". É..Falaram de mim. Thais perguntou se eu não esquecera Camila e meu filho continuou "Não e nem vai. É o amor da vida dele, mas queria que ele fosse feliz novamente, se apaixonasse de novo". Thais comentou sobre Fernanda e Gabriel comentou "É a que mais mexeu com ele até hoje, mas é muito difícil competir com minha mãe".

Gabriel suspirou e disse que gostaria de ter conhecido melhor sua mãe, devia ser uma mulher fantástica. Thais falou que pelo menos essa felicidade ela teve já que a mãe morreu quando era adolescente. Gabriel continuou "Ela morreu e eu era muito pequeno. É estranho isso porque não era pra sentir falta de algo que nunca tive, alguém que mal conheci, mas eu sinto".

Thais apenas olhava Gabriel que disse "Sabe..Eu entendo meu pai. Eu também não saberia viver sem você. Acho que morreria se algo acontecesse contigo". Thais sorriu, passou a mão em seu rosto e respondeu "Você nunca mais vai me perder. Sou sua pra sempre".

Gabriel comentou que não sabia porque, mas dera medo nele de repente. Thais lhe deu um beijo, mandou novamente que não se preocupasse e pediu que curtissem a lua de mel. Meu filho riu e respondeu "Vamos sim, até porque não pretendo casar de novo".

Thais puxou Gabriel e disse “Quero aprender a dançar tango”.

Gabriel começou a rir sem entender enquanto sua esposa passava o desejo para um casal que dançava e ele decidiram ensinar Gabriel e Thais.

Não conseguiram aprender, mas deram boas risadas e ganharam mais uma história para contar.

História de amor enquanto a de Francisco ganhava contornos de drama.

Fiquei a noite toda com meus amigos, mas tinha que ir trabalhar de manhã e deixei os dois para ir a empresa. Francisco ainda era operado quando saí. Trabalhava tentando pensar em meus assuntos quando recebi a visita de Fernanda.

Perguntou como eu estava e contei que passara a noite acordado. Ela relatou que sabia da situação e que estava na hora do almoço. Argumentei que tinha muito trabalho e ela insistiu que era apenas uma horinha de conversa no almoço e que ela pagaria. Topei.

Fernanda me levou para a praia, estendeu uma tanga e em cima colocou sanduíches. Eu ri enquanto ela comentava que era o que dava pra pagar com o dinheiro que tinha. Agradeci e falei que era o melhor almoço do mundo.

Fernanda comentou que eu estava cansado e respondi que viver cansava. Ela perguntou "a vida não vem sendo fácil pra você né?". Respondi que não e que agora tinha esse problema de meu amigo. Ela me mandou ter fé, orar que daria tudo certo. Olhei o horizonte e comentei que estava cansado de hospitais e que quando morresse fosse por algo que não me levasse a hospitais.

Fernanda riu e disse que eu demoraria muito para morrer ainda e eu perguntei "Será? Será que já não estou morto?".

Fernanda pegou minha mão, olhou nos meus olhos e disse "Você não está sozinho, tem a mim agora. Serei pra sempre sua amiga". Sorri de volta e em silêncio permaneci segurando sua mão.

Nem percebi quando de tão cansado adormeci em seu colo.

Francisco continuava sua luta. Sua cirurgia durou mais de doze horas e continuou em coma no fim. Anderson saia para trabalhar, mas Samuel em nenhum momento se distanciava do filho esquecendo do mundo do lado de fora. Eu olhava aquilo e me impressionava e enchia de orgulho do meu ex-companheiro DJ.

Determinado momento eu estava com Fernanda lá quando Anderson comentou que a imprensa continuava do lado de fora. Me prontifiquei a dispensá-los dizendo que era especialista nisso quando Samuel segurou minha mão e disse "Não, ta na hora de encarar". Anderson perguntou se ele tinha certeza e andando em direção ao lado de fora meu amigo respondeu "Nunca fujo de lutas".

Ele estava coberto de razão.

Saiu comigo e Anderson a tiracolo. Os flashes começaram a pipocar e todos os jornalistas juntos quiseram fazer perguntas. Samuel levantou a mão pedindo calma e que responderia a todos, mas que se organizassem.

Os jornalistas se organizaram e fizeram as perguntas. Samuel, como prometera, respondeu um a um e aproveitou para fazer um pronunciamento. Ele falou:

"Meu filho está em coma e nem sei se acordará novamente. Cheio de vida, jovem, com um grande futuro pela frente está entrevado em uma cama como vegetal. Todos os dias me angustio quando o telefone toca ou o médico se aproxima temendo pelo pior”.

"Menino que junto com meu companheiro adotei criança ainda. Criança mais velha, do tipo que ninguém quer adotar e mesmo assim tivemos imensa dificuldade por sermos um casal do mesmo sexo. Nos trataram como anomalia e que faríamos de nosso filho anomalia. Curioso. Nós só quisemos, como casal do mesmo sexo, salvar o futuro de uma criança jogada fora por casal abençoado pela sagrada igreja e as tradições conservadoras desse país".

"País hipócrita que exalta o machismo, o adultério, a pornografia, a sedução infantil e trata gays como aberração. Meu filho apanhou da sociedade, está em coma por causa da sociedade e eu não vou descansar enquanto não lhe fizer justiça. Não só a ele, mas a todos que são gays, tem parentes gays e simplesmente só querem ser felizes. A sociedade não pode ficar impune acobertada por sua hipocrisia. Está na hora de limpar esse país e eu serei o detergente”.

Acabou de falar e todos ficaram atônitos com suas palavras. Puxei os aplausos e todos acompanharam, inclusive os jornalistas. Tirei meu amigo dali dizendo "Você não só não foge de brigas como compra umas muito boas". Bem sério Samuel me respondeu “Você ainda não viu nada meu amigo”.

A opinião pública se dividiu enquanto Samuel decidiu que era hora de voltar ao congresso, Foi recebido com aplausos por todos os deputados, mas a coisa logo virou e se tornou dividida quando no plenário meu amigo discursou contra o preconceito, a homofobia, culpou a sociedade  por tudo que ocorreu com seu filho e outras vítimas de preconceito e por fim disse que estava na hora de dar a crimes o peso que eles tem relatando que iria entrar com uma emenda agravando o crime contra homossexuais.

Desceu do púlpito recebendo reclamações e protestos da bancada evangélica, ignorando a todos e dizendo "Se vai contra as leis de Deus que o próprio venha debater comigo. Não falo mais com seus franqueados”.

Com os dias apareceram os suspeitos pela surra em Francisco. Os mesmos foram presos, mas logo soltos porque os frentistas ficaram com medo de acusar em delegacia já que eram oriundos de classe média alta. Nesse meio tempo Thais e Gabriel voltavam ao Brasil e tomavam conhecimento de toda a tempestade que poupei de saberem enquanto curtiam a viagem.

Encontrei com os dois ao lado de Fernanda e estávamos tão estarrecidos com toda a situação que eu e Thais não percebemos o desconforto entre Gabriel e Fernanda. O casal ouviu a tudo atentamente e Gabriel perguntou porque eu não falara nada já que considerava Francisco como um irmão. Respondi que não queria atrapalhar a viagem e depois de respirar fundo comentei que ainda tinha o pior para contar.

Thais, assustada, perguntou o que poderia ser pior e eu respondi. “Seu primo, Igor, era um dos suspeitos”.

Thais pôs as mãos na cabeça não querendo acreditar e Gabriel comentou "Igor é desses pitboys, lutador de jiu jitsu que adora fazer confusão em boate, infelizmente não duvido disso".

Enquanto ele falava Thais se levantou e Gabriel perguntou aonde iria. Thais respondeu "Isso não vai ficar assim" e começou a caminhar. Gabriel tentou acompanhar, mas a moça impediu dizendo que tinha que fazer sozinha.

Thais foi até a casa do pai.

João abriu a porta e ela entrou imediatamente. O homem perguntou o que ela fazia ali, não considerava mais sua filha desde que se juntou a um devedor da justiça e ela contra argumentou "É? E o Igor é o que?". João se fez de desentendido e perguntou o que tinha Igor.

Thais disse "Não se faça de desentendido pai. Igor, seu adorado sobrinho, filho do seu amado e idolatrado irmão está envolvido nesse crime sórdido contra o filho do deputado Samuel. O senhor passou anos acusando o Gabriel. Fez pressão psicológica sobre mim até onde pôde, até na véspera do meu casamento com Ronaldo quando eu quis desistir alegando que o Gabriel era um criminoso.  E agora? Aquele que você vive dizendo que é o filho homem que sempre quis ter. Que muitas vezes me pôs pra baixo pra exaltar está envolvido em crime e é até mais criminoso que o Gabriel".

João respondia que não tinha nada provado contra ele e Thais rebatia "Por enquanto porque os frentistas estão com medo, mas ele aparece na fita de segurança e será indiciado. Eu tinha que vir aqui te ver depois dessa pai. Ver a ironia que a vida faz."

João tentava se esquivar dizendo que era diferente. Repetia a todo o momento que era diferente. Thais perguntou em que e ele disse que a freira era uma santa. Thais disse que Francisco era um ser humano igual a ela e João respondeu que não. Thais começou a gritar, exigir que ele dissesse porque era diferente até que João não aguentou e respondeu.

Porque era filho de gays.

Thais então se silenciou, olhou um tempo o pai e disse "Era essa a resposta que eu queria". Começou a andar em direção a porta com João perguntando aonde ela iria. Thais respondeu:

"Para algum lugar bem distante de você".

Thais chegou em casa e encontrou Gabriel esperando por ela preocupado. Ela entrou chorando e ele perguntou qual era o problema. Thais pediu "Apenas me abrace forte, minha família agora é você".

Infelizmente Francisco continuava na mesma e a vida tinha que continuar. Estava no apartamento vendo filme com Fernanda deitado no chão quando senti mexerem na porta. Abriram. Era Guga com uma mala na mão.

Perguntei o que ele fazia ali e como ainda tinha a chave. Guga respondeu "Ainda bem que ainda tenho né? Você aí namorando nunca me ouviria tocar a campainha". Retruquei que não estava namorando, Fernanda era minha amiga e perguntei o que ele fazia na sala com aquela mala. Guga abriu os braços, um largo sorriso e disse "Voltei amigão!!".

Fernanda começou a rir e eu tentava entender o que ocorria. Guga naturalmente contou "Sua irmã me botou pra fora". Perguntei o motivo e ele respondeu "Besteira, essas bobagens de mulher. Só porque ela me pegou na cama com outra". Nesse momento Fernanda gargalhava e eu sem acreditar falava "É..Nada demais". Guga carregando a mala perguntou se seu quarto ainda estava livre e comentou "Ela já está com outro também, um novinho. É safada, sei que é sua irmã, mas é safada". Largou a mala e me deu um abraço dizendo "Que saudades que estava daqui parceiro".

Olhou para Fernanda e perguntou "Tem certeza que realmente não te conheço?". Fernanda sorrindo jurou que não e ele pegou novamente a mala para levar ao quarto. O telefone tocou e antes que ele sumisse reclamou no celular "Que é Amanda? Já sentiu o cheiro de carniça?".

Eu e Fernanda rimos e a moça comentou que estava na hora de ir. Argumentei que era cedo e ela respondeu que tinha que acordar cedo pro mestrado. Me ofereci para levar em casa e Fernanda sorrindo respondeu "Melhor você ficar. Tem um maluco agora morando na sua casa". Me deu um beijo de lesma e foi embora.

Naquela noite sonhei novamente com Camila no Arpoador. Meu amor virou para mim e perguntou "Me ama?" respondi "Pra sempre"  e ela começou a andar dizendo "Agora não será apenas a mim". Retruquei que Fernanda era só minha amiga e ela sorriu e perguntou "Quem disse que estou falando de Fernanda?".

Antes que eu pudesse perguntar do que ela falava o despertador tocou. Era hora de acordar para o trabalho.

Levantei e na hora que abri a porta para sair ao trabalho dei de cara com Gabriel e Thais. Perguntei o que eles faziam tão cedo na minha porta e Gabriel, sério, pegou um papel e entregou na minha mão mandando que eu lesse. Fiquei preocupado perguntando o que era e ele insistiu.

Comecei a ler o papel e um sorriso tomou conta do meu rosto. Sorriso que há muito tempo não tinha. Olhei para Gabriel e perguntei  “É isso? É isso mesmo?". Gabriel respondeu com “Parabéns vovô”.

Nos abraçamos emocionados e chorando enquanto Thais nos observava também com lágrimas nos olhos.

Em outro canto da cidade Samuel dormia sentado na cadeira de um quarto de hospital quando ouviu fraco um "papai". Despertou na hora e gritou "Francisco!!" levantando e pegando sua mão.

Francisco despertara do coma.

Meu amigo e eu renascíamos naquela manhã.


CAPÍTULO ANTERIOR:

RECONCILIAÇÕES E INTOLERÂNCIA

sexta-feira, 26 de maio de 2017

SEXTA POÉTICA: EDIÇÃO I


Hoje começamos uma nova sessão no "Trocando em miúdos", a "Sexta poética". Pelo menos uma sexta-feira por mês (Se eu tiver vontade) postarei declamações de grandes letras da MPB feitas por mim. Letras que inspiram, fizeram história e emocionam gerações.

Duas letras da MPB foram escolhidas hoje. Uma dos anos 80 e outra atual servem para mostrar que a MPB continua rica de poetas e profunda em seus versos. A música "A roda" fez muito sucesso na segunda metade dos anos 80 cantada pela inesquecível musa Sarajane. A música fala sobre uma roda, como o nome mesmo diz, e sobre a necessidade de alargar essa roda. A segunda música se chama "Malandramente" e conta de uma forma muito bonita a relação de uma moça com um rapaz, ou vários rapazes, a letra deixa essa ambiguidade. Mostra também que a moça trabalha como carpinteira já que está acostumada a levar madeirada.

Abaixo os vídeos onde tento passar a emoção que as letras compõe. Versos eternizados na rica história da música popular brasileira.


Malandramente


A roda



Clipe de "Malandramente"


Clipe de "A roda"


quinta-feira, 25 de maio de 2017

SOBE O SOM: POR AMOR


Por Amor é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo em seu horário das oito de 13 de outubro de 1997 e 22 de maio de 1998, substituindo A Indomada e sendo substituída por Torre de Babel, totalizando 191 capítulos.

Foi a 55ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Manoel Carlos, com a colaboração de Maria Carolina, Vinícius Vianna e Letícia Dornelles; dirigida por Roberto Naar, Alexandre Avancini, Ary Coslov e Edson Spinello, direção-geral de Roberto Naar e Ricardo Waddington, e direção de núcleo de Paulo Ubiratan, diretor que faleceu durante a novela e apresentou Regina Duarte, Antônio Fagundes, Gabriela Duarte, Fábio Assunção, Carolina Ferraz, Eduardo Moscovis, Cássia Kiss, Paulo José, Marcelo Serrado, Vivianne Pasmanter e Susana Vieira nos papéis principais.

Foi reexibida no Vale a Pena Ver de Novo entre 1º de julho de 2002 e 10 de janeiro de 2003 substituindo História de Amor e sendo substituída por O Cravo e a Rosa. Foi exibida pelo Canal Viva, de 19 de maio de 2010 a 8 de fevereiro de 2011, sendo substituída por O Rei do Gado, às 16h30, em 190 capítulos. Junto com Quatro por Quatro, foram as primeiras novelas a serem exibidas no canal. Reestreou no Viva anunciou em 8 de maio de 2017, substituindo Pai Herói, às 23:30. A reprise se dá por causa dos 20 anos de sua estreia.

Então vamos lá!!


Sobe o som "Por amor"!!


Só você - Fábio Jr


Palpite - Vanessa Rangel


Per Amore - Zizi Possi


Nem um dia - Djavan


Abrazame Así - Roberto Carlos


Fora da lei - Ed Motta


Paralelas - Elba Ramalho


So help me girl - Gary Barlow


Stay with me - Jocelyn Enriquez


Mi Dios y mi cruz - Donato & Estefano


Dindi - El Debarge & Art Pop


How Could an Angel Break My Heart - Toni Braxton


As Long As You Love Me - Backstreet Boys


Bem, aí está um pouco da trilha sonora dessa novela marcante. Semana que vem tem mais, tem artista marcante de nosso tempo. Tem Lady Gaga.


Enquanto isso vamos falar mais um pouco de amor.


SOBE O SOM ANTERIOR:

ALMIR GUINETO

quarta-feira, 24 de maio de 2017

TROCANDO EM ARTES: ROQUE SANTEIRO


Trocando em artes em seu formato novela volta hoje com uma das grandes novelas já feitas. Censurada e 1975, voltou dez anos depois e parou o Brasil.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Roque Santeiro



Roque Santeiro é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 20 horas, entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986, em 209 capítulos, substituindo Corpo a Corpo e sendo substituída por Selva de Pedra. Foi a 34ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva (Dias Gomes escreveu a trama até o capítulo 51 e posteriormente, do 163 ao 209; por sua vez, Aguinaldo Silva escreveu a trama do capítulo 51 ao 163) -, com base no original do próprio Dias Gomes, a peça de teatro O Berço do Herói, e escrita com a colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis. Foi dirigida por Gonzaga Blota, Paulo Ubiratan, Marcos Paulo e Jayme Monjardim, com a direção geral de Paulo Ubiratan e gerência de produção de Carlos Henrique de Cerqueira Leite.

Contou com José Wilker como protagonista título. Ainda contou com Regina Duarte, Yoná Magalhães, Ary Fontoura, Eloísa Mafalda, Ilva Niño, Armando Bógus, Lucinha Lins, Marcelo Rezende, Cássia Kis Magro, Cláudio Cavalcanti, Lídia Brondi, Carlos Augusto Strazzer e Lima Duarte nos papéis principais.

Em 2008 ganhou uma adaptação feita em formato de romance por Mauro Alencar para a coleção Grandes Novelas da Editora Globo. Em 2012, foi eleita pelo portal Terra uma das cinquenta melhores novelas de todos os tempos.

Em 2016, a revista Veja elegeu Roque Santeiro como a terceira "Melhor Telenovela Brasileira" de todos os tempos, ficando atrás apenas de Avenida Brasil (2012) e Vale Tudo (1988).


Antecedentes e produção



Dias Gomes e Aguinaldo Silva escreveram Roque Santeiro baseando-se em uma peça de teatro, de autoria de Dias Gomes, O Berço do Herói, que já havia sido censurada e proibida em 1963. A telenovela seria exibida a partir do dia 27 de agosto de 1975, pela Rede Globo, substituindo Escalada, novela de Lauro César Muniz, e já havia 30 capítulos gravados e chamadas anunciavam sua estreia. Porém, no dia de sua estreia, a emissora recebeu um ofício do Departamento de Ordem Política e Social, ou DOPS, do governo federal censurando a exibição da novela. O motivo da censura foi uma escuta telefônica do governo, em que foi gravada uma conversa do autor da novela, Dias Gomes, afirmando que Roque Santeiro era apenas uma forma de enganar os militares, adaptando O Berço do Herói para a televisão, com ligeiras modificações que fariam com que os militares não percebessem que se tratava da mesma obra. Em meio à comoção da equipe, a emissora teve apenas três meses para preparar uma outra novela, e para preencher o buraco na programação, foi exibida uma reprise compacta do grande sucesso Selva de Pedra, novela de Janete Clair, posteriormente substituída por Pecado Capital, da mesma autora e um dos maiores sucessos da emissora na época. Para a realização desta novela, parte do elenco e dos cenários de Roque Santeiro foram reaproveitados.

Após 10 anos, já no governo civil de José Sarney, a telenovela foi finalmente liberada e podê ser exibida. Por consideração aos artistas envolvidos no trabalho original, os mesmo foram convidados à participar da nova versão da novela, com seus respectivos personagens. Porém, Francisco Cuoco e Betty Faria recusaram os papéis principais de Roque Santeiro e Viúva Porcina; já Lima Duarte retornou à produção novamente como o inesquecível Sinhozinho Malta. Além dele, alguns atores que participaram da versão censurada da novela, retornaram à produção, interpretando os mesmos personagens João Carlos Barroso, Luiz Armando Queiroz e Ilva Niño.

Milton Gonçalves, que interpretava o padre Honório (nome esse trocado para, Hipólito) na versão censurada, ganhou o papel do promotor público Lourival Prata; Elizângela, também, participou da versão censurada teve seu papel alterado, para viver Marilda, esposa de Roberto Mathias, interpretado por Fábio Júnior; e Lutero Luiz que interpretou o prefeito Flô, nesta versão, interpretou o Dr. Cazuza Amaral.

Sônia Braga, Vera Fischer, Marília Pera e Fernanda Montenegro chegaram a fazer testes para o papel da fogosa Viúva Porcina, que acabou sendo interpretada de forma brilhante por Regina Duarte: o entrosamento entre o casal de personagens Porcina e Sinhozinho Malta foi perfeito e rendeu aos telespectadores cenas de barracos homéricos, segundo Lima Duarte, teria emprestado um tom mais engraçado a seu personagem, diferente de quando contracenava com Betty Faria, na versão censurada da novela. O autor Aguinaldo Silva passou a escrever a novela a partir do capítulo 51, com a incumbência de dar continuidade à trama. Para isso, contou com a colaboração de três profissionais: os escritores Marcílio Moraes e Joaquim Assis, e a pesquisadora Lilian Garcia. Segundo Aguinaldo, quase no final da trama, por volta do capítulo 163, Dias Gomes declarou que gostaria de finalizar a novela, e assim, escreveu os capítulos finais.

Mas nem tudo foi em perfeito em "Roque Santeiro". O final gravado oficialmente para a telenovela, foi ao estilo do grande clássico Casablanca, filme de Michael Curtiz, no qual Porcina fica em dúvida se embarca com Roque no avião ou continua com Sinhozinho Malta. Mas diferente da personagem de Ingrid Bergman no filme, Porcina opta por permanecer ao lado do coronel, e os dois terminam juntos acenando para Roque, que enfim vai embora. De acordo com o documentário "A Negação do Brasil", de Joel Zito Araújo, teria sido gravado um terceiro final, no qual Porcina terminava ao lado do capataz Rodésio (Tony Tornado), algo que de acordo com as declarações dos envolvidos não teria sido divulgado à imprensa pela Rede Globo.


Exibição e abertura


Foi reexibida pela Sessão Aventura de 1 de julho de 1991 a 3 de janeiro de 1992, às 17h, em 135 capítulos. Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 11 de dezembro de 2000 a 29 de junho de 2001, substituindo A Próxima Vítima e sendo substituída pelo programa Você Decide, em 145 capítulos.

Foi reexibida na íntegra pelo Canal Viva de 18 de julho de 2011 a 4 de maio de 2012, substituindo Vale Tudo e sendo substituída por Que Rei Sou Eu?, à 00h15.

Ao som de "Santa Fé", de Moraes Moreira, vários trabalhadores andam por uma folha natural. O logotipo da novela aparece em um efeito tridimensional. A letra "Q" da palavra "Roque" representa uma auréola e brilha. Um avião passa por cima de um crocodilo. Um trator e duas mulheres passeiam por uma palha de espiga de milho. Um trem sai de dentro de uma fruta. Um motoqueiro passeia por um coco. Um homem puxa uma carro de boi por cima de uma banana. Um navio navega por uma borboleta azul. Acontece um congestionamento sobre uma vitória-régia.


Enredo



A história é ambientada na fictícia cidade Asa Branca, que funciona como microcosmo do Brasil. Há dezessete anos, o coroinha Luís Roque Duarte, conhecido como Roque Santeiro, por esculpir imagens sacras, morreu ao defender os habitantes de Asa Branca dos capangas do perigoso Navalhada, um bandido que havia invadido à cidade. Santificado pelo povo de Asa Branca, que atribui milagres à sua imagem, e outras pessoas buscavam até mesmo a sua canonização, Roque Santeiro tornou-se uma lenda e faz a cidade prosperar com sua história de heroísmo. Mas também despertando o interesse de muitos que se aproveitam da lenda para lucrarem. Só que para o desespero dos poderosos de Asa Branca, Roque Santeiro não está morto, e o pior, está voltando para cidade, depois de dezessete anos, ameaçando pôr um fim ao mito.

Os representantes das forças políticas, religiosas e econômicas de Asa Branca se dividem entre os que defendem que a verdade deve ser revelada, e os que querem manter a farsa do mito, porque precisam dele para lucrar. Os que se sentem ameaçados pelo retorno de Roque Santeiro, são o conservador padre Hipólito, o prefeito Florindo Abelha, o comerciante Zé das Medalhas - principal explorador da sua imagem -, e o todo poderoso fazendeiro Sinhozinho Malta, que mantém uma relação com a fogosa e extravagante Porcina, a suposta viúva de Roque Santeiro, e vê seu relacionamento ameaçado com a presença dele em Asa Branca.

Mas, o retorno de Roque à Asa Branca atinge a vida de outra moradora: Mocinha, apaixonada por ele, e que fora sua verdadeira noiva, antes da invasão de Navalhada à cidade. Mocinha nunca se conformou com o desaparecimento dele e se manteve virgem à espera dele, mesmo pensando que ele estivesse morto. Mocinha sente muita raiva e ódio de Porcina, por ela ter sido a suposta esposa de Roque Santeiro. Ela é filha do prefeito Florindo Abelha, e da beata Dona Pombinha.

À frente daqueles que desejam revelar a verdade aos habitantes de Asa Branca está padre Albano, que faz o contraponto com padre Hipólito. E, por meio deste personagem, foi abordado um tema em voga na época, a divisão da Igreja Católica entre os tradicionalistas e os adeptos da Teologia da Libertação. Progressista, Padre Albano, luta à favor dos trabalhadores de Asa branca e faz de tudo para revelar a verdade ao seus habitantes, que o mito de Roque Santeiro não passa de uma farsa.

Asa Branca também fica agitada com a chegada de Matilde, amiga de Sinhozinho Malta, que constrói na cidade, o seu único hotel, a Pousada do Sossego, e traz consigo do Rio de Janeiro, duas sensuais dançarinas, Ninon e Rosaly, para trabalhar na sua boate Sexus, e enfrentando a oposição do padre Hipólito e das beatas da cidade, comandadas por Dona Pombinha Abelha, a esposa do prefeito Florindo.

Também chega à cidade a equipe de filmagem de Gérson do Valle, o cineasta que vai filmar A Saga de Roque Santeiro. O filme tem como astros principais a atriz Linda Bastos, por quem Gérson é apaixonado, e Roberto Mathias, um mulherengo que acaba por se envolver com Porcina, com Tânia, a contestadora filha de Sinhozinho Malta, e com Dona Lulu, a reprimida esposa de Zé das Medalhas.

Outro mistério que desperta a curiosidade na população de Asa Branca, é saber: quem é o lobisomem que aparece nas noites de lua cheia atacando as mulheres da cidade? O principal suspeito é o professor Astromar Junqueira pelos seus hábitos um tanto sombrios: ele é apaixonado por Mocinha.


Elenco



Ator / Atriz Personagem

Regina Duarte         Porcina da Silva (Viúva Porcina)
Lima Duarte         Francisco Teixeira Malta (Sinhozinho Malta)
Yoná Magalhães Matilde Mendes de Oliveira
Fábio Júnior         Roberto Mathias
José Wilker        Luis Roque Duarte (Roque Santeiro)
Eloísa Mafalda        Ambrosina Abelha (Dona Pombinha)
Luiz Armando Queiroz Tito Moreira França
Rui Resende                Professor Astromar Junqueira
Cássia Kis Magro    Lugolina de Aragão (Lulu)
Elisângela                    Marilda
João Carlos Barroso    Toninho Jiló
Arnaud Rodrigues  Cego Jeremias
Nelson Dantas        Beato Salu (Salustiano Duarte)
Wanda Kosmo          Dona Marcelina Magalhães
Maurício do Valle Delegado Feijó
Ísis de Oliveira         Rosaly
Cláudia Raia        Maria do Carmo (Ninon)
Patrícia Pillar          Linda Bastos
Maurício Mattar João Duarte (João Ligeiro)
Cláudia Costa      Carla
Alexandre Frota Luiz Cláudio (Luizão)
Ilva Niño              Filismina (Mina)
Tony Tornado         Rodésio
Luiz Magnelli         Decembrino
Lícia Magna         Ciana
Cristina Galvão          Dondinha
Waldyr Sant'anna Terêncio Apolinário
Sandro Solviat         Sua Majestade
Ana Luiza Folly           Noêmia
Gabriela Bicalho Cristina de Aragão (Tininha)
Bruno César           Raul de Aragão (Raulzinho)

Atrizes convidadas

Lídia Brondi Tânia Magalhães Malta
Lucinha Lins Mocinha Abelha
Nélia Paula Amparito Hernandez
Lilian Lemmertz Margarida Magalhães Malta

Atores convidados

Ewerton de Castro Gérson do Valle
Cláudio Cavalcanti Padre Albano, o "Padre Vermelho"
Othon Bastos Ronaldo César
Oswaldo Loureiro Aparício Limeira (Navalhada)

Participações especiais

Armando Bógus José Ribamar de Aragão (Zé das Medalhas)
Ary Fontoura Prefeito Florindo Abelha (Seu Flô)
Paulo Gracindo como Padre Hipólito

Música e audiência



A trilha sonora da novela foi um grande sucesso, tendo o nacional Volume 1 vendido com mais de 500.000 cópias em três meses. De modo mais esperado, a gravadora Som Livre chegou a cogitar a comunicado da TV Globo a trilha sonora internacional da novela, como era de costume em outras exibidas pela emissora. Mas, por determinação do produtor geral Mariozinho Rocha, a gravadora optou por não lançar a trilha devido ao fato de a obra da trama original que Dias Gomes se baseava ser meramente regional. Por isso, foi criada às pressas mais uma trilha nacional. Desta vez, o volume 2 trazia outros grandes sucessos; sendo assim, Roque Santeiro foi a primeira novela da emissora com duas trilhas totalmente nacionais, se tornando um segmento diferenciado de outras telenovelas.

Várias das canções dos álbuns ficaram entre as mais tocadas de 1985, como: "Dona" (2ª), "Vitoriosa" (6ª), "Sem Pecado e Sem Juízo" (17ª), "De Volta pro Aconchego" (24ª), "Chora Coração" (43ª), "Isso Aqui Tá Bom Demais" (45ª), "Coração Aprendiz" (55ª), "Coisas do Coração" (73ª), "Mistérios da Meia Noite" (79ª), "Verdades e Mentiras" (83ª), "A Outra" (84ª) e "Mal Nenhum" (98ª)

Sua média geral é de 67 pontos de audiência, sendo a telenovela de maior audiência da televisão brasileira. Em seu primeiro capítulo marcou 68 pontos.

Quando foi reprisada, pela primeira vez em 1991, na extinta faixa da Sessão Aventura, a audiência foi satisfatória, muito maior do que às das séries estrangeiras que ocupavam o horário, chegando a marcar 36 pontos. Em sua segunda reprise - agora pelo Vale a Pena Ver de Novo -, no entanto, sua audiência foi de 15 pontos.

Prêmios


Troféu APCA (1985):

Melhor Novela
Melhor Atriz - Regina Duarte
Melhor Ator - Lima Duarte
Revelação Feminina - Cláudia Raia
Melhor Texto de Novela - Dias Gomes e Aguinaldo Silva

Troféu Imprensa (1985):

Melhor Novela
Melhor Atriz - Regina Duarte
Melhor Ator - Lima Duarte
Revelação do Ano - Cláudia Raia (empate com Tetê Espindola)


Em quatro semanas "Trocando em artes" versão novela volta com outro clássico. Pantanal.


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

ÉDIPO REI

terça-feira, 23 de maio de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XI - RECONCILIAÇÕES E INTOLERÂNCIA


Fernanda chegou em minha casa com muita fome e aproveitei para preparar minha especialidade na cozinha. Miojo de picanha com requeijão. Brinquei com a voracidade em que ela atacava o prato e contava de minha felicidade dela estar no Rio de Janeiro.

Entre uma garfada e outra a moça perguntou se eu estava pronto para lhe mostrar o restante da cidade e respondi que sim. Perguntou se iria lhe aturar já que não conhecia muitas pessoas na cidade e mais uma vez respondi que sim. Emendei dizendo que meu apartamento era só de homens, mas ela poderia ficar o tempo que quisesse.

Fernanda agradeceu e disse que só ficaria em meu apartamento naquela noite. Já era tarde e não queria incomodar anfitriã que lhe ofereceu com tanto carinho quarto em sua casa. Curioso, perguntei quem era a tal anfitriã e Fernanda sorrindo respondeu "Sua mãe".

Ri e notei que Fernanda não mudou sua fisionomia, continuou comendo e olhando pra mim. Perguntei se ela estava realmente falando sério e ela respondeu "Sim, amanhã vou para sua mãe".

Pedi que ela me explicasse aquela história e ela explicou. Minha mãe lhe procurara na internet, se apresentou e ficaram grandes amigas sempre mantendo contato por redes sociais. Soube que a moça estava vindo para o Rio de Janeiro e alegando que morava em uma casa grande ofereceu ajuda. Simples assim.

Eu que nem sabia que Fernanda e Hellen eram amigas. Essa aproximação realmente foi uma grande surpresa pra mim.

Fernanda acabou de comer e me ajudou a lavar os pratos. Por um tempo voltei ao passado já que fazia isso com Camila em nosso começo de relacionamento. Assim como naquela época brincamos com a água e ela passou sabão em meu rosto como fazia Camila.

Depois de tudo arrumei toalha e ela foi tomar banho enquanto eu olhava a chuva pela janela e ouvia som. Tentava entender minha vida e o quanto poderia mudar com a presença de Fernanda na cidade quando ouvi uma voz feminina falar "Raspberries".

Olhei para trás e vi Fernanda de banho tomado, cabelo molhado me olhando. Não percebi que tocava "Don`t want to say goodbye" no aparelho e meio sem jeito perguntei como ela conhecia a banda.

Fernanda respondeu que um grande amigo dela do passado apresentou a banda e a música e me chamou pra dançar. Fiquei sem jeito e fraquejando peguei sua mão para dançarmos .

Fernanda aproximou seu corpo do meu e eu suava frio, tremia. Aquela cena durou longos segundos até que ela me perguntou se eu estava bem e me afastei abruptamente.

Não podia dançar aquela música com uma mulher que não fosse Camila. Era mais forte que eu.

Fernanda , mais uma vez perguntou se eu estava bem e desconversei dizendo que sim. Ficamos nos  olhando por um tempo naquele clima que antecede um beijo, mas em vez disso me afastei e comentei que estava tarde.

A moça concordou comigo e comentou que estava cansada da viagem. Levei até a frente do quarto que era de Guga e virou de hóspedes e pedi que ficasse a vontade e me chamasse se fosse preciso.

Fernanda, com cara de decepcionada, agradeceu o carinho, o zelo e desejou que eu dormisse bem. Me deu um beijo no rosto e antes de entrar no quarto parou. Perguntei se havia algum problema.

Sem olhar pra mim Fernanda comentou "Sensação estranha desde que cheguei na porta de entrada que eu já conheço esse local, como se estivesse aqui anteriormente". Argumentei que devia ser sensação de "Deja Vu" e ela concordou. Sorriu e entrou.

Fui para meu quarto também e rolava na cama não conseguindo dormir. Sabia que Fernanda estava no quarto ao lado e a vontade que tinha era de ir lá beijá-la, fazer amor com ela e dormir junto com a moça. Mas não podia. Era forte em mim ainda a sensação de traição a Camila. Sim, eu namorara antes, mas ali era diferente. Não tive por nenhuma das namoradas o sentimento que tinha por Fernanda e eu nem mesmo sabia identificar qual era.

A alguns quilômetros dali um casal sabia bem o que sentia. Thais e Gabriel sem roupa deitaram no chão da sala de minha mãe abraçados enquanto a chuva caía do lado de fora depois de fazerem amor relembrando os velhos tempos.

Ficaram um tempo em silêncio até que Thais pediu "Me perdoa?". Gabriel respondeu que não tinha do que perdoar e ela continuou. "Não me arrependo do que fiz. Ronaldo precisava mais de mim naquele momento, mas prejudiquei a mim, você, a nós. Você deve ter sofrido muito e por isso preciso do seu perdão".

Gabriel respondeu que não tinha do que perdoar, já era passado e Thais insistiu até que meu filho disse "Só tem um jeito que eu te perdoe". Thais perguntou qual e ele respondeu "Casando comigo".

Thais riu e percebeu que meu filho não, perguntou se ele estava falando sério e Gabriel respondeu "Nunca falei tão sério na minha vida". Thais se perturbou com aquela declaração e tentava entender perguntando "Assim? Do nada?". Gabriel fingiu indignação e perguntou "Como assim do nada? Só me queria para sexo"?

Thais riu e Gabriel continuou "Já perdemos muito tempo, muitos anos. Aceite, mas aceite sem pensar, se jogue de corpo e alma sem pensar se é loucura ou não".

Thais respondeu que precisava pensar, Gabriel então disse que ela tinha cinco segundos pra resolver e começou a contar, no quatro ela pediu que parasse, pois já tinha decidido. Meu filho perguntou qual era a resposta e ela disse que sim.

Os dois se abraçaram, se beijaram e novamente deitaram na sala. Gabriel suspirou e disse que ficava aliviado porque começava a pensar que só queria sexo mesmo. Thais riu e perguntou "Quem disse que não é isso que quero?". Gabriel apenas olhou para ela que continuou "Para ter sexo bom desses todos os dias até vale casar com um sujeito convencido como você..."

Gabriel riu e fingindo indignação comentou que não era convencido. Enquanto ela gargalhava respondendo que era ele emendou "Melhor que ser chamado de "chataís".

Thais perguntou de onde ele tirara aquela história que ela era chata quando Gabriel começou a gargalhar. Thais começou a fazer cócegas nele querendo saber o porque daquele apelido.

Estavam felizes, finalmente felizes.

Eu também queria ser feliz, mas não sabia como. Demorei para pegar no sono e quando consegui sonhei com o dia da morte de Camila. Eu corria para a UTI onde ela estava gritando seu nome, passava pelos amigos, equipe médica e chegava em seu leito.

Mas quando cheguei na cama ela não estava mais lá.

Desesperado gritava por Camila, perguntava onde ela estava e ninguém me respondia, apenas me olhavam. Revirei o hospital gritando por ela e de tanto gritar acabei acordando gritando.

Sentado na cama vi que era só um sonho quando percebi baterem em minha porta. Levantei para abrir e vi que era Fernanda.

Ela perguntou se eu estava bem, acordara com meus gritos e respondi que estava sim, apenas tivera um pesadelo. Perguntou se eu precisava de alguma coisa e respondi que não, agradeci e lhe desejei boa noite. Ela se despediu e foi deitar.

Deitei tentando entender o sonho. Será que era um sinal? Será que era o fato de me aproximar de Fernanda e com isso perder Camila para sempre?

Na manhã seguinte eu estava com uma cara péssima, de quem dormira pouco e quando levantei Fernanda já colocara o café todo na mesa. Agradeci enquanto ela falava que meu apartamento precisava de um toque feminino.

Tomamos café e logo depois levei Fê até a casa de minha mãe. Ela morava na casa que um dia Osmar morou com Suely e Camila. Era muito estranho para mim sempre voltar naquela casa, ainda mais acompanhado.

Toquei a campainha e minha mãe atendeu. As duas se abraçaram como velhas amigas enquanto eu comentei que tinha que ir trabalhar e Fernanda estava entregue em boas mãos. Minha mãe perguntou se eu não ficaria nem um pouco e respondi que precisava mesmo trabalhar. Fernanda agradeceu por tudo me dando um beijo no rosto e entrando. Minha mãe ficou para trás, olhou bem nos meus olhos e disse "Não coloque tudo a perder" também me dando um beijo.

Eu me aproximava do carro para ir embora quando ouvi um grito de "Espera" e me virei. Era Fernanda que veio correndo, lambeu o meu rosto dizendo "beijo de lesma" e correndo de volta para dentro da casa.

Conseguiu me tirar um sorriso. Essa garota não existia.

Naquela noite eu estava sentado na sala de casa olhando a vista da sacada quando Gabriel entrou e me cumprimentou. Estava preocupado com ele já que não dormira em casa nem atendia celular. Gabriel sorriu e respondeu que não fizera nada daquilo por um ótimo motivo. Perguntei qual era e meu filho fez segredo, disse que queria contar numa festa na noite seguinte lá em nosso apartamento me pedindo autorização para tal.

Evidente que dei a autorização e perguntei se ele adiantaria nem pra mim. Rindo ele respondeu que não.

Comentei que Fernanda chegara no Rio na noite anterior e meu filho respondeu "Ótimo, chame Fernanda para a festa. Quero todos presentes para que eu faça uma comunicação".

Aquilo me deixava ainda mais curioso.

Na noite seguinte estávamos quase todos lá. Gabriel e Thais juntos aguçavam nossas curiosidades enquanto eu ainda esperava pela chegada de Fernanda que viria com minha mãe. Estava ansioso, queria logo apresentar a moça que mudara minha vida.

Um tempo depois a campainha tocou e corri para atender. Abri a porta e estavam minha mãe, Osmar e Fernanda. Olhei para ela e disse que estava linda, Osmar brincou e comentou que ele e minha mãe também estavam ali.

Convidei os três para entrarem e chamei atenção de todos para apresentar Fernanda. Thais foi a primeira a se aproximar e dizer que era um prazer conhecê-la. Gabriel, que carregava duas taças de champanhe, se aproximou de Thais e ao ver Fernanda mudou seu semblante, ficando mais sério enquanto eu apresentava.

Fernanda também mostrou desconforto enquanto Guga perguntou a Fernanda se não lhe conhecia de algum lugar com ela assegurando que não.

Pedi que todos ficassem a vontade e chamei Fernanda para pegar um copo de champanhe. Ela apresentava desconforto e enquanto eu preparava sua taça me disse que queria contar uma coisa. Na hora de contar Gabriel se juntou a Thais e pediu a atenção de todos.

Paramos para olhar e Gabriel começou a falar.

"Queria a presença de vocês, todos os meus amigos, para dizer umas palavras. Como vocês sabem Thais e eu temos uma história, história que foi interrompida por um tempo por situações do destino. Eu sou um cara que acredita em finais felizes e se não é um momento feliz é porque não chegou ao fim e desde que reencontrei a Thais eu tive certeza que nossa história continuaria".

Thais limpou lágrimas e Gabriel continuou.

"Mas para histórias chegarem a seus finais felizes temos que dar prosseguimento a elas. Eu e Thais queremos dar continuidade a nossa e chegar ao nosso final feliz. Por isso a vocês, todos os nossos amigo, comunico que.."

Nesse momento Thais interrompeu Gabriel e disse " mas que coisa. Você não me deixa falar hein?". Todos riram e Gabriel emendou com um "Você é chata Chataís" e ela completou "Quero dizer que vou casar com esse sujeito insuportável e egocêntrico", Gabriel emendou "E eu com essa chata" e todos nós rimos e aplaudimos.

Vieram os cumprimentos e a festa continuou. Conversei com Thais e perguntei por seu pai e sua ausência, ela me respondeu que apesar de tanto tempo ter passado ele não aceitava Gabriel, um "cara com problemas na justiça". Enquanto ela falava percebi que Gabriel e Fernanda conversavam em um canto e apertavam as  mãos. Não entendi e me aproximei deles.

Thais me acompanhou e ela logo agarrou o noivo. Perguntei o que conversavam e Fernanda respondeu que dera os parabéns a ele pedindo licença para conversar com minha mãe. Fernanda saiu e Gabriel perguntou quando eu faria meu final feliz. Respondi que sua mãe tinha sido meu final feliz e tudo o que ocorreu depois compensou aquela felicidade.

Um tempo depois minha mãe e Osmar anunciaram que iriam embora e Fernanda comentou que iria com eles. Argumentei que ela ficasse mais um pouco, mas achou melhor assim. Pedi então que eu pudesse levá-la. Fernanda respondeu que era besteira, iria com minha mãe e dona Hellen insistiu que ela fosse comigo.

Fernanda foi e não trocamos muitas palavras. Chegando lá ela não me deu "beijo de lesma", apenas um no rosto e entrou na casa.

Não entendi a atitude dela e no dia seguinte voltei até a casa. Era estranho voltar ali para buscar uma mulher que não fosse Camila, mas fui com um buquê de rosas. Osmar abriu a  porta e ao me ver com  o buquê comentou "Você adora as mulheres dessa casa" chamando por Fernanda. Ela veio e ao me ver riu e perguntou o que era aquilo. Respondi que não sabia porque ficara triste, mas a queria feliz, Fernanda sorriu e me deu um abraço.

O tempo passou e continuei minha amizade com Fernanda sem passar disso. Saíamos sempre juntos, víamos tv juntos, no falávamos por redes sociais e até por telefone mesmo que fosse apenas para comentar filme que passava na tv.

Thais e Gabriel se preparavam pro casamento. Não teria religioso já que Thais já casara com Ronaldo, mas teria civil e os dois estavam muito empolgados.

O dia chegou e nada mais apropriado que a cerimônia fosse realizada na ONG em que se conheceram. Coisa simples, mas muito especial onde finalmente o casal conseguia ficar junto.

Na hora do buquê Fernanda pegou e imediatamente nos olhamos um pouco constrangidos. Constrangimento que aumentou quando todos começaram a falar que ela casaria comigo.

Em determinado momento estava com Gabriel do lado de fora da ONG e olhávamos para a casa. Perguntei no que ele pensava e respondeu "Dos males que vem para o bem". Não entendi, pedi que ele me explicasse e explicou:

"O acidente. Só eu sei o quanto sofri com aquilo. Matar alguém já dói, imagine então uma pessoa santa. Será que essa pessoa santa me perdoou e fez minha vida melhorar pai?". Eu não sabia o que dizer e ele continuou. "Por causa desse acidente parei aqui e conheci a Thais. Por causa do incêndio nos beijamos pela primeira vez....Sei lá, parece que tudo tem um propósito na vida. Essa menina, a Fernanda, ter aparecido na sua..Nada é por acaso pai".

Argumentei que meu amor tinha sido Camila e ele continuou "Pai, claro que eu queria ter convivido mais com minha mãe, ter recebido seu carinho, seus beijos, seu amor, mas tive o melhor pai do mundo pra compensar. Será que você teria sido esse pai maravilhoso com ela aqui? Sem a responsabilidade de cultivar o amor de vocês em mim? O amor de vocês foi interrompido no ápice. Como teria sido depois? Romeu e Julieta são o maior caso de amor da história porque morreram jovens e um pelo outro. Como teria sido eles com sessenta anos e caindo na rotina?".

Respondi que meu amor por ela nunca mudaria e meu filho completou "Tenho certeza, mas seu amor por você tem que ser maior. Ta na hora de se permitir ser feliz". Nesse momento ele me abraçou e Francisco chegou para se despedir, teria que acordar cedo no dia seguinte. Gabriel levou o filho de Samuel até a porta e eu fiquei pensando no assunto.

Francisco pegou o carro e foi embora. Parou em um posto de gasolina para abastecer e do lado de fora do carro enquanto bebia café ouviu falarem "Não é o filho do deputado viado?" com outra pessoa respondendo "É sim, deve ser viado igual o pai".

Francisco olhou para o grupo e um deles perguntou o que ele estava olhando. Vendo que estava em desvantagem nada respondeu e fez menção de entrar no carro até que o grupo correu em sua direção e impediu. Francisco olhou para os caras que disseram "Não gostamos do seu pai viado e das viadagens dele no congresso. Leve nosso recado para ele" com um deles dando soco em Francisco que caiu no chão.

Batiam com socos, barras de ferro enquanto os frentistas apenas olhavam. No fim o líder deu um chute em sua barriga e disse "vamos embora que a bicha já entendeu o recado".

Foram embora deixando Francisco desmaiado.


CAPÍTULO ANTERIOR:

MUNDO VIRTUAL

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SOBE O SOM: ALMIR GUINETO


Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946 – Rio de Janeiro, 5 de maio de 2017) foi um sambista e compositor brasileiro.

Fundador do Fundo de Quintal, Almir Guineto foi um dos maiores representantes do samba de raiz. Além disso, Almir inovou o samba ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho. Destacou-se também pelo modo extremamente original de executar o instrumento, afinando-o à moda das últimas cordas do violão e palhetando-as velozmente, fazendo-as tremular conforme o suingue do repique de mão e do tantan. O Guineto de seu apelido é uma derivação da palavra magnata, que evoluiu para magneto e, então, Guineto. Na década de 1970, Almir já era mestre de bateria e um dos diretores da Salgueiro e fazia parte do grupo de compositores que frequentavam o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Em 1979, Almir mudou-se para a cidade de São Paulo para se tornar o cavaquinista dos Originais do Samba.

Almir Guineto morreu em 5 de maio de 2017, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal crônica. A doença havia sido diagnosticada no final de 2015, e desde junho de 2016 o sambista estava afastado dos palcos. Foi sepultado dois dias depois no Cemitério de Inhaúma, após ser velado na quadra do Salgueiro.

Então vamos lá!! Sobe o som pra saudade!!


Sobe o som Almir Guineto!!


Conselho


Só pra contrariar


Caxambu


Insensato destino - Com Zeca Pagodinho


Mel na boca - Com Jorge Aragão


Lama nas ruas


Mãos - Com Dorina


É pois é


Meiguice descarada


Brilho no olhar


Saco cheio


Jibóia


Mordomia


Bem. Aí está um pouco da história desse sambista imortal. Semana que vem tem novela inesquecível que reestreou no "Viva". Tem "Por amor".


Enquanto isso agradeço a Deus porque lhe fez.


SOBE O SOM ANTERIOR:

TIETA 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

CINEBLOG: HOUVE UMA VEZ UM VERÃO


Cineblog volta hoje falando de um filme marcante dos anos 60 e que vive até hoje em sonhos de adolescentes.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Houve uma vez um verão



Summer of '42 (Houve uma vez um verão (título no Brasil) ou Verão de 42 (título em Portugal)) é um filme americano de 1971, do gênero drama romântico, dirigido por Robert Mulligan e estrelado por Jennifer O'Neill, sua história baseado nas memórias do roteirista Herman Raucher que, quando adolescente, passara as férias de verão na ilha de Nantucket e vivera uma paixão platônica por uma jovem cujo marido estava fora, lutando na II Guerra Mundial. A história narra o afã de jovens garotos em perder a virgindade, ocasião em que apresenta aspectos de comédia.

Ainda em 1971, com o sucesso do filme, Herman Raucher lançou um livro homônimo, originalmente com 251 páginas; a reedição mais recente do romance é de 2015. O filme teve uma sequência com os mesmos personagens juvenis, também escrito por Raucher — Class of '44 — de 1973.


Sinopse


Hermy é um garoto que, apaixonando-se por uma mulher mais velha, nela encontra sua passagem da adolescência para a fase adulta. Em meio a situações sentimentais e engraçadas, tudo transcorre durante um verão em plena guerra mundial situações como amor, sexo, amizade e também a morte levam Hermy a compreender a si mesmo.

A situação toda transcorre em tom de nostalgia, pois a história é narrada pelo mesmo Hermy adulto que, ao relembrar o passado, reflete sobre o efeito duradouro daquilo que vivera, e a narrativa mostra que ainda permanecem ativos os fatos, as lições e as emoções da juventude.


Roteiro


Segundo o autor a história toda decorreu da sua vontade em homenagear o amigo Oscy, cujo nome verdadeiro era Oscar Seltzer e que morrera justo no dia de seu aniversário quando servia como médico na Guerra da Coreia: não houvesse esta coincidência de a morte dele ter ocorrido justo nesta data ele jamais teria escrito a história.

Para ele a situação vivida com a personagem Dorothy não representou de forma alguma um ato de pedofilia, como mais tarde viria a ser aventado, e sim algo que simplesmente aconteceu; ele realça o fato de que as tensões motivadas pela perda levam as pessoas a fazerem sexo, como estudos demonstraram ter ocorrido após eventos como o ataque de 11 de setembro e que, embora sua intenção inicial fosse retratar o amigo, não há como negar a importância do que aconteceu com uma mulher mais velha e a perda da inocência. Sobre isto Raucher contou que depois ele sempre procurava conquistar todas as garotas que tinham o mesmo nome da mulher com quem teve sua primeira experiência e, após o filme, recebera cartas de muitas mulheres se dizendo ser a personagem real — destas, somente uma lhe pareceu verdadeira, pois reconhecera a letra; nela a mulher, então residindo em Canton (Ohio), contava que havia se casado novamente e já era avó e manifestou preocupação com o que fizera a ele, esperando não tê-lo traumatizado.


Elenco



Jennifer O'Neill .... Dorothy
Gary Grimes .... Hermie
Jerry Houser .... Oscy
Oliver Conant .... Benjie
Katherine Allentuck .... Aggie
Christopher Norris .... Miriam
Lou Frizzell .... balconista da farmácia


Principais prêmios e indicações



Oscar 1972 (EUA)

Venceu na categoria de melhor trilha sonora, assinada por Michel Legrand.
Indicado nas categorias de melhor edição, melhor roteiro original e melhor fotografia.

Prêmio Eddie 1972 (American Cinema Editors, EUA)

Venceu na categoria de melhor edição.

BAFTA 1972 (Reino Unido)

Michel Legrand recebeu o troféu Anthony Asquith pela música do filme.
Gary Grimes foi indicado na categoria de ator mais promissor.

Globo de Ouro 1972 (EUA)

Indicado nas categorias de melhor diretor - cinema, melhor filme - drama, melhor trilha sonora original e ator mais promissor (Gary Grimes).

Festival Internacional de Cine de Donostia - San Sebastián 1971 (Espanha)

Robert Mulligan recebeu o troféu Concha de Prata


Em duas semanas "Cineblog" volta com o polêmico "Onda nova".


CINEBLOG ANTERIOR:

O AUTO DA COMPADECIDA

quarta-feira, 17 de maio de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO X - MUNDO VIRTUAL


Fernanda pegou minha mão e começamos a passear. Comentei com a moça que nunca tinha ido a Búzios, no máximo a Saquarema e ela riu e falou "Deixa que a paraense te apresenta o Rio carioca". Perguntei pelo congresso e ela contou que se encerrara a pouco e estava com o domingo livre.

Passeamos bastante e paramos para almoçar em um quiosque perto da praia. Perguntei se tinha gostado do congresso e Fernanda começou a contar. Era faladeira, falava pelos cotovelos e era um assunto que lhe empolgava. Falava de genética, câncer, células e eu que me considerava um cara inteligente entendia quase nada, mas me interessava. De vez em quando ela  parava e dizia "deve estar achando um saco né?”. Mas eu não estava. Admirava a profissão e a luta por um mundo melhor.

Fomos a praia e sentamos na areia enquanto tomávamos sorvetes. Fernanda falou mais de sua família, de seus pais, de como amava sua mãe e seu pai também, apesar de ter uma relação complicada com ele. Contou que seu pai gostava de beber e lembrei logo do meu, que graças a Deus virara pastor e pregava na igreja esquecendo a bebida.

Pela primeira vez vi Fernanda triste desde que lhe conheci. Falou das dificuldades da vida e da relação difícil que sua mãe e ela tinham com o pai que era um amor fora de casa, mas outra pessoa no lar. Comentou que o pai adorava gritar com ela, tratar como criança e humilhá-la como em uma vez que saiu para caminhar, demorou a voltar devido a chuva e ele lhe tratou mal gritando na frente de todos.

Olhei para ela e disse "Seu pai deve amar você, só não sabe expressar. Nem todo mundo nasceu com o dom de expressar sentimentos. Aproveite que você nasceu. Seu olhar expressa tudo o que quer dizer. Quando seu pai brigar com você não fique triste nem tenha raiva. Apenas lembre que nem todo mundo nasceu com esse dom".

Ela agradeceu e perguntei como conseguira viajar para o Rio e participar de um congresso se passava tantas dificuldades. Séria Fernanda contou que fazia programas na BR, a estrada federal de Belém.

Engasguei com o sorvete e como criança que era na alma a menina começou a gargalhar e disse que estava brincando. Respondeu que fazia pedágios com amigas pedindo dinheiro e todos os finais de semana enfrentava a timidez e vendia brigadeiros na praça. Me admirei. Eu nunca teria coragem de vender assim, me expor, sempre fui tímido e além dessa coragem admirei a força que essa garota tinha. Força, garra, paixão que talvez nem ela soubesse que tinha.

Fernanda disse que já falara muito dela e pediu que falasse de mim, me apresentasse formalmente. Respirei fundo e contei toda minha história, principalmente com a Camila. Quando acabei de falar Fernanda sem olhar pra mim e ainda pensando na história apenas comentou "Que barra".

Respondi que era sim e na inocência que trazia ela comentou "Queria ter achado a cura do câncer e salvado sua esposa". Olhei pra ela e tímido comentei "Está me salvando".

Ficamos um tempo em silêncio e ela perguntou "Já tomou sorvete com o nariz?".Não entendi e ela perguntou novamente "Já tomou sorvete com o nariz". Respondi que não e ela emendou dizendo "É assim" e passou o sorvete que tomava em meu nariz.

Saiu correndo e rindo e eu atrás dela.

Passeamos mais e no final da tarde dei carona a ela para o Rio de Janeiro. Fomos até o aeroporto e na hora da despedida peguei um celular e gravamos um vídeo juntos onde nele eu falava que aquela não era uma despedida, apenas o início. Fizemos muita palhaçada no vídeo e ao encerrá-lo ouvimos anunciarem seu voo.

Fernanda suspirou e disse "Obrigado por tudo pretinho, foi muito especial". Ri e perguntei "Pretinho? Branco desse jeito?". Ela respondeu que era mais branca que eu então falei "Foi um prazer branquinha".

Fernanda estendeu a mão e apertei. Nos olhamos com as mãos dadas e acabamos nos abraçando. Chorando Fernanda disse que nunca iria me esquecer e respondi que não iria deixar. A locução do aeroporto anunciou a última chamada e ela lambeu meu rosto dizendo "Beijo de lesma" e correndo em direção ao embarque.

Fiquei com a mão no rosto olhando Fernanda passar pelo portão de embarque, partir e tentando entender que furacão era aquele que passou por meu fim de semana.

Voltei para casa triste com sua partida, não queria perder contato. Incrível que não demos um beijo, não teve uma insinuação de nada, mas nem precisava disso. A simples presença da Fernanda me fez um bem danado como há muito tempo não sentia e não queria perder aquilo.

Assim que entrei em casa peguei meu celular e acessei redes sociais atrás dela. Com muita alegria achei "Fernanda Jardim da Silva" e adicionei.

A alegria que eu estava não combinava com a perturbação que passava Gabriel.

Gabriel ainda tentava entender a volta de Thais quando foi a ONG na segunda antes de tentar a vaga na companhia de teatro. Visitou a vó e deu de cara com Thais. Perguntou o que a moça fazia ali e dona Hellen respondeu que contratara para ser assistente social perguntando se tinha algum problema. Gabriel respondeu que não e minha mãe disse que teria que resolver uns problemas deixando os dois a sós.

Thais e Gabriel se olharam e ficaram em silêncio. Thais "quebrou o gelo" comentando que antes o meu filho ficava feliz quando lhe via e até lhe perseguia. Thais riu ao lembrar dessa época e Gabriel permaneceu sério. A moça, constrangida, comentou que ele também sorria mais antes e completou com "Mas não lhe culpo por isso".

Gabriel ironizando agradeceu e disse que ela não lhe culpar fazia seu dia mais feliz. Thais pediu "Não deboche Gabriel, não é momento para isso. Se quiser a gente senta e conversa". Meu filho respondeu que não tinham o que conversar, tudo o que era pra ser falado já foi no passado e que tinha que ir embora fazer teste para teatro.

Thais mostrou felicidade por saber que aquele sempre era seu sonho e Gabriel ironizou "Eu sou assim. Não desisto de meus sonhos. Não desisto de ser feliz" indo embora e deixando Thais sozinha.

Saiu da ONG, suspirou e comentou "Como é difícil" entrando no carro.

Gabriel foi para o teatro e fez teste para a companhia "Sociedade dos dramaturgos mortos". Encenou Hamlet e passou com louvor.

Foi correndo para casa me contar e me encontrou com o notebook ligado mexendo nele. Me abraçou, contou a novidade e mandei que pegasse o champanhe que era pra brindarmos.

Brindamos e desejei felicidades ao meu filho naquele mundo que se abria. Ele agradeceu, mas percebi que algo estava errado. Perguntei qual era o problema e ela respondeu "Thais".

Não tinha muito que dizer, apenas falei "O amor é complicado" com Gabriel dando um gole no champanhe e respondendo "Muito". Depois ele pediu licença dizendo que estava com sono,  precisava dormir e saiu. Eu voltei para o notebook e não era para trabalhar como sempre fiz.

Lá me esperava Fernanda com a webcam ligada para conversarmos.

Dessa forma a vida foi andando. Eu entrava todos os dias na internet para falar com Fernanda, algo que até mudava meus hábitos normais. Nem sabia ao certo o tipo de relação que tínhamos. Como nunca apimentamos, insinuamos nada e só nos tratávamos como amigos acho que era amizade. Eu falava do meu dia a dia e ela da faculdade. De vez em quando me mandava trabalhos que iria apresentar, eu lia, entendia muito pouco, mas dava força porque sabia que era importante para ela e admirava seu trabalho.

 Gabriel ensaiava espetáculo que iria apresentar com o grupo e não conseguia esquecer Thais. De vez em quando os dois se esbarravam na ONG e se perturbavam com a presença um do outro. Tinham muito a conversar, mas evitavam e se tratavam apenas com cordialidade.

O dia do espetáculo chegou e todos nós, amigos e familiares de Gabriel fomos, inclusive Thais. Era uma peça desconhecida de um autor não muito famoso que falava de uma mulher que num ato de desespero ao ver o filho desenganado cometia eutanásia lhe matando. Uma peça polêmica onde Gabriel fazia o papel de um advogado que perdera o filho e tinha que defender a mulher.

Thais foi e eu lhe cumprimentei na porta do teatro. A moça perguntou se achava que Gabriel gostaria de sua presença e respondi que tudo que ele mais quis na vida inteira foi sua presença. A moça sorriu e entrou. Guga e Samuel se aproximaram de mim e Samuel comentou "Gabriel ator de teatro. Quem diria. Em algum lugar Camila está muito orgulhosa".

Concordei com ele e Guga falou "Teatro é meio esquisito né? Sei lá, Gabriel sempre foi tão machão, pegador. Teatro é coisa de veado. Desculpa Samuel, nada pessoal". Samuel olhou para ele e respondeu "Vai se foder meritíssimo". Depois dessa troca de carinhos nós três entramos.

A peça realmente era boa e Gabriel se saiu muito bem vivendo o angustiado advogado. Em uma cena em que falava de amor olhou para Thais e disse o texto diretamente para ela. Eu sentado ao lado notei que a moça ficou incomodada enquanto Gabriel parecia sair do personagem e dizer tudo o que tinha vontade.

Fiz uma recepção em nosso apartamento para celebrarmos o sucesso da peça e de Gabriel. Thais optou por não ir, mas foi uma noite de muita alegria em que eu estava doido para que acabasse e eu pudesse falar com Fernanda no computador.

Todos foram embora e conectei dando tempo de falar um pouco com ela. De manhã ela se despediu e eu me preparava para desligar o computador quando Gabriel apareceu com cara de sono para beber água.

Perguntou se eu estava trabalhando até aquela hora e respondi que não, conversava com Fernanda. Gabriel antes de ir até a cozinha deixou a pergunta "Por quê se falam tanto pelo computador? Você tem dinheiro, por quê não vai até Belém?".

Saiu e eu olhando para o nada me toquei e comentei "É..Tem sentido".

Em duas horas estava dentro de um avião embarcando para Belém.

Fui recebido com um caloroso abraço por Fernanda na quente cidade de Belém. A menina comentou que eu era louco, ir a cidade assim de uma hora para outra e eu respondi "Eu louco? Você ainda não viu nada" Fernanda sorriu e disse "Vem, minha hora de apresentar minha cidade".

E passeamos bastante com ela me mostrando os pontos turísticos tradicionais de Belém, inclusive o famoso "Ver-O-Peso" em que brinquei perguntando se era ali que ela se pesava. Gostei da cidade, achei linda e fiz planos de voltar no Círio de Nazaré.

Foi só um dia que passei em Belém, fui no impulso e tinha que voltar ao Rio para trabalhar, mas foi bom porque finalmente pude conhecer um pouco a cidade que só passara rapidamente a trabalho e pude rever Fernanda, o que me revitalizava. A moça comentou que faltavam poucos meses para tentar o Rio de Janeiro com a cara e a coragem. Mandei que ela fosse sem medo porque o Rio não era Nova York, mas também era a "terra das oportunidades".

Fernanda comentou "Quero dar um futuro bacana aos meus pais, retribuir tudo o que me deram. Minha mãe é sofrida, ela merece". Passei a mão em seu cabelo e disse que iria conseguir. Ela continuou "Tenho medo de uma cidade desconhecida, estar só, mas vou encarar". Sorri e respondi "Não está só, tem a mim'. Fernanda agradeceu, disse "Sei que posso contar com você pretinho" e me deu o já tradicional "beijo de lesma" saindo correndo.

De noite embarquei de volta ao Rio de Janeiro já contando as horas para que ela fizesse o mesmo.

No dia seguinte fui visitar a ONG, tomar um café com minha mãe, tempo que eu não fazia isso e ela reclamava. Dona Hellen, perspicaz disse que eu estava diferente, com um brilho nos olhos que não via faz tempo e eu respondi que era impressão dela. Ela olhou bem pra mim e perguntou " É a moça de Belém né?".

Desconversei, respondi que não sabia do que ela falava e ela continuou "Não adianta mentir pra mim, Gabriel já me contou tudo". Brincando chamei meu filho de traidor e falei que tinha nada demais, apenas uma grande amizade.

Minha mãe lembrou Pinheiro e da dor que sentiu com sua morte.

Disse que achou que nunca mais iria amar de novo até que surgiu Osmar, casado e com família estabilizada. Ela não aceitava por ele ser casado e achar que traía Pinheiro, mas depois concluiu que não tinha como nem porque lutar porque "O amor quando vem não pede licença".

Ouvi a tudo atentamente e no fim ela completou "Camila morreu faz quase vinte anos. Você não. Se permita viver, porque o amor não vai te pedir licença".

Amor não pede licença..Sim, evidente, Mas é tão difícil!! Evidente que Fernanda me atraía era uma excelente companhia, mexia comigo, mas eu não conseguia. Parecia sim que traía Camila por mais que essa ideia fosse absurda. Não é fácil dar o passo adiante e não era apenas eu que passava por isso.

O tempo passou e um dia Gabriel foi a ONG ajudar no trabalho de sua avó. Mexia em uma papelada no escritório quando bateram na porta e abriram. Era Thais.

Thais pediu desculpas e perguntou por dona Hellen. Gabriel comentou que ela já tinha ido embora e ele tinha ficado para ajudá-la em uns documentos para análise. Ela pediu desculpas novamente e saiu.

Gabriel ficou mais alguns minutos vendo a papelada e também resolveu ir embora. Guardou tudo e ao sair e abrir a porta da frente da ONG deu de cara com uma chuva torrencial. Uma daquelas chuvas de inundar a cidade inteira.

Gabriel olhou para o lado e viu Thais observando a chuva. Sem olhar para ele a moça comentou "A rua encheu, não tem como ir embora".

Estavam os dois sozinhos e ilhados na ONG.

Antes que ele pudesse falar algo uma trovoada forte surgiu apagando a luz de todo o bairro. Num impulso Thais abraçou Gabriel, pediu desculpas e se afastou. Gabriel achou por bem entrarem.

Voltaram para a sala de minha mãe e Gabriel achou uma vela e acendeu. Os dois ficaram em silencio por um tempo e para quebrar o gelo Thais comentou "É, só chover e ninguém mais consegue andar nessa cidade". Num rompante Gabriel interrompeu perguntando "Por que você fez aquilo com a gente?".

Thais perguntou o que e Gabriel novamente perguntou "Por que você tinha que casar com o Ronaldo? Por que você me abandonou?".

Thais se desconcertou com a pergunta, mas respondeu "por compaixão". Gabriel perguntou pena e ela continuou "Compaixão por um homem maravilhoso que precisava de mim naquele momento". Gabriel olhou nos olhos dela e perguntou “E eu não precisava?".

Thais tentava se explicar dizendo que ele precisava mais dela naquele momento e Gabriel insistia no casamento pro pena. Thais explodiu "Não foi por pena! Foi por amor! Eu amava aquele homem! Não era um amor homem e mulher, não era um amor carnal, mas o amava demais. Era um homem maravilhoso, parceiro amigo, foi meu primeiro homem, estava morrendo e eu não podia abandoná-lo em um momento como aquele. Como eu viveria com essa culpa?”.

Gabriel retrucou "E como você vive com a culpa de ter acabado com o nosso?". Thais revidou que se acabou não era amor e Gabriel devolveu "Vai ver porque nunca existiu".

Thais andou pela sala, se virou para Gabriel e comentou que da parte dela existiu e o maior ato de amor que ela poderia fazer fez que foi deixar meu filho livre para alguém que pudesse cultivá-lo enquanto ela cuidava para dar morte digna a alguém. Emendou que amor era doação. Gabriel reclamou que Thais não sabia o que era amor e ela perguntou "E você sabe?".

Gabriel contou sua visão de amor.

"Não acredito em amor comedido, amor que não se expõe, não se mostra. Não acredito em amor pra dentro. Acho lindo casal de mãos dadas dando selinho, mas isso pra mim não é amor é cumplicidade e amor é mais que isso. Amor de verdade dói, machuca, fere e deixa marcas. Amor é algo tão intenso que parece que não vai caber no peito e explodir de tão forte que é. Amor rasga entranhas, faz perder a cabeça e não dá margens para dúvidas".

Thais apenas observava e ele continuou.

"Amor é o segurar de um braço impedindo a pessoa amada de ir embora. Amor é gritar a todo mundo que ama. Amor é Humprey Bogart se mostrando um homem de gelo, impassível mandando a amada ir embora no avião porque ela seria mais feliz sem ele.

Dilacerado por dentro, arruinado, mas mantendo a firmeza de deixar a amada fazer a escolha, mesmo que não seja por ele".

Thais interrompeu e disse que isso ela fez abrindo mão do amor para casar com Ronaldo e Gabriel devolveu "Não, isso eu fiz na porta da igreja deixando que você casasse".

Thais olhou assustada e perguntou "Você foi?". Com lágrimas nos olhos Gabriel fez com a cabeça que sim.

Um novo trovão caiu e novamente Thais se agarrou em Gabriel, mas dessa vez não soltou. Os dois se olharam e deram um beijo apaixonado.

Naquele mesmo instante eu saía do banho com roupão e a campainha tocando. Abri a porta e dei de cara com Fernanda encharcada, com uma mala, sorrindo e perguntando "Está frio! Posso entrar?";

Dei um sorriso, coloquei sua mala pra dentro e ela entrou. Fiz carinho em seus cabelos e lhe dei um abraço.

Abraço apertado de saudades.


CAPÍTULO ANTERIOR:

A MOÇA DE BELÉM