quinta-feira, 22 de junho de 2017

SOBE O SOM: ANITTA


Larissa de Macedo Machado (Rio de Janeiro, 30 de março de 1993),] mais conhecida pelo nome artístico Anitta, é uma cantora, compositora, apresentadora e atriz brasileira.

Larissa na sua infância chegou a participar do coral de uma igreja católica em seu bairro. Na sua adolescência, depois de cursar administração, foi chamada para estagiar na Vale. Em 2010, depois de postar um vídeo no YouTube, o então produtor da gravadora independente Furacão 2000, Renato Azevedo mais conhecido como Batutinha a chamou para assinar contrato com o selo. Devido ao sucesso assinou um contrato com a gravadora Warner Music Brasil no ano seguinte.

Seu primeiro álbum de estúdio, Anitta, foi lançado em julho do mesmo ano.O álbum bateu a marca de 170 mil cópias vendidas, sendo lançado também em Portugal. Ritmo Perfeito, seu segundo álbum de estúdio, foi lançado em 4 de junho de 2014 e as vendagens no primeiro mês somaram 45 mil cópias vendidas. No mesmo dia foi lançado o primeiro álbum ao vivo, Meu Lugar, que estreou em #1 lugar no iTunes Brasil; permanecendo no topo por uma semana. Em 2015, lançou seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Bang, que foi certificado com disco de platina e gerou quatro singles. O álbum debutou na terceira posição na parada de álbuns da ABPD Top Álbuns e vendeu 300 mil cópias.

Então vamos lá!!


Sobe o som Anitta!!


Paradinha


Sim ou não


Bang


Essa mina é louca


Momento da sanfoninha


Na batida


Deixa ele sofrer


Cobertor - Com Projota


Blá blá blá


No meu talento - Com Mc Guimê


Ritmo perfeito


Você partiu meu coração - Com Nego do Borel e Wesley Safadão


Bem, aí está um pouco da obra da grande artista pop do momento. Semana que vem tem a obra de uma de uma artista pop imortal. Tem Witney Houston.


Enquanto isso prepara que é hora


SOBE O SOM ANTERIOR:

BON JOVI

quarta-feira, 21 de junho de 2017

TROCANDO EM ARTES: PANTANAL


Trocando em artes versão novela traz hoje uma das maiores novelas de nossa história. Novela que assustou a Rede Globo.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Pantanal



Pantanal é uma telenovela brasileira produzida pela extinta Rede Manchete e exibida originalmente às 21:30, de 27 de março a 10 de dezembro de 1990, em 216 capítulos, substituindo Kananga do Japão e sendo substituída por A História de Ana Raio e Zé Trovão. Foi escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, Carlos Magalhães, Marcelo de Barreto e Roberto Naar.

A trama apresentou Claudio Marzo, Marcos Winter, Jussara Freire, Antonio Petrin, Luciene Adami, Marcos Palmeira, Paulo Gorgulho, Sérgio Reis, Almir Sater, Angelo Antonio, Cássia Kis Magro e Cristiana Oliveira nos papéis principais.

Foi reexibida na íntegra pelo SBT de 9 de junho de 2008 a 13 de janeiro de 2009, às 22h, em 187 capítulos.

Em 2016, a revista Veja elegeu Pantanal como a quarta "Melhor Telenovela Brasileira" de todos os tempos, ficando atrás apenas de Roque Santeiro (1985), que ficou na terceira posição, e de Vale Tudo (1988) e Avenida Brasil (2012), que ficaram empatadas em primeiro lugar.


Enredo



A novela conta a história de José Leôncio, um peão de comitiva que chegou com o Pai Joventino ao Pantanal, onde compraram uma fazenda e começaram a criar gado de corte. José Leôncio e seu pai caçavam marruás, um tipo de boi selvagem que vivia solto pelas matas da região, aumentando, assim, o rebanho na fazenda. Um certo dia, Zé Leôncio viajou com os peões em comitiva e pediu para que seu pai não fosse caçar marruá sozinho. Entretanto, o velho Joventino acabou indo caçar e desapareceu na imensidão do Pantanal. Zé Leôncio voltou de viagem e procurou pelo pai sem sucesso. Nesse dia, ele prometeu que ia trazer um marruá no laço todos os dias, só para ter a esperança de encontrar o pai.

Passado algum tempo, Zé Leôncio se tornou um fazendeiro rico e foi para o Rio de Janeiro cobrar uma dívida, onde conheceu e se apaixonou por uma jovem fútil e mimada, de nome Madeleine. A família de Madeleine era da classe alta carioca, porém seu pai era viciado em jogo, acabando aos poucos com o status da família, e os deixando perto da falência. Antero, pai de Madeleine, aceita que José Leôncio se case com sua filha, recebendo, dele, um bom dinheiro para tentar resgatar o status da família. Ele a leva para o Pantanal e a engravida. Mulher da cidade grande, Madeleine não se adapta ao mundo rural, à rude vida pantaneira e à rotina de peão do marido. Durante uma das viagens de Zé Leôncio em comitiva, levando gado para a venda, ela foge com o amigo Gustavo que vai buscá-la no Pantanal e o filho de poucos dias, para a cidade do Rio de Janeiro.

Amargurado, Zé Leôncio tenta em vão recuperar o menino, que acabara de nascer, mas acaba concordando em deixá-lo com a mãe na cidade grande. Passa a viver então com Filó, sua empregada, que já tinha um filho, Tadeu. Ele reconhece Tadeu como seu afilhado considerando ele seu filho. Vinte anos depois, o filho legítimo, Jove (Joventino), finalmente decide ir conhecer o pai. Mas o choque cultural é grande e os dois têm sérias dificuldades para se entender.

Sentindo-se rejeitado pelo pai, que acha que o filho é afeminado, e ridicularizado pelos peões por causa de seu jeito de moço da cidade, Joventino decide retornar ao Rio, mas leva, consigo, Juma Marruá, moça criada como selvagem pela mãe até a morte desta, assassinada por encomenda numa trama paralela de vingança entre posseiros de terras e vítimas de grilagem, fatos esses ocorridos no início da novela na cidade de Sarandi, no estado do Paraná. Tal como a mãe, comenta-se no Pantanal que Juma se transforma em onça-pintada. Passado um tempo no Rio, onde o choque cultural é agora sofrido por Juma, Joventino retorna ao Pantanal para não ter que se separar de sua "onça" amada. Desta vez, ele está disposto a se adaptar ao estilo de vida local. Joventino começa a se acertar com o pai e com Juma e vai se transformando num autêntico peão pantaneiro, surpreendendo a todos continuamente.

A história tem ainda um lado sobrenatural, baseado no fascinante folclore da região Pantaneira: os principais personagens, com exceção de José Leôncio, frequentemente se deparam com uma figura conhecida como "O Velho do Rio", um curandeiro idoso que cuida das pessoas atacadas pela jararaca boca-de-sapo, uma cobra venenosa, ou que simplesmente se perdem na extensão do Pantanal. Todos comentam que o Velho do Rio é o Pai de todas as sucuris, que ele se transforma em sucuri, também sendo ele a maior de todas. O povo acredita que O Velho do Rio se trate do pai de José Leôncio, o desaparecido peão Joventino, de quem o neto Joventino, herdou o nome. Além do Velho do Rio e da história de Juma Marruá como onça-pintada, uma terceira trama sobrenatural enriquece a novela: a figura do misterioso peão Trindade, que teria um pacto com o diabo, ou seria ele próprio a encarnação do diabo.

No decorrer da trama, José Leôncio descobre a existência de um terceiro filho seu, na verdade o primeiro dos três: José Lucas de Nada, fruto do primeiro relacionamento sexual dele com a prostituta Generosa, em um prostíbulo de Goiás para o qual fora levado pelo pai ao completar quinze anos de idade a fim de "mostrar que era macho". O sobrenome de José Lucas era De Nada, pois o mesmo não tinha pai para lhe dar um sobrenome. Assim que Zé Leôncio o reconheceu como filho, ele passou a ser chamar José Lucas Leôncio.

A saga da família Leôncio inclui, finalmente, o complicado relacionamento com o fazendeiro vizinho, Tenório, cujo passado como grileiro de terras o liga às tragédias familiares de Juma e seus pais, bem como de outros peões e agregados tanto da fazenda de José Leôncio, como da do próprio Tenório. O mau-caratismo deste e sua inclinação a vinganças covardes colocarão em risco em diversas circunstâncias a família de José Leôncio. Por sua vez, Tenório também estará na mira de forasteiros que vieram de longe em busca de vingança contra o homem que destruiu a vida e os bens de seus pais.


Produção


A telenovela foi escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, Carlos Magalhães, Marcelo de Barreto e Roberto Naar.

Durante anos, a novela ficou engavetada na Central Globo de Produções, chegando a entrar em pré-produção no final de 1984 para o horário das 18hs, em substituição à novela Livre Para Voar, com o título de Amor Pantaneiro. Porém, a região do Pantanal estava em época de chuvas, o que inviabilizou a produção. Sendo assim, a mesma foi cancelada e Ivani Ribeiro foi convocada, às pressas, para enviar uma sinopse para uma nova novela e, por fim, entrou, em produção, a novela A Gata Comeu.

Em 1990, a Manchete contrata seu escritor, Benedito Ruy Barbosa, que finalmente realiza seu sonho, obtendo estrondoso sucesso e superando a até então imbatível Rede Globo. Além disso, a Manchete contrata também uma grande leva de atores globais, como Cláudio Marzo, Cássia Kiss, entre outros, e a mistura com revelações da teledramaturgia brasileira, como Cristiana Oliveira e Marcos Winter.

Depois de provar que suas histórias também mobilizavam a audiência no horário nobre, o autor Benedito Ruy Barbosa, que na Globo só recebia o horário das 18 horas, retornou à casa em 1993 para escrever, finalmente, uma novela das oito global: Renascer, outro grande sucesso.

Uma das atrizes do elenco não queria atuar na novela. Carolina Ferraz só foi atuar na novela após ser ameaçada de demissão pela emissora.

Como em todas as novelas, o roteiro sempre muda no meio da exibição. Ítala Nandi havia pedido, ao autor, uma licença para atuar em um filme, e ele resolveu, então, matar a sua personagem, Madeleine. Já Almir Sater saiu para protagonizar Ana Raio e Zé Trovão. Adriana Esteves esteve cotada para o papel de Juma, assim como Deborah Bloch.

As filmagens da telenovela começaram em 15 de Dezembro de 1989, e tinham 60% das filmagens no Pantanal e 40% em São Paulo e Rio de Janeiro. A grande maioria das cenas internas foi gravada em estúdio localizado no bairro de Vista Alegre, na zona norte carioca. As cenas internas, casa do Zé Leôncio e casa do Tenório eram gravadas nos estúdios da Rede Manchete em Água Grande, no bairro de Irajá, no Rio de Janeiro.

Em 1989, Cristiana Oliveira começou a gravar Pantanal, no papel de Juma, que inicialmente seria para a atriz Glória Pires. Mas Cristiana se ofereceu para fazê-lo, já que havia se apaixonado pelo papel ao ler a sinopse. A telenovela foi um grande sucesso, derrubando a audiência da TV Globo e virando um marco na teledramaturgia brasileira. Cristiana Oliveira, com este trabalho, ganhou prêmios no Brasil e no exterior.

O personagem do Roberto, filho de Tenório, inicialmente seria gravado por Livingstone Trobilio, afilhado da então "primeira-dama" da Rede Manchete, Ana Bentes Bloch. Porém, por motivos de estudos, ele foi substituído por Eduardo Cardoso, que por sua vez desempenhou o personagem com mérito. Ambos estudavam na mesma escola na vida real.


Exibição


A novela foi exibida originalmente no Brasil pela extinta Rede Manchete entre 27 de março e 10 de dezembro de 1990 às 21h30.

Pantanal foi reexibida em duas ocasiões: às 19h30, de 17 de junho de 1991 a 18 de janeiro de 1992, e às 21h30 na íntegra, de 26 de outubro de 1998 a 14 de julho de 1999. Esta segunda reexibição tem uma particularidade interessante: entrou no ar em substituição à novela Brida, que acabou com os recursos da emissora. A Rede Manchete seria vendida pouco depois da reestreia de Pantanal. Sendo assim, essa reprise foi concluída pela RedeTV!.

Reexibição no SBT

A exemplo do que já havia sido feito com Xica da Silva, o SBT comprou as fitas da novela arrematadas no leilão da massa falida da Manchete e passou a reexibir Pantanal às 22 horas, desde o dia 9 de junho de 2008 até 13 de janeiro de 2009. A Rede Globo contestou a reexibição, pois detinha os direitos do texto, adquiridos do autor Benedito Ruy Barbosa.

O SBT não anunciou a novela com antecedência. A emissora só a anunciou como sendo sua "arma secreta". Também foram exibidas enquetes sobre as novelas preferidas pelo público e, curiosamente, na edição, Pantanal era a preferida do público. A emissora de Silvio Santos só começava a exibir a novela Pantanal quando a então novela das oito da Rede Globo A Favorita, acabava. A emissora paulista chegou a exibir chamadas apelando para o público dizendo: "Quando acabar a novela da Globo, A Favorita, troque de canal e veja a novela Pantanal". A estratégia resultou na migração dos telespectadores e na liderança de audiência.

O SBT exibiu a trama de segunda a sábado, na faixa das dez da noite. Nesta reexibição foi apresentada na íntegra, ou seja, o SBT conseguiu apresentar a telenovela Pantanal completa em 187 capítulos, uma vez que, no seu início, o SBT apresentava três capítulos completos em um, apresentando a novela em full time. Também foi criada uma nova abertura e, nesta, quem aparecia nua era a modelo Glenda Santos.

A apresentadora Nani Venâncio, na época modelo, aparece nua se metamorfoseando em onça na primeira versão da abertura da novela, exibida pela Rede Manchete.

Nas chamadas de Pantanal no SBT, a emissora dizia "Amanhã, depois que terminar a novela da Globo, A Favorita, troque de canal e veja Pantanal".

Em 2008, assim que começou a reprise da trama pelo SBT, a Rede Globo ameaçou processar a emissora de Sílvio Santos. Ela alegava ser dona da história e das imagens, e que elas foram adquiridas diretamente do autor Benedito Ruy Barbosa e portanto, a reprise da telenovela era ilegal. Já o SBT rebateu, afirmando que as fitas da telenovela foram compradas de um empresário, que adquiriu as fitas em um leilão da massa falida da TV Manchete.

Em primeira instância, a Justiça condenou o SBT por agir de má-fé, em relação a ter reprisado a trama. Além disso, o canal paulistano também foi proibido de reprisar novamente a trama de Benedito Ruy Barbosa.

Porém o SBT recorreu das decisões e, em 2014, venceu o processo em segunda instância. Mesmo podendo recorrer da decisão, o autor Benedito Ruy Barbosa resolveu desistir do processo contra a emissora paulistana, que corria desde 2008.


Elenco



Ator Personagem

Cláudio Marzo José Leôncio / Joventino Leôncio (Velho do Rio)

Marcos Winter Joventino Leôncio Neto (Jove)

Cristiana Oliveira Juma Marruá Leôncio

Jussara Freire Filó (Filomena Aparecida)

Marcos Palmeira Tadeu Aparecido Leôncio

Elaine Cristina Irma Braga Novaes

Ângela Leal Maria "Bruaca"

Ângelo Antônio Alcides

Luciene Adami Guta (Maria Augusta)

Tarcísio Filho Marcelo

Sérgio Reis Tibério

Andréa Richa Muda (Maria Ruth)

Ítala Nandi Madeleine Braga Novaes

José de Abreu Gustavo

Flávia Monteiro Nalvinha

Ernesto Piccolo   Renato "Reno"

Eduardo Cardoso Roberto "Beto"

Almir Sater Xeréu Trindade

Rômulo Arantes Levi

Marcos Caruso       Tião

Ewerton de Castro Quim

Giovanna Gold   Zefa

João Alberto Pinheiro Zaqueu

Ivan de Almeida Orlando (chalaneiro)

Lana Francis Teca (Empregada da casa de Dona Mariana)

Participações especiais

Ator Personagem

Carolina Ferraz Irma jovem

Cássia Kiss Maria Marruá

Ingra Liberato Madeleine jovem

José Dumont Gil

Oswaldo Loureiro Chico (taxista)

Tânia Alves Filó jovem

Sérgio Britto Antero Novaes

Atores convidados

Ator Personagem

Nathália Timberg Mariana Braga Novaes

Rosamaria Murtinho Zuleika

Antônio Petrin Tenório

Paulo Gorgulho José Leôncio (jovem) / José Lucas de Nada

Outras participações especiais

Alexandre Lippiani - Raimundo (filho de Maria e Gil)

José Rodrigues Pereira - Barra Mansa (Locutor dos rodeios)

Andrea Cavalcanti - Amiga de Madeleine

Antônio Gonzalez - Bruno

Antônio Pitanga - Túlio

Buza Ferraz - Grego (caminhoneiro)

Carlos Gregório - Expedito (caminhoneiro)

Enrique Diaz - Chico (filho de Maria e Gil)

Fátima Freire - Prostituta que conversa com Joventino

Giuseppe Oristânio - Paraquedista (amigo de Jove)

Gláucia Rodrigues - Matilde (secretária de José Leôncio)

Haroldo Costa - Padre Antônio (Sarandi)

Jairo Lourenço - Otávio (amigo de Madeleine)

Jece Valadão - coureiro que tem a orelha comida por Juma

Jofre Soares - Padre no último capítulo

Júlio Levy - Davi (secretário de José Leôncio)

Kátia D'Angelo - Generosa (prostituta, mãe de José Lucas)

Kito Junqueira - Pistoleiro

Leandra Leal - Maria Marruá Leôncio (filha de Jove e Juma)

Luiz Armando Queiroz - Empresário Carioca

Maurício do Valle - Caseiro de uma das fazendas de "Zé Leôncio"

Rubens Corrêa - Deputado Ibrahim Chaguri

Sérgio Mamberti - Dr. Arnaud (Advogado de José Leôncio)

Totia Meirelles - Vedete

Zaira Zambelli - prostituta que rouba o caminhão de José Lucas


Impacto na TV Brasileira



Pelo público, a telenovela será para sempre lembrada como a que bateu a audiência da Rede Globo. Seu sucesso foi estrondoso, ao ponto de a emissora de Roberto Marinho esticar a novela das oito (então Rainha da Sucata, de Sílvio de Abreu) para que os telespectadores não mudassem de canal, e lançar uma novela com os maiores nomes da casa (Araponga) para competir no mesmo horário, cancelando boa parte da linha de shows, tirando do ar programas consagrados como o TV Pirata.

Pantanal também foi a primeira telenovela não global, desde a falência da TV Tupi, - única emissora até então a superar a Globo com várias novelas ao longo dos anos 1970 - , em 1980, que conseguiu ultrapassar frequentemente a marca de 50 pontos de audiência, muito além do esperado. O que foi uma proeza fora dos domínios da TV Globo ao longo dos anos 1980. E, de quebra, o avassalador sucesso da telenovela rural pôs a emissora de Adolpho Bloch de vez entre as grandes produtoras de telenovelas da América Latina. Todavia, a Rede Manchete nunca mais repetiria tal façanha nos nove anos que lhe restariam de vida.

Após dezoito anos, na reexibição de Pantanal pelo SBT, a novela voltou a bater a Rede Globo na audiência. No capítulo de quinta-feira, 3 de julho de 2008, a novela da Manchete exibida pelo SBT chegou a 19 pontos de pico, conquistando a liderança por quinze minutos. Desde este dia, em alguns capítulos, a novela atinge, por alguns minutos, a liderança de audiência e em boa parte do horário de exibição, a vice-liderança em audiência.

Pelo que se dizia, devido à boa audiência de Pantanal, o SBT já estaria negociando as fitas de A História de Ana Raio e Zé Trovão, novela produzida pela Rede Manchete após Pantanal, para uma possível reprise após o término da novela. Porém Silvio Santos mudou de ideia, e transformou o horário das 22 horas em horário fixo para novelas brasileiras que eram produzidas pelo SBT, começando pela novela Revelação.


Prêmios e indicações



APCA (1990):

Melhor Novela
Melhor Atriz - Jussara Freire
Melhor Ator - Cláudio Marzo
Revelação Masculina - Ângelo Antônio
Melhor Diretor - Jayme Monjardim

Troféu Imprensa (1990):

Melhor Novela
Melhor Atriz - Jussara Freire
Melhor Ator - Cláudio Marzo
Revelação do Ano - Cristiana Oliveira


Trocando em artes versão novela volta com Dancing Days


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

ROQUE SANTEIRO

terça-feira, 20 de junho de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XVI - A PRAIA (Final)


To cansado, Rio de Janeiro faz calor como em todo o ano, mas é verão e nessa estação evidente que piora, é um Sol para cada um.

Parei o carro e andei até o calçadão de Copacabana. Com bermuda, camisa e suando sento em um banco e observo as pessoas na praia. Algumas tomam banho de Sol, outras se divertem na água, jogam bola, frescobol, usam a ciclovia, tomam água de coco, namoram, vivem.

Eu estou ali, mas não estou. Pareço em um universo paralelo. Sabe amigo, a vida não andou fácil para mim. Fiquei cansado, rosto sofrido, andar meio curvado e volta e meia perguntei a Deus se Ele realmente gostava de mim, se não me abandonou.

Não. Ele não me abandonou, não posso me queixar. Deus me deu uma vida bacana, uma trajetória em que me orgulho.  Enriqueci e tudo que conquistei foi com suor do meu rosto. Não sou perfeito. Sou falho, fraco, muitas vezes errei com pessoas que eu amo, mas sou do bem. Isso Ele sabe e vocês já sabem também.

Tive perdas, mas tive ganhos. Ah meu amigo, que ganhos!! Sou um cara intenso, vivo tudo com intensidade. A amizade, a família, o amor..

Sim, eu sou todo amor, todo feito de amor e respiro amor, vivo amor, meus poros exalam amor. Pelo amor me jogo do precipício, enfrento chamas, me dilacero, tenho meus sentimentos rasgados, esquartejados e gosto, vibro, porque preciso disso pra viver.

O amor me deu tudo, mas também me tirou. Não me arrependo. Viveria tudo de novo mil anos, mil vezes e com mil mulheres.

Desde que as mil mulheres fossem elas.

Elas...


Estou aqui sentado olhando a areia, me lembrando da vida, tudo que vivi. Vivi bem meus cinquenta anos e ainda tenho uma vida inteira pela frente. Vale a pena? Evidente que sim.

Na areia vejo meu neto Bentinho, ele tem cinco anos. Faz castelinho de areia com a babá e se diverte alheio ao mundo e a tudo que lhe envolve. São tantas coisas..

A babá me vê olhar para eles e me mostra para Bentinho dizendo “Olha é vovô”. Bentinho sorri e diz “Vovô!!”. Ela o pega pela mão e começam a caminhar na areia em minha direção. Eu sentado dou um sorriso largo, de imensa felicidade.

Bentinho. Um dos meus motivos de felicidade é você.

Deixe-me apresentar. Ah, você já me conhecem bem. Meu nome é Antonio, mas somos íntimos, podem me chamar de Toninho. Nesses dois livros vocês conheceram meus dramas, amores, sorrisos, lágrimas, amigos, família.

A minha história.

Se pudesse resumir para vocês resumiria tudo em uma palavra.

Amor.

Amor que minha mãe e Pinheiro me ensinaram desde pequeno. Amor que aprendi a ter por meu pai. Amor pelos melhores amigos que a vida poderia dar a um homem. Bia, Samuel, Guga e Jessé. Os mosqueteiros. Amor por seus cônjuges, nossos filhos e netos que perpetuaram nossas vidas prosseguindo com nossas dinastias.

Amor que foi a tônica dessa história o tempo todo. Da minha infância até meus cinquenta anos e com certeza me acompanhará até o fim.

Amor por Camila.

Amor por Fernanda.

Camila me ensinou como era o amor entre homem e mulher. Amor perfeito de chama intensa, companheirismo, amor que beirou o heroísmo e conto de fadas muitas vezes. Amor que lembrou histórias de cinema. Meio que Romeu e Julieta do Arpoador.

Camila é o amor da minha vida.

Fernanda o amor do meu renascimento.

Fernanda me fez gostar novamente de sorrir, de brincar, de deixar o tempo passar sem fazer esforço para impedir. Me ensinou coisas idiotas como beijo de lesma que fazem toda a diferença.

Menina mulher, doce e tagarela. Companheira. A pessoa que eu sempre corro pra contar minhas novidades, divido meus sonhos e quero que seja a primeira a ver ao acordar e a última antes de dormir. Fernanda me fez gostar novamente de viver. Fernanda me fez gostar novamente de mim.

O toque macio de suas mãos, seu corpo pesando em cima do meu. Fernanda Jardim da Silva. No "jardim" que você nasceu eu quero ser o seu beija-flor.

Camila, Fernanda. Feliz o homem que teve duas mulheres como essas em sua vida. E pensar que cheguei a duvidar que Deus gostasse de mim.

Que tolo eu fui.

Dei um abraço em Bentinho e dispensei a babá, disse que passaria o dia com meu neto. Ela foi embora e ele perguntou "Vamos fazer o quê vovô?”.

Respondi "Não sei, pergunta pra eles".

Naquele instante apareceram Fernanda, grávida de seis meses e não me perguntem o sexo, quis passar pela surpresa de só saber ao nascer. Ela trazia um carrinho de bebê e nele nossa filha de dois anos.

Regina.

Bentinho tratou de mimar sua tia quando ouviu uma voz lhe chamando "Vai me dar um abraço não moleque?".

Era Gabriel. Seu pai. Meu filho.

Acompanhado de sua mãe. De Thais.

Sim, Thais se curara do câncer. Cinco anos já se passara da terrível doença e não havia mais nenhum sintoma dela em seu corpo. Thais estava bem, sadia, corada, feliz e junto com Gabriel estava na fila de adoção para dar um irmão a Bentinho.

Pois é. A borboleta errou. Uma eu tinha que vencer sobre essa doença maldita.

Caminhamos pelo calçadão. Na frente Bentinho guiava feliz o carrinho com Regina. Atrás de mãos dadas vinham Gabriel e Thais. Atrás deles andando abraçados eu e Fernanda.

Novamente andando pelo calçadão. No mesmo calçadão em que andei triste, depressivo e como se o mundo tivesse acabado de mãos dadas com Gabriel. Agora andava, mais de vinte anos depois, abraçado a Fernanda e com minha família toda reunida.

O mundo dá voltas. Que bom.

Fomos caminhando até minha segunda casa. O local onde vivi alegrias, tristezas, pensei, refleti, decidi como agir na minha vida e passei por momentos de amor inesquecíveis. O Arpoador.

Subimos eu, Fernanda, Gabriel, Thais, Bentinho e Regina para olhar o por do Sol. Bentinho ficou brincando com Regina enquanto eu e Fernanda sentamos e nos abraçamos, assim como Gabriel e Thais, para ver o começo da noite.

Naquele instante tive a impressão de ver Camila nos observando e sorrindo. Olhei de novo para ter certeza, mas não vi mais ninguém. Apenas balbuciei baixinho "Pra sempre".

Fernanda se abraçou mais forte a mim botando a cabeça no meu peito e ficamos os quatro em silêncio olhando aquela maravilha da natureza.

Não existe noite mais bonita que a do Arpoador.

Não existe noite mais bonita do que a que passamos cercados de amor.

Bem..Como eu já disse meu nome é Antonio, apelido Toninho e essa foi a minha história. Pelo menos a história dos meus primeiros cinquenta anos de vida.

O futuro eu não sei como será, o que me espera, mas encaro a tudo sorrindo. Viver sorrindo e com esperança torna a tudo muito mais fácil.

E parafraseando um livro que eu li me despeço de vocês com a mesma expressão que vi encerrar aquele livro.

“Na boa?

Eu merecia muito ser feliz..”


Começo, meio e fim


(Tavito /  Ney Azambuja / Paulo Sérgio Valle) 


A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa entender que um amor de verdade
É feito canção qualquer coisa assim
Que tem seu começo, seu meio e seu fim

A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção

Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte esse meu coração

Ah! Coração
Se apronta pra recomeçar
Ah! Coração
Esquece esse medo de amar de novo 



FIM




CAPÍTULO ANTERIOR:

sexta-feira, 16 de junho de 2017

TROCANDO EM VERSOS: DANÇANDO



Dançando
Do meu jeito bonitinho
Esse samba maneirinho
Vou dançar agarradinho
Com o meu amor

Dançando
Do meu jeito devagar
São dois pra lá e dois pra cá
Vem que ensino a dançar
O samba de Iaiá

Ele
É um samba diferente
Vai pra trás e vai pra frente
Envolve toda essa gente
Em uma roda pra sambar

Menina, quero provar desse teu corpo
Teu jeito me deixa doido
Com vontade de pecar

Quero poder provar sua boca pequena
Me dê chamego minha morena
Que o bailão vai começar

Dançando
Eu refaço minha fé
Quando piso o cabaré
O meu corpo se desfaz
Do que deixei pra trás

Dançando
Alivio minha mente
Sorriso se faz presente
Alivio a minha dor
Encontro meu amor

Ele
É um samba diferente
Vai pra trás e vai pra frente
Envolve toda essa gente
Em uma roda pra sambar

Orquestra mande o tango, mande o samba
Que a noite é dos bambas
É de quem quiser chegar
Só irei sair daqui de dia
Assim refaço a alegria
Pra vida continuar

Menina, quero provar desse teu corpo
Teu jeito me deixa doido
Com vontade de pecar

Quero poder provar sua boca pequena
Me dê chamego minha morena
Que o bailão vai começar

TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

O HOMEM NA ESTRADA

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SOBE O SOM: BON JOVI


Bon Jovi é uma banda estadunidense de hard rock, formada em 1983 no estado de Nova Jersey. Até hoje, já foram vendidas mais de 130 milhões de cópias de seus trabalhos. Em turnês, o grupo já passou pelos cinco continentes. O grupo é o pioneiro na gravação de álbuns acústicos no estilo do MTV Unplugged.

A banda , mantém algumas características do estilo hard rock dos anos 80 até hoje, mas assimilou influências dos variados estilos surgidos no rock e heavy metal desde o seu álbum de estréia, em 1984.Com passar dos anos veio a se tornar uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock, quando se trata de turnês pelo mundo, sua marca, músicas em seriados, e aparições em programas de tv, a banda em 2011 foi eleita pela revista Rolling Stone como a segunda banda de rock mais cara do planeta, perdendo o topo posteriormente para a banda irlandesa U2.

Até 2016, a banda havia vendido cerca de 130 milhões de cópias de seus trabalhos

Então vamos lá!!


Sobe o som Bon Jovi!!


It`s my life


Livin`on a prayer


Wanted dead or alive


Bed of roses


I`ll be there for you


Have a nice day


Never say goodbye


Bad medicine


Born to be my baby


Runaway


Bem, aí está um pouco da obra dessa grande banda do pop internacional. Semana que vem tem que manda hoje no pop nacional. Tem Anitta.


Enquanto isso vamos curtir um pouco mais. Curtir para sempre.


SOBE O SOM ANTERIOR: 

BARÃO VERMELHO

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CINEBLOG: APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU


Cineblog lembra hoje um dos filmes mais engraçados de todos os tempos e que começou um novo formato de comédias, as satíricas. Um dos meus filmes preferidos sem dúvidas.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU



Airplane! (Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu! (título no Brasil) ou O Aeroplano (título em Portugal)) é um filme americano de 1980, uma comédia dirigida e escrita por Jim Abrahams e pelos irmãos David e Jerry Zucker, e distribuída pela Paramount Pictures. Estrelado por Robert Hays e Julie Hagerty, o filme também conta com Leslie Nielsen, Robert Stack, Lloyd Bridges, Peter Graves, Lorna Patterson e o ex-jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar em seu elenco. É uma espécie de paródia do filme Zero Hour! produzido em 1957.

O filme fez sucesso nas bilheterias do mundo inteiro, arrecadando só na América do Norte 83 milhões de dólares. Estima-se, ainda, que o longa tenha arrecadado cerca de 130 milhões de dólares no mundo inteiro.

Desde seu lançamento, Airplane! teve seu legado muito lembrado na história da comédia cinematográfica norte-americana, se tornando um dos maiores clássicos do gênero. Foi apontado pelo American Film Institute como o décimo filme mais engraçado de todos os tempos. Numa pesquisa feita pela emissora de TV britânica Channel 4, o filme foi considerado o segundo melhor filme de comédia de todos os tempos.

O filme não foi completamente dublado no Brasil, devido a censura que a ditadura militar que o país sofria na época impôs a algumas cenas do longa. Como resultado disso, vários trechos foram cortados antes de chegarem aos cinemas brasileiros. Entretanto, isso não impediu o lançamento do filme no país, onde também teve muito sucesso.

Ainda no Brasil, o filme foi transmitido pela última vez na TV no SBT, no programa Cinema em Casa, no dia 22 de maio de 2009. Depois disso, nem o SBT e nenhuma outra emissora de TV Aberta brasileira passou a reprisá-lo novamente.

Teve uma continuação em 1982 chamada Airplane II: The Sequel, sem a participação dos diretores, mas com vários atores do filme original.

Sinopse



Ted Striker, um ex-piloto combatente de uma guerra não nomeada, tornou-se traumatizado após o final desta, adquirindo o medo de voar. Tenta reconquistar o seu grande amor, Elaine, uma moça que conhecera nos tempos da Guerra, que é agora uma assistente de bordo. Compra um bilhete para o avião onde ela serve, que voará de Los Angeles a Chicago. Durante o voo, contudo, Elaine rejeita as suas intermitentes tentativas de proposta.

Após o jantar ter sido servido, muitos dos passageiros adoecem, porém um destes, Dr. Barry Rumack dá-se depressa de conta que é o peixe que está a causar os desmaios. As assistentes de bordo descobrem também que o piloto e co-piloto do avião tinham também ficado inconscientes, deixando ninguém a bordo profissionalmente capaz de pilotar o avião. Elaine entretanto contata torre de controle de Chicago numa tentativa de pedir ajuda, e recebe instruções do supervisor McCroskey para ativar o auto-piloto do avião, na verdade , um grande boneco inflável chamado "Otto", que os levará até Chicago mas não conseguirá aterrar o avião. Elaine apercebe-se que Striker, o único piloto a bordo, não tinha sucumbido ao envenenamento, e é a única esperança da tripulação.

Além disso, McCroskey chama Rex Kramer um experiente piloto para ajuda-lo. Quando o avião se aproxima de Chicago, Striker começa a tornar-se cada vez mais estressado e decide que apenas pode aterrar o avião se tiver uma conversa "animadora" com o médico, Dr. Rumack. Assim, e com o interminável rol de conselhos de Kramer, Strike é já capaz de ultrapassar os seus medos e aterrar o avião de forma segura, com apenas algum ferimentos em alguns passageiros e um considerável estrago no trem de aterragem. A coragem de Striker reacende de novo o seu amor por Elaine, e ambos finalmente se beijam enquanto Otto descola o avião evacuado depois de insuflar uma companheira feminina.

Elenco



Robert Hays – Ted Striker
Julie Hagerty – Elaine Dickinson
Kareem Abdul-Jabbar – Roger Murdock/ele mesmo
Lloyd Bridges – McCroskey, controlador de vôo
Peter Graves – Comandante Clarence Oveur
Leslie Nielsen – Dr. Barry Rumack
Lorna Patterson – Randy, a aeromoça loira
Robert Stack – capitão Rex Kramer
Stephen Stucker – Johnny, funcionário brincalhão
Otto – piloto automático inflável
Frank Ashmore – Victor Basta, engenheiro de voo
Jonathan Banks – Gunderson, funcionário do radar
Craig Berenson – Paul Carey, mensageiro de Rex Kramer
Barbara Billingsley – senhora que fala por gíria
Lee Bryant – Sra. Hammen
Nicholas Pryor – Sr. Jim Hammen
Rossie Harris – Joey Hammen, garoto que visita os pilotos
Joyce Bulifant – Sra. Davis, mãe de Lisa
Jill Whelan – Lisa Davis, garota a ser transplantada
Marcy Goldman – esposa de Geline
Barbara Stuart – esposa de Rex Kramer
James Hong – general japonês
Norman Alexander Gibbs – Homem que fala por gíria 1
Al White – Homem que fala por gíria 2
David Leisure – Krishna
Howard Jarvis – passageiro no táxi
Mary Mercier – Shirley, senhora que põe ovos pela boca
Ethel Merman – tenente Hurwitz
Lee Terri – esposa de Clarence Oveur
Howard Jarvis – passageiro no táxi
Jesse Emmett – passageiro indiano
Cyril O"Reilly – soldado
Amy Gibson – namorada do soldado
David Hollander – garoto com café
Michelle Stacy – garota com café
Howard Honig – Jack, senhor
Maureen McGovern – freira
Ann Nelson – passageira idosa enforcada
Kenneth Tobey – Neubauer, controlador de vôo
William Tregoe – Jack Kirkpatrick, comentarista de TV
Jimmie Walker – Limpador de pára-brisa
Charlotte Zucker – senhora da maquiagem borrada

Prêmios e indicações



Prêmios

Writers Guild of America

Melhor comédia adaptada: 1981

National Film Preservation Board

Registro em filme nacional: 2010

Indicações



Golden Globe

Melhor filme - comédia/musical: 1981

BAFTA

Melhor roteiro: Jim Abrahams, Jerry Zucker, David Zucker - 1981

Satellite Awards

Melhor DVD clássico: 2005

Melhores extras em DVD: 2005

Young Artist Awards

Melhor comediante jovem - masculino: Ross Harris - 1981
Melhor comediante jovem - feminino: Jill Whelan - 1981


Em duas semanas Cineblog volta com um clássico do erotismo nacional. O olho mágico do amor.


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ONDA NOVA 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XV - A BORBOLETA (2º PARTE)



Corri e consegui o novo endereço de Fernanda. Era em uma comunidade perto da Fundação. Bati na porta e ela abriu, sem que ela respirasse perguntei se era verdade que iria embora.

Fernanda me cumprimentou e respondeu que sim. Perguntei porque e ela respondeu que nada mais lhe prendia no Rio. Perguntei "Como não? E eu sonhos? Projetos?". Ela me respondeu "Sonhos e projetos não valem de nada quando não estamos felizes". Nos olhamos por um tempo e tentei me declarar, me esforcei, palavras vieram até o céu de minha boca e ela me perguntou se eu queria falar algo.

Não tive coragem de falar o que queria e apenas perguntei se ela iria à festa. Fernanda, triste, respondeu que sim e só iria embora alguns dias depois. Com sorriso sem graça disse que nos veríamos lá, me virei e fui embora.

Fui embora na toda socando o volante e me chamando de burro. Eu tive um grande amor na vida, Camila, perdi para a morte e achei, tinha certeza, que nunca mais encontraria outro. A vida resolveu me presentear com outro e eu com meus traumas, burrices, ciúme e machismo botava tudo a perder. Não teria a quem culpar. Não tinha morte, câncer, nada para que jogasse a culpa por um amor perdido. A culpa era toda minha.

Fernanda foi um raio de luz que surgiu em minha vida, uma chance de amar de novo e desperdicei. Dizem que nós só temos um amor na vida, pode ser, mas eu acho melhor dizer que temos "o amor" na vida e ele pode morrer e renascer de várias formas, em vários momentos.

Reclamava comigo mesmo, falava, brigava, gesticulava e nem percebi quando bati em outro carro. O motorista veio injuriado reclamar comigo, eu estava em péssimo humor e acabamos brigando, trocando socos como adolescentes. Acabamos detidos.

Eu, quase um avô, indo parar em delegacia por briga. Que papelão.

Guga foi pessoalmente me buscar na delegacia, usou de sua influência de juiz e conseguiu me soltar. Voltando com ele de carro Guga não perdeu a oportunidade de alfinetar "reclamou tanto de quando Gabriel brigou e fez a mesma coisa". Respondi "mas o otário, como naquela situação, ficou bem pior que eu". Começamos a rir e ele comentou "Foi ver a garota né? Se entenderam?". Respondi que não e ele novamente me chamou de bundão.

Olhei para ele e perguntei "Como posso ficar com alguém que transou com o Gabriel?". No ato Guga me respondeu "Se você não se lembra Camila engravidou de mim, isso quer dizer que transei com ela e não foram poucas vezes". Me irritei, pedi que ele não entrasse naquele tipo de detalhes e ele completou "O fato dela ter transado comigo não impediu que fossem felizes juntos".

Fiquei em silêncio pensando no que Guga me disse e irritado porque no fundo sabia que ele tinha razão.

A festa chegou e todos estavam presentes. Samuel apareceu com um novo namorado a tiracolo mostrando que a vida continuava e não tinha que ser ceifada porque um relacionamento chegava ao fim. Francisco mostrava orgulhoso medalha que ganhara em torneio de remo e fazia planos para as Olimpíadas mostrando que a vida continuava mesmo após a tragédias.

Samuel, Francisco, vida..ela sempre mostrando que por mais tortuosa que seja sempre nos leva a algum caminho.

Jessé chegou bonito, fardado e acompanhado de Ericka que parecia tomar jeito na vida e se decidido pelo rapaz. Deram de frente com Bia que estava acompanhada de Ruben.

Sem jeito Bia cumprimentou "Oi Ericka, oi Jessé". Ericka respondeu o cumprimento e Jessé olhando Bia respondeu "Oi mãe".

Bia balbuciou "Você me chamou de mãe” quando Jessé deu um pequeno sorriso, pegou a mão de Ericka e começou a andar. Bia, feliz, olhou Ericka que por trás de Jessé deu uma piscada para minha amiga.

Não era a volta definitiva, o perdão, mas era um começo e eles teriam muito pela frente pra se acertarem.

Guga me surpreendeu e chegou com Amanda a tiracolo. Perguntei o que significava aquilo e eles radiantes contaram que tinham voltado. Parabenizei quando meu amigo disse que buscaria bebida para a namorada.

Ele saiu, Amanda me olhou e perguntou "Sabe que você foi o amor da minha vida né? Que no dia que me chamasse eu iria correndo, não sabe?". Sorri para ela e respondi "Sim, mas ele não precisa saber". Amanda me deu um beijo no rosto quando Guga voltou com as bebidas.

Olhando para Amanda comentei "É Guga, você tinha razão". Ele perguntou em que e respondi "Amanda acabou de me dizer que me trocou por você. Que você é o grande amor da vida dela". Guga riu e disse “Te falei cara!! Sempre te disse isso!!". Amanda sorriu pra mim e devolvi o sorriso.

Tem mentiras que não fazem mal.

Mas a maior surpresa foi a presença de João, pai de Thais, com Suely, a mãe de Camila. Sim, juntos. Suely voltara dos Estados Unidos, conheceu João e eles engataram um romance.

Suely conversava com minha mãe e Osmar, os três em clima bem amistoso e a mulher comentou "É. Vinte anos. Muitas coisas ocorrem em vinte anos". Osmar respondeu que o tempo era bom porque podia curar feridas. Suely respondeu "A perda de uma filha faz qualquer ferida possível virar arranhão". Minha mãe observou João se aproximando de Thais e Gabriel e comentou "Que ele não precise de perda".

João, sem jeito, se aproximou de Thais que ostentava uma barriga de sete meses e uma aparência frágil de quem enfrentava uma doença cruel, apenas aparência porque a menina era uma fortaleza. O homem cumprimentou o casal que respondeu, depois muito sem jeito ele pediu "Posso tocar na barriga?". Thais permitiu sorrindo e João abaixou pra tocar. Enquanto tocava sorriu e disse "Ta mexendo".

Sim. O tempo serve parra curar feridas e muitas vezes a dor acalma corações ressentidos.

Osmar pediu atenção de todos. Olhamos e ao lado de Hellen começou a falar.

"Um pouco mais de vinte anos atrás tive uma grande perda. Uma perda que nunca queremos nem imaginar ter e é cruel. A perda de um filho. Não é natural isso, vai contra as leis da vida um filho partir antes do pai, mas eu passei por isso. Achei que minha vida tivesse acabado, que iria morrer, mas tolo que sou desconhecia que quase todos os dias nós morremos e renascemos".

Naquele momento ele passou a falar olhando minha mãe.

"Renasci nos braços dessa mulher, da Hellen. Já tinha lhe conhecido antes, já estávamos juntos, mas Hellen foi o apoio que eu precisava no momento mais difícil da minha vida, foi quem me deu a mão, quem me pôs de volta a caminhar. Mulher valente, guerreira, amorosa, me deu carinho, afeto, amor e principalmente me mostrou que eu não estava sozinho no mundo".

"Morro e renasço todos os dias ao lado dessa mulher. Eu perdi uma filha, ela um marido, a dor nos uniu, mas o amor nos eternizou. Ao seu lado envelheci, ao seu lado sei que vou morrer um dia, em definitivo, mas sei que morrer não será tão ruim, nunca é quando a vida vale a pena. Ao seu lado meu amor, vale todos os dias e por você me esforço todos os dias para ser um homem melhor. Um dia eu vou conseguir, mas nunca vou conseguir chegar aos seus pés. Muito obrigado por esses vinte anos. Muito obrigado por minha vida".

Minha mãe, chorando, beijou Osmar e todos aplaudiram.

A festa era linda, no jardim da casa, mas eu não conseguia socializar. Aquela casa, aquele jardim me lembravam muito Camila, sua presença era muito forte no local.

Foi sozinho e perdido em minhas lembranças que ouvi uma voz me chamar e ao olhar tomei um susto.

Era Jéssica.

Fiquei feliz ao ver a mulher. Estava linda, madura e lhe dei um abraço apertado. Conversamos durante um tempo, falamos da vida, do que fizemos naqueles anos todos e em determinado momento Jéssica disse "Melhor me afastar de você". Eu perguntei porque e ela me respondeu "Aquela menina não para de olhar para você. Acho que vai me matar".

Era Fernanda.

Olhei para ela, ela olhava pra mim e Jéssica disse sorrindo "Acho que estou sobrando, foi um prazer te rever Toninho". Me deu um beijo e se afastou.

Eu continuava olhando Fernanda e ela a mim. Não conseguíamos desviar o olhar e nem nos falarmos. Nossos olhos expressavam toda a tristeza e profundidade do momento. O silêncio lhe dava razão.

Mais tarde estava com Samuel, Guga e Bia sentados no jardim bebendo, cada um com uma garrafa na mão. Guga lembrou da várias festas que fora naquele jardim enquanto namorava Camila, eu retruquei que ele não precisava lembrar e Guga me provocou "Ainda mais que você soube que a Amanda te trocou por mim”.

Bia contou que estava esperançosa, Jessé tinha falado com ela algumas vezes na festa e Samuel disse "Jessé. Esse nome me emociona sabia? Sempre que ouço lembro de nosso amigo. Como ele estaria hoje? Como ele estará". Guga respondeu que em um bom lugar junto com Camila.

Bia comentou que já tínhamos passado por muitas coisas na vida e eu concordei dizendo "Passamos e vencemos. Você hoje é dona de restaurante, eu de gravadora, Guga juiz de direito e Samuel deputado e futuro governador do estado". Samuel olhou para nós e emocionado comentou "E o mais importante. Somos amigos até hoje e seremos para sempre". Guga propôs um brinde e brindamos a nós, Camila e Jessé.

Bia, Samuel e Guga. Os melhores amigos que alguém poderia ter.

Naquele instante Gabriel se aproximou preocupado e trazendo Thais. Perguntei o que ocorria e Gabriel respondeu que Thais passava mal. Ela apenas balbuciou "Dor, muita dor" e desmaiou.

Peguei Thais nos braços e pedi que Gabriel pegasse meu carro.

Fomos todos para o hospital e o médico logo detectou "Trabalho de parto". Gabriel perguntou como se estava de apenas sete meses quando a equipe médica entrou na UTI e eu, do lado de fora, tentei acalmar meu filho.

Mesmo com a situação difícil a criança nasceu saudável apesar de prematura. Bentinho foi levado a incubadora e de lá lhe namoramos.

É..Eu era avô, já conhecia o rosto de meu neto. Meu frágil Bentinho naquela incubadora, pequenininho, mas que já mostrava uma vontade imensa de viver. Ao lado via meu filho babão vendo o seu e perguntando quando poderia ver Thais.

O médico disse que ela estava muito cansada e dormindo. Gabriel respondeu que não tinha problemas, só queria vê-la.

Gabriel entrou no quarto, Thais dormia, pegou em sua mão e agachou ao seu lado ficando por um longo tempo lhe olhando nos olhos e acariciando seus cabelos.

Bentinho começava a se recuperar. Saiu da incubadora e  foi para nossos braços, mas Thais não. Foram muitos meses sem o tratamento adequado. Assim que fez o parto retirou o útero e iniciou a luta pela vida. Ela não estava bem.

Medicada mal pôde aproveitar o filho, vivia sedada por causa das dores até que entrou em coma.

O velho filme se repetindo, o velho fantasma que teimava em nos assombrar.

Bentinho foi para a casa dos bisavós enquanto Thais lutava pela vida. Gabriel parecia extenuado com a situação, não saía do lado de Thais um só minuto e acabou ganhando uma licença da novela. Eu já não sabia o que fazer e um dia decidi recorrer a quem melhor podia me ouvir.

Fui até o túmulo de Camila.

Muito tempo que não voltava lá, desde a carta que deixei e decidi procurar ajuda de quem realmente poderia ajudar. Parei em frente ao túmulo e comecei a "conversar" com ela.

"Oi meu amor. Tempo que eu não vinha aqui, até porque você não está aqui pra mim, está dentro do meu coração. Mas sei lá, precisava vir aqui, precisava desse contato com você".

Respirei fundo e continuei.

“Nosso filho está sofrendo muito. Ele e Thais passam pelo mesmo drama que nós passamos então vim pedir sua ajuda. Não deixe nosso filho sofrer. Não deixe que ele passe pelo que passei. Peça junto a Deus ou qualquer força superior que o ampare e lhe permita ser feliz. Gabriel está sofrendo demais, eles agora estão
com um filho pequenino, o nosso netinho que precisa dos dois juntos e saudáveis. Eu confesso que desaprendi a rezar por tanto sofrimento que passei, mas te imploro Camila, olhe por nosso menino".

Naquele momento vi Gabriel se aproximando. Estranhei porque ele nunca tinha ido ao cemitério e ao me ver ele disse "Pai, você aqui?". Devolvi a pergunta 'Eu que pergunto. O que faz aqui filho?". Gabriel emocionado respondeu “Vim pedir ajuda a minha mãe".

Naquele momento Gabriel, enfim, desabou. Começou a chorar muito, copiosamente e eu lhe peguei em meus braços. Abracei forte como quando ele era menino e eu queria lhe proteger das dores do mundo.

Voltei pra casa arrasado com toda aquela situação e encontrei Guga. Ele me olhou e disse que Fernanda estivera ali. Perguntei o motivo e ele respondeu "Ela vai embora de madrugada, veio se despedir e te entregar isso".

Peguei. Era uma foto nossa. Nós dois felizes no Cristo Redentor no dia em que nos conhecemos.


Guga disse a hora do voo e a companhia perguntando se eu faria algo. Olhei bem a foto, olhei meu amigo e respondi "Vou sim, vou dormir".

Deitei na cama derrotado. Derrotado pela vida, pelas circunstâncias, por ver Gabriel sofrer e não poder fazer nada. Por ver Fernanda ir embora de minha vida e não poder fazer nada. Virei, revirei na cama até que adormeci.

E sonhei...

Me vi no Arpoador e Camila andava. Comecei a chamá-la e ela continuou andando até que decidi correr atrás e caí.

Comecei a cair, cair até que parei em uma espécie de umbral como aquele da novela "A viagem". O local era feio, horrível e pessoas me puxavam das profundezas tentando me puxar. Eu me desvencilhava dizendo que não pertencia aquele local, eu não era dali.

Gritava por ajuda, pedia socorro, uma luz. Gritei "Eu não sou das trevas, não sou da escuridão. Eu sou amor, sou feito de amor e quero amar!!".

Do nada o cenário mudou e voltei ao Arpoador. Observei Camila novamente andar e comecei a gritar por ela "Camila!! Camila!! Fernanda!!".

Sim, Fernanda. O último grito foi de Fernanda. Camila se virou e não era mais ela. Era Fernanda que me sorriu.

Fernanda sorriu e voltou a andar. Eu estático gritava que parasse até que gritei "Eu te amo!!".

Acordei gritando "eu te amo". Levantei assustado, suado e balbuciando "Eu te amo..eu te amo..". Parei um pouco e gritei "Eu amo a Fernanda!!".

Soquei a porta de Guga que abriu a porta assustado e perguntando o que eu queria. Respondi que precisava da ajuda dele, tinha que impedir Fernanda de viajar.

Guga sorriu, disse "Até que enfim, vamos embora" e me levou mesmo de pijama.

Guga acelerava o carro e eu ao lado olhava o relógio e lamentava que não daria tempo. Ele mandava pensar positivo e eu respondi que não teria tempo, faltava pouco pro embarque. Meu amigo então respondeu que daria um jeito.

Pegou o celular e disse que lhe deviam favores. Só precisava de um telefonema e do que tinha no porta malas e tudo se resolveria. Ainda dirigindo começou a digitar e me disse "Não conta pra ninguém que to telefonando e dirigindo senão te prendo".

Fernanda estava no avião olhando triste pela janela quando um homem pediu que lhe acompanhasse. Ela se assustou e perguntou para onde, o homem pediu que não fizesse perguntas, levantasse e lhe acompanhasse. Uma senhora ao lado perguntou o que significava aquilo. O homem mostrou um distintivo, disse que era da polícia federal e Fernanda era acusada de terrorismo e ligações com a Al Qaeda.

Fernanda, muito assustada, apareceu no saguão do aeroporto escoltada pela polícia federal que de repente desapareceu lhe deixando sozinha. Perdida, sem saber o que fazer ela ouviu aquela famosa voz do aeroporto chamando seu nome "Fernanda Jardim da Silva, favor se dirigir ao portão 10 de embarque".

Ela começou a andar. Tremia sem saber o que ocorria quando pelo sistema de som surgiram acordes de violão. Ela continuava andando quando todos começaram a prestar atenção nos acordes e na voz que surgiu.

A voz cantava uma música do "Roupa Nova" chamada "Começo, meio e fim". Fernanda andava tentando identificar aquela voz até que conseguiu.

A voz era minha.

Ela saiu correndo em direção ao portão 10 até que quando chegou encontrou uma multidão. Passou pela multidão e encontrou Guga tocando um violão e eu ao lado tremendo.

Olhei para ela e nervoso cantei o que faltava. Cantei o refrão.

"Ah coração/ se apronta pra recomeçar/Ah coração.."

Com lágrimas nos olhos parei de cantar. Fernanda também chorando andava lentamente em minha direção. Respirei fundo e já muito próximos completei "..esquece esse medo de amar de novo".

Já frente a frente olhei para ela, meu choro já era maior, e disse "Obrigado branquinha. Obrigado por devolver minha vida. Eu amo você Fernanda".

Fernanda não me deixou falar mais nada me beijando de uma forma apaixonada. Nosso primeiro beijo aplaudido por todo o aeroporto e por um Guga que chorava e comentava com uma aeromoça ao lado "Adoro finais felizes. Me passa seu telefone?".

De lá fomos pra casa e pela primeira vez fizemos amor. A primeira vez que fiz amor com Fernanda, a primeira vez que fiz amor desde a morte de Camila. Sim, amor. Eu não achava possível, mas eu podia amar de novo, podia ser feliz de novo e aquela moça do Pará que encheu meu coração e minha vida de luz, carinho, companheirismo, risos e sentimentos me devolveu a capacidade de amar. Me fez deixar de ser Antonio e voltar a ser Toninho. Perder de vez o juízo para criar novas histórias de amor.

Fizemos amor e adormecemos com Fernanda com a cabeça em meu peito.

Sonhei com Camila. Eu olhava para ela com olhar de culpa quando a mesma me deu um beijo no rosto. Ela fez carinho em meus cabelos e perguntou "Me ama?". Chorando respondi pra sempre e ela completou "E eu a você, mas você não precisa amar só a mim".

Camila se afastou e desapareceu.

No dia seguinte tomamos café com a mesa na sacada do apartamento. Os dois de roupão felizes como nunca e trocando juras de amor. Fernanda reclamou que eu demorei muito a me declarar e quase tinha ido embora pra sempre, respondi que nunca mais lhe deixaria ir embora e lhe dei um beijo. Enquanto eu passava margarina em uma torrada brinquei dizendo que teria que fazer uma obra de acústica em meu quarto, ela perguntou porque e respondi "Você geme alto demais".

Fernanda rindo me deu um tapa enquanto abaixei a cabeça pra colocar leite na xícara. Com a cabeça abaixada ouvi Fernanda falar "Olha, que linda".

Levantei a cabeça e gelei. Era uma borboleta.

Fernanda percebeu meu jeito assustado e perguntou o que ocorria. Trêmulo, falei "Thais" e saí correndo. Ela correu atrás de mim perguntando qual era o problema e que estava assustada. Eu tentava falar com Gabriel pelo celular e não conseguia. Mandei que ela se arrumasse correndo, pois tínhamos que ir ao hospital.

Mais uma corrida desesperada em minha vida.


* Fê, quando criei esse capítulo dois anos atrás escrevi algumas coisas em especial para você e você me pediu que eu repetisse quando postasse no blog. Sinceramente não lembro das palavras, mas lembro dos sentimentos até porque são os mesmos hoje e são os mesmos desde o dia que te conheci,

Não é a toa que dei não ao seu nome, mas a você completa a redenção de um dos personagens mais importantes que escrevi até hoje até porque só uma pessoa boa, bacana, amorosa, cativante, apaixonante como você seria capaz disso. Tenho certeza que se o Antônio fosse real se apaixonaria por você, como você faz comigo todos os dias.

Como eu disse não lembro das palavras, mas como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras quanto valem mais de quarenta imagens? Essas imagens valem demais para mim, mostram momento de felicidade e que não criamos juízo.

Porque ao seu lado não quero criar juízo nunca, só mais e mais história de amor.

Feliz dias dos namorados, meu e do Toninho.

Beijos de lesma....



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A BORBOLETA (1º PARTE) 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XIV - A BORBOLETA (1º PARTE)


Que sacanagem é essa do destino? Por quê essa doença maldita tem que perseguir a mim e a todos que amo? Me sentia destruído, dilacerado, a menina entrou naquela sala cheia de sonhos, esperanças e saía com uma notícia assustadora como aquela. Como eu ia avisar ao Gabriel?

Isso tudo ocorrendo e eu tendo que aparentar uma calma que não estava sentindo.

O telefone tocou. Era Gabriel.

Meu filho, todo animado, falava no telefone que tinha se saído bem no teste e achava que iria rolar enquanto eu ouvia a tudo tentando encontrar palavras. Ao fim Gabriel perguntou como tinha se saído  a consulta e apenas perguntei "Tem como ir lá pra casa?".

Ele, evidente, se assustou e quis saber o que acontecia. Apenas pedi que fosse e que em casa eu contaria tudo.

Bem..Contei..Thais teve uns problemas em exames que fez e foi detectada uma alteração no útero. Havia uma alteração detectada em tomografia e era preciso fazer uma biopsia para ter certeza ou não. Thais chorava e Gabriel, assustado, não conseguiu ter reação. Sem saber o que fazer mandei, com gestos, que abraçasse a esposa.

Nunca vira Gabriel tão assustado. O olhar dele era de pavor, amedrontado e ele apenas conseguiu balbuciar a pergunta "E agora?”. Respondi que já estava providenciando tudo. De amanhã eles embarcariam para São Paulo e Thais faria todos os exames necessários no melhor hospital do Brasil para sabermos logo o que ela tinha.

Sugeri que dormissem em meu apartamento e de manhã viajassem, mas Thais não quis, preferia dormir em casa. Eu insisti, mas ela agradeceu e recusou. Concordei com ela e em silêncio Gabriel me abraçou e abriu a porta para saírem.

Disse "Vai ficar tudo bem" e eles saíram. Mas eu não tinha certeza se ficaria tudo bem, estava tão assustado quanto eles. Os dois fecharam a porta e eu desabei no sofá tentando entender aquela avalanche.

No dia seguinte estávamos cedo no aeroporto, os três com cara de que não dormiram. Pela primeira vez Thais comentou que estava com medo. Pedi que não tivesse, pois estaria nas melhores mãos do país e logo teríamos boas notícias. Gabriel me abraçou, agradeceu e eu falei em seu ouvido "Reza pra sua mãe".

Com dor no coração vi os dois cruzarem a porta de embarque. Respirei fundo e tinha a exata noção que uma temporada difícil se iniciava.

Cheguei em meu apartamento vazio, tirei o terno, sentei no sofá e aí parecia que a ficha caía. Comecei a chorar. Um choro compulsivo, doído. Choro por lembrar de minha história, choro por Thais, por Gabriel..Ele não merecia isso. Ele não merecia passar por aquele sofrimento e carregar a dor que carrego em meu peito. Deus não podia agir daquela forma, não podia fazer com ele o que fez comigo.

No momento de maior dor e maior desespero a campainha tocou. Tentei me recompor, parei de chorar e quando abri a porta vi que era Fernanda. Ela apenas disse "To aqui com você" e não aguentei desabando a chorar nos seus braços.

Ao poucos me acalmava. Fernanda não falava nada, apenas me consolava. Fomos para o quarto e deitei em seus braços. Os dois em silêncio, sem rolar nada demais. Apenas o carinho imenso que ela tinha por mim. Tempo que ninguém cuidava de mim, me protegia daquela forma, eu estava precisando.

Adormeci e ela também. Dormi muito, estava precisando, nem sei ao certo o quanto dormi, mas foram quase doze horas. Fernanda depois de um tempo acordou e ficou velando meu sono. Até que lhe deu fome.

Fernanda se levantou e fez um lanche colocando sobre a mesa da sala. Guga entrou no apartamento, cumprimentou a moça, foi entrando em seu quarto e voltou olhando para Fernanda em silêncio.

Fernanda perguntou se havia algum problema e Guga respondeu "Sensação de que já passei por isso". Fernanda riu e comentou que ele estava cismado até que meu amigo falou "Lembrei!! Lembrei de onde conheço você!!".

E descreveu a cena debaixo. Cena já contada.

“Falando em Guga, uma manhã ele se aprontava para ir ao fórum quando percebeu uma menina tomando café em nosso apartamento. Ele foi, voltou e cumprimentou. A moça que vestia apenas um blusão mal abotoado devolveu o cumprimento e continuou tomando café. Ele se sentou e se apresentou como Gustavo, mas que poderia lhe chamar de Guga.

Ela sorriu e quando ia dizer o nome ele interrompeu "Não precisa dizer, vou adivinhar, no mínimo seu nome é Linda e você é uma princesa, acertei?". Ela riu e devolveu "cantada engraçada tio, já conseguiu pegar alguém com ela?".

Antes que Guga se recompusesse do “tio” ela continuou "Não sei se você reparou tio, mas essa blusa é muito grande pra mim, eu estou usando a blusa do meu acompanhante que eu acho que se chama Gabriel, eu estava muito bêbada ontem, não lembro e ele está no banho. Como agora estou sóbria digo que não acho legal ficar com dois caras que moram na mesma casa em intervalo tão pequeno, você me entende né tio?".

Guga sorriu amarelo, pegou uma torrada e disse que estava atrasado se despedindo e saindo.”

Pois é. A moça do tal dia era Fernanda.

Enquanto Guga comemorava ter lembrado e Fernanda olhava sem graça para ele eu surgia para os dois. Fernanda se assustou com minha presença. Guga também e apenas comentei "Então vocês todos já se conheciam". Fernanda pediu que me acalmasse, mas não quis ouvir. Saí de casa com ela vindo atrás de mim.

Andei confuso, triste, irritado, sem querer olhar pra trás. Fernanda me chamava e eu não queria ouvir. Até que ela puxou meu braço. Irritado perguntei "Que é? Quer a família toda?". Fernanda me olhou assustada e disse estar me desconhecendo.

Olhei e falei "Porque todo mundo me acha bonzinho, sangue de barata, o cara camarada amigo de todos, mas tudo tem limites!! Punhalada por trás eu não aceito!!". Voltei a andar com Fernanda atrás de mim, ela puxou meu braço e disse que tinha punhalada nenhuma.

"Como nenhuma? Você transou com meu filho!! Na minha casa!!". Fernanda argumentou que não sabia que ele era meu filho, tinha sido na passagem anterior dela ao Rio. Uma noite apenas que ficou aqui, bebeu, se encontrou com ele e rolou.

Mas perguntei o porque do silêncio, ele sabiam quem era um e outro, se lembravam da noite que tiveram e porque fizeram aquilo comigo. Fernanda abaixou os olhos e comentou que ficaram com vergonha, as vidas dos dois tinha andado, ele voltou com Thais e eu tinha surgido. Combinaram de manter o silêncio.

Olhei para ela e disse "Nada que começa com segredos acaba bem e você estava certa em uma coisa. Eu tinha aparecido. Mas estou sumindo". Voltei a andar e Fernanda veio atrás implorando atenção. Pedi que ela parasse e continuei.

Deixo Fernanda para trás chorando e me olhando.

Tinha que me isolar e claro fui para o Arpoador. Tem horas que precisamos nos isolar, poder ouvir nossos pensamentos, refletir, mas as pessoas em volta não percebem e não deixam. Ali era o meu refúgio, o meu lugar.

Eram muitas coisas pra minha cabeça. Muitas coisas ocorrendo ao mesmo tempo.  Doença de Thais caindo como uma bomba, a transa de Fernanda e Gabriel...Como eles puderam fazer isso comigo? Esconder que algo assim ocorrera? Como puderam transar na minha casa!!

Fernanda foi a mulher que mais gostei desde Camila morreu. Por muitas vezes me vi apaixonado por ela e travava, minha história com Camila me impedia de prosseguir. Mas essa bomba? Eles terem transado? Fernanda por uma noite ter sido mulher dele?

Imaginava o dois se beijando, Gabriel tocando em seu corpo e ficava louco. Era meu filho!! Não podia competir com meu filho!! Tudo bem que na verdade ele era louco por Thais e naquele momento sofria por ela, mas não entrava na minha cabeça. Como eu ficaria com uma mulher que transou com meu filho? Como seriam o almoço de família com todos reunidos e eu imaginando que meu filho já viu minha mulher nua?

Minha cabeça doía, fervia e eu não conseguia parar de pensar em tudo o que ocorria. Meu telefone tocou e era Fernanda. Em um ato impensado arremessei o telefone longe caindo nas águas. Não queria falar com ela, não queria falar com ninguém. Queria ter o direito de ser egoísta, impulsivo e cabeça dura um pouco. Chega de só pensar nos outros.

Passei a noite no Arpoador, adormeci e acabei só acordando com o Sol na cara. Olhei para ele com cara de sono e sabia que tinha que seguir a vida. Pessoas precisavam de mim. Gabriel e Thais precisavam de mim.

Voltei para casa e tinha várias chamadas perdidas no telefone. Umas 20 de Fernanda, uma de Gabriel. Essa me preocupou e retornei a ele.

Liguei e meu filho desesperado me contou que a doença fora confirmada.

Disse que estava indo para São Paulo. Apenas tomei um banho rápido e peguei a ponte aérea.

Cheguei no hospital e encontrei meu filho sozinho sentado em uma cadeira com a cabeça baixa. Lembrei da história dele com Fernanda e ainda não tinha digerido, estava magoado. Mas antes disso sou pai e meu filho precisava de mim. Sentei ao seu lado e pus a mão em sua perna.

Ele notou minha presença e chorando me deu um abraço.

Entramos no quarto para ver Thais e o médico estava lá. Contou toda a situação, tamanho do tumor, riscos que ela corria e procedimentos que deveriam ser feitos. O primeiro de todos a retirada do útero.

Gabriel pediu que o médico fizesse o que tinha que fazer e Thais interrompeu dizendo "Espera, não é bem assim". Gabriel tentava entender ainda a reação de Thais quando a moça perguntou ao médico "E o meu bebê? E Bentinho?".

Thais escolhera o nome Bento por ser fã da obra Dom Casmurro de Machado de Assis.

Bentinho tinha apenas quatro meses e todos nós respiramos fundo ficando um pouco em silêncio. O médico olhou para Thais e escolhendo palavras contou "Infelizmente teremos que fazer o aborto".

Thais ficou nervosa e respondeu que não faria aborto nenhum. Não mataria seu filho e Gabriel argumentou que também era seu filho e sofria com isso. Mas tinha que penar na saúde dela, em sua vida.

Thais perguntou qual mãe colocava sua vida na frente de um filho. Gabriel tentou dizer que ela não era mãe ainda e Thais perguntou "Quem disse?".

Gabriel nada mais disse e Thais perguntou ao médico se morreria caso insistisse na gestação. O médico respondeu que suas chance diminuiriam muito, o tumor era agressivo e eles teriam que procurar outras formas de tratamento. Thais então perguntou “Corro imenso risco, mas não há certeza que vou morrer?". Ele respondeu que era isso então determinou "Não vou tirar meu útero e mesmo que o senhor dissesse que eu morreria não iria".

Gabriel fez menção que falaria algo quando pus a mão em seu ombro e pedi que ficasse em silêncio. O médico então pediu para falar comigo e Gabriel e nós três saímos.

Do lado de fora o médico nos explicou que era praticamente um suicídio pedindo para que Gabriel lhe convencesse quando pela primeira vez me meti e falei "Façam o que ela quer". Gabriel me olhou assustado e disse "pai, não ouviu o que o médico disse? É suicídio?". Respondi "Você tem uma grande esposa Gabriel, uma grande mulher. Só uma grande mulher é capaz de dar sua vida por outra pessoa. Não tire isso dela".

O médico nos olhou, disse que ministraria outro tipo de tratamento e saiu. Mandei que Gabriel voltasse para o quarto, desse um abraço forte em Thais dizendo que lhe apoiava e me obedecendo assim ele fez. Fiquei ali do lado de fora olhando aquele corredor de hospital e pensando.

Pensando na coragem de Thais. O quanto aquela menininha que vivia como gato e rato com Gabriel cresceu. Cresceu e sofreu muito na vida, vai ver o sofrimento fez crescer tanto. Passou por um casamento por compaixão e agora uma doença terrível em que preferiu a vida do filho à dela.

É compreensível, é mãe. Nós homens às vezes não entendemos porque a relação de uma mãe com filho é coisa única. Essa era a única chance de Thais ser mãe, ela perderia o útero, não poderia engravidar de novo e o laço com Bentinho já era forte, carregava o menino em seu corpo.

Atitude corajosa, mas que eu como um reles homem compreendia.

Gabriel ainda insistiu um pouco para que Thais pensasse no assunto, cogitou que poderiam adotar, mas a moça respondeu que não, queria Bentinho. O médico passou para nós todo o procedimento que seria feito pela saúde de Thais, gravidez e assim voltamos ao Rio.

Convenci o casal a ficar em meu apartamento por um tempo, seria melhor para eles. Fomos até minha casa e de lá dei uns telefonemas e consegui contratar uma enfermeira para que acompanhasse Thais em tudo que ela precisasse. Encaminhei os dois ao quarto pedindo que descansassem e enquanto pensava em coisas necessárias para a adaptação do casal ali a campainha tocou e fui atender.

Era Fernanda.

Com cara de quem chorara ela me olhou com jeito tristonho e disse que já que eu não atendia ao telefone resolvera ir pessoalmente. Eu era educado, não iria bater a porta na sua cara e chamei para que entrasse.

Convidei a sentar e disse a ela que estava com problemas e chegara a pouco de São Paulo. Ela me disse que sentia muito e pediu que lhe ouvisse.

Sentei a sua frente e respondi que era todo ouvidos.

Contou que como me dissera tinha vindo uma vez ao Rio, para um congresso e no fim dele foi para boate com conhecidos. Ali bebeu um pouco, conheceu Gabriel e se envolveram. Não lembrava muito da noite, apenas de acordar no apartamento. Contou que era fraca pra bebidas, mas isso não era motivo pro que ocorreu.

Pediu desculpas, disse que só soube que era pai de Gabriel quando lhe viu no dia do anúncio do casamento e que ficou envergonhada, desconfortável. Gabriel também lhe reconheceu e naquela mesma noite combinaram guardar segredo para preservar seu relacionamento e não me causar desconforto.

Falei que aquilo era um erro. Por mais que seja simplório um segredo ele sempre traz consequências quando é desvendado e mesmo eu não tendo nada com ela me senti traído por uma história acontecer na minha frente e eu não saber.

Fernanda mais uma vez pediu desculpas e começou a chorar quando eu falei que perdera a confiança nela.

Quando falei aquilo percebi que Gabriel nos olhava.

Gabriel pediu desculpas e comentou que não tinha como deixar de ouvir a conversa. Pediu desculpas pelo segredo afirmando que não fora intenção deles magoar ninguém. Contestei que eles não poderiam decidir pelos outros e mais uma vez Gabriel pediu desculpas.

Levantei e falei "Não tenho que desculpar ninguém, mas se faz bem a vocês estão desculpados sim". Fernanda veio me abraçar, mas me afastei dizendo que estava cansado e precisava dormir. Ela ofereceu companhia e respondi que precisava descansar sozinho.

Saí e deixei os dois na sala.

Fernanda se lamentou perguntando a Gabriel o que faria e ele respondeu que daria um jeito.

Meu filho me procurou pedindo que perdoasse Fernanda, mas eu não tinha do que perdoar, só não conseguia ficar a mesma coisa com ela. Cada vez menos nos víamos apesar dela me procurar sempre. Resolvi me afundar de vez no trabalho e na tentativa de curar Thais. Com o tempo os telefonemas de Fernanda foram rareando até que não nos víamos mais. Ela decidiu sair da casa da minha mãe alugando uma quitinete perto da Fundação.

Thais continuava sua luta pela vida. Cada vez mais debilitada devido os medicamentos, mas prosseguia firme e forte com a gravidez. Gabriel lhe apoiava em tudo e eu na medida do possível também estava ao seu lado providenciando comodidade em meu apartamento e os melhores especialistas para cuidarem de sua saúde.

João, seu pai, não dava sinal de vida. Parecia mais preocupado com o sobrinho que batia nos outros.

Igor e os outros, como eu disse, foi indiciado e apesar de todo clamor popular acabou que ficou barato para eles. A acusação acabou sendo desqualificada virando "lesão corporal grave" com os mesmos sendo condenados a três anos de prisão para ser cumprida em semi-aberto. Soou como vitória da impunidade.

Mas aquilo não desanimou Samuel que continuou sua batalha e logo após o julgamento conseguiu aprovação no congresso do agravamento em relação a crimes contra homossexuais apesar do protesto da bancada evangélica. O projeto logo foi sancionado pelo presidente da República e meu amigo ganhou imensa projeção. Foi capa das principais revistas semanais de política e apareceu em primeiro lugar nas pesquisas para o governo do estado.

Francisco se recuperava. Continuava sem sentir as pernas, mas se dedicava ao esporte. Decidira pelo remo e todas as manhãs acordava bem cedo para treinar na Lagoa Rodrigo de Freitas. Tanto esforço valeu a pena. Francisco logo começou a ganhar competições e virou atleta paralímpico.

O rapaz até arrumou uma namorada. Sua treinadora de remo. A vida de Samuel parecia voltar aos trilhos, mas não era bem assim.

Ele se separou de Anderson.

Era uma relação antiga já e nos pegou com grande surpresa essa separação. Eu, Bia e Guga decidimos tentar levantar o astral de nosso amigo o levando para almoçar, queríamos entender o que ocorria e ele nos contou. Anderson lhe deixara por uma mulher que trabalhava na mesma empresa que ele.

Pois é, mulher, uma grande barra.

Samuel estava desconsolado e Bia lhe pediu que não agisse igual Nando. Meu amigo sorriu e falou para Bia ficar despreocupada, pois teria muito a viver ainda e não seria o fim de uma relação que lhe derrubaria. Sua vida profissional estava ótima, conseguia fazer mais pelas pessoas e Francisco conseguia se recuperar.

Guga perguntou "Agora que o Anderson decidiu voltar a gostar de mulher você vai gostar também? To precisando de um amigo de farras, Toninho é muito parado.". Samuel respondeu "Não, continuo gostando de homem e pra dizer a verdade andei reparando e até que você é um gato mesmo. Quer tentar não?".

Guga ficou indignado enquanto eu e Bia gargalhávamos.

Voltamos a falar sério. Bia contou das dificuldades que passava com Jessé que não permitia aproximação mesmo com Ericka tentando ajudar e eu falei da doença de Thais. O tempo passava e ela não reagia, passava por uma gravidez de risco cada vez mais debilitada. Thais emagrecera e começara a perder cabelos.

Todos lamentaram e Bia perguntou "E Fernanda?". Contei que nunca mais conversara com ela e minha amiga reclamou que eu estava muito velho para sentir ciúmes.

Falei que não eram ciúmes, estava indignado pela traição do segredo e Bia continuou "Não é isso. Você está apaixonado por essa garota, finalmente apareceu uma mulher para mexer com seu coração como Camila mexeu e você tem medo. Tem medo de sofrer de novo, de perder de novo e acabou se segurando na primeira desculpa que arrumou. Essa transa dela com Gabriel".

Discordei dizendo que não tinha medo e Samuel concordou com Bia prosseguindo "Essa menina é um presente de Deus pra você, uma segunda chance e você está desperdiçando por besteira, justo em um momento difícil como esses que com certeza ela lhe apoiaria e daria força necessária pra lutar pela Thais. Eles transaram? Já foi, acabou, eu também transei com um monte de gente, com monte de mulheres e significou nada pra mim. Gabriel está preocupado com a Thais, sente nada por ela e ela é louca por você".

Olhei para ele, para Bia, Guga e perguntei ao último se ele também não teria nada pra falar. Guga me olhou e disse “Tenho, você é um bundão".

Meu IBOPE não estava muito alto mesmo.

Thais continuava o tratamento, mas nem só de notícias ruins vivíamos. Gabriel nesse período passou no teste e começou a novela. Fez sucesso e logo na primeira semana começava a dar autógrafos. Estampou umas capas de revista e deu entrevistas. Mas ele não conseguia viver essa felicidade. Não tinha como estar feliz com tudo que Thais passava.

Eu via Gabriel e lembrava de mim praticamente com a mesma idade passando por tudo aquilo. Mesmo em um grande momento profissional lhe via triste, compenetrado como nunca vira já que sua maior característica era ser um garoto expansivo, radiante. Eu conhecia aquela dor silenciosa, onde temos que aparentar força para que outros não esmoreçam. Não era fácil.

A situação afetava toda a família. Aproximavam-se os vinte anos junto de minha mãe com Osmar e eles que há tempos planejavam uma mega festa para comemorar resolveram cancelar o evento. Já esperava que isso ocorresse quando Osmar foi até minha casa comunicar.

Só não esperava a reação de Thais ao saber da notícia.

Thais ouviu minha conversa com Osmar onde eu concordava com o cancelamento e não aceitou. Argumentei que era melhor e ela perguntou "Melhor por quê? Tem alguém morrendo aqui?". ficamos em silêncio e ela continuou "Não tem ninguém morrendo, eu não estou morrendo, muito pelo contrário, tem uma pessoa nascendo e ela precisa de mim. Vamos celebrar a vida e as coisas boas que ela proporciona".

Osmar perguntou se ela tinha certeza e Thais respondeu "Toda. Por favor, não cancele, estará me condenando a morte".

Osmar me olhou, depois olhou Thais e lhe deu um abraço dizendo "Você é uma menina de ouro, lembra muito a minha Camila". Thais olhou para ele e pediu "Faça a melhor festa que puder".

Encaminhei Osmar para a porta e ele me perguntou se eu tinha notícias de Fernanda. Respondi que não e ele respondeu por mim "Eu tenho. Se desligou da Fundação e vai voltar pra Belém".

Tomei um susto com sua resposta e perguntei o porque. Ele me disse "Não sei, ela iria depois da festa apenas, mas como a mesma seria cancelada iria antecipar. Vou pedir que ela mantenha a data de depois".

Fiquei olhando pro vazio, pro nada enquanto Osmar abria a porta e me dizia "Amor não se desperdiça". Ele saiu e continuei em estado catatônico.

Despertei e olhei Thais que me observava. Dei um sorriso amarelo para ela e disse "Isso já aconteceu antes. Falaram pra mim que a Camila iria viajar. Eu me desesperei atrás dela e era armação da Bia". Ela continuou me olhando em silêncio e caí na real perguntando "Não é armação, né?". Thais apenas sorriu, beijou o
meu rosto e saiu.

Continua...


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ESPERANÇA E MEDO